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Torralta/Gwayne Hightower

Fandom: House of the Dragons

Criado: 30/07/2026

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RomanceDramaFantasiaCenário CanônicoDivergênciaEstudo de PersonagemLinguagem Explícita
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O Silêncio entre as Chamas e o Aço

A Fortaleza Vermelha sempre pareceu pequena demais para abrigar tantos segredos, mas, para Aenna Targaryen, ela se tornara um labirinto de deveres. Como a filha mais nova de Viserys, ela crescera à sombra da rebeldia vibrante de Rhaenyra, cultivando uma doçura que muitos confundiam com submissão. No entanto, sob o veludo de seus vestidos e a cortesia de suas palavras, ardia o sangue do dragão — um orgulho silencioso que só despertava quando desafiado.

Do outro lado do salão de banquetes, Gwayne Hightower a observava. Ele era a definição de um cavaleiro de Oldtown: postura impecável, armadura polida e um silêncio que beirava o enigmático. Diferente de seu sobrinho Aegon, Gwayne não buscava o excesso; diferente de seu pai, Otto, ele não buscava a manipulação descarada. Ele era o escudo, a lâmina guardada na bainha.

E, agora, ele era o seu marido.

O casamento, proposto por Otto Hightower sob o pretexto de "unificar ainda mais os laços entre a Coroa e a Mão", fora aceito por um Viserys já cansado e doente. Aenna não protestou. Ela viu o olhar de Gwayne durante a cerimônia: um olhar de respeito, talvez até de admiração contida, mas carregado da frieza do dever.

Três dias haviam se passado desde que haviam trocado votos no Septo de Baelor. Três dias de jantares silenciosos e quartos separados. A tensão entre eles era uma corda esticada ao máximo, vibrando a cada vez que suas mãos se roçavam por acidente ou que seus olhos se cruzavam no Grande Salão.

— A noite está fresca, milady — disse Gwayne, aproximando-se dela na varanda dos aposentos que, por direito, deveriam compartilhar.

Aenna não se virou de imediato. Ela observava as luzes de Porto Real, sentindo o vento brincar com seus cabelos prateados.

— O frescor é um alívio após o calor do dia, Sor Gwayne — respondeu ela, a voz suave, mas firme. — Embora eu imagine que Oldtown seja mais amena que esta cidade barulhenta.

Gwayne deu um passo à frente, parando ao lado dela. Ele não a tocou, mas Aenna podia sentir o calor que emanava de seu corpo.

— Oldtown tem sua própria paz — disse ele, a voz profunda ecoando na noite. — Mas Porto Real tem uma... vivacidade que me é nova.

— Vivacidade ou perigo? — Aenna finalmente se virou para ele, os olhos violetas brilhando sob a luz da lua. — Meu pai nos uniu por um motivo, Gwayne. Mas ambos sabemos que não houve amor nessa negociação.

O cavaleiro sustentou o olhar dela. Ele era um homem que falava pouco, mas seus olhos diziam o que seus lábios temiam confessar. Ele a desejava. Desejava-a desde a primeira vez que a vira caminhar pelos jardins, anos atrás, quando ele ainda era apenas o filho da Mão e ela a princesa intocável.

— O dever pode ser o início de muitas coisas, Aenna — comentou ele, encurtando a distância entre eles. — Mas o que construímos a partir dele depende apenas de nós.

— E o que você deseja construir? — desafiou ela, o orgulho Targaryen aflorando. — Um casamento de aparências? Um contrato assinado em sangue e selado com silêncio?

Gwayne estendeu a mão, hesitando por um segundo antes de tocar uma mecha do cabelo dela. O gesto foi tão delicado que Aenna sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

— Eu nunca fui um homem de palavras vazias — sussurrou ele, aproximando o rosto do dela. — Mas não pense que meu silêncio é indiferença. É, na verdade, uma contenção que me custa a alma.

Antes que ela pudesse responder, o som de passos pesados ecoou no corredor externo. Um guarda Real passou pela porta aberta da antecâmara, e um nobre menor, visivelmente embriagado, tropeçou no portal, olhando para a princesa com uma lascívia que fez o sangue de Gwayne ferver.

— Ora, a pequena dragão e seu cavaleiro de flores — balbuciou o homem, rindo. — Dizem que os Hightowers são lentos para agir. Precisa de ajuda para domar a fera, Sor?

Aenna sentiu a indignação subir pelo peito, mas antes que pudesse proferir uma palavra, Gwayne se moveu. Foi um borrão de aço e intenção. Em um segundo, ele estava à frente da princesa; no outro, sua mão estava no punho da espada e a outra fechada no colarinho do nobre, prensando-o contra a parede de pedra.

— Seus olhos estão no lugar errado, senhor — rosnou Gwayne, sua voz agora uma lâmina afiada. — E sua língua parece estar ansiosa para ser cortada.

— Eu... eu não quis ofender — gaguejou o homem, a sobriedade retornando pelo puro terror.

— Toque nela, olhe para ela dessa maneira novamente, ou sequer sussurre o nome dela em seus sonhos ébrios — continuou Gwayne, a voz baixa e mortal —, e eu garanto que não haverá septão no reino capaz de juntar o que sobrar de você. Saia. Agora.

O homem fugiu tropeçando. Gwayne permaneceu de costas para Aenna por um longo momento, os ombros largos subindo e descendo com a respiração pesada. Quando ele se virou, a máscara de estoicismo havia caído. Havia fogo em seus olhos, um fogo que rivalizava com o dos dragões dela.

— Perdoe-me pela cena, milady — disse ele, tentando retomar a compostura. — Eu não deveria ter perdido a calma.

Aenna caminhou até ele, o coração batendo descompassado. Ela não viu o cavaleiro educado de Oldtown naquele momento; ela viu o homem que a protegeria do mundo inteiro.

— Você me defendeu — disse ela, a voz falhando levemente.

— Eu morreria por você antes mesmo de nos casarmos, Aenna — confessou ele, a verdade finalmente escapando. — Esse casamento pode ter sido uma proposta do meu pai, mas foi o único desejo da minha vida que ele realizou sem saber.

Aenna sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, mas ela sorriu, um sorriso que era tanto um desafio quanto um convite.

— Então pare de ser um cavaleiro perfeito por um momento, Gwayne — pediu ela, colocando a mão sobre o peito dele, sentindo o coração dele martelar contra a palma de sua mão. — E seja meu marido.

Gwayne não precisou de outro convite. Ele a tomou nos braços, fechando a porta da varanda com um chute e carregando-a para o interior do quarto, onde a luz das velas dançava nas paredes.

Ele a colocou sobre a cama de dossel com uma reverência que rapidamente se transformou em urgência. Seus beijos começaram castos, na testa e nas bochechas, mas logo encontraram os lábios dela em uma explosão de necessidade contida por anos. Aenna entrelaçou os dedos nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro daquele homem que amava em segredo enquanto fingia apenas obedecer.

— Aenna — ele murmurou contra o pescoço dela, as mãos grandes e calejadas pelo manejo da espada agora desfazendo os laços de seda de seu vestido com uma agilidade surpreendente. — Eu temia este momento tanto quanto o desejava. Temia que você me odiasse por ser o instrumento da ambição do meu pai.

— Eu nunca poderia odiar você, Gwayne — respondeu ela, a respiração ofegante enquanto a pele fria da noite encontrava o calor do corpo dele. — Eu odiava o silêncio. Eu odiava não saber se você me via como uma princesa ou como uma mulher.

— Eu vejo você como o meu mundo — disse ele, fixando os olhos nos dela.

As roupas foram descartadas, revelando a vulnerabilidade e o desejo que ambos haviam escondido sob camadas de protocolo. Quando Gwayne se posicionou sobre ela, ele foi cuidadoso, a doçura de seus movimentos contrastando com a força bruta que ele demonstrara momentos antes no corredor.

— Diga que me quer — ele pediu, a voz rouca, a testa encostada na dela. — Não por dever. Não por causa do rei. Diga que é por você.

— Eu quero você, Gwayne Hightower — sussurrou Aenna, puxando-o para baixo para um beijo profundo. — Hoje, amanhã e até que os dragões caiam do céu.

A consumação foi um misto de descoberta e entrega. Gwayne a tratava como um tesouro sagrado, cada toque uma promessa, cada gemido um segredo compartilhado. Houve uma ternura apimentada pela fome que só o tempo de espera pode criar. Ele a guiava com paciência, mas a paixão Targaryen nela respondia com uma intensidade que o pegava de surpresa, fazendo-o perder o controle que ele tanto prezava.

Horas depois, sob o brilho das estrelas que entravam pela janela, eles estavam deitados, os corpos ainda entrelaçados. O suor secava em suas peles, e o silêncio que antes era desconfortável agora era preenchido pela paz da satisfação.

Aenna apoiou a cabeça no peito dele, ouvindo o ritmo agora calmo de seu coração.

— Meu pai terá o que queria — disse ela baixinho. — Uma aliança sólida.

Gwayne beijou o topo da cabeça dela, envolvendo-a com os braços como se nunca mais fosse soltá-la.

— Seu pai terá a aliança — concordou ele. — Mas eu tenho você. E, pelo resto da minha vida, Aenna, ninguém, nem rei, nem dragão, se colocará entre nós.

Aenna fechou os olhos, sentindo-se finalmente em casa. A guerra poderia estar no horizonte, as intrigas da corte poderiam continuar a girar como corvos sobre um campo de batalha, mas ali, naquele quarto, o fogo e o aço haviam finalmente encontrado seu equilíbrio. O amor que nascera do dever tornara-se a força mais inquebrável de Westeros.

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