
A empregada
Fandom: Camren
Criado: 30/07/2026
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Entre Fórmulas e Destinos
O caos era o único habitante constante na mansão de Lauren Jauregui, além dela mesma e de Bruno, seu fiel Golden Retriever de três anos. Pilhas de livros sobre bioquímica orgânica se misturavam a jalecos brancos jogados sobre o sofá de couro italiano, e a cozinha parecia um cenário de guerra após uma tentativa frustrada de preparar algo além de café solúvel. Aos 21 anos, Lauren levava uma vida que muitos invejariam: um emprego em um dos laboratórios mais prestigiados do país e uma casa herdada que era grande demais para uma pessoa só. No entanto, o tempo era seu maior inimigo.
Naquela manhã de sábado, Lauren suspirou, afastando uma mecha de seu cabelo escuro do rosto enquanto organizava os currículos sobre a mesa de jantar. Ela havia anunciado a vaga para governanta em diversos portais universitários e agências de emprego. Precisava de alguém de confiança, alguém que não se importasse com a bagunça e que, acima de tudo, suportasse o entusiasmo excessivo de Bruno.
A fila de entrevistas havia sido exaustiva. Candidatas excessivamente rígidas, outras que pareciam mais interessadas no tamanho da TV da sala do que no serviço, e algumas que claramente tinham medo de cachorros. Lauren já estava perdendo as esperanças quando a última candidata bateu à porta.
— Pois não? — Lauren disse ao abrir a porta, ajustando os óculos no rosto.
À sua frente estava uma garota que parecia ter saído de um quadro renascentista. Cabelos castanhos ondulados que caíam em cascata pelos ombros, olhos expressivos e um perfume suave de baunilha que instantaneamente acalmou os sentidos de Lauren.
— Olá, boa tarde. Eu sou a Camila. Camila Cabello — a voz dela era doce, mas carregava uma firmeza educada. — Eu vim pela vaga de... bom, para ajudar com a casa.
— Ah, sim! A última do dia. Por favor, entre, Camila.
Lauren deu passagem e Bruno, como se sentisse a energia da recém-chegada, correu em direção a ela. Antes que Lauren pudesse contê-lo, o cão já estava cheirando os pés de Camila. Para a surpresa da dona da casa, Camila se ajoelhou imediatamente, deixando que Bruno lambesse sua mão enquanto ela soltava uma risada cristalina.
— Olá, amigão! Você é lindo — disse ela, fazendo carinho atrás das orelhas do cachorro.
Lauren sentiu um sorriso involuntário surgir em seus lábios.
— Ele geralmente assusta as pessoas. Sou Lauren Jauregui.
— Prazer, Lauren. Eu estudo Engenharia Física na federal, sou bolsista — explicou Camila, levantando-se e limpando os joelhos da calça jeans simples, porém impecável. — Preciso de um trabalho que me permita conciliar os horários e que ajude com os custos dos livros e materiais de laboratório.
As duas se sentaram e a conversa fluiu com uma facilidade desconcertante. Lauren descobriu que Camila era organizada ao extremo, possuía uma disciplina invejável e, apesar da aparência delicada, tinha uma personalidade forte. Havia algo no olhar de Camila — uma mistura de determinação e uma ponta de melancolia — que fez Lauren tomar sua decisão antes mesmo da entrevista acabar.
— Camila, eu não vou tomar mais o seu tempo — Lauren disse, cruzando as pernas. — O cargo é seu, se você quiser. O trabalho consiste em manter a ordem, cuidar das roupas e do Bruno. Eu saio muito cedo e volto tarde, então o dia seria basicamente seu aqui.
— Eu aceito, com certeza — respondeu Camila, os olhos brilhando.
— Ótimo. Agora, as condições. O salário é de três mil, seiscentos e noventa reais por mês. Eu ofereço duas opções: você pode ocupar a suíte de hóspedes nos fundos, com tudo pago, ou pode pegar o dinheiro e manter sua própria residência. O que prefere?
Camila hesitou por um momento, pensando em sua privacidade e na liberdade que sempre prezou.
— Eu agradeço muito a oferta do quarto, Lauren, mas acho que prefiro procurar um pequeno apartamento ou uma república mais perto da faculdade. Quero ter meu próprio cantinho para estudar à noite sem incomodar você.
Lauren assentiu, respeitosa.
— Entendo perfeitamente. Você começa na segunda?
— Estarei aqui às oito em ponto.
Os primeiros dias foram uma revelação. A casa de Lauren nunca esteve tão limpa, e Bruno nunca pareceu tão feliz. Camila não apenas organizava os papéis de Lauren sem perder nada de importante, como também deixava pequenos bilhetes com lembretes sobre as refeições. No entanto, o clima de tranquilidade foi quebrado na noite de quinta-feira.
Camila havia passado a tarde visitando apartamentos em uma região mais barata da cidade, após sair do turno na casa de Lauren. O sol já havia se posto quando ela entrou em um beco estreito para chegar ao ponto de ônibus, seguindo as indicações de um anúncio que vira em um poste.
O ambiente estava silencioso demais. O som de passos pesados atrás dela fez seu coração disparar.
— Ei, gracinha... está perdida? — uma voz rouca e carregada de malícia ecoou atrás dela.
Camila acelerou o passo, o medo subindo pela garganta como bile.
— Não, estou chegando em casa — mentiu ela, a voz trêmula.
De repente, uma mão bruta agarrou seu braço, puxando-a para a sombra de um prédio abandonado. Era um homem alto, de hálito fétido e olhos injetados.
— Não precisa ter pressa. Vamos conversar um pouco — ele disse, prensando-a contra a parede fria.
O pânico tomou conta de Camila, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto. Quando ele tentou deslizar a mão pelo seu pescoço, ela usou toda a força que tinha para desferir um chute em sua canela e, aproveitando o momento de dor dele, acertou-lhe o joelho. O homem urrou de dor, soltando-a por um segundo.
Camila correu como se sua vida dependesse disso. Ela não olhou para trás. Dobrou esquinas, atravessou ruas movimentadas sem olhar para os carros, até encontrar um pequeno café 24 horas que ainda estava aberto. Ela entrou, trancando-se no banheiro, o corpo inteiro tremendo violentamente.
Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular. Não queria ligar para a polícia e passar horas em uma delegacia, estava em choque demais para isso. O primeiro nome que veio à sua mente foi o de Lauren.
O telefone chamou três vezes antes de ser atendido.
— Camila? Está tudo bem? — a voz de Lauren soou preocupada, notando a hora avançada.
— Lauren... por favor... — Camila soluçou, as lágrimas finalmente caindo. — Eu tentei ver um apartamento e... um homem... ele me pegou... eu consegui fugir, mas estou com tanto medo.
— Onde você está? — a voz de Lauren mudou instantaneamente, de sonolenta para um tom de autoridade protetora. — Me manda sua localização agora pelo WhatsApp. Não saia daí, Camila. Tranque a porta se puder. Eu chego em dez minutos.
Lauren dirigiu como uma louca pelas ruas de Miami. Quando chegou ao café, encontrou Camila encolhida em uma mesa de canto, abraçando as próprias pernas, pálida como papel. Lauren não disse uma palavra; apenas caminhou até ela e a envolveu em um abraço apertado. O cheiro de Lauren — uma mistura de sândalo e algo cítrico — agiu como um bálsamo para o terror de Camila.
— Está tudo bem agora. Eu estou aqui — sussurrou Lauren, beijando o topo da cabeça da garota.
No caminho de volta para a mansão, o silêncio no carro era pesado, quebrado apenas pelos soluços baixos de Camila. Lauren mantinha uma das mãos sobre a de Camila, que estava gelada.
Ao chegarem na casa, Bruno as recebeu com ganidos baixos, sentindo a angústia de Camila. Lauren a levou diretamente para a suíte que antes havia oferecido.
— Você vai ficar aqui, Camila — disse Lauren, em um tom que não aceitava discussões. — Não quero você andando por esses bairros perigosos atrás de lugar para morar. Esta casa é enorme, eu quase não fico aqui, e você terá toda a privacidade do mundo. Mas, por favor, deixe-me cuidar de você.
Camila olhou para o quarto amplo, a cama arrumada com lençóis de fios egípcios e a luz suave do abajur. Ela se sentiu segura pela primeira vez em horas. Mas, junto com a segurança, algo novo floresceu em seu peito: uma gratidão profunda e uma centelha de algo que ela ainda não sabia nomear.
— Lauren? — chamou Camila, enquanto a outra se virava para sair e deixá-la descansar.
— Sim?
— Eu aceito. Quero morar aqui.
Lauren sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seus olhos verdes.
— Fico feliz com isso. Descanse agora. Amanhã é um novo dia.
Nos dias que se seguiram, a dinâmica entre as duas mudou. Já não era apenas uma relação de patroa e empregada. Elas começaram a tomar café da manhã juntas, discutindo desde as leis da termodinâmica até as propriedades químicas das enzimas que Lauren estudava.
No entanto, a personalidade de Camila começou a se revelar mais intensamente. Ela era carinhosa, sempre garantindo que Lauren estivesse bem alimentada, mas também desenvolveu um senso de proteção — e talvez algo mais — em relação à Jauregui.
Uma tarde, enquanto Lauren recebia uma colega de laboratório, Alexa, para discutir um projeto, Camila observava da cozinha. Ela sentiu um aperto estranho no peito ao ver Alexa tocar o braço de Lauren e rir de uma piada interna.
— Aqui está o café de vocês — disse Camila, entrando na sala com uma bandeja, o tom de voz um pouco mais frio do que o habitual.
— Obrigada, Camila — disse Lauren, sorrindo para ela. — Alexa, esta é a Camila. Ela é o anjo que salvou esta casa do colapso.
— Prazer, Camila — Alexa disse, mal olhando para a garota. — Lauren, como eu dizia, aquele jantar na sexta vai ser ótimo para discutirmos os resultados com o Dr. Aris.
Camila apertou a alça da bandeja com força, os nós dos dedos ficando brancos.
— A Lauren tem um compromisso na sexta à noite — interrompeu Camila, antes mesmo que Lauren pudesse responder.
Lauren franziu a testa, confusa.
— Eu tenho?
— Sim — mentiu Camila descaradamente, os olhos fixos em Alexa com uma intensidade possessiva que surpreendeu a si mesma. — Nós combinamos de organizar a biblioteca e cuidar da dieta do Bruno com o novo veterinário. É inadiável.
Alexa arqueou uma sobrancelha, percebendo a tensão no ar. Lauren, sentindo a eletricidade emanando de Camila, apenas pigarreou.
— Ah, sim... eu havia me esquecido. Desculpe, Alexa, teremos que marcar o jantar para outra ocasião.
Quando Alexa finalmente foi embora, Lauren seguiu Camila até a cozinha. A garota estava lavando a cafeteira com uma energia desproporcional.
— Camila? — chamou Lauren, encostando-se no batente da porta.
— Sim, Lauren? — respondeu ela, sem se virar.
— Eu não tenho nenhum compromisso com o veterinário na sexta.
Camila parou de esfregar e respirou fundo. Ela se virou, os olhos castanhos brilhando com uma mistura de desafio e vulnerabilidade.
— Eu não gostei do jeito que ela olhou para você. E ela estava tocando muito no seu braço.
Lauren ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Uma onda de calor percorreu seu corpo ao perceber o que aquilo significava.
— Você estava com ciúmes, Camz? — o apelido saiu naturalmente, soando íntimo e doce.
Camila sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar. Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre as duas. O perfume de baunilha de Camila envolveu Lauren novamente, mas desta vez, não era apenas calmante; era inebriante.
— Eu não gosto de compartilhar o que é... o que é importante para mim — sussurrou Camila, a voz carregada de uma possessividade que fez o coração de Lauren errar uma batida.
Lauren estendeu a mão, tocando delicadamente o rosto de Camila. A pele era macia, e a respiração da garota falhou com o toque.
— Eu não sou um objeto, Camila — disse Lauren em voz baixa, aproximando seu rosto do dela —, mas confesso que gosto da ideia de pertencer a algum lugar. Ou a alguém.
— Então pertença a mim — pediu Camila, quase em um sussurro, fechando os olhos quando o polegar de Lauren acariciou seus lábios.
Naquele momento, entre as fórmulas químicas que Lauren guardava na mente e as leis da física que Camila estudava nos livros, uma nova ciência estava sendo escrita. Uma que não precisava de laboratórios ou cálculos, apenas da coragem de admitir que, no caos daquela casa grande demais, elas finalmente haviam encontrado o que faltava.
Lauren selou a promessa com um beijo calmo, que rapidamente se tornou profundo e urgente, enquanto Bruno, deitado no tapete da sala, suspirava satisfeito, como se soubesse que, finalmente, a casa estava completa.
