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Fandom: Once upon a time

Criado: 29/07/2026

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O Custo do Afeto

O Salão de Baile do palácio estava mergulhado em um silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo estalar rítmico da lenha na lareira de mármore. Regina estava parada diante da janela, observando os jardins cobertos pela geada noturna. Ela usava um vestido de veludo carmesim que parecia pesado demais para seus ombros, um símbolo constante da coroa que sua mãe a forçara a desejar — e que agora, finalmente, possuía.

Mas o trono não era o que trazia aquele brilho febril aos olhos da Rainha. Era a presença constante, a sombra elegante e dominadora que agora atravessava o salão com passos calculados. Cora Mills não era apenas a Rainha de Copas ou a mãe severa de outrora; ela era, agora, a única fonte de calor em um mundo que Regina sempre sentira como gelo puro.

— Você parece distraída, minha querida — a voz de Cora era como seda sobre navalhas.

Regina sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não se afastou quando sentiu as mãos de sua mãe pousarem suavemente em seus ombros. As mãos de Cora eram firmes, experientes, e carregavam uma autoridade que Regina nunca conseguira desafiar.

— Estava apenas pensando no quanto as coisas mudaram — respondeu Regina, a voz um pouco trêmula. — Eu finalmente tenho o que você disse que eu precisava. O poder. O respeito. E tenho... você.

Cora inclinou a cabeça, os cabelos morenos perfeitamente alinhados, e deslizou uma das mãos pelo pescoço de Regina, sentindo a pulsação acelerada da filha. Um sorriso enigmático curvou seus lábios.

— O amor é uma fraqueza, Regina. Eu lhe ensinei isso — murmurou Cora, aproximando-se o suficiente para que seu hálito roçasse a orelha da outra. — Mas a devoção... a devoção é algo inteiramente diferente. Você finalmente aprendeu a ser devota ao que realmente importa.

Regina virou-se lentamente, ficando de frente para a mulher que a criara com punho de ferro. A beleza de Cora era atemporal, uma mistura de perigo e sofisticação que Regina sempre invejara e admirara. Não havia nada de natural no que estava acontecendo entre elas nos últimos tempos. O afeto que Regina tanto implorara durante a infância finalmente viera, mas em uma forma distorcida, intensa e proibida.

Se o preço para manter o amor de sua mãe era cruzar linhas que a moralidade do reino jamais aceitaria, Regina estava disposta a pagar. Ela estava faminta por aquela validação, por aquele toque que a fazia se sentir, pela primeira vez, vista.

— Eu faria qualquer coisa para não perder você de novo — confessou Regina, os olhos escuros brilhando com uma mistura de medo e desejo. — Qualquer coisa, mamãe.

Cora sentiu uma onda de triunfo. Ela sempre soubera que Regina era sua obra-prima, a extensão de sua própria ambição. Mas ver a filha tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão magnífica em sua beleza morena e madura, despertava em Cora um instinto de posse que ia além do poder político. Ela queria moldar Regina por inteiro — corpo e alma.

— Então não resista — disse Cora, a voz descendo uma oitava. — O que o mundo pensa não importa. Nós somos as donas do nosso próprio destino.

Cora deu um passo à frente, eliminando o espaço entre elas. Sua mão subiu para o rosto de Regina, o polegar traçando o lábio inferior da filha. Regina fechou os olhos, entregando-se ao contato. A audácia de Cora era magnética; ela não tinha medo de pecados, pois se considerava acima deles.

— Você é tão bonita, Regina — sussurrou Cora, quase como uma prece profana. — Tão parecida comigo, mas com uma suavidade que eu nunca me permiti ter.

— Eu sou o que você me fez ser — respondeu Regina, abrindo os olhos e encontrando o olhar predatório da mãe.

— Sim, você é — concordou Cora. — E agora, eu vou lhe ensinar a última lição. A lição sobre como o prazer pode ser a arma definitiva.

Sem esperar por uma resposta, Cora selou seus lábios aos de Regina. Foi um beijo que carregava anos de repressão, manipulação e uma obsessão sombria. Regina soltou um suspiro sufocado, as mãos agarrando o tecido do vestido de Cora. Não havia doçura ali, apenas uma fome voraz. Era errado, era um sacrilégio, mas para Regina, era a confirmação de que ela finalmente pertencia a algum lugar.

Cora separou o beijo por apenas um segundo, observando a confusão e o desejo no rosto da filha. Ela sorriu, uma expressão de pura confiança.

— Venha — comandou Cora, segurando a mão de Regina e conduzindo-a em direção aos aposentos privados.

O quarto estava iluminado apenas por velas, criando sombras longas que dançavam nas paredes. Cora não hesitou. Ela se movia com a graça de quem sabia exatamente o que queria e como obter. Ela começou a desabotoar o pesado vestido de Regina, seus dedos ágeis trabalhando com uma precisão cirúrgica.

— Você tem medo? — perguntou Cora, enquanto o tecido caía no chão, revelando a pele alva de Regina.

— Eu... eu não sei o que sentir — admitiu Regina, a respiração curta. — Isso é... nunca imaginei que o seu amor seria assim.

— O amor é um contrato, Regina — disse Cora, aproximando-se novamente, suas mãos agora explorando as curvas do corpo da filha. — E este é o nosso selo. Ninguém mais pode tocar você como eu. Ninguém mais pode conhecer a sua essência.

Cora era audaciosa em cada toque. Ela iniciou Regina em um mundo de sensações que a Rainha Má nunca se permitira explorar. Cada carícia era uma lição, cada beijo era uma marca de propriedade. Regina sentia-se desfalecer sob o domínio da mãe, uma mistura de êxtase e agonia por saber que aquele laço era, agora, inquebrável.

— Diga o meu nome — exigiu Cora, enquanto empurrava Regina suavemente para a cama de dossel. — Diga quem é a dona do seu coração.

— É você — ofegou Regina, as costas arqueando-se quando os lábios de Cora encontraram seu pescoço. — Sempre foi você, Cora.

A morena mais velha riu baixo, um som vitorioso. Ela se posicionou sobre a filha, seus olhos fixos nos dela.

— Ótimo — murmurou Cora. — Porque eu não aceitaria nada menos do que a sua alma por inteiro.

A noite avançou entre sussurros e descobertas proibidas. Cora era uma amante experiente e implacável, guiando Regina através de um labirinto de prazer que a deixava sem fôlego e sem vontade própria. Para Regina, cada momento era uma validação de que ela finalmente era amada, mesmo que esse amor fosse uma prisão dourada construída pela mulher que a trouxera ao mundo.

Horas depois, quando a primeira luz do amanhecer começou a filtrar-se pelas cortinas pesadas, Regina estava deitada no peito de Cora, o coração ainda batendo de forma irregular. Ela olhou para a mãe, que parecia perfeitamente composta, mesmo após a noite de paixão.

— Você nunca vai me deixar, não é? — perguntou Regina, a voz rouca.

Cora passou os dedos pelos cabelos bagunçados da filha, um gesto que, por um momento, pareceu quase materno, se não fosse pelo brilho de posse em seus olhos.

— Por que eu deixaria o meu tesouro mais precioso? — respondeu Cora. — Agora que você entende o que significa ser verdadeiramente minha, o mundo lá fora não passa de um palco para o nosso poder.

Regina fechou os olhos, permitindo-se acreditar naquela promessa. Ela sabia que não havia volta. O que elas haviam feito era um pacto de sangue e desejo, uma transgressão que as uniria para sempre nas sombras da floresta encantada.

— Eu não consigo parar — sussurrou Regina para si mesma, ou talvez para a escuridão que ainda restava no quarto. — Eu nunca vou conseguir desistir disso.

— E nem deve — disse Cora, puxando-a para mais perto. — O prazer é o único trono que realmente importa, Regina. E nós duas vamos governá-lo juntas.

Naquela manhã, o reino acordou sem saber que sua Rainha havia se entregado à tentação mais profunda e perigosa de todas. E Regina Mills, pela primeira vez em sua vida, sentiu que tinha tudo o que sempre quis, mesmo que o preço fosse a sua própria redenção. Ela aceitaria o amor de Cora em qualquer forma que ele viesse, pois no vazio de sua existência, aquela chama sombria era a única coisa que a fazia sentir-se viva.

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