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Clara o amor do general

Fandom: Sombras e ossos

Criado: 30/07/2026

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FantasiaDramaAngústiaSombrioRomanceEstudo de PersonagemGravidez Não Planejada/IndesejadaDivergênciaCenário Canônico
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O Eco do Sangue Ausente

A escuridão do Pequeno Palácio nunca pareceu tão opressora quanto nos últimos três meses. Para Aleksander Morozova, o General Kirigan, as sombras que ele controlava com tanta maestria haviam se tornado fios de navalha que cortavam sua própria alma. Cada corredor, cada tapeçaria de veludo azul, cada fragrância de sândalo nos aposentos reais o lembrava de Clara.

Ele fechou os olhos por um momento, encostado na mesa de mogno de seu escritório. A imagem dela veio como um sol avassalador, queimando sua visão. Clara. Sua esposa. Sua Sangria, com suas curvas suaves que ele adorava percorrer com as pontas dos dedos, sua pele que sempre parecia quente sob o toque dele, e aqueles olhos que sempre o olhavam com uma mistura de adoração e uma insegurança que ele tentava, desesperadamente, curar.

Ele a amava. Era uma confissão que o Herege das Sombras nunca pensou que faria, nem mesmo para si mesmo. No início, ela era apenas um trunfo. Uma Sangria de linhagem pura, poderosa o suficiente para manter seu coração batendo por milênios, para ser o pilar que sustentaria seu império. Mas o poder dela não foi a única coisa que o prendeu. Foi a risada dela, o jeito como ela mordia o lábio inferior quando estava concentrada, a forma como ela se aninhava nele durante as noites frias em Ravka, alheia ao monstro que o mundo via nele.

E então, Baghra destruiu tudo.

O General rosnou, arremessando um tinteiro contra a parede. A mancha preta se espalhou como um pecado. Sua mãe, com sua língua de serpente, havia contado a Clara sobre sua verdadeira identidade. Tinha dito a ela que ele era o Herege, que o casamento era uma farsa, um meio para um fim. Clara, em sua fragilidade e dor, acreditou. Ela fugiu com a ajuda de Baghra, desaparecendo na vastidão de Ravka como se nunca tivesse existido.

— Onde você está, Clara? — sussurrou ele para o vazio.

O que mais o torturava era o silêncio do vínculo deles. Ele tentava rastreá-la dia e noite, mas o poder dela estava estranho. Estava forte, pulsante, uma assinatura energética tão vasta que chegava a cegar seus sentidos Grishas. Mas havia algo mais... parecia que a frequência do poder dela estava dobrada. Como se houvesse dois corações batendo no mesmo ritmo, dois focos de energia emanando do mesmo lugar. Isso o confundia e o levava ao desespero.

Uma batida na porta interrompeu seu tormento.

— Entre — ordenou ele, recuperando instantaneamente sua máscara de frieza.

Ivan entrou, fazendo uma reverência curta.

— General, a Conjuradora do Sol está pronta. Ela o aguarda no jardim de inverno.

Aleksander assentiu. Alina Starkov. A chave para a Dobra. O instrumento que ele precisava para finalmente trazer paz — ou submissão — a Ravka. Ele precisava manipulá-la, precisava que ela confiasse nele. Mas cada passo que dava em direção a Alina parecia uma traição ao fantasma de Clara que ainda assombrava seus lençóis.

No jardim, a luz da lua filtrava-se através do teto de vidro. Alina estava lá, parecendo pequena e assustada, mas com um poder que brilhava sob sua pele. Ela era a luz. Clara era o sangue, a vida, o calor.

— Você parece distante, General — disse Alina, a voz trêmula.

Aleksander aproximou-se, as sombras dançando ao redor de suas botas. Ele colocou uma máscara de gentileza, o sorriso que ele sabia que desarmava qualquer um.

— Apenas preocupado com o futuro de nosso povo, Alina — mentiu ele com perfeição. — Você é a esperança que esperávamos.

Ele começou a falar, tecendo palavras de destino e grandeza. Ele a envolveu em sua retórica, fazendo-a sentir-se especial, única. Mas, por dentro, ele sentia um nojo profundo de si mesmo. Cada palavra doce direcionada a Alina era um insulto à memória do que ele tinha com Clara.

— Eu quero ajudá-lo — disse Alina, os olhos brilhando com uma confiança recém-descoberta.

— Eu sei que quer.

Ele se aproximou mais. O plano exigia que ela estivesse completamente sob seu domínio emocional. Ele a tomou nos braços, sentindo a rigidez do corpo dela. Quando ele se inclinou e pressionou seus lábios contra os dela, o mundo não parou. Não houve faíscas, não houve o calor familiar que ele sentia quando tocava Clara.

O beijo foi técnico, frio por dentro, embora ele fingisse paixão. Enquanto seus lábios tocavam os de Alina, sua mente o traía cruelmente.

Flashback: Clara estava sentada na cama deles, vestindo apenas uma camisola de seda fina. Ela olhava para o próprio reflexo no espelho, apertando suavemente a curva de sua cintura com uma expressão de desânimo.

Aleksander... você realmente me acha bonita? — perguntou ela, a voz quase um sussurro.

Ele caminhou até ela, ajoelhando-se entre suas pernas e abraçando sua cintura. Ele enterrou o rosto em seu ventre, sentindo o calor e a maciez dela.

Você é a criatura mais perfeita que já caminhou sobre esta terra, Clara — disse ele com uma sinceridade que o assustava. — Cada parte de você é um tesouro que eu guardaria por toda a eternidade.

Ela sorriu, e aquele sorriso era mais brilhante do que qualquer Conjuradora do Sol jamais poderia ser.

Ele se afastou de Alina abruptamente, a respiração pesada, mas não por desejo.

— Por hoje basta, Alina — disse ele, a voz mais ríspida do que pretendia. — Descanse. Temos muito a fazer amanhã.

Sem esperar resposta, ele deu as costas e caminhou a passos largos em direção aos seus aposentos privados. Assim que a porta se fechou atrás dele, ele desabou em sua poltrona, cobrindo o rosto com as mãos.

A sensação dos lábios de Alina ainda estava lá, e ele sentia vontade de esfregar a própria pele até sangrar. Como ele pôde? Como ele pôde tocar outra mulher quando o cheiro de Clara ainda parecia impregnado nas cortinas, no ar, em seu próprio ser?

— Eu vou te encontrar — rosnou ele para a escuridão do quarto. — E quando eu encontrar, eu vou destruir quem quer que a tenha tirado de mim. Até mesmo minha mãe.

Ele se levantou e foi até a janela, olhando para as montanhas ao longe. O poder dela... por que estava tão forte? Por que parecia duplo?

Um pensamento súbito o atingiu, um pensamento que fez seu coração Grisha falhar uma batida. Clara era uma Sangria. Ela controlava o corpo, o sangue, a vida. Se o poder dela estava dobrado... se havia dois ritmos cardíacos onde deveria haver apenas um...

— Um herdeiro — sussurrou ele, os olhos arregalados de choque e uma súbita esperança selvagem.

Clara não estava apenas escondida. Ela estava carregando o filho dele. O filho do Herege das Sombras.

O ódio que ele sentia por si mesmo transformou-se em uma determinação fria e absoluta. Ele usaria Alina Starkov, usaria a Dobra, usaria cada grama de poder que possuía para remodelar o mundo. Mas ele não faria isso por Ravka. Ele faria isso para criar um lugar onde Clara e seu filho nunca mais tivessem que fugir dele.

— Você pode correr, minha pequena Sangria — disse ele, um sorriso sombrio e predatório surgindo em seus lábios enquanto as sombras na sala se agitavam em resposta à sua fúria e amor. — Mas você é minha. E o que é meu, eu nunca deixo ir.

Ele voltou para sua mesa, pegando os mapas de busca. Ele não dormiria. Ele não descansaria. O eco do sangue dela o chamava, e agora, ele tinha mais um motivo para caçá-la até os confins do mundo.

— Três meses, Clara — murmurou ele, traçando o contorno de um mapa com o dedo. — Três meses de solidão. Mas eu prometo... quando eu te encontrar, o mundo inteiro vai queimar se for preciso para te manter ao meu lado.

Ele apagou a única vela da sala, deixando que a escuridão o abraçasse. Naquele silêncio negro, ele ainda podia sentir o gosto dela, o cheiro de sua pele, e a promessa de uma vingança que começaria no momento em que ele a tivesse de volta em seus braços. Alina Starkov era apenas uma peça no tabuleiro. Clara era o tabuleiro, o prêmio e a própria alma do General Kirigan. E ele não pretendia perder sua alma uma segunda vez.

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