
Oliver!
Fandom: Fundamental paper education FPE!
Criado: 28/07/2026
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Sombras do Passado
O silêncio nos corredores da Paper School era costumeiramente preenchido pelo som de passos apressados ou pelas risadas travessas de Oliver, Zip e Edward. Oliver, com seu braço de lápis e seu hábito peculiar de comer sabonete, era a imagem da confiança e da rebeldia. No entanto, naquela noite, enquanto o sono o envolvia em seu dormitório, a mente do garoto de cabelos brancos traiu sua segurança, arrastando-o de volta para o abismo de suas memórias mais sombrias.
No sonho, ou melhor, na lembrança vívida, Oliver não era o aluno popular e destemido. Ele era apenas uma criança pequena, com os cabelos longos e brancos já presos naquele laço preto, sentindo o peso do abandono e do terror.
A cena começou de forma abrupta. Oliver estava deitado em sua cama antiga, o corpo trêmulo sob os lençóis. A porta do quarto foi escancarada com um estrondo que ecoou como um trovão. Miss Iggy e Mister Manlur entraram, as silhuetas distorcidas pela raiva e pelo estresse acumulado de um dia que Oliver não compreendia.
— Por favor, não... — implorou Oliver, a voz falhando enquanto ele era arrancado da cama pelas mãos rudes de seus pais. — Eu me comportei, eu juro!
Miss Iggy, com o rosto endurecido pela indiferença e pela irritação de quem considerava o próprio filho um fardo, não disse uma palavra de conforto. Ela o arrastou pelo braço, ignorando o choro desesperado da criança.
— Cale a boca, Oliver — sibilou ela, jogando o menino com força sobre um colchão velho e mofado que estava no centro do quarto. — Ninguém quer ouvir seus gritos.
Mister Manlur deu um passo à frente, os punhos cerrados e os olhos injetados de uma fúria instável. Oliver tentou se levantar, os pés descalços escorregando no tecido áspero, mas os dois adultos avançaram sobre ele, prendendo-o contra a superfície fria.
— Socorro! Alguém me ajude! — gritou Oliver, as lágrimas manchando a marca de "A+" em seu rosto, um símbolo que na época parecia mais uma marca de gado do que uma nota de orgulho.
— Eu já disse para calar a boca! — gritou Miss Iggy, desferindo um olhar gélido ao filho antes de se virar para o marido.
Mister Manlur colocou a mão no ombro da esposa, um gesto que não continha afeto, mas sim uma ordem implícita.
— Saia, Iggy — ordenou Manlur, a voz rouca e carregada de uma intenção sinistra. — Deixe-nos sozinhos. Eu vou cuidar dele.
Iggy assentiu, saindo do quarto sem olhar para trás. O som da porta se fechando e a chave girando na fechadura selaram o destino de Oliver naquele momento. O garoto tentou correr para a porta, os pulmões ardendo, mas Manlur foi mais rápido. Ele agarrou Oliver pelo pescoço da camisa laranja e o jogou de volta ao colchão.
— Você não vai a lugar nenhum — afirmou Manlur, pegando um rolo de fita adesiva que estava sobre uma mesa lateral.
— Não, pai! Por favor! — Oliver soluçava, o desespero atingindo um nível insuportável.
— Eu mandei calar a boca.
Manlur puxou a fita com um ruído estridente. Antes que Oliver pudesse gritar novamente, a fita foi pressionada contra seus lábios, abafando qualquer som que não fosse um gemido ruidoso e desesperado. Oliver lutava, chutando com suas pernas vestidas em bermudas verdes, mas Manlur usou o restante da fita e cordas para amarrar os pulsos e tornozelos do menino ao colchão.
Oliver estava imobilizado. O peito subia e descia rapidamente, e seus olhos grandes e aterrorizados observavam cada movimento do pai. Manlur se inclinou sobre ele, a sombra cobrindo o corpo pequeno do filho.
— Agora você vai aprender a ser um bom menino — sussurrou Manlur, passando a mão pelo queixo de Oliver de forma lenta e maliciosa. — Não é, filhinho?
O terror nos olhos de Oliver aumentou quando ele viu o pai começar a se despir. Manlur removeu a calça, revelando-se completamente para a criança que não tinha para onde fugir. O choque paralisou Oliver por um segundo, o choro abafado pela fita tornando-se um som gutural de pura agonia mental.
Manlur estendeu a mão e arrancou a fita da boca de Oliver de uma só vez, causando uma dor aguda na pele sensível do menino.
— Por que você está fazendo isso?! — gritou Oliver, a voz rouca de tanto chorar. — Eu odeio você! Eu odeio todos vocês!
— Chore o quanto quiser — disse Manlur, sem demonstrar qualquer remorso.
Sem aviso, Manlur forçou seu órgão para dentro da boca de Oliver, interrompendo qualquer protesto adicional. O menino engasgou, os olhos arregalados, sons sufocados saindo de sua garganta enquanto ele tentava, inutilmente, virar o rosto.
Enquanto cometia o ato, Manlur começou a passar a mão pela cabeça de Oliver, acariciando os cabelos brancos de forma hipócrita e cruel.
— Viu só? — provocou Manlur, observando o sofrimento do filho. — Você sempre foi o meu favorito, Oliver. Tão pequeno, tão indefeso.
Oliver sentia o mundo girar. A humilhação e a dor física se misturavam a um sentimento de sujeira que ele nunca conseguiria lavar. Cada carícia no cabelo era como um insulto, cada movimento do pai era uma violação de sua alma. Ele fechou os olhos com força, desejando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, desejando que alguém — qualquer pessoa — entrasse por aquela porta.
Mas ninguém veio.
Na escuridão de sua mente, o Oliver do presente despertou subitamente em seu quarto na Paper School. Ele estava suando frio, a respiração curta e pesada. Ele levou a mão de carne ao rosto, sentindo a pele seca, e depois olhou para o seu braço de lápis, o lembrete constante de que ele havia sobrevivido, mas que as cicatrizes eram permanentes.
Ele se sentou na beira da cama, o silêncio do dormitório agora parecendo opressor. Oliver pegou um pedaço de sabonete que estava na mesa de cabeceira e deu uma mordida nervosa, tentando substituir o gosto amargo das memórias pelo sabor artificial da limpeza.
— Foi apenas um sonho — sussurrou para si mesmo, embora soubesse que era a verdade de seu passado. — Eu não sou mais aquele garoto.
Ele se levantou e caminhou até o espelho, ajustando o laço preto em seu rabo de cavalo baixo. A marca de "A+" brilhava sob a luz fraca da lua que entrava pela janela. Ele precisava encontrar Zip ou Edward. Precisava de barulho, de travessuras, de qualquer coisa que o fizesse esquecer o toque de Mister Manlur e a negligência de Miss Iggy.
Oliver sabia que, na Paper School, ele era o predador, não a presa. Mas, nas profundezas da noite, ele ainda era o menino amarrado ao colchão, esperando por um socorro que nunca chegou.
