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Torralta

Fandom: House of the Dragons

Criado: 30/07/2026

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RomanceDramaAngústiaFantasiaUA (Universo Alternativo)Estudo de PersonagemDivergênciaCenário Canônico
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Ouro e Farol

Enquanto Porto Real fervilhava com as intrigas de Rhaenyra e os herdeiros de Alicent, a Princesa Aenna Targaryen movia-se pelos corredores da Fortaleza Vermelha como uma brisa suave, quase imperceptível em meio à tempestade que se formava. Sendo a mais nova das filhas do Rei Viserys I, Aenna crescera sob a sombra de eventos monumentais, observando sua irmã mais velha e seus sobrinhos ocuparem o centro do palco político. Para ela, restava a liberdade de ser gentil, o brilho de um sorriso que cativava os servos e a inteligência afiada que guardava para si mesma, temperada por um orgulho que, embora raramente ferisse, a tornava determinada em suas convicções.

Foi Otto Hightower, com sua visão sempre voltada para o horizonte das possibilidades, quem primeiro notou o valor estratégico da princesa "esquecida". Em uma conversa privada com sua filha, a Rainha Alicent, ele expôs o plano.

— Gwayne precisa de uma esposa que não apenas consolide nossa posição, mas que nos ligue irrevogavelmente ao sangue do dragão — dissera Otto, com a voz baixa e calculista. — Se os ventos mudarem, Alicent, ter uma princesa legítima do rei ao lado de seu irmão em Vilavelha será a nossa maior garantia.

Alicent, compreendendo a profundidade da jogada de seu pai, levou a questão ao marido. O Rei Viserys, já cansado pelos anos e pelas disputas familiares, olhou para Aenna durante um banquete e percebeu, com um aperto no coração, que sua pequena menina já era uma mulher. A sugestão de Alicent parecia não apenas sensata, mas harmoniosa. Ele tinha apreço por Otto e, embora conhecesse pouco do jovem Gwayne, sabia que o rapaz era um cavaleiro de honra.

— Vou considerar, minha rainha — respondeu Viserys. — Mas quero que eles se conheçam antes de qualquer anúncio. Organizaremos uma festa para os lordes. Que o castelo celebre antes que as decisões sejam seladas.

Gwayne Hightower chegou a Porto Real dias antes das festividades. Ele era a imagem da nobreza de Vilavelha: educado, de porte atlético e com uma cortesia que parecia nata. Ao ser apresentado ao Rei, Gwayne agiu com a deferência esperada, mas foi ao encontrar Aenna que algo mudou em seu semblante.

A primeira troca de olhares foi sutil. Eles não sabiam das tramas de Otto e Viserys, mas o destino, em sua ironia habitual, já começava a tecer seus fios.

— Ela é bonita, e tem um belo sorriso — pensou Gwayne, enquanto curvava a cabeça em uma reverência.

— Ele é bonito e gentil — Aenna guardou a observação para si, sentindo um leve calor subir pelo pescoço.

Nos dias seguintes, os encontros foram breves e vigiados. Conversaram sobre o clima, sobre as bibliotecas de Vilavelha e sobre os jardins da Fortaleza Vermelha. Havia um interesse mútuo, uma faísca de curiosidade que ambos tentavam sufocar sob camadas de orgulho e dever. Aenna não queria parecer ansiosa por um casamento arranjado, e Gwayne temia que qualquer avanço fosse interpretado como mera ambição política.

A festa, no entanto, mudou o tom das coisas. O grande salão estava decorado com os estandartes das grandes casas, e Aenna estava deslumbrante em um vestido de seda cinza-claro com detalhes em dourado, que evocavam as cores de seu dragão. Muitos lordes tentaram cortejá-la, mas a princesa parecia distraída.

Buscando escapar do calor e do barulho, ela saiu para uma das varandas que davam para a Baía da Água Negra. Lá, encontrou Gwayne. Ele estava encostado na mureta de pedra, observando o horizonte escuro onde as ondas quebravam silenciosamente.

— A música está alta demais para o seu gosto, Sor Gwayne? — perguntou ela, aproximando-se com passos leves.

— Apenas buscava um pouco de realidade, princesa — ele se virou, e a luz do luar destacou seus traços fortes. — Às vezes, o brilho do salão nos faz esquecer a vastidão do mundo lá fora.

— Uma observação filosófica para um cavaleiro — comentou Aenna com um sorriso desafiador.

— E uma presença inesperada para uma princesa que todos desejam ter no salão — retrucou ele, dando um passo em direção a ela.

A tensão entre eles era palpável. Não era apenas o desejo físico, embora este estivesse presente; era a sensação de que algo sólido poderia ser construído entre duas almas que se sentiam, de certa forma, deslocadas. Mas o peso do dever os impedia de ir além. Eles eram peças em um tabuleiro, e se entregar àquele sentimento parecia, naquele momento, um erro contra a própria dignidade.

O choque veio poucos dias depois, durante um jantar íntimo organizado por Alicent. Quando o Rei Viserys anunciou o noivado, o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo tilintar dos talheres. Aenna sentiu o sangue fugir do rosto, e Gwayne manteve o olhar fixo em sua taça de vinho. Nenhum dos dois protestou. Eles conheciam as regras. Era o dever.

No entanto, o noivado trouxe uma estranha melancolia. Ambos já haviam amado antes, paixões de juventude que nunca poderiam florescer, e agora se viam presos a um compromisso que, embora desejado em segredo, carregava o estigma da imposição. Aenna tornou-se mais reservada, embora sempre carinhosa com o noivo; Gwayne, por sua vez, redobrou sua cortesia, tratando-a com uma delicadeza quase excessiva, temendo que qualquer toque mais ousado pudesse ser visto como uma invasão.

O casamento foi uma cerimônia de esplendor e melancolia. Após as juras diante do Septão, Aenna teve que se despedir de sua vida em Porto Real. A despedida de Viserys foi dolorosa; o rei parecia envelhecer dez anos em um único abraço. Rhaenyra, com um olhar complexo, desejou sorte à irmã.

A viagem para Vilavelha foi marcada pelo silêncio. No céu, Azarion, o dragão de Aenna, seguia a comitiva. Ele era uma criatura mística, de escamas brancas peroladas que brilhavam como opalas sob o sol, com asas que pareciam banhadas em ouro líquido. Diziam que Azarion ofuscava os olhos dos inimigos antes de transformá-los em cinzas, e sua presença era o único conforto de Aenna naquela jornada para o desconhecido.

Ao chegarem a Vilavelha, a realidade se impôs. A Torra Alta era imensa, fria e cheia de tradições que Aenna ainda não compreendia. Os dias passavam lentos. Gwayne estava mergulhado em seus deveres como cavaleiro e herdeiro, e Aenna sentia-se uma estranha em sua própria casa.

Eles dormiam em quartos separados. Oficialmente, por uma questão de "conforto" e "ajuste", mas a verdade era que um muro invisível de timidez e receio havia se erguido entre eles. Todas as noites, Gwayne a acompanhava até a porta de seus aposentos.

— Está confortável, Aenna? Precisa de algo? — ele perguntava, mantendo uma distância respeitosa.

— Estou bem, Gwayne. Obrigada.

— Então, boa noite, Aenna. — Ele lhe dava um sorriso gentil, mas triste, e se retirava para o quarto ao lado.

A tensão, no entanto, não desaparecia. Pelo contrário, ela se acumulava como eletricidade antes de uma tempestade. Os olhares desviados durante o jantar, o toque acidental das mãos ao passarem um objeto, a respiração que falhava quando estavam sozinhos nos jardins. O desejo incompreendido queimava sob a superfície da polidez.

Após semanas de um casamento não consumado, Gwayne chegou ao seu limite. Ele passara a tarde observando Aenna de longe, enquanto ela lia no pátio, com a luz do sol poente refletindo em seus cabelos. Ele percebeu que seu silêncio não era respeito, era covardia. Ele a amava, ou estava a caminho disso, e não suportava mais a distância que ele mesmo ajudara a criar.

Naquela noite, após o jantar, ele entrou nos aposentos dela. Aenna estava sentada diante da penteadeira, escovando os cabelos. Ela usava uma camisola de seda fina, e a visão de sua nuca exposta fez o coração de Gwayne martelar contra as costelas.

Eles conversaram por alguns minutos sobre banalidades, mas as palavras pareciam vazias. A tensão no ar era tão espessa que poderia ser cortada com uma espada.

— Bom... eu já vou — disse Gwayne, levantando-se. — Boa noite, Aenna.

Ele caminhou até a porta, mas parou com a mão na maçaneta. O silêncio do quarto parecia gritar. Ele fechou os olhos por um segundo, buscando coragem, e se virou. Aenna ainda o observava, com os olhos grandes e cheios de uma expectativa que ela tentava esconder.

Gwayne atravessou o quarto com passos decididos e parou diante dela. Desta vez, ele não manteve a distância.

— Aenna — ele começou, a voz mais rouca do que o habitual. — Você é minha esposa. Eu prometi protegê-la e respeitá-la, e farei isso até o fim dos meus dias. Mas não posso mais viver nesta farsa de quartos separados e palavras medidas.

Aenna levantou-se lentamente, o coração disparado.

— Gwayne...

— Nós dois somos orgulhosos — continuou ele, aproximando-se ainda mais, até que ela pudesse sentir o calor de seu corpo. — Estamos agindo como se fôssemos estranhos forçados a uma convivência, mas eu sei que você sente o mesmo que eu. Eu vejo nos seus olhos. Eu sinto quando você me olha.

Ele estendeu a mão e tocou o rosto dela, o polegar acariciando a linha de sua mandíbula.

— Chega de deveres e de fantasmas do passado — sussurrou ele. — Eu quero você. De fato.

Aenna olhou para ele, e por um momento, todo o orgulho e a hesitação desmoronaram. Ela viu o homem à sua frente, não o peão de Otto ou o cavaleiro de Vilavelha, mas o homem que a observava com uma intensidade que a fazia sentir-se viva.

Sem dizer uma palavra, ela encurtou a distância. Seus lábios se encontraram em um beijo feroz, uma explosão de toda a tensão acumulada durante meses. Não havia mais delicadeza ou hesitação; era uma entrega total, um reconhecimento de que, apesar de todas as tramas e arranjos, eles haviam encontrado um no outro algo que era puramente deles.

Naquela noite, sob a sombra da Torra Alta, o sangue do dragão e o farol de Vilavelha finalmente se fundiram, transformando um dever político em uma paixão que nenhum muro invisível seria capaz de conter novamente.

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