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Fandom: americano psicopata

Criado: 28/07/2026

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O Reflexo no Aço Escovado

O escritório de Patrick Bateman na Pierce & Pierce era um santuário de minimalismo e opulência fria. O cheiro de móveis de couro novos, produtos de limpeza caros e o perfume adstringente de Patrick — uma mistura personalizada de sândalo e algo metálico — preenchia o ar. Maya estava parada diante da mesa dele, segurando uma pasta de couro com os relatórios da Fisher Account. Suas mãos suavam levemente, e ela tentava, sem sucesso, ajeitar a saia lápis que parecia sempre apertada demais em seus quadris.

Patrick não olhou para cima imediatamente. Ele estava concentrado em ajustar a posição de um porta-cartões de cristal, movendo-o milimetricamente para a esquerda. Ele parecia impecável, como sempre. O terno Valentino caía perfeitamente sobre seus ombros largos, e cada fio de cabelo estava colado no lugar com uma precisão cirúrgica.

— Os relatórios, Sr. Bateman — disse ela, a voz saindo um pouco mais aguda do que pretendia.

Ele finalmente ergueu os olhos. O olhar de Patrick era como uma lâmina de barbear: frio, eficiente e desprovido de qualquer calor humano reconhecível. Era difícil conciliar aquele homem com o homem que, três noites atrás, havia apertado o pescoço dela contra os lençóis de cetim de seu apartamento no Upper West Side, sussurrando comandos que ela obedecera sem questionar.

— Deixe-os aí, Maya — respondeu ele, a voz monótona e elegante. — E peça para a recepção cancelar meu almoço no Le Bernardin. Decidi que quero o menu degustação do Dorsia, mas eles estão sendo... difíceis. Resolva isso.

— O Dorsia é quase impossível para hoje, senhor — arriscou ela, sentindo o peso da própria insegurança. — Mas vou tentar o meu melhor.

Patrick se levantou lentamente, contornando a mesa. Ele parou a poucos centímetros dela. Maya podia sentir o calor emanando de seu corpo, um contraste bizarro com a frieza de sua expressão. Ele estendeu a mão e, por um momento, ela achou que ele fosse tocar seu rosto. Em vez disso, ele apenas ajeitou o colarinho da blusa dela, que estava levemente torto. O toque foi possessivo, mas clínico.

— "Tentar" não é o que eu espero de você, Maya — sussurrou ele, aproximando-se do ouvido dela. — Você sabe que eu gosto de ordem. Gosto que as coisas aconteçam exatamente como eu planejo.

— Eu sei, Patrick — respondeu ela, esquecendo-se da formalidade por um segundo.

O olhar dele endureceu instantaneamente.

— Sr. Bateman. Aqui, eu sou o seu superior. O que aconteceu no meu apartamento... — ele fez uma pausa, um sorriso gélido e sem dentes curvando seus lábios — ...foi um exercício de alívio de estresse. Não confunda as coisas. Eu não sou o tipo de homem que "assume" compromissos, especialmente com alguém que mal consegue controlar a própria respiração quando eu entro na sala.

Maya sentiu a pontada familiar de humilhação no peito, mas a engoliu. Ela estava acostumada. Na verdade, a crueldade dele era uma espécie de âncora. No mundo caótico e aterrorizante de Nova York, a previsibilidade da arrogância de Patrick a fazia se sentir, de certa forma, segura.

— Sim, Sr. Bateman. Peço desculpas.

— Ótimo — disse ele, voltando para sua cadeira e pegando um exemplar da Wall Street Journal. — Agora vá. E Maya? Use aquele vestido preto hoje à noite. O de seda. Vou precisar que você passe no meu apartamento para organizar alguns arquivos pessoais por volta das dez.

— Estarei lá.

Ela saiu da sala com o coração disparado. Enquanto caminhava pelo corredor de mármore, a sensação de ser observada começou a rastejar por sua espinha. Não era Patrick; era a sombra que a perseguia desde que chegara à cidade, dois anos atrás. O trauma de ter sido caçada por um beco escuro no Lower East Side por um homem cujo rosto ela nunca viu claramente, mas cuja faca brilhava sob a luz da lua, ainda vivia sob sua pele.

Maya sentou-se em sua mesa e começou a discar para o Dorsia. Seus dedos tremiam. Ela se sentia pequena, gorda e descartável naquele ninho de tubarões de terno de grife. Patrick a usava, ela sabia disso. Ele se aproveitava de sua necessidade de ser aceita, de sua prontidão em obedecer a qualquer comando para evitar o conflito. Mas, para Maya, ser usada por Patrick era melhor do que estar sozinha com suas memórias.

O dia passou como um borrão de planilhas e telefonemas agressivos. Às dez da noite, como ordenado, ela estava diante da porta da cobertura de Patrick. Ela usava o vestido preto. Ele a deixava desconfortável, marcando curvas que ela preferia esconder, mas Patrick insistia que ela o usasse.

Quando a porta se abriu, a música clássica — algo de Vivaldi — inundava o ambiente impecável. Patrick estava sem paletó, com as mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos. Ele segurava uma taça de cristal com um líquido transparente.

— Você está atrasada três minutos — disse ele, sem cumprimentá-la.

— O metrô teve um problema na linha amarela — justificou ela, entrando e fechando a porta.

Patrick caminhou até ela, seus olhos percorrendo o corpo de Maya com uma avaliação crítica que a fazia querer desaparecer.

— Você está suada — observou ele, com um tom de nojo mal disfarçado. — Vá se lavar. Há toalhas limpas no banheiro de hóspedes. Depois, os arquivos estão na biblioteca.

Maya assentiu e caminhou em direção ao banheiro. Enquanto lavava o rosto, ela se olhou no espelho. Seus olhos estavam vermelhos de cansaço. Ela pensou no homem que a perseguira anos atrás e em como, por um momento, sentira o mesmo tipo de terror paralisante ao olhar para Patrick naquela manhã. Mas Patrick era diferente, dizia ela a si mesma. Ele era bem-sucedido, ele era limpo, ele era... respeitável.

Ao sair do banheiro, ela não foi para a biblioteca. Patrick a esperava no corredor, bloqueando o caminho. Ele parecia estar em um estado de agitação contida, uma energia elétrica que ela não conseguia identificar.

— Sabe, Maya — começou ele, a voz suave demais —, às vezes eu me pergunto o que passa nessa sua cabeça. Você é tão obediente. Tão... maleável. É quase divertido ver até onde você vai para me agradar.

— Eu só quero fazer um bom trabalho, Sr. Bateman.

— Mentira — retrucou ele, dando um passo à frente, forçando-a contra a parede fria. — Você quer que eu a proteja. Você acha que, se ficar perto o suficiente de alguém como eu, as sombras lá fora não vão te alcançar.

Maya sentiu o ar faltar. Como ele sabia? Ela nunca tinha contado sobre o ataque, sobre as noites sem dormir, sobre o medo de cada passo atrás dela na calçada.

— Você não sabe de nada sobre mim — sussurrou ela, embora sua voz traísse sua fraqueza.

Patrick soltou uma risada curta e seca, um som que não chegava aos olhos. Ele agarrou o braço dela com uma força desnecessária, seus dedos cravando-se na carne macia.

— Eu sei tudo o que importa. Eu sei que você tem medo. Eu sinto o cheiro dele em você. É o que te torna útil.

Ele a puxou para mais perto, o rosto a milímetros do dela. O cheiro de loção pós-barba e álcool era inebriante.

— Mas não se engane — continuou ele, sua voz agora um sussurro perigoso —. Eu não sou seu salvador, Maya. Eu não sou o herói da sua história tragicamente patética. Eu sou apenas o homem que paga seu salário e que, ocasionalmente, permite que você entre aqui.

— Por que você faz isso? — perguntou ela, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — Por que me trata assim se me quer aqui?

Patrick soltou o braço dela abruptamente, como se tivesse perdido o interesse. Ele se virou de costas, caminhando em direção à janela que oferecia uma vista panorâmica de Manhattan. As luzes da cidade brilhavam como joias sobre um veludo preto.

— Porque eu posso — respondeu ele, simplesmente. — Porque, neste mundo, existem predadores e existem presas. E você, Maya, nasceu para ser caçada. Eu apenas estou te dando um lugar para descansar entre as caçadas.

Ele se virou novamente, e por um breve segundo, Maya viu algo em seu olhar. Não era compaixão, nem desejo. Era uma fome vazia, um abismo que parecia querer consumir tudo ao seu redor.

— Agora, os arquivos — ordenou ele, apontando para a biblioteca. — E não quero ouvir mais uma palavra sobre seus sentimentos. Eles são irrelevantes para a Pierce & Pierce, e são absolutamente entediantes para mim.

Maya caminhou para a biblioteca, sentindo o peso do olhar dele em suas costas. Ela sabia que deveria ir embora, que deveria fugir daquela cidade e daquele homem. Mas, enquanto se sentava à mesa de carvalho para organizar os papéis de Patrick, ela percebeu, com um horror silencioso, que o medo que ele lhe causava era a única coisa que a fazia se sentir viva.

Ela era a presa, e ele era o mestre. E na mente traumatizada de Maya, aquela era a única ordem que o mundo parecia ter. No silêncio do apartamento, enquanto Patrick aumentava o volume da música, ela começou a trabalhar, ignorando o tremor em suas mãos e a sensação de que, a qualquer momento, o aço escovado daquela perfeição poderia se transformar em uma lâmina contra seu pescoço.

— Sr. Bateman? — chamou ela, algum tempo depois.

— O que é agora? — respondeu ele da sala, sua voz impaciente.

— O Dorsia confirmou a reserva para as 13h de amanhã. Usei o nome do Sr. Van Patten como referência.

Houve um longo silêncio. Maya segurou a respiração.

— Excelente, Maya — disse Patrick, finalmente. — Talvez você tenha alguma utilidade, afinal.

Ela fechou os olhos, permitindo-se um pequeno e triste sorriso. Naquele momento, para ela, era o suficiente.

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