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Híbridos

Fandom: Seventeen

Criado: 29/07/2026

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O Porto Seguro nas Profundezas de um Abraço

A porta de mogno à frente de Wen Junhui parecia mais uma barreira intransponível do que uma simples entrada de escritório. Era vasta, escura e exalava uma autoridade que combinava perfeitamente com o dono daquele império. Junhui, no entanto, mal conseguia manter a postura ereta. Seus ombros pesavam sob o cansaço acumulado de um dia que parecia ter durado uma eternidade.

Como integrante do Seventeen, sua rotina já era naturalmente exaustiva, mas o período de preparação para o comeback elevava tudo a um novo patamar de estresse. Ensaios de coreografias milimetricamente calculadas, gravações de vocais que exigiam perfeição, ajustes infinitos de figurino sob luzes quentes... Junhui estava fisicamente e mentalmente drenado. Suas pernas de ômega doíam, e sua natureza de híbrido de sereia clamava por hidratação e, acima de tudo, pelo porto seguro que só o seu Alpha Prime poderia proporcionar.

Seu namorado, Kim Taeshin, era uma força da natureza. Primogênito de uma linhagem de vinte e cinco irmãos, herdeiro absoluto de um conglomerado marítimo que dominava os oceanos e os mercados globais, Taeshin não era apenas um homem poderoso; ele era um híbrido de polvo, uma espécie rarássima e dominante. A combinação de Alpha Prime com a genética de cefalópode o tornava alguém cuja presença comandava o ar ao redor, alguém possessivo e protetor ao extremo.

Junhui sabia que havia uma reunião importante acontecendo ali dentro. Sabia que o patriarca da família Kim, alguns dos irmãos de Taeshin e sócios externos estavam discutindo números de muitos zeros. Em qualquer outra situação, sua educação impecável o impediria de interromper. Mas, naquele momento, o cheiro de Taeshin — uma mistura inebriante de brisa oceânica profunda, madeira de sândalo e tempestade iminente — atravessava as frestas da porta, chamando por ele.

Ele não bateu. Com um suspiro trêmulo, Junhui girou a maçaneta dourada e empurrou a porta pesada. O som do mecanismo de abertura foi quase imperceptível, mas o efeito de sua entrada foi imediato.

O escritório era colossal, com janelas do chão ao teto que mostravam a linha do horizonte da cidade contra o mar. A mesa de conferências, longa e imponente, estava cercada por homens de terno. O ar estava saturado de feromônios carregados: irritação, impaciência e a agressividade fria de negociações difíceis.

Junhui fechou a porta atrás de si e se encostou nela por um segundo, sentindo todos os olhares se voltarem em sua direção.

O pai de Taeshin, um homem que exalava uma aura de tubarão-branco, suavizou o olhar imediatamente ao ver o genro. Os irmãos presentes — híbridos de nagas e outros predadores marinhos — deram sorrisos discretos. Para a família Kim, Junhui era uma joia preciosa, o ser que finalmente trouxera paz ao temperamento vulcânico do primogênito. No entanto, os sócios externos, homens de idade avançada e mentes estreitas, franziram o cenho, claramente ofendidos pela interrupção de um "simples ômega".

Junhui ignorou os velhos. Seus olhos focaram apenas no homem sentado na cabeceira da mesa.

Taeshin estava com o terno impecável, embora tivesse desabotoado os dois primeiros botões da camisa. Sua expressão era de puro gelo enquanto ouvia algum relatório, mas, no momento em que seus olhos encontraram os de Junhui, a frieza derreteu para dar lugar a uma intensidade obsessiva e preocupada. Ele notou as olheiras leves sob os olhos de Junhui, a palidez de sua pele e a forma como ele parecia pequeno diante daquela porta.

Junhui começou a caminhar. Ele inclinou a cabeça levemente para o sogro e para os cunhados, um gesto de respeito que foi prontamente retribuído.

— Senhor Kim, peço perdão pela interrupção — disse um dos sócios, a voz carregada de desdém enquanto olhava para Junhui. — Estávamos no meio de uma discussão crucial sobre as rotas do Atlântico Norte. Talvez o seu... acompanhante... possa esperar lá fora?

O rosnado que emanou do peito de Taeshin não foi humano. Foi um som vibrante, profundo, que fez os copos de cristal sobre a mesa tremerem.

— Ele fica — sentenciou Taeshin, a voz como o trovão. — E você, meça suas palavras ao se referir a ele.

Taeshin não se levantou, mas algo se moveu sob sua cadeira e por trás de suas costas. Um de seus tentáculos, musculoso, de um tom azul-escuro quase negro e coberto por ventosas que pareciam feitas de veludo e aço, deslizou pelo chão e pelo ar com uma agilidade hipnotizante.

Junhui sorriu suavemente quando o tentáculo o alcançou no meio do caminho. A extremidade poderosa acariciou sua bochecha com uma delicadeza extrema, quase como se tivesse medo de quebrá-lo, antes de se enrolar firmemente em sua cintura, puxando-o para mais perto.

Junhui terminou o trajeto guiado pelo toque do namorado. Ao chegar ao lado da cadeira de couro monumental, ele não hesitou. Ele escalou o colo de Taeshin, acomodando-se de lado sobre as coxas fortes do Alpha, escondendo o rosto na curva do pescoço dele.

— Você está exausto, meu pequeno — sussurrou Taeshin, a voz agora transformada em pura seda apenas para os ouvidos de Junhui.

— Só preciso de você — murmurou Junhui contra a pele dele, inspirando profundamente o aroma que o acalmava. — Continue a reunião. Eu vou ficar quietinho, prometo.

Taeshin apertou o abraço. Seus braços humanos envolveram o corpo de Junhui, enquanto outros tentáculos emergiam discretamente, criando uma espécie de casulo protetor ao redor do ômega, isolando-o do resto da sala. Era uma demonstração de possessividade territorial absoluta.

— Como eu dizia — Taeshin voltou-se para os sócios, seu olhar agora prometendo violência caso alguém ousasse reclamar — os termos do contrato de transporte serão alterados. Meu pai e eu decidimos que a segurança das rotas é prioridade sobre o tempo de entrega.

— Mas isso reduzirá a margem de lucro em três por cento no primeiro trimestre! — protestou o mesmo sócio de antes, embora sua voz estivesse agora dois tons mais baixa, intimidada pela presença física do Alpha Prime.

— Três por cento é o preço que vocês pagam por estarem na minha mesa — Taeshin respondeu friamente, enquanto uma de suas mãos subia para acariciar os cabelos de Junhui, os dedos massageando o couro cabeludo do ômega de forma rítmica. — Se não estiverem satisfeitos, as portas de mogno são muito fáceis de abrir pelo lado de dentro. Podem sair a qualquer momento.

O silêncio caiu sobre a sala. O pai de Taeshin soltou uma risada curta e satisfeita, cruzando os braços sobre o peito. Ele adorava ver o filho naquele estado; a presença de Junhui não distraía Taeshin, ela o tornava mais implacável, pois agora ele tinha algo sagrado para proteger bem ali, em seus braços.

Junhui soltou um suspiro longo, sentindo a tensão deixar seus músculos. O calor do corpo de Taeshin, a firmeza dos tentáculos que o seguravam e o som da voz autoritária do namorado eram o seu melhor remédio. Ele sentiu um beijo ser depositado no topo de sua cabeça.

— Durma, Junnie — Taeshin sussurrou, ignorando completamente o fato de que havia uma dezena de executivos observando a cena. — Eu cuido de tudo. Quando você acordar, estaremos em casa.

— Não demore... — Junhui pediu baixinho, os olhos já se fechando, embalado pelo ritmo do coração do Alpha Prime.

— Eu não vou a lugar nenhum sem você.

Taeshin voltou o olhar para os papéis e para os homens à sua frente. Sua expressão era novamente a de um predador de topo, um monarca das profundezas que não aceitava nada menos que a submissão total.

— Próximo item da pauta — ordenou ele, enquanto sua mão continuava o carinho possessivo nas costas do seu ômega. — E façam silêncio. Se alguém elevar o tom de voz e acordar o meu companheiro, a reunião será a última preocupação de vocês nesta vida.

Ninguém ousou respirar alto. Sob a proteção do polvo mais poderoso do mundo corporativo e marítimo, a pequena sereia finalmente encontrou o seu descanso.

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