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Fandom: Magi

Criado: 30/07/2026

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O Eco dos Destinos Entrelaçados

Maya mal tinha conseguido fechar os olhos, o cansaço pesado puxando-a para o sono que tanto merecia, quando um choro fino e insistente cortou o silêncio do quarto. Ela acordou de imediato, as pálpebras ainda pesadas, mas o olhar logo atento e preocupado. A enfermeira entrou devagar, com um sorriso calmo nos lábios.

— É, mamãe… parece que a fome já chegou por aqui. Você pode amamentar, e depois descansa de verdade — disse ela, com voz suave, como quem acalma.

Maya fez um sinal com a cabeça, um movimento fraco de quem já tinha gastado todas as forças. Meu coração apertou de ternura. Peguei Jade com todo o cuidado do mundo, sentindo seu corpinho pequeno e quente contra o meu peito, e a coloquei suavemente nos braços de Maya.

Com gestos lentos e cheios de instinto, Maya a segurou, ajeitando-a com uma doçura que me deixou sem ar. Ela guiou o rostinho da filha com paciência, como se já soubesse exatamente o que fazer, e logo o choro parou, dando lugar ao som tranquilo e suave da mamada. O silêncio voltou ao quarto, agora mais leve, cheio de vida.

Enquanto isso, eu segurei Gael. Ele estava de olhos abertos, parado e quietinho, mas se mexendo devagar nos meus braços. O Rukh ao redor dele parecia brilhar com uma tonalidade dourada e suave, uma dança de luz que apenas aqueles sintonizados com o fluxo do mundo poderiam perceber. Ele era tão pequeno, mas carregava em si a promessa de algo grandioso.

— Ele é tão parecido com você — sussurrou Maya, sem desviar os olhos de Jade. — Tem aquele brilho teimoso no olhar, mesmo sendo apenas um recém-nascido.

— Espero que ele herde a sua paciência — respondi, aproximando-me da beira da cama para que pudéssemos ficar todos juntos. — Se ele tiver o meu temperamento e a sua força, o mundo não estará pronto para ele.

Maya soltou uma risada fraca, um som que aqueceu as paredes frias do palácio de Sindria.

— O mundo nunca está pronto para o que o destino reserva, Sinbad — disse ela, voltando sua atenção para a pequena Jade. — Olhe para ela. Tão calma agora.

O silêncio que se seguiu não era de solidão, mas de plenitude. Fora daquelas paredes, Sindria comemorava. Eu podia ouvir, ao longe, o som dos tambores e os gritos de alegria do povo. Eles celebravam o nascimento dos herdeiros, a continuidade de um sonho que eu havia construído com tanto suor e sangue. Mas ali, naquele quarto, eu não era o Rei dos Sete Mares. Eu era apenas um homem maravilhado diante do milagre da vida.

— Você precisa descansar, Maya — insisti, vendo a palidez de seu rosto. — O parto foi exaustivo. Deixe que as enfermeiras cuidem deles por algumas horas.

— Não — ela respondeu prontamente, apertando Jade um pouco mais contra si. — Eu passei meses sentindo-os chutar, imaginando seus rostos. Agora que eles estão aqui, não quero perder um segundo sequer.

— Eu sei — suspirei, sentindo o peso da coroa em meus pensamentos, embora ela não estivesse na minha cabeça naquele momento. — Mas você precisa estar forte. O destino de Sindria agora é o destino deles também.

Maya olhou para mim, e por um momento vi a sombra da preocupação em seus olhos. Ela sabia, melhor do que ninguém, que ser filho de Sinbad não era um fardo leve. O Rukh que nos cercava era agitado por forças que iam além da nossa compreensão, e o mundo estava mudando. Al-Thamen ainda espreitava nas sombras, e a Aliança dos Sete Mares estava em um equilíbrio delicado.

— Você vai protegê-los, não vai? — perguntou ela, a voz subitamente séria.

— Com a minha vida — prometi, e cada fibra do meu ser vibrou com a verdade daquelas palavras. — Nenhum mal alcançará essas crianças enquanto eu respirar.

Gael soltou um pequeno resmungo em meus braços, como se estivesse concordando. Seus pequenos dedos se fecharam em torno do meu polegar, uma força surpreendente para alguém tão minúsculo. Eu sorri, sentindo uma onda de orgulho que superava qualquer conquista de Dungeon que eu já tivesse realizado.

A porta do quarto se abriu silenciosamente e Ja'far entrou. Ele parecia exausto, com olheiras profundas que denunciavam as noites em claro organizando a segurança e os preparativos para o anúncio oficial. Ao ver a cena, ele parou, seu rosto severo relaxando em um sorriso raro e genuíno.

— Peço desculpas pela interrupção — disse ele em voz baixa —, mas os generais estão esperando por uma palavra sua. O povo não vai parar de festejar até que você apareça na sacada.

— Deixe que esperem um pouco mais, Ja'far — respondi, sem tirar os olhos de Gael. — O rei está ocupado com assuntos muito mais importantes agora.

Ja'far caminhou até nós e olhou para as crianças.

— Eles são perfeitos, Sinbad. Maya, você fez um trabalho incrível.

— Obrigada, Ja'far — respondeu ela, sorrindo cansada. — Mas acho que Sinbad tem razão. Meu corpo está começando a reclamar.

A enfermeira, que aguardava no canto da sala, aproximou-se para levar Jade, que já havia terminado de mamar e caído em um sono profundo. Maya relutou por um segundo, mas acabou entregando a pequena. Eu fiz o mesmo com Gael, sentindo um vazio imediato nos braços assim que ele foi levado para o berço ao lado da cama.

— Vá, Sinbad — disse Maya, fechando os olhos. — Fale com o seu povo. Deixe que eles saibam que o futuro de Sindria está seguro.

Beijei sua testa, sentindo o calor de sua pele.

— Eu volto logo.

Saí do quarto acompanhado por Ja'far. Enquanto caminhávamos pelos corredores de mármore do palácio, o som da celebração lá fora tornava-se cada vez mais alto.

— Você está bem? — perguntou Ja'far, observando meu perfil.

— Estou — respondi, embora minha mente estivesse a mil por hora. — Mas sinto que tudo mudou, Ja'far. Antes, eu lutava por um ideal, por um país. Agora, cada decisão que eu tomar terá o rosto de Gael e Jade.

— Isso o tornará um rei melhor — afirmou Ja'far com convicção. — Ou um muito mais perigoso para seus inimigos.

— Talvez ambos.

Chegamos à grande sacada que dava para a praça principal de Sindria. A visão era estonteante. Milhares de pessoas carregavam tochas, dançando e cantando sob o céu estrelado. Quando as luzes do palácio iluminaram minha figura, um rugido de aclamação subiu da multidão, abafando até o som das ondas do oceano.

Ergui as mãos, pedindo silêncio. Lentamente, o barulho cessou, transformando-se em uma expectativa reverente.

— Povo de Sindria! — minha voz ecoou, amplificada pelo poder do Rukh que eu comandava. — Hoje não celebramos apenas o nascimento de dois príncipes. Celebramos a prova viva de que nossos sonhos de paz e prosperidade têm um futuro! Gael e Jade nasceram sob o céu desta nação livre, e é por eles, e por cada um de seus filhos, que continuaremos a construir o mundo que merecemos!

Os gritos recomeçaram, mais fortes do que nunca. Mas, enquanto eu sorria e acenava, meus olhos se voltaram para o horizonte distante, onde o mar encontrava o céu. Eu sabia que a paz era um estado frágil. Kou, Reim, a ameaça constante de Al-Thamen... o mundo ainda era um lugar perigoso.

— Sinbad? — Ja'far se aproximou, notando meu olhar distante.

— O destino está se movendo, meu amigo — murmurei, quase para mim mesmo. — Posso sentir as correntes mudando.

— O que você quer dizer?

— As crianças... elas não são apenas bebês comuns. O Rukh ao redor de Gael é intenso demais, e Jade tem uma calma que me lembra as águas profundas antes de uma tempestade. Eles carregam algo em seu sangue. Algo que talvez nem eu consiga controlar.

Ja'far olhou para a multidão e depois para mim.

— Eles são seus filhos, Sinbad. Eles encontrarão o próprio caminho, assim como você encontrou o seu.

— Espero que sim — respondi, voltando para o interior do palácio. — Mas, por enquanto, só quero que eles possam dormir em paz.

Ao retornar ao quarto, encontrei Maya já adormecida. As crianças estavam em seus berços, envoltas em mantas de seda fina. Aproximei-me de Gael e observei seu rosto pequeno. Ele parecia estar sonhando.

De repente, uma luz suave emanou de suas mãos minúsculas. Eram borboletas de luz dourada, o Rukh puro, manifestando-se de forma espontânea. Elas flutuaram pelo quarto, tocando o berço de Jade, que brilhou em resposta com uma tonalidade azulada, como o oceano.

Meu coração disparou. Manifestação de Rukh em recém-nascidos era algo quase inaudito, um sinal de uma conexão profunda com o fluxo do mundo. Eles não seriam apenas magos ou guerreiros; eles seriam peças centrais no tabuleiro do destino.

— Então é verdade — uma voz familiar soou das sombras do quarto.

Virei-me rapidamente, a mão instintivamente indo para o punhal em minha cintura, mas relaxei ao ver a figura pequena e flutuante de Aladdin. O jovem Magi tinha um olhar sério, seus olhos grandes focados nos bebês.

— Aladdin? O que faz aqui a esta hora? — perguntei, baixando a guarda.

— Eu senti uma flutuação no Rukh de todo o arquipélago no momento em que eles nasceram — disse ele, aproximando-se dos berços com curiosidade. — Sinbad, essas crianças... o Rukh delas não é como o de ninguém que eu já vi.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei, sentindo uma ponta de ansiedade.

Aladdin estendeu a mão, e uma das borboletas douradas de Gael pousou em seu dedo.

— É como se eles fossem um eco do que o mundo costumava ser, ou talvez do que ele se tornará. Eles estão conectados a você, sim, mas também a algo muito mais antigo.

— Salomão? — sussurrei, temendo a resposta.

— Talvez — respondeu Aladdin, olhando para mim com uma sabedoria que não condizia com sua aparência infantil. — Mas não se preocupe agora, tio Sinbad. Por enquanto, eles são apenas bebês que precisam de amor e proteção. O destino cuidará do resto quando chegar a hora.

— Eu não vou deixar o destino decidir tudo por eles, Aladdin — retruquei com firmeza. — Eu criei Sindria para que pudéssemos ser donos de nossas próprias vidas.

Aladdin sorriu, um sorriso triste e compreensivo.

— Às vezes, Sinbad, quanto mais lutamos contra o fluxo, mais rápido somos levados por ele. Mas, por hoje, deixe que eles sonhem.

O Magi desapareceu no ar tão silenciosamente quanto havia chegado, deixando-me sozinho com meus pensamentos e minha família. Sentei-me na poltrona ao lado da cama de Maya, observando o ritmo tranquilo de sua respiração e a luz suave que ainda emanava dos berços.

Eu sabia que os anos seguintes seriam difíceis. As tensões políticas estavam aumentando, e a descoberta do potencial de meus filhos atrairia olhares indesejados de todos os cantos do globo. Mas, enquanto olhava para Gael e Jade, senti uma determinação renovada.

Eu era o Rei dos Sete Mares. Eu havia subjugado dungeons, construído impérios e desafiado deuses. Se o mundo quisesse tirar a paz de meus filhos, teria que passar por mim primeiro.

— Durmam bem, meus pequenos — murmurei, sentindo o sono finalmente começar a me vencer. — O amanhã trará seus próprios desafios, mas hoje, vocês estão seguros.

A luz dourada e azul no quarto começou a diminuir, transformando-se em um brilho suave e reconfortante. O silêncio da noite foi quebrado apenas pelo som distante da festa que continuava lá fora, um tributo ao futuro que acabara de começar.

Naquela noite, em Sindria, o destino não foi escrito em pergaminhos ou profecias, mas no calor de um quarto de palácio e no amor de um pai que faria qualquer coisa para ver seus filhos sorrirem. A segunda temporada de nossas vidas estava apenas começando, e eu sabia que, independentemente do que viesse, estaríamos prontos.

Porque nós éramos Sindria. E Sindria nunca caía.

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