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Blood

Fandom: Alien stage

Criado: 30/07/2026

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O Convite da Morte Lenta

O teto da sala de aula parecia estar derretendo sob o efeito do tédio absoluto. Mizi girava a caneta entre os dedos, os olhos dourados fixos em uma mosca que tentava desesperadamente atravessar o vidro fechado da janela. Ela soltou um suspiro pesado, soprando uma mecha de cabelo rosa que insistia em cair sobre o rosto.

— Puta que pariu, o tempo não passa nessa desgraça — resmungou Mizi, a voz baixa, mas carregada daquele deboche típico que só ela conseguia sustentar.

Ao lado dela, Ivan nem sequer levantou os olhos do caderno, onde desenhava padrões geométricos aleatórios que pareciam estranhamente complexos.

— É a relatividade, gata — Ivan respondeu, a voz arrastada e irônica. — Quanto mais merda é o lugar, mais o tempo decide te foder e andar devagar.

Mizi deu um sorrisinho de lado, observando o perfil sério do melhor amigo.

— Filosofou agora, hein? O cérebro não fritou com essa aula de física não?

— Fritou faz tempo. Tô vivendo no automático, só esperando o sinal tocar pra eu sumir daqui e fumar um cigarro em paz — Ivan deu de ombros, finalmente fechando o caderno com um estalo seco. — E você? Vai ficar secando a mosca ou vai prestar atenção no professor babando ali na frente?

— Prefiro a mosca. Ela tem mais carisma que o velho — Mizi esticou as pernas por baixo da carteira, o uniforme todo bagunçado, a gravata frouxa e as pontas azuis do cabelo roçando nos ombros. — Se ele falar "vetores" mais uma vez, eu juro que me jogo da janela.

Do outro lado da sala, a atmosfera era completamente diferente, embora o cansaço fosse o mesmo. O grupo de quatro amigos parecia uma pequena ilha de organização no meio do caos adolescente.

Luka ajustou os óculos no topo do nariz, a caneta deslizando pelo papel de forma impecável. Ele não perdia uma vírgula do que era dito.

— Se vocês não anotarem a parte da aceleração centrípeta, vão se ferrar na prova de sexta — Luka avisou, sem desviar o olhar do quadro.

Till, sentado logo atrás, soltou um estalido alto com a língua e jogou a cabeça para trás, batendo-a de leve na parede.

— Ah, cala a boca, Luka! Ninguém aguenta mais esse papo de nerd, mano. Minha cabeça já tá parecendo uma batedeira — Till bufou, os olhos verdes brilhando de irritação. — A gente tá aqui há seis horas, eu quero é que a aceleração centrípeta vá pro inferno.

Hyuna, que estava ocupada retocando o brilho labial enquanto usava a tela do celular como espelho, soltou uma risadinha vibrante.

— Ai, Till, deixa de ser chato. O Luka tá certo, mas você também tá coberto de razão — ela guardou o gloss e virou-se para trás, com uma energia que não condizia com o fim do período. — Gente, a gente precisa fazer alguma coisa hoje. O clima tá muito parado, credo. Parece que a cidade morreu.

Sua, que até então estava em silêncio absoluto, apenas observando a conversa com seus olhos roxos profundos, assentiu levemente.

— Realmente... está tudo muito silencioso hoje — Sua comentou, a voz suave quase sumindo no burburinho da sala. — Até os corredores parecem mais vazios.

— É porque tá todo mundo morrendo por dentro, Sua — Till resmungou, cruzando os braços. — Essa escola é um buraco negro de felicidade.

Hyuna ignorou o pessimismo de Till e cutucou o ombro de Luka.

— E aí, nerd? Algum plano pro fim de semana ou vai ficar abraçado com o livro de cálculo?

Luka suspirou, finalmente parando de escrever.

— Eu pretendia revisar a matéria, mas... aceito sugestões se elas não envolverem você se metendo em briga, Till.

— Ei! Eu não procuro briga, a briga que me acha — Till rebateu, embora um sorriso de canto tenha surgido em seu rosto.

Enquanto o grupo dos quatro discutia planos hipotéticos, Mizi e Ivan continuavam em seu próprio mundo. Mizi observou Hyuna rindo de algo que Till disse e revirou os olhos, mas sem maldade real.

— Ó lá, o grupinho dos populares-esquisitos tá animado hoje — comentou Mizi, inclinando a cabeça na direção deles.

Ivan deu uma olhada rápida, seus olhos escuros e analíticos passando por cada um deles antes de voltar para Mizi.

— Eles são barulhentos demais. O tal do Till parece que vai explodir a qualquer momento e a Hyuna... bom, ela é a Hyuna.

— Ela é gata, vai — Mizi provocou, cutucando a costela de Ivan.

— É. E você é preguiçosa. Isso não muda o fato de que eles vivem numa bolha e a gente na nossa — Ivan deu um meio sorriso, aquele tipo de expressão que só Mizi conseguia arrancar dele. — Vamos, o sinal vai tocar em três, dois, um...

O som estridente da campainha ecoou pelos corredores, cortando a fala do professor e gerando um alvoroço imediato.

— Salvos pelo gongo, porra! — Till exclamou, pulando da cadeira antes mesmo que o som terminasse.

— Till, os materiais! — Luka reclamou, começando a recolher as coisas que o amigo deixara espalhadas.

— Pega aí pra mim, você é um anjo, Luka! — Till já estava na porta, acenando para Hyuna e Sua virem logo.

Mizi e Ivan se levantaram com uma lentidão quase coreografada. Enquanto os outros alunos corriam para a saída, eles caminhavam como se tivessem todo o tempo do mundo.

— Vai pro treino hoje? — Ivan perguntou, jogando a mochila sobre um ombro só.

— Nem fodendo. Minhas pernas estão pedindo arrego — Mizi bocejou. — Vou só pegar minhas coisas no armário e ir direto pra casa maratonar qualquer merda na TV.

— Justo.

Eles se separaram no corredor principal. Os armários da escola eram organizados por ordem alfabética e turmas, mas distribuídos em diferentes alas para evitar aglomerações. Mizi seguiu para a ala leste, enquanto Ivan foi para a ala norte.

O corredor da ala leste estava banhado por uma luz alaranjada de fim de tarde que entrava pelas janelas altas. Mizi cantarolava uma música qualquer, a mente já longe dali. Ela parou em frente ao seu armário, girou o cadeado com a facilidade de quem faz isso há anos e puxou a porta de metal.

Um papel caiu no chão.

— Mas que caralho...? — Mizi se abaixou, pegando o envelope branco, simples, sem remetente.

Ao abrir, seus olhos dourados se arregalaram levemente.

"VOCÊ ESTÁ CONVIDADO. Neste sábado. 22h. Venha para a clareira da floresta ao norte da cidade. Teremos uma festa inesquecível. Não conte para ninguém. Apenas apareça."

Abaixo, um mapa desenhado à mão, indicando uma trilha que Mizi conhecia vagamente.

— Uma festa? — Ela soltou uma risada nasalada, guardando o papel no bolso da saia. — Quem é o retardado que faz convite de papel hoje em dia? Mas... floresta, né? Pode ser interessante.

Ao mesmo tempo, na ala norte, Ivan encarava o mesmo pedaço de papel. Ele não sorriu. Seus olhos percorreram as palavras com uma desconfiança instintiva.

— "Festa inesquecível" — ele leu em voz alta, a voz carregada de ceticismo. — Isso tem cara de trote de calouro ou de filme de terror de baixo orçamento.

Ele olhou ao redor. O corredor estava quase vazio. Ninguém parecia estar observando. Ele guardou o bilhete no fundo da mochila, o cenho franzido. Se fosse um trote, ele ia descobrir quem era o engraçadinho e fazer a pessoa se arrepender. Mas, no fundo de sua mente, uma curiosidade mórbida começou a coçar.

Longe dali, no vestiário masculino, Till batia a porta do armário com força, o papel amassado em sua mão direita.

— Uma festa na floresta? Pô, finalmente alguma coisa emocionante nessa cidade de merda! — Ele olhou para o mapa. — Sábado às dez... eu vou nessa porra com certeza.

Luka, que estava no armário ao lado, guardava seus livros meticulosamente. Ele também tinha um papel idêntico em mãos, mas sua expressão era de pura preocupação.

— Till, isso é extremamente suspeito — Luka disse, a voz firme. — "Não conte para ninguém"? Isso viola todas as regras de segurança básica. Pode ser uma emboscada ou algum tipo de ritual idiota.

— Deixa de ser cagão, Luka! — Till deu um tapa amistoso, mas pesado, nas costas do amigo. — É uma festa. Álcool, música, talvez umas garotas de outras escolas. Qual é o problema?

— O problema é que não tem nome de quem convidou — Luka rebateu, mas seus olhos ainda estavam fixos no mapa. Havia algo na caligrafia... algo que parecia familiar e estranho ao mesmo tempo.

No corredor feminino, Hyuna e Sua estavam lado a lado diante de seus respectivos armários.

— Ai meu Deus, Sua! Você também recebeu? — Hyuna praticamente gritou, balançando o bilhete no ar. — Isso é tão retrô! Tão misterioso! Eu amei!

Sua olhava para o seu próprio convite com uma expressão ilegível. Seus dedos traçavam as letras no papel áspero.

— Você vai, Hyuna? — Sua perguntou baixinho.

— Mas é claro que eu vou! Imagina perder a "festa do ano"? E você vai comigo, óbvio. A gente se arruma juntas, coloca umas roupas incríveis e arrasa naquela clareira.

Sua hesitou, olhando para o mapa. A floresta ao norte era densa, escura e cheia de lendas locais sobre desaparecimentos e luzes estranhas.

— Não sei... parece um pouco perigoso ir lá à noite.

— Perigoso é ficar em casa morrendo de tédio, amiga! — Hyuna a abraçou de lado, transbordando otimismo. — Vai ser épico, eu tô sentindo!

Os seis jovens, divididos por suas rotinas e grupos, agora compartilhavam um segredo silencioso. Nenhum deles sabia que os outros haviam recebido o mesmo chamado. Nenhum deles percebeu que, enquanto saíam da escola, os corvos nos galhos das árvores do pátio pareciam observá-los com uma atenção nada natural.

Mizi caminhou em direção ao portão, encontrando Ivan que a esperava encostado no muro.

— E aí, partiu? — ela perguntou, escondendo o sorriso sobre o convite.

— Partiu — Ivan respondeu, também mantendo o segredo guardado.

Eles caminharam juntos, enquanto o grupo de Till, Hyuna, Luka e Sua passava por eles, rindo e discutindo sobre o que fariam no sábado, sem que nenhum dos dois grupos cruzasse olhares por mais de um segundo.

O convite estava feito. A floresta esperava. E a cidade, mergulhada em um silêncio sepulcral sob o pôr do sol sangrento, parecia saber que, para aqueles seis, aquele seria o último dia de uma vida normal.

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