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My royal lady

Fandom: LMSY

Criado: 28/07/2026

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RomanceDramaAngústiaFantasiaSombrioPsicológicoEstudo de Personagem
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O Labirinto de Seda e Ferro

A Fortaleza de Punyapat não era um lugar de luz. Construída com pedras negras que pareciam absorver o calor do sol, a estrutura erguia-se contra o horizonte como uma sentinela eterna e implacável. No entanto, dentro dos aposentos da torre leste, o cenário era outro. Havia tapetes tecidos com fios de ouro, sedas vindas do oriente e o perfume doce de jasmins frescos que eram trocados três vezes ao dia. Era uma gaiola, sem dúvida, mas uma gaiola que custava mais do que o tesouro anual de muitos ducados vizinhos.

Sonya Pedersen estava sentada à beira da cama monumental, seus olhos castanhos percorrendo o quarto com uma mistura de tédio e indignação. Seus pulsos, embora envoltos em tiras de couro macio para não ferir sua pele delicada, permaneciam atados à frente do corpo. Uma precaução necessária, segundo sua captora, após a terceira tentativa de Sonya de usar um garfo de prata como arma improvisada.

A porta pesada de carvalho rangeu, e o ar no quarto pareceu esfriar e se comprimir instantaneamente. Sonya não precisava olhar para saber quem era. O som das botas militares batendo com cadência rítmica no chão de pedra era inconfundível.

Lookmhee Punyapat entrou no recinto. Com seus 1,80m de altura, ela parecia ocupar todo o espaço disponível. O uniforme negro de comandante estava impecável, e o anel da família Punyapat, pendurado em um cordão de prata sobre seu peito, brilhava sob a luz das velas.

A comandante parou a poucos passos de Sonya. Seu olho direito, afiado como o de um falcão, analisava cada detalhe da princesa, enquanto o esquerdo, levemente desfocado por uma antiga ferida de guerra, dava a ela um ar ainda mais enigmático e perigoso. A cicatriz no canto da boca de Lookmhee repuxou levemente quando ela esboçou o que poderia ser chamado de um sorriso seco.

— Você não tocou nas codornas — observou Lookmhee, sua voz era um barítono baixo e rouco que vibrava no peito de Sonya. — O cozinheiro será açoitado se a comida não estiver do seu agrado, Sonya.

A princesa levantou o queixo, as sardas em seu nariz parecendo brilhar de raiva.

— O cozinheiro é excelente, Lookmhee. O que me tira o apetite é a sua hospitalidade forçada. E eu já disse para não me chamar pelo primeiro nome. Para você, sou Alteza.

Lookmhee soltou um riso curto, desprovido de humor, e deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas. A comandante inclinou-se, o cheiro de couro, pólvora e um toque sutil de sândalo invadindo os sentidos de Sonya.

— Você está na minha Fortaleza, no meu reino, e sob a minha guarda — disse Lookmhee, a voz agora mais suave, quase uma carícia. — Aqui, você é o que eu decidir que você seja. E, no momento, você é a minha joia mais preciosa.

Lookmhee estendeu a mão enluvada, cujas cicatrizes por baixo do couro contavam histórias de batalhas que Sonya mal podia imaginar, e tentou segurar o queixo da princesa para forçá-la a sustentar o olhar.

O movimento de Sonya foi instintivo e rápido. Em vez de recuar, ela avançou. Com um rosnado baixo, a princesa cravou os dentes com força na lateral da mão de Lookmhee, logo acima do polegar.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Sonya não soltou até sentir o gosto metálico do sangue. Quando finalmente se afastou, seus olhos brilhavam com um desafio feroz, esperando o golpe, a fúria, o grito.

Lookmhee, no entanto, não se moveu. Ela olhou para a marca profunda dos dentes de Sonya em sua pele, onde o sangue começava a brotar em pequenas pérolas vermelhas. Lentamente, ela levou a mão ferida aos lábios e lambeu o próprio sangue, sem nunca desviar os olhos da princesa.

— Você tem fogo — murmurou Lookmhee, e para o horror de Sonya, havia admiração em seu tom. — O seu pai é um tolo. Ele a tratava como um vaso de porcelana que poderia quebrar a qualquer momento. Ele nunca viu a arma que você poderia ser.

— Eu não sou uma arma! — rebateu Sonya, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. — E não sou sua!

— Ainda não — Lookmhee deu mais um passo, forçando Sonya a recuar até que suas costas encontrassem a cabeceira da cama. A comandante apoiou as mãos de cada lado do corpo da princesa, cercando-a. — Mas você vai admitir, Sonya... você nunca foi tão bem cuidada em Pedersen. Lá, você era apenas uma moeda de troca política. Aqui, você é o centro do meu mundo.

— Um mundo de sombras e medo — cuspiu Sonya, embora uma parte traidora de sua mente notasse como a presença física de Lookmhee, embora intimidadora, trazia uma estranha sensação de segurança. Ninguém ousaria tocar em Sonya enquanto ela estivesse sob a sombra de Lookmhee. Ninguém ousaria sequer olhar para ela da maneira errada.

Lookmhee aproximou o rosto do pescoço de Sonya, respirando fundo, fechando os olhos por um momento.

— Eu amo cada uma dessas sardas — sussurrou a comandante contra a pele quente da princesa. — Elas parecem constelações que eu pretendo mapear, uma por uma.

Sonya sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e não era de medo. Era uma reação visceral à possessividade crua na voz de Lookmhee. Ela odiava o modo como a comandante a observava, como se soubesse todos os seus segredos, como se soubesse que, no fundo, Sonya estava cansada da gentileza frágil da corte de seu pai.

— Por que eu? — perguntou Sonya, sua voz falhando levemente. — Existem centenas de princesas e herdeiras. Por que se dar ao trabalho de começar uma guerra com Pedersen por minha causa?

Lookmhee afastou-se apenas o suficiente para olhar Sonya nos olhos. O olho esquerdo, o que enxergava o mundo de forma turva, parecia mais suave agora.

— Porque você é a única que me olha sem desviar os olhos — respondeu Lookmhee com uma sinceridade brutal. — Todos os outros tremem. Todos os outros mentem. Mas você... você me morde. Você me desafia. Você é a única pessoa inteligente o suficiente para entender que o poder não é algo que se pede, é algo que se toma. E eu tomei você para mim.

Lookmhee levou a mão ilesa ao cordão em seu pescoço, puxando o anel dos Punyapat.

— Em breve, este anel estará no seu dedo. E você se sentará ao meu lado, não como uma prisioneira, mas como a Rainha que este mundo teme e respeita.

— Eu prefiro morrer a ser sua rainha — declarou Sonya, embora suas mãos amarradas estivessem tremendo.

Lookmhee soltou um riso sombrio e inclinou-se, depositando um beijo casto, mas carregado de promessas, na testa de Sonya.

— Você diz isso agora. Mas hoje à noite, quando as luzes se apagarem e você estiver cercada por este luxo que eu lhe providenciei, você vai pensar no fato de que ninguém nunca a protegeu como eu. Você vai pensar no fato de que eu sangraria por você, Sonya. E, eventualmente, você vai parar de morder a mão que a alimenta e começará a desejar o toque dela.

A comandante endireitou o corpo, ajustando o uniforme.

— Vou mandar trazerem flores novas. Lírios, os seus favoritos. E Sonya... — Lookmhee parou à porta, olhando por cima do ombro. — Tente não se machucar com essas cordas. Eu odeio ver marcas em você que não tenham sido causadas por mim.

A porta se fechou com um estrondo surdo, deixando Sonya no silêncio opressor do quarto luxuoso. Ela olhou para os pulsos amarrados e depois para a porta.

Ela deveria estar planejando sua fuga. Deveria estar rezando para que o exército de seu pai aparecesse no horizonte. Mas, enquanto se deitava nos lençóis de seda que cheiravam a jasmim, Sonya não pôde deixar de notar que, pela primeira vez em anos, ela não se sentia como uma peça de xadrez sendo movida por mãos invisíveis.

Pela primeira vez, ela era o prêmio. E a tirana que a mantinha presa era a única pessoa que parecia realmente enxergar a mulher por trás da coroa.

Sonya fechou os olhos, o gosto de sangue de Lookmhee ainda persistindo em seus lábios, uma promessa sombria de que a guerra entre elas estava apenas começando — e que a rendição, quando viesse, seria a coisa mais doce que ela já experimentara.

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