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Violence

Fandom: Alien stage

Criado: 27/07/2026

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Herança de Sangue e Sombras

A estrada de terra parecia não ter fim, serpenteando por entre árvores de galhos retorcidos que pareciam observar o carro passar. O sol começava a baixar no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e roxo, mas a floresta ao redor já começava a engolir a luz. Dentro da van alugada, o clima era uma mistura de tédio e expectativa.

Luka segurava o volante com firmeza, seus olhos amarelos claros fixos no caminho acidentado. Ele ainda processava o luto, ou talvez apenas a estranheza de ter herdado aquele lugar. Seu avô, um homem recluso que mal via, tinha partido de um ataque cardíaco fulminante, deixando para trás apenas poeira, cercas velhas e uma propriedade isolada demais para o gosto de qualquer jovem de dezoito anos.

— Cara, se a gente for sequestrado por um maníaco do machado, eu vou culpar você, Luka — resmungou Till, encostando a cabeça na janela. Seu cabelo cinza estava mais bagunçado que o normal e ele batucava um ritmo de rock nas coxas, claramente impaciente.

— Relaxa, Till. É só uma fazenda. Ar puro, paz e... bom, cavalos — respondeu Luka, tentando manter o otimismo, embora seus olhos desviassem para o banco de trás, onde Hyuna estava sentada.

— Eu acho que vai ser divertido! — Hyuna exclamou, jogando o cabelo marrom para trás e lançando um sorriso travesso para Luka. — Imagina as fotos que a gente pode tirar. E eu ouvi dizer que o interior tem um charme... rústico.

Ao lado dela, Ivan soltou uma risada anasalada, cruzando os braços longos sobre o peito pálido.

— "Rústico" é um eufemismo para "caindo aos pedaços", Hyuna — Ivan disse, voltando seus olhos escuros para Till apenas para provocá-lo. — O Till já está tremendo de medo, não piore as coisas para o pobre garoto.

— Cala a boca, Ivan — rosnou Till, sentindo o rosto esquentar. — Eu não tenho medo de nada.

Sua, que estava sentada no canto, permanecia em silêncio, com um livro de capa escura sobre o colo. Seus olhos roxos mal se desviavam das páginas, ignorando a briga constante entre seu irmão, Ivan, e Till. Ela sentia a mão de Acorn sobre a sua, um gesto de carinho que a fazia sentir um leve desconforto no estômago. Acorn era gentil, tinha um sorriso doce e olhos castanhos que brilhavam quando olhavam para ela, mas aquele brilho não era retribuído. Ela gostava da companhia dele, mas o amor que ele sentia era um peso que ela ainda não sabia como carregar.

— Você está bem, Sua? — Acorn perguntou em voz baixa, aproximando-se.

— Sim — ela respondeu de forma curta, oferecendo um sorriso forçado que ele aceitou como genuíno. — Só estou cansada da viagem.

Finalmente, a van atravessou um portão de ferro enferrujado que ostentava as iniciais da família de Luka. A fazenda surgiu diante deles. Não era chique, longe disso. A casa principal era de madeira escura, com uma varanda que rangia só de olhar. Havia um celeiro imenso à direita, o cheiro de feno e animais pairando no ar, e um quiosque de madeira perto de uma piscina que parecia limpa, mas cujas águas refletiam o céu escuro de forma inquietante.

Assim que o motor desligou, o silêncio do lugar bateu neles como uma parede. Não havia som de carros, nem de cidade. Apenas o vento uivando entre as frestas das construções.

Um homem saiu das sombras do celeiro. Ele era robusto, com cerca de 1,60m de altura, mas ombros largos e mãos calejadas. Tinha uns 56 anos, cabelos grisalhos cortados bem rentes e uma barba rala que escondia uma cicatriz no queixo. Seus olhos eram pequenos e opacos, como pedras de rio.

— Vocês devem ser os netos do Sr. Arthur — a voz dele era rouca, como se não fosse usada há horas.

— Sou o Luka. E esse é o grupo de amigos que comentei por telefone — disse Luka, descendo do carro e estendendo a mão.

O homem ignorou o aperto de mão, apenas assentindo com a cabeça.

— Meu nome é Silas. Eu cuido deste lugar desde antes de você nascer. O velho deixou tudo em ordem, mas a fazenda tem suas regras. Não andem pelo mato depois que o sol sumir de vez.

— Por causa de animais? — perguntou Hyuna, curiosa, descendo da van e ajeitando o short curto.

Silas olhou para ela de cima a baixo, um olhar vazio que fez a garota recuar um passo.

— Por causa de tudo — respondeu ele secamente. — As chaves estão na porta. Vou terminar de dar água aos cavalos.

Ele se virou e caminhou de volta para o celeiro, seus passos pesados desaparecendo na escuridão da estrutura de madeira.

— Que cara simpático — ironizou Ivan, pegando sua mochila. — Já adorei o clima de "hospital psiquiátrico abandonado".

O grupo começou a se acomodar. A casa por dentro era rústica, cheia de móveis pesados e retratos antigos de pessoas que ninguém reconhecia. Till e Ivan imediatamente começaram a disputar quem ficaria com o melhor quarto, o que resultou em Ivan empurrando Till contra uma parede de madeira, rindo da irritação do outro.

— Tira a mão de mim, seu idiota! — Till exclamou, embora não fizesse um esforço real para se afastar.

— Ou o quê? Vai chorar para o Luka? — Ivan provocou, aproximando o rosto, o prazer de irritar Till sendo a única coisa que parecia animá-lo naquele lugar isolado.

Três horas se passaram. O sol já havia desaparecido completamente, e a fazenda agora era envolta por uma escuridão densa, quebrada apenas pelas luzes fracas da varanda e do quiosque. O grupo estava reunido na cozinha, comendo alguns lanches que haviam trazido, quando o som de um motor se aproximou.

— Ah, deve ser ela — disse Luka, limpando as mãos e se levantando.

— Ela quem? — perguntou Till, de boca cheia.

— Minha irmã. Mizi.

O grupo se entreolhou, confuso.

— Você nunca disse que tinha uma irmã, Luka — comentou Sua, fechando seu livro pela primeira vez na noite.

— É que a gente não se vê muito, ela morava com a nossa tia — explicou Luka, caminhando até a porta. — Mas ela também herdou a fazenda, então precisava vir.

Todos foram até a varanda. Um carro pequeno e esportivo estacionou logo atrás da van. Quando a porta se abriu, o tempo pareceu desacelerar.

Mizi saiu do carro com uma lentidão graciosa, espreguiçando-se como um gato. Ela tinha cabelos longos e ondulados, de um rosa vibrante que terminava em pontas azuladas, criando um contraste hipnotizante. Seus olhos eram de um dourado intenso, quase felinos, e sua pele tinha um viço natural que parecia brilhar mesmo sob a luz fraca da varanda. Ela vestia roupas confortáveis, mas que acentuavam sua beleza inegável.

— Finalmente cheguei... — a voz dela saiu baixa, aveludada, com uma cadência que fez o pescoço de Till arrepiar instantaneamente. — Que lugar longe, Luka. Eu quase dormi no volante umas três vezes.

— Você sempre quer dormir, Mizi — riu Luka, descendo os degraus para abraçá-la.

Till ficou paralisado na varanda. Ele nunca tinha visto ninguém como ela. O jeito preguiçoso, o sorriso de canto, a voz que parecia vibrar diretamente nos seus pensamentos. Ele sentiu o coração acelerar de um jeito que nunca tinha sentido antes, nem mesmo com a música mais pesada.

— Uau — murmurou Hyuna, impressionada. — Luka, você escondeu o ouro, hein?

Mizi subiu os degraus, seus olhos dourados percorrendo o grupo até pararem em Sua. Por um momento, o ar pareceu ficar mais pesado. Sua, que sempre mantinha uma expressão gélida e melancólica, sentiu um calor estranho subir pelo pescoço.

— Oi — disse Mizi, parando diante de Sua com um sorriso gentil e sonolento. — Eu sou a Mizi. Você deve ser a namorada do meu irmão?

— Não — Sua respondeu rapidamente, antes de se corrigir, sentindo o olhar de Acorn ao seu lado. — Quero dizer, eu sou a Sua. Namorada do Acorn. Amiga do Luka.

— Prazer, Sua — Mizi disse, sua voz soando como um segredo compartilhado. — Você tem olhos bonitos. Parecem tristes, mas bonitos.

Sua desviou o olhar, sentindo-se exposta. Ivan, observando a cena, soltou um assobio baixo, cutucando Till com o cotovelo.

— Parece que alguém ficou hipnotizado — sussurrou Ivan no ouvido de Till. — Fecha a boca, Till, vai entrar mosca.

— Vai se ferrar, Ivan — devolveu Till, mas não conseguiu desviar os olhos de Mizi.

A noite avançava, e o grupo voltou para dentro. Silas, o caseiro, apareceu na fresta da porta da cozinha apenas para avisar que estaria no celeiro se precisassem de algo, mas seu olhar permaneceu fixo em Mizi por um segundo a mais do que o necessário, um brilho estranho cruzando suas pupilas opacas antes de ele desaparecer na escuridão novamente.

A fazenda, agora completa com todos os seus habitantes temporários, parecia respirar. O vento batia nas janelas de vidro fino, e o som dos cavalos relinchando no celeiro ecoava de forma distorcida.

— Onde eu vou dormir? — perguntou Mizi, bocejando e encostando a cabeça no ombro de Luka. — Eu estou exausta.

— Tem um quarto sobrando no fim do corredor — Luka apontou. — É o mais silencioso.

— Ótimo — ela sorriu para o grupo, um sorriso que parecia iluminar a sala empoeirada. — Boa noite, pessoal. A gente se vê de manhã... se o sol resolver aparecer nesse fim de mundo.

Ela se retirou, seguida pelos olhares de quase todos na sala. Till sentiu um vazio estranho assim que ela saiu do campo de visão. Sua, por outro lado, sentiu uma inquietação que não conseguia explicar, um pressentimento de que aquela viagem não seria apenas sobre heranças e cavalos.

Lá fora, a escuridão da fazenda era total. O quiosque rangia com o vento, e a água da piscina, imóvel como um espelho negro, parecia esperar por algo. No celeiro, Silas afiava uma ferramenta velha de metal, o som do atrito ecoando no silêncio da noite, um prelúdio silencioso para o que estava por vir.

Ninguém ali sabia, mas o isolamento daquela fazenda não era apenas geográfico. Eles estavam entrando em um território onde as regras da civilização não alcançavam, e onde o passado do avô de Luka escondia segredos muito mais violentos do que um simples ataque cardíaco.

— Vamos dormir também — sugeriu Luka, embora sua voz soasse incerta. — Amanhã o dia vai ser longo.

— Vai mesmo — murmurou Ivan, olhando para a escuridão através da janela da cozinha, um sorriso enigmático brincando em seus lábios pálidos. — Eu sinto que as coisas vão ficar bem interessantes por aqui.

O grupo se dispersou pelos quartos, deixando a sala vazia e as sombras crescerem nas paredes. A primeira noite na fazenda havia começado, e o silêncio era apenas o disfarce para o horror que já começava a espreitar pelos cantos da propriedade.

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