
Harry Potter e Os 7 Weasleys - Maçã e Vidro
Fandom: Harry Potter
Criado: 27/07/2026
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O Sangue Real e as Sombras da Floresta Proibida
A neve caía silenciosa sobre os galhos retorcidos da Floresta Proibida, cobrindo o chão com um manto branco que escondia raízes traiçoeiras e segredos antigos. Harry, o Príncipe Perdido de Grifinória, apertava sua capa gasta contra o peito, tentando conter o tremor que não era apenas de frio, mas de memória.
Ele ainda podia ouvir, nos ecos de seus pesadelos, o som dos portões de ouro de Godric's Hollow sendo derrubados. Tinha apenas sete anos quando a escuridão tomou o trono. Voldemort, um bruxo de beleza gélida e crueldade sem limites, não aceitara a profecia sussurrada pelo Espelho de Ojesed. O artefato, que refletia não apenas o desejo, mas a verdade mais profunda da magia, fora claro: "Aquele que carrega a marca do raio será o rei bruxo mais poderoso e belo de todos, superando a sombra com a luz do coração."
Desde então, Harry era uma caça. Um herdeiro sem coroa vivendo nas sombras.
— Você não pode ficar parado aqui, Harry — sussurrou uma voz vinda de trás de um carvalho centenário.
Harry se virou rapidamente, a mão alcançando a varinha de azevinho que ele mesmo talhara. Relaxou ao ver os cabelos ruivos e o sorriso travesso de Rony.
— Eu estava apenas pensando... — Harry suspirou, o vapor de sua respiração formando pequenas nuvens no ar gélido. — O Reino de Grifinória está morrendo sob o comando dele. As flores murcharam, a magia está ficando cinza.
— E é por isso que estamos aqui — disse Rony, aproximando-se e oferecendo um pedaço de pão que parecia ter saído há pouco do forno. — Bill disse que o perímetro está seguro por hoje. Venha, Gina está preparando uma sopa que, segundo o Percy, tem a 'densidade nutricional exata' para um príncipe fugitivo.
Harry sorriu fracamente e seguiu o amigo. Os Sete Weasleys eram sua família agora. Bill, o mais velho, liderava o grupo com uma cicatriz no rosto e uma sabedoria que mantinha todos vivos. Charlie passava os dias rastreando as criaturas da floresta para garantir que nenhum Comensal da Morte se aproximasse. Percy mantinha os registros e a organização da pequena cabana escondida, enquanto os gêmeos, Fred e George, criavam armadilhas mágicas e distrações que deixariam qualquer troll confuso. E havia Gina, a mais nova, cujos olhos brilhavam com uma determinação que Harry admirava profundamente.
Ao entrarem na cabana, o calor do fogo os envolveu.
— Finalmente! — exclamou Fred, jogando uma bomba de bosta desativada para o alto. — O Príncipe da Sobrevivência decidiu se juntar aos meros mortais.
— Cale a boca, Fred — disse Bill, debruçado sobre um mapa antigo do castelo. — Harry, aproxime-se. Temos notícias da fronteira com a Sonserina.
O coração de Harry deu um salto. Sonserina. O reino vizinho, conhecido por sua astúcia e riqueza, mantinha uma neutralidade tensa com Voldemort. Mas não era a política que acelerava os batimentos de Harry, e sim a lembrança de um par de olhos cinzentos e cabelos loiros quase platinados.
Draco Malfoy. O príncipe herdeiro de Sonserina.
Eles se conheceram por acaso, anos atrás, em um riacho que dividia as terras. O que começou como uma rivalidade infantil transformou-se em algo que nenhum dos dois ousava nomear em voz alta. Um amor proibido, selado por cartas escondidas em ocos de árvores e encontros à meia-noite sob a luz da lua.
— O que houve? — perguntou Harry, tentando manter a voz firme. — Draco está bem?
Bill olhou para Harry com uma expressão de preocupação.
— O Rei Mau enviou um ultimato a Lucius Malfoy. Ele quer que a Sonserina entregue formalmente qualquer refugiado de Grifinória. Draco foi visto discutindo com o pai no pátio do castelo. Dizem que ele se recusou a jurar lealdade a Voldemort.
— Ele está correndo perigo por minha causa — Harry murmurou, sentindo o peso da culpa.
— Ele está lutando pelo que é certo — corrigiu Gina, saindo da cozinha com uma tigela fumegante. — Assim como nós.
— Harry — disse Percy, ajustando os óculos com seriedade —, o Espelho de Ojesed falou novamente. Voldemort está obcecado. Ele sabe que você ainda está vivo e sabe que sua magia está amadurecendo. Se ele conseguir capturá-lo antes do solstício de inverno, ele drenará sua essência para se tornar imortal.
— Eu não vou deixar isso acontecer — Harry afirmou, seus olhos verdes brilhando com uma intensidade súbita. — Eu não sou apenas um fugitivo. Eu sou o filho de Tiago e Lílian.
De repente, um assobio agudo ecoou do lado de fora. Era o sinal de Charlie.
— Visitantes — anunciou Bill, desembainhando sua espada.
Todos se colocaram em posição. Harry empunhou sua varinha, o coração martelando contra as costelas. A porta da cabana se abriu bruscamente, trazendo consigo uma lufada de neve e uma figura envolta em uma capa de veludo verde-esmeralda.
A figura cambaleou para dentro e removeu o capuz. O rosto pálido de Draco Malfoy estava manchado de fuligem e havia um corte pequeno em sua maçã do rosto, mas seus olhos cinzentos encontraram os de Harry com uma urgência abrasadora.
— Harry! — Draco exclamou, sua voz falhando.
— Draco? Como você nos encontrou? — Harry correu até ele, segurando seus ombros.
— Eu tive que vir — disse Draco, respirando com dificuldade. — Meu pai... ele fez um acordo. Ele vai permitir que os Comensais da Morte passem pelas nossas terras ao amanhecer. Eles sabem que você está no quadrante oeste da floresta.
— Eles estão vindo para cá? AGORA? — gritou Rony, derrubando sua caneca de hidromel.
— Eles estão a caminho — confirmou Draco, olhando para os Weasleys com uma mistura de arrogância defensiva e súplica. — Eu fugi para avisar. Harry, você precisa ir. Se Voldemort te pegar...
— Nós não vamos a lugar nenhum sem um plano — interrompeu Bill, sua voz calma comandando a sala. — Draco, você correu um grande risco vindo aqui. Por que?
Draco endireitou as costas, recuperando um pouco de sua postura aristocrática, embora sua mão estivesse firmemente entrelaçada na de Harry.
— Porque um reino de sombras não é um reino que vale a pena herdar — respondeu Draco, olhando nos olhos de Bill. — E porque eu prefiro ser um traidor da minha linhagem do que ver o verdadeiro rei cair.
Fred e George trocaram olhares surpresos.
— Ora, ora — disse George. — O doninha tem coração.
— Um coração bem caro, pelo visto — completou Fred, apontando para o broche de prata pura na capa de Draco.
— Parem com isso! — Harry pediu. — Se eles estão vindo, temos que lutar. Não podemos mais fugir. Se Voldemort quer o meu poder, ele terá que vir buscá-lo.
— Harry, você ainda não está pronto para enfrentá-lo sozinho — Percy advertiu. — A magia dele é antiga e sombria.
— Ele não estará sozinho — disse Gina, posicionando-se ao lado de Harry.
— Nunca — acrescentou Rony, pegando seu cajado de madeira de freixo.
Harry olhou para seus amigos, os sete irmãos que o acolheram quando ele não tinha nada além de trapos e uma cicatriz. Olhou para Draco, o príncipe que arriscou tudo pela verdade e pelo amor que florescera no solo mais improvável.
— Bill — disse Harry, sua voz agora carregada com a autoridade que o Espelho de Ojesed previra —, qual é o plano?
Bill abriu o mapa novamente, mas desta vez, não era para defesa. Era para o ataque.
— A Floresta Proibida tem defesas que Voldemort esqueceu — começou Bill. — Charlie, você vai atrair os testrálios para as alas leste. Fred, George, eu quero que vocês preparem o 'presente de boas-vindas' nos pântanos. Draco, você conhece as patrulhas da Sonserina. Pode nos dizer onde eles são mais fracos?
Draco assentiu, aproximando-se da mesa.
— Eles evitam as Cavernas dos Gritos. Acham que são amaldiçoadas.
— E são — disse Rony com um calafrio —, mas são as NOSSAS cavernas agora.
Enquanto o grupo se organizava, Harry e Draco se afastaram por um momento para o canto da cabana. A luz do fogo dançava nos cabelos de ambos, um contraste de ouro e ébano.
— Você não deveria ter vindo — sussurrou Harry, tocando o rosto de Draco. — Seu pai nunca vai te perdoar.
— Deixe que ele não perdoe — Draco respondeu, fechando os olhos ao sentir o toque de Harry. — Eu passei a vida toda sendo o que esperavam de mim. Mas quando o espelho disse que você era o mais poderoso, eu não senti inveja, Harry. Eu senti esperança. Porque eu sabia que só alguém como você poderia quebrar as correntes deste mundo.
Harry encostou sua testa na de Draco.
— Nós vamos recuperar Grifinória. E então, os nossos reinos não serão mais divididos por riachos e preconceitos.
— Promete? — perguntou Draco, um meio sorriso surgindo em seus lábios.
— Eu sou o Príncipe Perdido — disse Harry, beijando-o suavemente. — E eu finalmente me encontrei.
Lá fora, o uivo de um lobo sinalizou que o inimigo estava perto. Mas dentro daquela pequena cabana, cercado pelos Weasleys e com Draco ao seu lado, Harry Potter não sentia medo. O Rei Mau podia ter a coroa, mas o Príncipe tinha o povo, a coragem e a magia mais antiga de todas.
A batalha pelo futuro de Grifinória estava apenas começando. E a floresta, em toda a sua escuridão, estava pronta para proteger o seu legítimo senhor.
