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Sutileza

Fandom: SUTIS homens de terno

Criado: 30/07/2026

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O Preço do Silêncio e o Gosto do Desprezo

O som dos saltos de Clara ecoava pelo corredor de vidro da Pearson Hardman com uma urgência que ela já não aguentava mais sentir. Em seus braços, uma pilha de pastas que parecia pesar tanto quanto o aperto em seu peito. Ela ajustou o blazer azul-marinho, sentindo o tecido esticar levemente sobre suas curvas, e respirou fundo antes de empurrar a porta da sala de Harvey Specter.

Lá estava ele. Impecável, como sempre. O terno Tom Ford parecia uma armadura de arrogância e perfeição. Ele estava de pé, olhando para a vista de Manhattan, com um copo de uísque na mão, apesar de ainda ser cedo para os padrões de qualquer pessoa normal.

— Você demorou — disse ele, sem sequer se virar. A voz era fria, cortante, desprovida de qualquer vestígio da paixão que, apenas duas noites atrás, ele havia demonstrado entre os lençóis de seda de sua cobertura.

Clara caminhou até a mesa dele e depositou os arquivos com um baque seco.

— O juiz demorou para liberar as liminares, Harvey. E eu não sou o Flash — respondeu ela, tentando manter o tom profissional, embora seu coração estivesse acelerado.

Harvey se virou, um sorriso de lado — aquele sorriso que desarmava qualquer um, mas que agora só a irritava — brincando em seus lábios.

— Talvez você devesse correr mais, Clara. Faria bem para o seu fôlego e para o meu caso.

Ela sentiu a pontada. Não era a primeira vez que ele fazia um comentário velado sobre seu ritmo ou sua aparência sob o disfarce de uma "piada de trabalho". Ela o amava — Deus, como o amava —, mas o Harvey que o mundo via, o "melhor fechador de Nova York", estava se tornando uma caricatura insuportável para ela.

— O caso está aqui — disse ela, ignorando a provocação. — A estratégia da Darby International é agressiva. Eles vão tentar alegar que a fusão foi coercitiva.

Harvey caminhou até a mesa, pegando uma das pastas e folheando-a com desdém.

— Eles podem alegar o que quiserem. Eu sou Harvey Specter. Eu não perco. — Ele olhou para ela, os olhos brilhando com aquela confiança irritante. — Além disso, tive uma noite muito... produtiva. A nova associada da promotoria, uma loira de pernas intermináveis, me deu algumas informações valiosas entre um drinque e outro.

Clara sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. O "caso" secreto deles era exatamente isso: secreto. Para o mundo, ela era apenas a assistente eficiente, a mulher que organizava a vida dele enquanto ele desfilava com modelos e advogadas de elite. Mas ouvir dele, com tanta naturalidade, sobre "outras mulheres" era uma tortura refinada.

— Que bom para você, Harvey — disse ela, a voz falhando por um milésimo de segundo. — Espero que a loira de pernas intermináveis também saiba redigir petições, porque eu estou saindo para almoçar.

— Ah, não seja sensível — retrucou ele, soltando uma risada curta. — É apenas negócios, Clara. Você sabe como eu opero. Eu uso o que tenho à disposição. E, convenhamos, o mercado está muito generoso ultimamente. Ontem à noite mesmo, no Del Posto, conheci uma russa que... bom, digamos que ela tinha muito a oferecer.

Clara sentiu as lágrimas queimarem o fundo de seus olhos, mas ela se recusou a deixá-las cair. Ela era gordinha, sim, e sabia que não se encaixava no padrão das mulheres que Harvey exibia como troféus. Mas ela era a única que conhecia seus medos, a única que ficava acordada com ele quando os pesadelos sobre sua mãe o assombravam. E, no entanto, ali estava ele, tratando-a como se ela fosse descartável, ou pior, invisível.

— Por que você faz isso? — perguntou ela, a voz agora baixa e firme.

Harvey ergueu uma sobrancelha, fechando a pasta.

— Faço o quê? Ganho casos? Sou charmoso?

— Não — ela deu um passo à frente, a coragem superando o medo. — Por que você faz questão de me humilhar? Você me proíbe de contar a qualquer pessoa sobre nós. Você me trata como uma estranha na frente da Donna e do Mike. E depois, fica contando vantagem sobre as mulheres que você pega para a pessoa que... que está com você.

Harvey suspirou, deixando o copo de uísque sobre a mesa. Ele caminhou até ela, parando a poucos centímetros. O perfume dele, uma mistura de sândalo e poder, a envolveu.

— Clara, não comece com isso. Nós temos um acordo. Eu não sou homem de namoros públicos, e você sabia disso desde o início.

— Um acordo? — Ela riu, uma risada amarga. — Eu pensei que tínhamos uma conexão. Mas você é tão inseguro que precisa diminuir a mulher que está do seu lado para se sentir o alfa da sala. Você acha engraçadinho ser esse babaca, não é? Acha que é parte do "charme Specter".

— Eu não estou diminuindo você — disse ele, a voz endurecendo. — Estou sendo honesto. Eu sou um homem livre. O que fazemos entre quatro paredes é uma coisa. O que eu faço na minha vida social é outra. Se você não consegue lidar com a realidade de quem eu sou, talvez não devesse estar aqui.

Aquelas palavras foram a gota d'água. Clara sentiu algo se quebrar dentro de si — não o coração, que já estava em pedaços, mas a paciência.

— Você tem razão, Harvey. Eu não deveria estar aqui.

Ela se virou para sair, mas ele segurou seu braço. O toque, que antes a fazia derreter, agora parecia um grilhão.

— Aonde você vai? Temos a reunião com os sócios em dez minutos. Eu preciso que você tome notas.

— Peça para a loira da promotoria — disparou ela, soltando o braço com força. — Ou para a russa do Del Posto. Tenho certeza de que elas são ótimas em tomar notas enquanto você se admira no espelho.

— Clara, pare de ser infantil — ordenou ele, voltando ao seu tom de autoridade. — Isso é sobre o caso. Deixe suas emoções fora do escritório.

— Minhas emoções são a única coisa real nesta sala, Harvey! — gritou ela, não se importando se alguém no corredor ouviria através do vidro. — Você vive em um mundo de aparências, onde tudo é uma transação. Mas eu cansei de ser o seu segredo sujo. Eu cansei de ouvir você falar de outras mulheres para ver se consegue me machucar o suficiente para eu ir embora, porque você tem medo de que alguém descubra que você pode amar alguém que não parece uma modelo de passarela.

Harvey ficou estático. Por um momento, a máscara de confiança vacilou. Seus olhos vacilaram, e ele abriu a boca para dizer algo, mas o cinismo voltou rápido demais.

— Você está sendo dramática. Amanhã você vai se acalmar e perceber que tem o melhor emprego da cidade e o melhor homem na sua cama, mesmo que seja por algumas horas.

Clara olhou para ele com uma piedade profunda.

— Você realmente acredita nisso, não acredita? Que o dinheiro e o sexo compensam a sua total falta de caráter. — Ela caminhou até a porta e parou com a mão na maçaneta. — Eu te amo, Harvey. E é por isso que eu não posso mais fazer isso. Eu mereço alguém que não tenha vergonha de me dar a mão na rua. E você... você merece a solidão que tanto cultiva.

— Clara! — chamou ele, mas ela já havia saído.

Ela caminhou pelo escritório com a cabeça erguida. Donna Paulsen a observou passar, seus olhos de secretária que tudo vê cheios de uma compreensão silenciosa. Clara não parou em sua mesa. Ela pegou sua bolsa, deixou o crachá sobre o balcão da recepção e saiu para o ar gelado de Nova York.

Pela primeira vez em meses, ela conseguia respirar.

Enquanto isso, em sua sala, Harvey Specter permanecia imóvel. Ele olhou para a pilha de pastas que ela havia deixado. O silêncio da sala, que ele sempre considerou um sinal de poder, agora parecia ensurdecedor. Ele pegou o uísque, mas o gosto era amargo.

Ele tentou pensar na russa, na promotora, em qualquer uma das mulheres que mencionara para ferir Clara. Mas as imagens delas eram borradas, sem rosto, sem alma. A única imagem que permanecia era o olhar de decepção de Clara — a mulher que o conhecia de verdade e que, pela primeira vez, não estava lá para limpar sua bagunça.

Harvey sentou-se em sua cadeira de couro e olhou para o telefone. Ele queria ligar, queria exigir que ela voltasse, queria soltar uma piada para quebrar o gelo. Mas, no fundo de sua mente, a voz dela ecoava: "Você merece a solidão que tanto cultiva".

Pela primeira vez em sua carreira, o melhor fechador de Nova York não sabia como encerrar o caso. E, pela primeira vez na vida, ele percebeu que o preço do seu silêncio tinha sido alto demais.

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