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Project HUNT

Fandom: Alien stage

Criado: 28/07/2026

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O Despertar do Labirinto Cinzento

O silêncio era tão espesso que parecia ter peso. Mizi abriu os olhos lentamente, sentindo o contato frio do azulejo contra sua bochecha. O cheiro de produtos químicos e desinfetante barato invadiu suas narinas, fazendo-a tossir secamente. Ela se sentou, o coração disparando contra as costelas enquanto tentava focar a visão.

Ela estava em um banheiro público. Mas não um qualquer; era vasto, com dezenas de cabines de metal enferrujado e espelhos trincados que refletiam sua imagem distorcida. Seu cabelo rosa com pontas azuis estava desgrenhado, e seus olhos dourados brilhavam com uma mistura de confusão e terror.

— Onde... onde eu estou? — A voz dela saiu como um sussurro rouco, ecoando nas paredes de azulejos brancos.

A última coisa de que se lembrava era de estar caminhando para casa após o ensaio, a luz dos postes falhando... e então, nada. Apenas o vazio.

Ao tentar se levantar, sentiu um peso no pulso esquerdo. Um relógio metálico, robusto e sem botões aparentes, estava preso à sua pele. O visor digital mostrava o horário e uma barra de progresso vazia. Ao lado dela, no chão, uma mochila de lona preta.

Com as mãos trêmulas, Mizi abriu o zíper. Dentro, encontrou um mapa cujas bordas pareciam ter sido arrancadas, um rádio comunicador e uma pequena caixa de madeira. Dentro da caixa, o metal frio de uma pistola brilhou sob a luz fluorescente oscilante. Havia um bilhete: “Uma bala. 60% de chance de êxito. 40% de chance de falha. 2 minutos de recarga. O relógio dita a vida.”

Mizi sentiu um calafrio. Ela nunca havia segurado uma arma na vida. A agilidade que sempre fora seu trunfo em brincadeiras e esportes agora parecia ser sua única âncora de sanidade. Ela guardou a arma na cintura, pegou a mochila e saiu do banheiro, dando de cara com o corredor infinito de um shopping center abandonado, mergulhado em sombras.


Longe dali, em um ambiente drasticamente diferente, Till acordou com o rosto pressionado contra o asfalto úmido. O som de água pingando em algum lugar das ferragens acima dele era o único ruído. Ele se levantou de um salto, o instinto de luta ou fuga ativado instantaneamente.

Ele estava em uma estação de metrô. Os trilhos estavam secos, e os vagões imóveis pareciam carcaças de animais metálicos mortos. Till passou a mão pelo cabelo cinza bagunçado, os olhos verdes varrendo o ambiente com uma revolta latente.

— Que brincadeira de mau gosto é essa? — ele rosnou, chutando uma lata de alumínio que rolou pela plataforma.

Ele sentiu o aperto no pulso. O relógio metálico brilhava discretamente. Ao abrir a mochila que estava ao seu lado, seus dedos tocaram o cabo de uma adaga. A lâmina era curta, mas afiada. O papel explicativo era direto: a arma não matava os "assassinos", apenas os atordoava.

— Atordoar? — Till soltou uma risada amarga e nervosa. — Eu deveria lutar contra o quê, exatamente?

Ele não era de planejar. A pressão o fazia agir antes de pensar, e o medo estava começando a se transformar em uma raiva cega. Ele olhou para o túnel escuro do metrô. O mapa em suas mãos mostrava apenas uma fração da estação e um pedaço de uma rua acima. Sem pensar duas vezes, ele começou a correr em direção às escadas rolantes paradas, suas botas ecoando ritmicamente no concreto.


Ivan não acordou com pressa. Ele abriu os olhos e permaneceu imóvel, observando o teto alto de vigas de aço e vidro fosco. Ele estava em um laboratório, cercado por bancadas de observação e frascos vazios. Sentou-se com uma calma que beirava o sobrenatural, um sorriso de canto curvando seus lábios enquanto notava o canino proeminente roçar o lábio inferior.

— Interessante — murmurou ele, a voz calma e aveludada.

Ele examinou o relógio em seu pulso com curiosidade clínica. Não tentou arrancá-lo; sabia, por instinto, que o mecanismo era punitivo. Ao abrir sua mochila, encontrou o rádio, o mapa incompleto e um estojo acolchoado contendo duas seringas preenchidas com um líquido âmbar.

— Adrenalina — leu ele no papel. — Apenas duas.

Ivan guardou as seringas com cuidado cirúrgico. Ele se levantou, a altura destacando-se no ambiente estéril. Seus olhos pretos analisaram as saídas. Ele não tinha pressa para correr. Sabia que, em um jogo de sobrevivência, quem observa mais, vive mais. Ele caminhou até a janela e olhou para fora. O que viu foi uma cidade fantasmagórica, cercada por muros que pareciam tocar o céu cinzento.


Sua estava encolhida em um canto, as mãos cobrindo os ouvidos, embora o local estivesse silencioso. Ela acordara em uma sala de aula de uma escola primária. As cadeiras pequenas e os desenhos coloridos nas paredes criavam um contraste aterrorizante com a poeira e a sensação de abandono.

— Mizi... — ela chamou baixinho, as lágrimas começando a brotar em seus olhos roxos. — Onde você está?

Ela não conhecia ninguém naquele lugar, mas o nome de sua amiga era a única coisa que a mantinha sã. Ao encontrar a mochila, suas mãos pequenas e pálidas tremeram tanto que ela quase derrubou o conteúdo. Bandagens. Apenas rolos de gaze e esparadrapo.

— Eu não sei lutar — soluçou ela, abraçando a mochila contra o peito. — Eu não sei fazer nada disso.

O pânico começou a subir por sua garganta. Sua levantou-se e caminhou até a porta da sala, mas parou ao ouvir um rangido metálico vindo do corredor. Ela recuou, escondendo-se atrás da mesa do professor, o coração batendo tão forte que ela temia que quem quer que estivesse lá fora pudesse ouvi-lo.


Hyuna estava de pé antes mesmo de terminar de processar onde estava. Ela acordara no telhado de um galpão industrial, o vento agitando seu longo cabelo marrom. Seus olhos azuis eram afiados, analisando o horizonte de fábricas e armazéns que se estendia abaixo dela.

— Tudo bem, Hyuna. Respira — disse a si mesma, a determinação estampada no rosto moreno. — É só mais um problema para resolver.

Ela abriu a mochila e retirou uma lanterna robusta de metal. Testou o botão. A luz era potente, capaz de ofuscar qualquer um que olhasse diretamente para ela.

— Pilhas — notou ela, vendo o compartimento. — Tenho que economizar.

Ela olhou para o mapa. Estava em uma zona industrial, longe do que parecia ser o centro daquela "cidade". Ela viu os enormes muros ao longe e os portões fechados. O objetivo estava claro no papel que encontrara: seis geradores. Ela precisava encontrá-los. Mas, olhando para as sombras entre os galpões abaixo, ela sabia que não estava sozinha.


Luka estava sentado em um banco de madeira, dentro de uma pequena capela em um cemitério que parecia fazer parte do complexo. Ele ajustou os óculos e olhou para o relógio metálico. Ao contrário dos outros, seu visor tinha uma interface diferente. Pequenos pontos poderiam aparecer ali.

— Um radar de proximidade — analisou ele, a voz desprovida de emoção. — Duzentos metros de raio. Útil, porém limitado.

Ele abriu o mapa e começou a cruzá-lo com as placas que via pela janela da capela. Sua mente trabalhava como um computador, calculando distâncias e possíveis rotas de fuga. Ele não era rápido, mas era metódico.

— Se o objetivo é ligar geradores, a lógica dita que eles estarão em pontos de alta demanda energética ou locais isolados para proteção — ponderou, levantando-se e ajeitando a mochila nas costas.

De repente, o relógio em seu pulso vibrou. Um sinal visual piscou na borda da tela metálica.

Havia algo dentro do raio de duzentos metros.

Luka não correu. Ele se abaixou atrás dos bancos, observando a porta da capela. O silêncio do cemitério foi quebrado pelo som de passos pesados arrastando-se sobre as folhas secas lá fora.


Mizi caminhava pelos corredores do shopping, a pistola apertada entre as mãos suadas. As vitrines quebradas pareciam bocas abertas prontas para engoli-la. Ela passou por uma loja de roupas e parou. O rádio em sua mochila emitiu um chiado estático.

— Olá? — ela sussurrou no aparelho, a voz trêmula. — Tem alguém aí?

A resposta foi apenas mais estática, seguida por um som que gelou seu sangue: o som de um machado sendo arrastado pelo chão de granito, alguns andares abaixo. Clang. Clang. Clang.

Ela recuou, as costas batendo em um manequim que caiu com um estrondo. Mizi prendeu a respiração, o coração martelando. O som do arrastar parou.

Lá embaixo, na praça de alimentação, uma figura gigantesca usando uma máscara de hóquei branca inclinou a cabeça, ouvindo o eco do manequim caído. Jason apertou o cabo de seu machado e começou a subir as escadas rolantes paradas, degrau por degrau, com uma paciência mortal.


Na delegacia abandonada, a quilômetros dali, Ivan caminhava pelos corredores das celas. Ele encontrou um rádio em cima de uma mesa e o ligou.

— Teste de áudio — disse ele, com um tom quase entediado. — Se alguém estiver ouvindo, sugiro que não gritem. O som atrai indesejados.

Till, que agora estava nas ruas escuras perto da estação, ouviu a voz cortada pelo chiado em seu rádio.

— Quem é você? — Till perguntou, parando atrás de um carro capotado. — Onde você está?

— Em algum lugar com grades — respondeu Ivan, soltando um riso curto. — E você parece estar correndo. Cuidado, o fôlego acaba antes da estrada.

— Vai para o inferno! — Till desligou o rádio, irritado.

Ele não percebeu que, no telhado do prédio logo acima dele, uma figura com um macacão azul escuro e uma máscara branca sem expressão o observava. Michael Myers não se moveu. Ele apenas olhava, a faca de cozinha refletindo a luz pálida da lua artificial do complexo. Ele estava esperando o momento em que o garoto de cabelo cinza parasse para descansar.


Sua conseguiu sair da escola e entrar em um beco estreito que levava a uma área residencial. O medo a cegava, impedindo-a de ver o mapa com clareza. Ela só queria encontrar um lugar para se esconder.

— Por favor, que isso seja um pesadelo — ela implorava, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Ela dobrou uma esquina e estancou. À sua frente, no meio da rua deserta, estava uma mulher. Ela usava roupas leves e uma máscara que cobria todo o rosto. Em seu braço, um dispositivo metálico estranho.

Veil não disse uma palavra. Ela apenas levantou o braço, apontando o lançador de arpão na direção de Sua.

Sua não teve tempo de reagir. O disparo cortou o ar, e ela sentiu o vento do projétil passar raspando por seu ombro, cravando-se na parede de tijolos atrás dela. O cabo de aço esticou-se.

— Ah! — Sua gritou, tropeçando para trás e caindo.

Ela se levantou desesperada e começou a correr na direção oposta, a agilidade prejudicada pelo pânico. Veil começou a recolher o cabo, preparando-se para a perseguição. Ela gostava de ver a presa correr.


Hyuna encontrou o primeiro gerador. Ele estava nos fundos de uma fábrica de processamento de carne, uma máquina enorme e complexa, cheia de alavancas e fios soltos. Havia um manual pregado na lateral, mas metade das instruções estava manchada de óleo.

— Certo... conectar o cabo A na entrada B... — ela murmurou, tentando decifrar o texto.

Ela ouviu um som. Não era um passo, mas um clique metálico. Hyuna pegou sua lanterna, mas não a ligou imediatamente. Ela rolou para trás de uma pilha de caixotes de madeira.

Um homem careca, com uma faixa cobrindo um dos olhos, emergiu das sombras da fábrica. Wraith movia-se como um fantasma, a camuflagem cinza fazendo-o desaparecer contra o maquinário. Ele não a vira ainda, mas estava farejando a área.

Hyuna segurou a lanterna com força. Tinha uma chance de cegá-lo e fugir, mas se errasse, estaria encurralada em um beco sem saída.


O primeiro capítulo daquele jogo macabro estava apenas começando. Seis jovens, espalhados por uma cidade de pesadelo, ligados apenas por relógios que ditavam o ritmo de sua sobrevivência. Eles não se conheciam, não sabiam quem eram seus captores e, acima de tudo, não sabiam que a morte os espreitava em cada esquina, usando máscaras e empunhando aço.

Mizi, no shopping, ouviu o primeiro degrau da escada rolante ranger sob o peso de Jason.

Till, na rua, sentiu o olhar de Michael Myers em sua nuca.

Ivan, na delegacia, viu uma sombra passar pela janela da sala de interrogatório.

Sua, no beco, ouviu o som do arpão sendo recarregado.

Hyuna, na fábrica, viu Wraith se aproximar de seu esconderijo.

Luka, na capela, viu a maçaneta da porta girar lentamente.

O relógio de todos vibrou ao mesmo tempo, marcando o início da primeira hora. O tempo de recarga havia acabado. O jogo era real. E o sangue estava prestes a começar a correr.

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