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Coisas que quero fazer antes dos 30

Fandom: Naruto

Criado: 30/07/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)Fatias de VidaDor/ConfortoFofuraHumorHistória DomésticaEstudo de PersonagemConsertoPWP (Enredo? Que enredo?)DetetiveDramaPsicológicoCiúmes
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O Caos Tem Nome, Sobrenome e uma Lista de Desejos

O sol da manhã entrava pela janela da cozinha, iluminando os fios de poeira que dançavam no ar e a bagunça característica que Lis deixava por onde passava. Itachi já estava de pé, devidamente vestido com uma camisa de botões azul-marinho, as mangas dobradas até os cotovelos, enquanto moía os grãos de café com a paciência de um monge.

Lis, por outro lado, era o oposto da serenidade matinal. Ela usava uma camiseta de uma banda de metal três vezes maior que o seu tamanho, meias coloridas e seus cabelos cacheados formavam uma aura selvagem ao redor do rosto. Ela estava agachada perto da estante de livros da sala, caçando um marcador de página que jurava ter deixado cair ali na noite anterior.

— Achei! — gritou ela, a voz ecoando pelo apartamento e fazendo Itachi dar um sorriso discreto enquanto despejava a água quente.

— Que bom, querida. Achei que teríamos que mover o sofá de novo — comentou ele, o tom de voz baixo e aveludado.

Mas Lis não respondeu de imediato. Ela não tinha achado apenas o marcador. Entre dois livros pesados de psicologia comportamental, um envelope pardo, meio amassado e com as bordas amareladas, escorregou para o chão. Curiosa por natureza — ou "metida", como seu irmão costumava dizer —, ela abriu o papel sem pensar duas vezes.

Seus olhos marcantes, contornados por um resto de delineador da noite anterior, percorreram a caligrafia impecável de Itachi.

— "Coisas para fazer antes dos 30" — leu ela em voz alta, o tom de deboche sumindo para dar lugar a uma surpresa genuína.

Itachi apareceu no arco da porta, segurando duas canecas de cerâmica. Ao ver o papel nas mãos dela, ele parou por um segundo. Não houve pânico, apenas aquela leve inclinação de cabeça que indicava que ele estava analisando a situação.

— Isso é antigo, Lis. Achei que tivesse jogado fora quando nos mudamos.

Lis se levantou num salto, ignorando a dor nas costas por ter ficado agachada, e correu até ele, fazendo o piercing na sua língua estalar contra os dentes enquanto falava rápido demais.

— Itachi! Você tem uma lista de desejos secreta? Isso é tão... clichê e adorável que eu quero te morder! — Ela se pendurou no pescoço dele, quase fazendo o café transbordar. — Por que você não me contou?

— Porque a maioria dessas coisas foi escrita quando eu tinha vinte anos e achava que o mundo ia acabar se eu não seguisse um cronograma — ele respondeu, depositando as canecas na mesa e envolvendo a cintura dela com um braço. — Já risquei o que era importante. A clínica, as viagens de estudo... o resto é bobagem de jovem.

Lis se soltou e voltou a olhar para o papel, ignorando o desdém dele.

— Bobagem? — Ela apontou para um item no meio da lista. — "Aprender a tocar baixo e fazer uma apresentação de rua"? "Passar uma noite inteira em um cassino clandestino"? "Pintar o cabelo de uma cor ridícula"? Itachi Uchiha, você é um mentiroso compulsivo! Você é a pessoa mais centrada que eu conheço e queria ser um punk de rua?

Itachi suspirou, sentando-se à mesa.

— Eu tinha curiosidade sobre o caos. Então eu conheci você e percebi que o caos não precisava ser buscado, ele simplesmente morava comigo e deixava calcinhas penduradas no box do banheiro.

Lis jogou um guardanapo nele, fingindo indignação.

— Não mude de assunto, senhor Psicólogo. Você tem vinte e oito anos. Faltam dois anos para o prazo expirar. E olha só isso aqui... — O dedo dela parou em um item que não tinha um risco por cima. O traço era firme, mas a tinta parecia mais recente que o resto. — "Pedir perdão para o Sasuke por ter queimado o videogame dele aos 12 anos".

Itachi desviou o olhar para a caneca de café, um raro sinal de desconforto.

— Ele ainda lembra disso. Ele menciona toda vez que bebemos mais de duas cervejas. É um peso desnecessário.

Lis sorriu, aquele sorriso largo que mostrava o piercing no lábio e que sempre desarmava Itachi. Ela se sentou no colo dele, ignorando completamente que ele estava tentando tomar o café. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, as unhas pintadas de preto contrastando com a pele clara do Uchiha.

— Nós vamos fazer tudo isso.

— Lis, não. Eu tenho pacientes hoje, você tem aquela montanha de roupas para... "arrumar daqui a pouco".

— Foda-se a roupa, Itachi! — Ela o beijou com vontade, um beijo intenso que tinha gosto de café e urgência. — A gente vive no automático. Você cuida da cabeça de todo mundo, eu cuido dessa casa... a gente precisa de um pouco de desordem planejada. Eu vou ser sua cúmplice.

Itachi olhou nos olhos dela. Ele via a chama da impulsividade que tanto o assustava e, ao mesmo tempo, o mantinha vivo. Ele sabia que, quando Lis colocava uma ideia na cabeça, era mais fácil parar um trem em movimento.

— Qual o primeiro item? — perguntou ele, cedendo com um suspiro derrotado, mas com um brilho divertido nos olhos.

Lis consultou a lista, um brilho perverso surgindo em seu olhar.

— "Item número 4: Fazer uma tatuagem que não tenha significado profundo, apenas porque é bonita".

Itachi arqueou uma sobrancelha.

— Eu sou um profissional da saúde, Lis.

— E eu sou uma obra de arte ambulante — ela rebateu, puxando a gola da camiseta para mostrar uma pequena andorinha perto da clavícula. — Vamos. Agora. Eu conheço um estúdio que aceita encaixe.

— Lis, são nove da manhã de uma terça-feira.

— Exatamente! Ninguém espera que o Doutor Uchiha esteja sendo agulhado numa terça de manhã. É perfeito!


Duas horas depois, Itachi estava sentado em uma cadeira de couro preta, sentindo a vibração da máquina de tatuagem contra a pele do seu antebraço. Lis estava ao lado dele, segurando sua mão livre com uma força desnecessária, enquanto mastigava um chiclete e balançava a perna freneticamente.

— Você está bem? Quer que eu peça para ele parar? Você está pálido. Itachi, fala comigo! — Ela estava mais nervosa que ele.

— Lis — ele disse, a voz calma, embora sua mão estivesse levemente suada. — Eu estou bem. É apenas uma sensação de arranhão. Por favor, pare de apertar minha circulação, ou eu vou perder a mão antes de terminar o desenho.

O tatuador, um cara cheio de piercings que parecia aprovar o estilo de Lis, riu.

— Ela é sempre assim, cara?

— Vinte e quatro horas por dia — Itachi respondeu, olhando para Lis com um carinho que desmentia seu tom seco.

O desenho escolhido por Itachi, sob forte influência de Lis, foi um pequeno corvo estilizado em linhas finas. Não tinha o peso emocional das coisas que ele costumava carregar; era apenas um pássaro. Era leve.

Quando saíram do estúdio, Lis não parava de pular.

— Ficou tão foda! Você está parecendo um gostoso fora da lei. Eu quero te atacar aqui mesmo.

— Por favor, contenha seus instintos até chegarmos ao carro — ele brincou, embora tenha sentido um calor gostoso no peito quando ela o abraçou de lado, enterrando o rosto em seu ombro.

— Próximo item! — anunciou ela, pegando a lista amassada do bolso da calça cargo. — "Item número 12: Dirigir em alta velocidade em uma estrada vazia gritando algo ofensivo para o universo".

Itachi parou de andar.

— Lis, isso é perigoso. E irracional.

— É por isso que está na lista, gênio! — Ela puxou as chaves do carro da mão dele. — Eu dirijo. Eu sou ótima nisso.

— Você bateu no hidrante da rua de trás semana passada, Lis.

— O hidrante estava no meu ponto cego! — ela gritou, dramática, jogando os braços para cima. — Qual é, Itachi? Onde está o homem que escreveu essa lista? Onde está o rebelde que queria confrontar o destino?

Itachi olhou para ela. Lis estava ali, com o vento bagunçando ainda mais seus cachos, os piercings brilhando sob o sol, desafiando-o a ser menos "psicólogo" e mais "humano".

— Tudo bem. Mas se formos presos, eu vou alegar que você me sequestrou.

— Eu te sequestraria qualquer dia, seu lindo. Entra no carro!

Eles pegaram a rodovia que levava ao interior, longe do tráfego pesado de Konoha. Quando a estrada se abriu em um horizonte de asfalto e árvores, Lis pisou no acelerador. O motor do sedan de Itachi rugiu, um som que ele raramente ouvia, já que sempre dirigia dentro do limite estrito.

— Vai, Itachi! Abre a janela! — ela comandou, o cabelo voando como uma bandeira caótica dentro do carro.

Ele obedeceu. O vento atingiu seu rosto com força, desfazendo o coque impecável que ele costumava usar.

— Grita! — ela berrou por cima do som do vento. — Grita qualquer coisa!

Itachi hesitou por um segundo. Ele olhou para Lis. Ela estava rindo, os olhos fechados por um instante, sentindo a adrenalina. Ele sentiu uma súbita onda de gratidão. Por ela ser tão barulhenta. Por ela não deixá-lo afundar no próprio silêncio.

— EU ODEIO RELATÓRIOS FINANCEIROS! — Itachi gritou para o nada.

Lis soltou uma gargalhada alta.

— Só isso? Você pode fazer melhor, Uchiha!

— EU QUERIA QUE O MEU IRMÃO FOSSE MENOS IDIOTA! — ele tentou de novo, a voz subindo de tom.

— ISSO! — Lis gritou junto. — E O CAFÉ DA PADARIA DA ESQUINA É UMA MERDA!

Eles ficaram ali, gritando absurdos para o asfalto, até que os pulmões ardessem e o carro começasse a desacelerar. Quando Lis finalmente parou no acostamento, o silêncio que se seguiu não era pesado. Era leve.

Itachi estava rindo. Não era aquele sorriso discreto de canto de boca. Era uma risada real, aberta, que fazia seus olhos se fecharem.

— Você é louca, Lis. Completamente louca.

— E você me ama por isso — ela disse, aproximando-se dele no espaço apertado do carro. Ela passou a mão pelos cabelos bagunçados dele. — Você precisava disso.

— Eu precisava — ele admitiu, pegando a mão dela e beijando a palma, bem em cima de uma pequena tatuagem de estrela que ela tinha. — Mas a lista tem itens mais... complicados.

— Eu sei — Lis disse, o tom de voz ficando subitamente sério. — O item sobre o seu pai. E sobre o Sasuke.

Itachi suspirou, o peso da responsabilidade voltando aos poucos.

— Eu não sei se estou pronto para o item sobre o meu pai. "Levar flores ao túmulo e dizer que eu não segui o caminho que ele queria, mas que sou feliz".

Lis acariciou o rosto dele, o polegar passando sobre a marca de expressão que ele tinha ao lado do nariz.

— Você não precisa estar pronto hoje. A lista é para antes dos trinta, lembra? Temos tempo. Mas não vamos fugir disso. Eu vou estar lá. Eu vou segurar sua mão, e se você quiser gritar com ele como a gente gritou na estrada, eu grito junto.

Itachi sentiu um nó na garganta. Ele era o psicólogo. Ele era quem deveria oferecer suporte emocional. Mas ali, com Lis, ele se permitia ser o paciente. Ele se permitia ser vulnerável.

— Por que você faz isso? — ele perguntou, a voz baixa. — Por que se importa tanto com uma lista velha que eu esqueci em um livro?

Lis deu de ombros, voltando ao seu jeito espontâneo.

— Porque eu odeio ver você guardando tudo em caixinhas, Itachi. Você é a pessoa mais incrível que eu conheço, mas às vezes você parece um museu. Tudo no lugar, tudo silencioso, tudo sob controle. Mas eu gosto do Itachi que quer tocar baixo na rua. Eu gosto do Itachi que tem medo de magoar o irmão por causa de um videogame de vinte anos atrás. Eu amo todas as versões de você, até as que você tenta esconder.

Itachi a puxou para um beijo longo, calmo e profundo. Era uma promessa silenciosa de lealdade.

— Obrigado, Lis — ele sussurrou contra os lábios dela.

— Não me agradeça ainda. O próximo item é "Passar uma noite em um motel barato de beira de estrada fingindo ser estranhos que acabaram de se conhecer".

Itachi congelou.

— Lis, não.

— Ah, sim! — Ela já estava ligando o carro, os olhos brilhando com malícia. — Eu vou ser a "Roxy", uma dançarina de cabaré em fuga, e você vai ser o "Kenji", um detetive particular misterioso que me encontrou no bar.

— Eu não sei atuar, Lis.

— Ah, você vai aprender. E eu comprei uma peruca ruiva semana passada que estava só esperando por essa oportunidade.

Itachi encostou a cabeça no banco, fechando os olhos enquanto Lis fazia uma manobra brusca para voltar à estrada. A casa provavelmente estaria uma bagunça quando voltassem. Haveria louça na pia, roupas no chão e a lista de desejos estaria pregada na geladeira com um ímã de pizza.

Sua vida era um caos. Mas, enquanto olhava para Lis cantando desafinado uma música que passava no rádio, Itachi percebeu que nunca tinha se sentido tão em casa.

— Tudo bem, Roxy — ele disse, a voz assumindo um tom mais grave e teatral. — Mas eu espero que você tenha o dinheiro da recompensa.

Lis deu um grito de alegria e acelerou.

— O Doutor Uchiha está entrando no personagem! O mundo não está pronto para isso!

E, naquela tarde de terça-feira, o psicólogo mais respeitado da cidade não estava em seu consultório. Ele estava em algum lugar de uma rodovia secundária, vivendo os sonhos de um jovem de vinte anos, guiado pela mulher que era, sem dúvida, o item mais importante — e nunca escrito — de qualquer lista que ele pudesse fazer.

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