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Stranger

Fandom: Sombras e osso

Criado: 27/07/2026

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RomanceFantasiaDramaAngústiaDor/ConfortoSombrioEstudo de PersonagemDivergênciaDismorfia CorporalPsicológicoCiúmesCenário CanônicoGravidez Não Planejada/Indesejada
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Sombras e Sedução: O Peso do Poder

A poeira de Keramzin sempre parecia se acumular nos lugares mais improváveis, mas para Clara, ela era apenas mais uma camada de invisibilidade. Enquanto Alina e Malyen corriam pelos campos, vivendo a liberdade de uma amizade que muitas vezes a deixava à margem, Clara permanecia nas sombras das cozinhas. O mundo nunca teve espaço para uma órfã cujas curvas eram vistas como um fardo, e não como uma promessa. No Primeiro Exército, ser "pesada" era sinônimo de ser inútil. Ninguém se deu ao trabalho de testá-la com a fita de Grisha. Por que gastar recursos com alguém que, aos olhos dos generais, mal conseguia acompanhar uma marcha?

Mas então veio o dia do Atravessamento. O dia em que o mundo descobriu a Conjuradora do Sol. E o dia em que Alexander Kirigan, o Darkling, olhou para além das camadas de insegurança de Clara.

Quando o comboio partiu em direção ao Pequeno Palácio, Alexander não levou apenas Alina. Ele insistiu que a amiga "ajudante de cozinha" também fosse. Alina, em seu próprio turbilhão de medo e glória, mal questionou. Mas Clara sentia o olhar dele. Era um olhar que não buscava falhas físicas, mas sim algo que pulsava sob sua pele, algo que queimava mais do que o sol de Alina.

— Você parece desconfortável com o veludo, Clara — disse Alexander, sua voz como seda negra, enquanto a carruagem balançava em direção a Os Alta.

Clara baixou o rosto, tentando esconder o queixo e a forma como o vestido apertava em sua cintura.

— Eu não pertenço a este lugar, Meu Senhor. Eu deveria estar nos vagões de suprimentos, ajudando com as refeições.

— O que você "deveria" ser é uma definição que os tolos criaram para você — ele respondeu, inclinando-se para frente. O cheiro de sândalo e frio emanava dele. — Eu vejo o que eles não veem.

No Pequeno Palácio, a dinâmica mudou drasticamente. Enquanto Alina era apresentada ao Rei como a salvadora de Ravka, Alexander manteve Clara em uma ala privada, longe dos olhos curiosos da corte e até mesmo do monarca. Ele sabia que o poder de Alina era o farol que distrairia todos, enquanto o verdadeiro tesouro permanecia em suas mãos, ainda não lapidado.

Uma noite, nas câmaras de treinamento subterrâneas, onde o som do mundo exterior não chegava, Alexander a levou para o centro do círculo de pedra.

— Respire, Clara. Não tente ser pequena. O mundo já tentou diminuir você o suficiente. Expanda-se.

— Eu não sei o que fazer — sussurrou ela, as mãos tremendo. — Eu não sou Grisha. Eu sou apenas... eu.

Alexander caminhou até ela, parando tão perto que Clara podia sentir o calor de seu corpo. Ele colocou as mãos sobre os ombros dela, e o toque enviou um choque elétrico por sua espinha.

— Eles a chamaram de gorda, de lenta, de desnecessária — ele murmurou perto de seu ouvido. — Mas eu vejo a energia que você retém. Você não é feita de carne comum, Clara. Você é feita de pura força. Deixe-a sair.

Clara fechou os olhos. Pela primeira vez na vida, alguém a estava tocando não com desdém, mas com uma intensidade que beirava a adoração. Ela queria agradá-lo. Ela queria ser o que ele via nela.

De repente, o ar na sala começou a vibrar. Não era a luz de Alina, nem as sombras de Alexander. Era uma distorção pura. As pedras do chão começaram a levitar, e uma pressão avassaladora preencheu o espaço. Clara sentiu como se estivesse se desfazendo e se reconstruindo ao mesmo tempo. Era o poder da gravidade, da massa, da própria essência da matéria.

Alexander observava, os olhos brilhando com uma obsessão faminta. Ele nunca vira nada igual. Ela não apenas manipulava elementos; ela manipulava a existência.

— Isso... — ele começou, a voz falhando por um momento de genuína surpresa — ... é magnífico.

A exaustão atingiu Clara como uma onda, e ela cambaleou. Alexander a segurou antes que ela atingisse o chão. O contato físico foi imediato e incendiário. Clara, que passara dezenove anos sendo ignorada, sentiu o peso do desejo de um homem que era um deus entre os mortais.

— Você está bem? — perguntou ele, ainda a segurando com firmeza, seus dedos cravando-se levemente na maciez de seus braços.

— Eu me sinto... viva — ofegou ela, olhando para os olhos escuros dele. — Ninguém nunca me olhou assim.

— Porque eles são cegos — Alexander aproximou o rosto do dela. — Eu nunca vou deixar que a ignorem novamente. Você é minha maior descoberta, Clara. Minha e de mais ninguém.

Ele a beijou então, um beijo que não tinha nada de gentil. Era possessivo, carregado de uma necessidade que Clara não entendia, mas à qual se entregava desesperadamente. Para ela, era amor. Para ela, era a primeira vez que alguém valorizava sua presença, seu corpo, sua força.

Eles se perderam um no outro ali mesmo, sobre o chão de pedra fria que ainda vibrava com o eco do poder dela. A cada toque, a cada carícia de Alexander nas curvas que Clara tanto odiava, ele sussurrava promessas de grandeza. Ele beijava as partes dela que ela tentava esconder, transformando sua insegurança em uma âncora que a prendia a ele.

Semanas se passaram, e a rotina se tornou um ciclo de manipulação e paixão. Alexander a visitava todas as noites. Ele a ensinava a controlar a gravidade, a esmagar objetos com o pensamento, a criar campos de força que nem mesmo o Corte de sombras dele poderia penetrar.

— O Rei não pode saber — ele dizia, enquanto traçava padrões na pele das costas dela após uma tarde de treinos intensos. — Ele tentaria usar você como uma arma barata. Eu quero que você seja a minha rainha das sombras, o poder que sustenta o mundo enquanto eu o governo.

— Eu farei o que você quiser, Alexander — respondia ela, completamente devota. — Você foi o único que me viu.

Mas para o General, a situação estava saindo do controle de uma forma que ele não previra. Ele era um mestre em manipular corações, mas o de Clara era tão puro e sua entrega tão total que ele começava a sentir uma ansiedade sufocante sempre que precisava se ausentar.

Em uma tarde quente, Alexander estava no acampamento militar, cercado por mapas e comandantes do Primeiro Exército. A discussão era sobre a Dobra e os suprimentos, mas sua mente estava a quilômetros dali, no quarto escondido do Pequeno Palácio.

— General? — chamou um dos oficiais. — O senhor concorda com o avanço pela rota norte?

Alexander não respondeu de imediato. Ele sentia uma pressão no peito, uma necessidade física de sentir o peso de Clara contra o seu corpo, de ouvir sua risada tímida quando ele a elogiava. A ausência dela era como um vácuo.

— Façam o que acharem melhor — disse ele, levantando-se abruptamente, para a surpresa de todos. — Tenho assuntos urgentes em Os Alta.

Ele cavalgou de volta como se o próprio inferno o perseguisse. Quando entrou nos aposentos de Clara, encontrou-a sentada à janela, olhando para os jardins onde Alina e Mal conversavam à distância. Clara parecia triste, pequena em sua solidão.

— Eles esqueceram de mim, não foi? — perguntou ela, sem se virar, sentindo a presença dele. — Alina tem o sol. Mal tem o rastreio. E eu sou apenas a garota que sumiu da cozinha.

Alexander caminhou até ela e a puxou para cima, forçando-a a encará-lo.

— Deixe que eles se esqueçam. Deixe que vivam suas vidas pequenas e insignificantes. Você tem a mim. E você tem um poder que poderia rasgar este país ao meio se você desejasse.

— Eu só desejo você — sussurrou ela, as lágrimas brilhando nos olhos.

Alexander a abraçou com uma força que quase a machucava. Ele a odiava por ser tão necessária para ele. Ele odiava o fato de que, enquanto planejava usar o poder dela para consolidar seu império, ele não conseguia passar uma noite sem o calor do corpo dela.

— Você não entende, Clara — murmurou ele contra o cabelo dela. — Estar longe de você é como tentar respirar sem ar.

Ele a levou para a cama, e naquela tarde, o amor que fizeram foi tingido de um desespero novo. Clara sentia que ele estava tentando fundir suas almas, enquanto Alexander tentava, em vão, silenciar a voz em sua mente que dizia que ele estava se tornando escravo de sua própria criação.

Enquanto Clara dormia, exausta e feliz, Alexander observava o brilho sutil que emanava da pele dela. Ela era o ser mais poderoso da Terra, e ela era dele. Ele continuaria a escondê-la do Rei, continuaria a alimentar sua fome de afeto e a manipular sua lealdade. Mas, no fundo de seu coração sombrio e milenar, ele sabia que o preço de ter Clara não era apenas o segredo de seu poder, mas a perda total de sua própria frieza.

E ele estava disposto a queimar o mundo inteiro para garantir que ela nunca descobrisse que, naquela relação, ele era quem estava verdadeiramente rendido.

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