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LILY POTTER

Fandom: Harry Potter

Criado: 27/07/2026

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O Sangue dos Potter

O Salão Comunal da Grifinória estava mergulhado em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo estalar das brasas na lareira. Lily Potter, sentada em uma das poltronas gastas, apertava o cabo de sua varinha com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. À sua frente, Harry andava de um lado para o outro, uma expressão de pura frustração estampada em seu rosto marcado pela cicatriz de raio.

— Ela não pode fazer isso, Harry! — Lily exclamou, sua voz vibrando com uma mistura de raiva e incredulidade. — Ela confiscou meu exemplar de O Pasquim só porque eu estava lendo a sua entrevista. Ela disse que era "literatura sediciosa".

Harry parou de caminhar e olhou para a irmã mais nova. Lily era a imagem viva de sua mãe, Evans: os mesmos cabelos ruivos escuros e os olhos verdes amendoados, mas havia algo no brilho daqueles olhos que lembrava muito a audácia de James Potter.

— A Umbridge está tentando calar qualquer um que tenha o sobrenome Potter, Lily — Harry disse, sua voz rouca de cansaço. — Para ela, nós somos o centro da "mentira". Ela quer que você se sinta isolada, quer que você duvide de mim.

— Ela vai ter que se esforçar mais do que isso — rebateu Lily, levantando-se. — Eu cresci com os Dursley, Harry. Eu sei lidar com gente que tenta me diminuir. Mas em Hogwarts? Este lugar deveria ser nossa casa.

A porta do retrato se abriu e Hermione e Rony entraram, ambos parecendo exaustos. Hermione carregava uma pilha de pergaminhos, enquanto Rony desabava no sofá mais próximo.

— A situação está piorando — anunciou Hermione, sem preâmbulos. — Umbridge acabou de postar o Decreto Educacional Número Vinte e Quatro. Todas as organizações estudantis estão dissolvidas.

— O quê? — Lily sentiu um frio na espinha. — Isso inclui o time de Quadribol?

— Tudo, Lily — respondeu Rony, amargurado. — A menos que ela dê permissão. E você sabe que ela nunca vai dar permissão para nada que nos envolva.

Lily sentiu a raiva borbulhar. Desde que chegara para o seu terceiro ano, Hogwarts parecia ter sido envolta em uma névoa cinzenta. A presença de Dolores Umbridge, com seus cardigãs cor-de-rosa e seu sorriso sacarino, era como um veneno que se espalhava pelos corredores. Para Lily, a perseguição era pessoal. Umbridge a vigiava nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas — que agora não passavam de leituras inúteis de livros de teoria — e sempre encontrava um motivo para tirar pontos da Grifinória por "comportamento inadequado" toda vez que Lily abria a boca.

— Nós não podemos ficar parados — disse Lily, aproximando-se do trio. — Se ela não vai nos ensinar a lutar, nós temos que aprender sozinhos. Harry, você viu o que aconteceu no ano passado. Você viu o... o Cedrico.

O nome do garoto falecido pairou no ar como um fantasma. Harry desviou o olhar, a dor ainda fresca em suas feições.

— Hermione deu uma ideia — disse Harry, olhando para a irmã. — Formar um grupo. Um grupo secreto.

— A Armada de Dumbledore — Lily sorriu pela primeira vez em dias. — Eu topo. Conte comigo para o que for preciso.

As semanas seguintes foram um borrão de adrenalina e sigilo. Lily provou ser uma das integrantes mais dedicadas da AD. Nas reuniões na Sala Precisa, ela observava Harry com orgulho enquanto ele ensinava feitiços complexos. Mas quando chegava a sua vez de praticar, Lily revelava um talento bruto que até mesmo Harry desconhecia.

— Muito bem, Lily! — exclamou Hermione, enquanto a garota desarmava Neville Longbottom pela quinta vez consecutiva. — Seu movimento de pulso é impecável.

— É a raiva — sussurrou Lily para a amiga, enquanto recuperava o fôlego. — Cada vez que eu penso na cara de sapo da Umbridge, meu Expelliarmus sai mais forte.

— Tente focar na proteção, não apenas no ataque — Harry aconselhou, aproximando-se deles. — Umbridge quer nos pegar no erro. Se formos pegos, Lily, ela vai mirar em você primeiro para chegar a mim.

— Eu sei me cuidar, Harry — Lily retrucou, embora o tom fosse carinhoso. — Você não é o único Potter que sabe duelar.

No entanto, a pressão fora da Sala Precisa era esmagadora. Certa tarde, enquanto Lily caminhava em direção à biblioteca, foi cercada por Draco Malfoy e seus capangas, Crabbe e Goyle.

— Olha só, se não é a Potterzinha — zombou Draco, bloqueando o caminho. — Ouvi dizer que seu irmão anda tendo pesadelos. Gritando à noite sobre o Lorde das Trevas? Deve ser genético, essa loucura de vocês.

— Saia da frente, Malfoy — disse Lily, sua voz fria e controlada.

— Ou o quê? Vai chorar para o Diretor? Dumbledore está com os dias contados, e vocês dois também — Draco deu um passo à frente, diminuindo a distância. — Meu pai diz que o Ministério vai dar um jeito nos Potter de uma vez por todas. Talvez você acabe como sua mãe, Lily. Um sacrifício inútil.

O sangue de Lily ferveu. Antes que pudesse pensar, ela sacou a varinha e a pressionou contra o queixo de Malfoy.

— Nunca mais fale da minha mãe — sibilou ela.

— Algum problema aqui, Srta. Potter? — A voz aguda e falsamente doce de Dolores Umbridge ecoou pelo corredor.

Lily sentiu o coração disparar. Umbridge estava parada a poucos metros, com sua prancheta na mão e um brilho triunfante nos olhos pequenos e saltados.

— O Sr. Malfoy estava apenas me cumprimentando, senhora — Lily mentiu, baixando a varinha lentamente.

— Vi uma varinha sacada, querida. E as regras são claras — Umbridge aproximou-se, o cheiro de perfume floral barato sufocando Lily. — Detenção. Hoje à noite, na minha sala.

A detenção com Umbridge foi pior do que qualquer coisa que Lily pudesse imaginar. A sala estava repleta de pratos decorativos com gatos que miavam, criando uma atmosfera bizarra.

— Você vai escrever algumas frases para mim, Srta. Potter — disse Umbridge, apontando para uma mesa pequena. — Não, não com a sua pena. Use a minha.

Lily pegou a pena longa e negra. Não havia tinta.

— Senhora, não tem tinta — observou Lily.

— Oh, você não vai precisar de tinta — respondeu Umbridge com um sorriso cruel. — Escreva: Não devo contar mentiras.

Lily começou a escrever. No instante em que a ponta da pena tocou o pergaminho, uma dor aguda e lancinante atravessou as costas de sua mão direita. Ela soltou um arquejo, mas não parou. As palavras começaram a aparecer no papel, vermelhas e brilhantes. E, simultaneamente, as mesmas palavras começaram a ser cortadas em sua própria pele, como se uma lâmina invisível a estivesse esculpindo.

O sangue escorreu, mas Lily não gritou. Ela pensou em Harry, pensou em seus pais, e pensou na injustiça de tudo aquilo. Ela olhou para Umbridge, que a observava com uma satisfação doentia. Lily endireitou as costas e continuou escrevendo, linha após linha, até que sua mão estivesse em carne viva.

Quando finalmente foi liberada, Lily correu para o Salão Comunal. Harry estava lá, esperando por ela. Ao ver a mão da irmã envolvida em um lenço ensanguentado, o rosto dele se transformou em uma máscara de fúria.

— Ela usou a pena de sangue em você? — Harry rugiu, pegando a mão da irmã com delicadeza. — Eu vou matá-la! Vou falar com o Sirius, vou...

— Não, Harry! — Lily o segurou. — É exatamente isso que ela quer. Ela quer que você perca o controle. Se você atacar uma funcionária do Ministério, você será expulso. E eu não vou deixar isso acontecer.

— Lily, olha o que ela fez com você...

— Eu sou uma Potter, Harry — ela disse, seus olhos brilhando com uma determinação feroz. — Nós sobrevivemos a coisas piores. Isso aqui é apenas uma cicatriz. Ela não vai me quebrar.

A conexão entre os irmãos parecia vibrar naquele momento. Harry viu em Lily não apenas a irmã que ele precisava proteger, mas uma aliada poderosa.

Meses depois, o mundo de Lily virou de cabeça para baixo. A descoberta da AD pela Brigada Inquisitorial, a fuga de Dumbledore e, finalmente, a visão que Harry teve de Sirius sendo torturado no Ministério da Magia.

— Nós temos que ir — disse Harry, enquanto eles se preparavam para deixar Hogwarts montados em Testrálios.

— Harry, é uma armadilha, eu sinto isso — Hermione tentou alertar.

— Se for, eu não vou deixar o Sirius sozinho — Harry rebateu.

Lily montou em seu Testrálio, sentindo a pele ossuda da criatura sob suas pernas. Ela nunca tinha visto os Testrálios até aquele ano; a visão da morte de Cedrico no final do torneio, embora ela estivesse nas arquibancadas, e as memórias fragmentadas daquela noite em Godric's Hollow agora permitiam que ela visse as criaturas aladas.

— Eu vou com você, Harry — Lily disse com firmeza. — Ele é minha família também.

A batalha no Departamento de Mistérios foi um caos de luzes e sombras. Lily se viu correndo por corredores repletos de profecias de cristal, o som de vidros quebrando ecoando como tiros. Quando os Comensais da Morte os cercaram, Lily não hesitou.

Stupefy! — gritou ela, derrubando um bruxo mascarado que tentava agarrar Neville.

— Cuidado, Lily! — Harry gritou, puxando-a para trás de um pedestal de pedra enquanto uma maldição verde passava raspando por suas cabeças.

— São muitos, Harry! — gritou Rony, tentando repelir dois atacantes ao mesmo tempo.

De repente, a sala foi inundada por uma luz branca. Os membros da Ordem da Fênix haviam chegado. Lily viu Sirius, Lupin e Tonks mergulharem na luta. Por um momento, a esperança brilhou. Ela viu Sirius lutando lado a lado com Harry, e uma sensação de pertencimento a preencheu. Aquela era a luta de sua família.

Mas a esperança foi curta. Lily estava a poucos metros de distância quando viu Bellatrix Lestrange conjurar o feitiço. Ela viu Sirius ser atingido no peito, o olhar de surpresa em seu rosto enquanto ele caía para trás, atravessando o véu arqueado no centro da sala.

— NÃO! — O grito de Harry rasgou o ar, mas Lily sentiu como se sua própria voz tivesse sido roubada.

O mundo pareceu desacelerar. Harry saiu correndo atrás de Bellatrix, cego de dor. Lily tentou segui-lo, mas Lupin a segurou.

— Harry! Lily! Não! — Lupin gritava, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

— Solte-me, Remus! Ele precisa de mim! — Lily lutava, chutando e empurrando, até que conseguiu se desvencilhar.

Ela correu pelo átrio do Ministério, chegando a tempo de ver o confronto final entre Dumbledore e Voldemort. A escala da magia era algo que ela nunca imaginara existir. O fogo, a água, a energia pura colidindo no centro do salão. Lily se encolheu atrás de uma estátua de ouro caída, observando com horror enquanto Voldemort tentava possuir a mente de Harry.

Ela viu seu irmão se contorcer no chão, sua voz ecoando em uma agonia inumana. Sem pensar nas consequências, Lily saiu de seu esconderijo e correu até ele.

— Harry! Harry, olhe para mim! — Ela se jogou ao lado dele, segurando sua mão, a mão que ainda carregava a cicatriz da detenção de Umbridge. — Você não está sozinho! Lembre-se da mamãe, lembre-se do Sirius! Ele não pode te ter se você tiver amor, Harry!

Voldemort, através dos olhos de Harry, olhou para a garota ruiva. Por um breve segundo, o Lorde das Trevas sentiu uma repulsa física. A presença de Lily, sua lealdade inabalável e a pureza de seu afeto pelo irmão eram como ácido para a alma fragmentada de Riddle.

Com um rugido de dor, Voldemort foi expelido da mente de Harry. O bruxo das trevas se materializou por um segundo, lançando um olhar de puro ódio para os dois irmãos Potter, antes de desaparecer quando os funcionários do Ministério começaram a chegar pelas lareiras.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Harry respirava com dificuldade, a cabeça apoiada no colo de Lily. Dumbledore aproximou-se deles, sua expressão carregada de uma tristeza infinita.

— Vocês foram muito corajosos — sussurrou o diretor.

Dias depois, de volta a Hogwarts, o clima era de luto, mas também de uma estranha clareza. O mundo bruxo finalmente aceitara a verdade: Voldemort estava de volta. Umbridge fora removida da escola, e o Ministério estava em polvorosa.

Lily e Harry estavam sentados à beira do Lago Negro, observando a lula gigante agitar a água.

— Eu sinto muito pelo Sirius, Harry — Lily disse suavemente, encostando a cabeça no ombro do irmão.

— Ele morreu lutando — Harry respondeu, sua voz distante. — Ele disse que eu e você... que nós éramos as pessoas mais corajosas que ele já conheceu.

Lily olhou para a cicatriz em sua mão, agora quase invisível, mas que sempre estaria lá.

— Nós vamos enfrentá-lo, não vamos? — perguntou ela. — Até o fim.

Harry pegou a mão dela e a apertou.

— Até o fim, Lily. Juntos.

Lily Potter sabia que os dias de inocência haviam acabado. Hogwarts não era mais apenas uma escola, era um campo de batalha. Mas enquanto olhava para o horizonte, ela não sentia medo. Ela era uma Potter, filha de James e Lily, irmã do Menino Que Sobreviveu. E ela estava pronta para escrever sua própria história nas páginas sombrias que viriam.

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