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Mugiwaras

Fandom: One piece

Criado: 28/07/2026

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A Lança de Prata e o Vento da Liberdade

O céu sobre a Ilha Kairus não era azul, mas de um cinza metálico, carregado com o cheiro de pólvora e o som distante de marteladas contra o ferro. Kairus não era apenas uma ilha no Novo Mundo; era uma fornalha de ideais. Ali, a Revolução não era um boato sussurrado em tabernas escuras, era a lei das ruas. Bandeiras vermelhas com o símbolo do Exército Revolucionário tremulavam em cada esquina, e o povo caminhava com o olhar vigilante de quem sabe que a opressão do Governo Mundial está sempre a um horizonte de distância.

Luffy caminhava pela avenida principal com as mãos na nuca, o chapéu de palha balançando nas costas. Ele não parecia nem um pouco incomodado com a tensão que pairava no ar.

— Que lugar barulhento! — exclamou Luffy, abrindo um sorriso largo enquanto olhava para as chaminés das fábricas de armamentos. — E o cheiro é engraçado. Parece que alguém esqueceu a frigideira no fogo!

— Isso se chama indústria, Luffy — explicou Robin, fechando o livro que carregava enquanto observava a arquitetura austera da ilha. — Kairus é o principal centro de suprimentos para os Revolucionários. É natural que o clima seja... intenso.

— Intenso é pouco — resmungou Nami, apertando o passo e conferindo o Log Pose em seu pulso. — O clima aqui muda a cada dez minutos e a pressão atmosférica está uma loucura. Precisamos estocar suprimentos e sair logo. Não quero estar aqui se a Marinha decidir dar as caras.

— Mas a comida parece boa! — Sanji girou sobre um calcanhar, com corações nos olhos enquanto observava as barracas de rua. — E as mulheres daqui têm um olhar tão determinado... é fascinante!

Zoro, que caminhava mais atrás com a mão no punho da Wado Ichimonji, parou subitamente. Seus olhos se estreitaram.

— O clima mudou — disse ele, a voz baixa e rouca.

— Como assim, Zoro? — perguntou Chopper, agarrando-se à perna de Usopp. — Vai chover?

— Não é chuva, pequeno — respondeu Jimbe, cruzando os braços robustos sobre o peito. — É a intenção de matar.

De repente, o som metálico de correntes e o disparo de mosquetes ecoaram de uma praça próxima. O grupo de piratas se entreolhou e, sem precisar de ordens, seguiu Luffy, que já corria em direção ao barulho.

Ao chegarem à Praça da Resistência, a cena era brutal. Um destacamento da CP0, os agentes mascarados do Governo Mundial que agiam nas sombras, havia se infiltrado na ilha. Eles cercavam uma única figura que estava ajoelhada no centro do pátio, mas que, mesmo ferida, não parecia derrotada.

Era uma mulher. Sua pele negra brilhava com o suor da batalha sob o sol pálido. Os cabelos brancos, longos e trançados com fios de prata, caíam sobre seus ombros, contrastando com a tatuagem tribal que subia pelo braço direito e envolvia seu pescoço como uma serpente de tinta. Uma cicatriz profunda atravessava seu olho esquerdo, uma marca de guerra que só a tornava mais intimidadora. Ao seu lado, cravada no chão de pedra, estava uma lança de ponta dupla, feita de um metal que parecia absorver a luz.

— Azuri Yakamani — disse um dos agentes mascarados, apontando uma pistola de cano longo para a cabeça dela. — Capitã da Terceira Divisão do Exército Revolucionário. Sua jornada termina aqui. Kairus cairá assim que sua cabeça for exibida em Mary Geoise.

Azuri cuspiu sangue no chão e soltou uma risada seca, que soou como o arranhar de metal.

— Vocês, cães do Governo, sempre falam demais — disse ela, a voz firme apesar do cansaço. — Podem me matar, mas não podem matar o vento. E o vento da revolução já está soprando forte demais para vocês pararem.

Quando o agente puxou o gatilho, um vulto vermelho e azul cruzou o ar.

— Gomu Gomu no... Jet Pistol!

O soco de Luffy atingiu o agente com a força de um canhão, lançando-o contra uma parede de tijolos que desabou instantaneamente. O silêncio caiu sobre a praça enquanto os Chapéus de Palha se posicionavam ao redor da mulher ferida.

— Quem são vocês? — perguntou Azuri, forçando-se a ficar de pé e agarrando sua lança. — Não parecem ser do Exército.

— Somos piratas! — anunciou Luffy, ajeitando o chapéu de palha e sorrindo para ela. — E eu não gosto de gente que ataca os outros em bando quando eles estão machucados.

— Piratas... — Azuri olhou para Zoro, que já desembainhava suas espadas, e para Sanji, que acendia um cigarro com um olhar mortal. — O Chapéu de Palha? O filho do Comandante Dragon?

— O quê? O Dragon tem um filho? — Luffy inclinou a cabeça, confuso, enquanto os outros caíam para trás em um momento cômico.

— Não é hora para isso, Luffy! — gritou Nami. — Temos companhia!

Mais agentes da CP0 e soldados de elite da Marinha surgiram dos telhados. O combate explodiu em um instante.

Zoro interceptou dois espadachins com um movimento fluido, as lâminas tilintando no ar.

— Santoryu... Rengoku Oni Giri! — O corte em forma de X enviou os inimigos pelos ares.

Sanji saltou, suas pernas pegando fogo.

— Diable Jambe... Venaison Shoot! — Uma sequência de chutes rápidos desintegrou a defesa dos soldados que tentavam flanquear Brook e Robin.

Brook desembainhou sua Soul Solid, o frio do submundo emanando da lâmina.

— Hanauta Sancho: Yahazu Giri! — Ele passou pelos inimigos tão rápido que eles só sentiram o corte quando ele já estava guardando a espada. — Oh, que música gelada, não é? Embora eu não tenha ouvidos para ouvir... Yohohoho!

Franky e Usopp montaram uma linha de defesa. Franky disparava raios de luz de seus ombros, enquanto Usopp lançava sementes pop greens que se transformavam em plantas carnívoras gigantes.

— Superrrr! — gritou o ciborgue. — Ninguém toca na nossa nova amiga!

No centro do caos, Azuri Yakamani não ficou parada. Mesmo ferida, ela girou sua lança com uma maestria hipnotizante. A arma parecia uma extensão de seu próprio corpo. Ela saltou, a lança brilhando com Haki do Armamento, e perfurou o escudo de um agente pesado, derrubando-o com um movimento giratório.

— Você luta bem — observou Jimbe, golpeando o ar e criando ondas de choque que derrubavam fileiras de marinheiros. — Sua técnica de lança é muito refinada.

— Aprendi a sobreviver nas trincheiras — respondeu Azuri, ofegante. — Mas admito que a ajuda é bem-vinda, Homem-Peixe.

A batalha não durou muito. Com a força combinada dos Chapéus de Palha, os agentes da CP0 que restaram foram forçados a recuar, desaparecendo nas sombras da cidade. O povo de Kairus, que observava das janelas, começou a sair às ruas, soltando gritos de vitória.

Luffy caminhou até Azuri, que agora usava sua lança como apoio para não cair. Chopper correu até ela com sua mochila de primeiros socorros.

— Espere! Você está muito machucada! — gritou a pequena rena. — Deixe-me cuidar desses cortes!

Azuri olhou para o pequeno médico com surpresa, mas permitiu que ele aplicasse bandagens e pomadas. Ela então focou seu olhar em Luffy.

— Por que nos ajudaram? — perguntou ela. — Vocês são piratas. A maioria dos piratas teria aproveitado a confusão para saquear a cidade.

— Eu não sou como a maioria dos piratas — disse Luffy, aproximando-se dela. Ele a encarou intensamente, o que fez Azuri recuar um passo, confusa.

— O que foi? — perguntou ela, a mão indo instintivamente para o cabo da lança.

Luffy abriu um sorriso de orelha a orelha.

— Você é muito legal! Suas tranças são incríveis e você luta com um palito gigante! E você é corajosa pra caramba.

— Um palito gigante? Isso é uma lança sagrada de... — Ela parou, suspirando. — Esqueça.

— Ei, Azuri — disse Luffy, o tom de voz mudando para algo mais sério, mas ainda carregado de sua característica espontaneidade. — Eu decidi.

— Decidiu o quê? — perguntou a revolucionária.

— Você vai entrar para o meu bando! Seja minha companheira!

O silêncio caiu sobre a praça novamente. Nami deu um tapa na própria testa. Zoro deu um sorriso de canto. Sanji começou a flutuar ao redor de Azuri com bandejas de petiscos que ele parecia ter tirado do nada.

— Luffy, você não pode simplesmente sair convidando capitães revolucionários para o bando! — exclamou Nami. — Ela tem responsabilidades, uma causa!

— Mas ela é forte! — insistiu Luffy. — E eu gostei dela. Vai ser divertido!

Azuri olhou para o grupo à sua frente. Havia um esqueleto músico, uma rena médica, um ciborgue gigante, uma arqueóloga com um sorriso enigmático, um atirador narigudo, um cozinheiro apaixonado, um timoneiro lendário, um espadachim de três espadas e um capitão que parecia não ter um pingo de juízo, mas cujos olhos brilhavam com uma determinação que ela só vira em Dragon.

Ela olhou para sua lança e depois para as bandeiras revolucionárias que ainda tremulavam na praça.

— Eu lutei por esta ilha minha vida toda — disse Azuri, a voz suave agora. — Minha missão era garantir que Kairus fosse livre. Mas, olhando para vocês... sinto que a verdadeira liberdade não está em um lugar, mas no horizonte.

— Exatamente! — Luffy estendeu a mão para ela. — Vamos ver o que tem depois do horizonte.

Azuri olhou para a mão de Luffy e depois para seus novos companheiros. Ela deu um sorriso raro, que iluminou seu rosto marcado pela cicatriz.

— Eu sou uma revolucionária, Chapéu de Palha. Se eu for com você, o Governo Mundial nunca nos deixará em paz.

— Eles já não deixam mesmo! — riu Luffy.

Azuri apertou a mão de Luffy, sentindo a energia transbordar do garoto.

— Então, capitão... espero que seu navio tenha espaço para uma lanceira.

— Shishishi! Tem espaço para todo mundo! — Luffy gritou para o céu. — Pessoal, temos uma nova companheira! Vamos festejar!

— Comida! — gritou Sanji.

— Música! — Brook começou a tocar seu violino.

Enquanto a tripulação se dirigia de volta ao Thousand Sunny, Azuri Yakamani caminhava ao lado deles, sentindo pela primeira vez em anos que não precisava carregar o peso do mundo sozinha. O vento de Kairus soprava em suas costas, empurrando-a para uma nova era. E, no braço tatuado, sua lança brilhava, pronta para perfurar qualquer obstáculo que se atrevesse a entrar no caminho do futuro Rei dos Piratas.

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