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Gravides precoce

Fandom: Mundo real

Criado: 30/07/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFatias de VidaGravidez na AdolescênciaRealismoEstudo de Personagem
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O Peso do Gelo e a Suavidade do Amanhã

O som das lâminas cortando o gelo era o único ritmo que Kuro Hatake conhecia para acalmar a ansiedade. Naquela manhã, o treino no rinque da faculdade estava intenso. Como o jogador mais novo do time de elite, a pressão sobre seus ombros era imensa, mas Kuro a carregava com a mesma facilidade com que desviava dos defensores adversários. Com 1,80m de altura, um físico impecável moldado por horas de academia e o cabelo branco repicado grudado na testa pelo suor, ele era, sem dúvida, o centro das atenções das arquibancadas.

Mas os olhos castanhos escuros de Kuro não buscavam aplausos. Eles buscavam o relógio na parede.

Assim que o treinador apitou o fim da sessão, Kuro foi o primeiro a sair do gelo. Ele mal ouviu as piadinhas dos companheiros de equipe sobre como o "novato prodígio" estava com pressa para voltar para a "coleira". Kuro apenas sorriu, aquele seu sorriso engraçadinho e convencido que desarmava qualquer um, e deu um tchauzinho irônico enquanto se dirigia ao vestiário.

— Se tivessem uma mulher maravilhosa esperando por vocês em casa, também não perderiam tempo aqui ouvindo o hálito de café do treinador — rebateu ele, arrancando risadas do grupo.

Por baixo da fachada de piadista e do corpo de atleta que parecia esculpido em mármore, o coração de Kuro batia em um ritmo diferente. Ele tirou a camisa pesada de hóquei, revelando o abdômen definido, e rapidamente se trocou. A cada segundo, sua mente voltava para o pequeno apartamento que dividia com Tatsuyo.

Tatsuyo Nakamura. O nome dela era sua âncora e sua maior motivação.

Enquanto dirigia para casa, Kuro passou em uma padaria e comprou os pães doces que ela tanto gostava. Ele sabia que a reta final da gravidez não estava sendo fácil. Aos 17 anos, com a pele parda contrastando com os longos cabelos pretos que caíam como seda pelas costas, Tatsuyo parecia uma boneca de porcelana que o mundo tentou quebrar, mas que ele jurou proteger.

Ao abrir a porta do apartamento, o silêncio o recebeu, quebrado apenas pelo som baixo da televisão. Ele encontrou Tatsuyo sentada no sofá, as pernas inchadas apoiadas em um puff, as mãos pequenas repousando sobre a barriga de oito meses que parecia enorme em seu corpo de 1,63m.

— Cheguei, meu amor — disse Kuro, deixando as chaves na mesa e indo direto até ela.

Tatsuyo levantou os olhos pretos, que pareciam carregar um cansaço profundo, mas que brilharam ao vê-lo.

— Você demorou — sussurrou ela, a voz um pouco embargada.

Kuro se ajoelhou entre as pernas dela, ignorando o cansaço dos próprios músculos, e beijou sua testa antes de depositar um beijo demorado na curva da barriga.

— O treino rendeu hoje. O pequeno Haru estava chutando muito? — perguntou ele, usando o nome que haviam escolhido para o menino.

Tatsuyo assentiu, mas Kuro percebeu que havia algo errado. Ele a conhecia bem demais. Sabia que, por trás daquela aparência tranquila, morava um medo que nunca a abandonava completamente. Desde o dia em que os pais dela a expulsaram de casa ao descobrirem a gravidez, o mundo de Tatsuyo havia desmoronado. Se não fosse por Kuro, que a acolheu sem hesitar, que usou cada centavo da sua bolsa de estudos e dos seus bônus no hóquei para garantir que ela tivesse o melhor, ela estaria perdida.

— O que foi, Tatsy? — Kuro perguntou, sua voz perdendo o tom brincalhão e assumindo uma nota de ternura profunda.

— Eu estava pensando... — Ela começou, desviando o olhar para a janela. — Faltam só algumas semanas. E se você perceber que isso é demais? Você tem 19 anos, Kuro. Tem uma carreira inteira pela frente, a faculdade, as festas... Eu sou só uma garota que nem terminou o ensino médio da forma normal.

Kuro suspirou, sentindo uma pontada de dor no peito. Ele sabia que as estatísticas eram cruéis. Sabia que a maioria dos rapazes da idade dele fugiria na primeira oportunidade. Mas eles não eram "a maioria".

— Olha para mim — pediu ele, pegando as mãos dela e as levando aos lábios. — Olha nos meus olhos, Tatsuyo.

Ela obedeceu, os olhos úmidos.

— Eu não estou aqui por obrigação. Eu não estou aqui porque "é o certo a fazer". Eu estou aqui porque eu amo você mais do que amo o hóquei, mais do que amo a mim mesmo. Você passou naquela prova de nivelamento, você é a pessoa mais inteligente que eu conheço. Você abriu mão de tanta coisa por causa desse carinha aqui dentro... O mínimo que eu posso fazer é ser o homem que você e ele merecem.

— Mas e se você se cansar de mim? — insistiu ela, uma lágrima solitária escorrendo. — Eu não tenho para onde ir, Kuro. Meus pais nem atendem minhas ligações.

Kuro se levantou e sentou ao lado dela, puxando-a para um abraço cuidadoso, sentindo Haru se mexer entre eles.

— Eu nunca vou me cansar de você. Você é o meu lar. A cada gol que eu marco naquele rinque, eu penso em vocês dois. Cada dor muscular, cada queda no gelo... tudo vale a pena quando eu volto e vejo o seu rosto. Nós somos um time, lembra?

— Um time bem desproporcional — ela brincou timidamente, limpando o rosto. — Você é um atleta estrela e eu sou uma bola de pilates com pernas.

Kuro soltou uma gargalhada alta, aquele som contagiante que sempre fazia Tatsuyo sorrir.

— Uma bola de pilates muito linda, diga-se de passagem. E, para sua informação, o médico disse que você está perfeita.

Ele se levantou e foi até a cozinha, começando a preparar o lanche. Enquanto cortava as frutas e arrumava os pães, ele continuava a falar, contando histórias engraçadas sobre como o goleiro do time tropeçou sozinho no gelo ou sobre as novas táticas absurdas do treinador. Ele fazia isso de propósito, para tirar o peso dos ombros dela, para lembrá-la de que a vida ainda podia ser leve, apesar da responsabilidade gigante que os aguardava.

— Kuro? — chamou ela da sala.

— Sim, madame?

— Obrigada. Por não ter ido embora.

Kuro parou o que estava fazendo por um momento. Ele olhou para as próprias mãos, calejadas pelo bastão de hóquei, e depois olhou para a tatuagem discreta que tinha no pulso — a data em que começaram a morar juntos.

— Eu nunca tive a intenção de ir, Tatsy. E nunca vou ter.

Ele voltou para a sala com a bandeja e passou o resto da tarde ali, no chão, fazendo massagem nos pés dela e lendo em voz alta capítulos de livros de pediatria que ele vinha estudando em segredo.

A noite caiu sobre a cidade, e Kuro ficou observando Tatsuyo adormecer no sofá. Ele tocou suavemente a barriga dela, sentindo um chute vigoroso.

— Relaxa, amigão — sussurrou Kuro para o bebê. — O papai está aqui. E eu não vou a lugar nenhum.

Naquele pequeno apartamento, longe do gelo frio e dos gritos da torcida, Kuro Hatake sabia que já tinha vencido o campeonato mais importante da sua vida. Ele era o porto seguro de Tatsuyo, e ela era a razão pela qual ele nunca deixaria de patinar.

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