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Allya!

Fandom: THE FUCKEN CIRCUS 🎪

Criado: 31/07/2026

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O Espetáculo das Sombras e o Despertar do Medo

O cheiro de serragem velha e mofo foi a primeira coisa que atingiu os sentidos de Allya. Quando ela abriu os olhos, a escuridão não era total, mas as luzes distantes e bruxuleantes de lanternas a óleo criavam sombras distorcidas que dançavam nas paredes de lona. Ela tentou se levantar, mas sentiu o frio do metal contra suas costas.

Allya estava em uma jaula.

A garota de treze anos, com seus longos cabelos cacheados vermelho-escuros espalhados pelo chão sujo, sentou-se num solavanco. Seu coração batia como um pássaro enjaulado contra as costelas. Ela olhou para as próprias mãos, sentindo a falta de seus sapatos; seus pés descalços estavam gelados. O curativo branco sobre seu olho esquerdo parecia mais apertado do que o normal, e a fivela preta que o prendia pinicava seu couro cabeludo.

— Onde... onde eu estou? — sussurrou ela, a voz falhando.

Ela se lembrou de fragmentos. O caminho da escola, um frappuccino na mão, e então... o vazio. Agora, ela era apenas uma peça em um cenário grotesco. Allya abraçou os próprios joelhos, escondendo o rosto entre as mechas cor de mel de sua franja. Ela queria seus gatos. Queria uma pizza de abacaxi e o conforto de sua cama, não aquele cárcere de ferro.

De repente, o som de passos ecoou pelo corredor de terra batida. Não eram passos comuns; eram acompanhados pelo tilintar de guizos e o som de tecido pesado se arrastando.

Cinco figuras emergiram das sombras, delineadas pela luz fraca do circo. Para Allya, que detestava bobos da corte desde pequena, aquela visão era o seu pior pesadelo ganhando vida. Eles não pareciam humanos; pareciam entidades de um teatro esquecido e cruel.

— Olhem só o que o mestre trouxe para o show — disse uma voz ríspida e carregada de irritação.

Allya levantou o olhar e soltou um grito agudo, um som de puro terror que ecoou pela lona do circo.

Imediatamente, a figura de roupas verdes e cabelos brancos saltou em direção às grades. Antes que Allya pudesse recuar, uma mão enluvada passou por entre os ferros e pressionou-se firmemente contra sua boca, abafando seu clamor.

— Shhh! Fica quietinha, gatinha — sibilou Pierrô, seus olhos brilhando com uma mistura de estresse e impaciência. — Se você continuar berrando, vai atrair coisa muito pior que a gente. Entendeu?

Allya congelou. O contato da mão dele era frio, mas o rosto de Pierrô estava tão próximo que ela podia ver a tensão em sua mandíbula. Ela sentiu o rosto esquentar, uma mistura involuntária de medo e vergonha por estar naquela situação humilhante. Ela assentiu levemente, e ele retirou a mão, limpando-a na roupa verde como se tivesse tocado em algo incômodo.

— Ela é... diferente — murmurou outra voz, mais suave e perigosa.

Harquelin, o bobo da corte de vermelho e cabelos pretos, aproximou-se com um sorriso malicioso que não chegava aos olhos. Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza calculada, tocou uma das mechas vermelhas do cabelo de Allya que escapava pela grade.

— Tão macio. Parece seda tingida em sangue — comentou Harquelin, enrolando o cacho no dedo.

Allya inclinou a cabeça, a curiosidade lutando contra o medo por um breve segundo. Ninguém nunca tinha falado do cabelo dela daquela forma. Mas o encanto quebrou quando Felipx, o bobo da corte rosa, deu um passo à frente. Ele tinha uma expressão de profundo tédio e desdém, cruzando os braços sobre o peito.

— Por que trouxeram outra garota? Elas são irritantes, barulhentas e inúteis — reclamou Felipx, mas, apesar de suas palavras ásperas, ele estendeu a mão e tocou a bochecha amarelada de Allya com a ponta dos dedos, como se estivesse testando a textura de uma boneca de porcelana.

Allya estremeceu, encolhendo-se contra o canto da jaula.

— Deixe-a em paz, Felipx — rosnou Bucker, o bobo da corte marrom.

Bucker tinha um olhar severo. Ele não escondia que não gostava de mulheres, mas havia algo em sua postura que sugeria uma disciplina rígida. Ele se aproximou e, para a surpresa de Allya, colocou a mão sobre a cabeça dela através das grades, dando um carinho desajeitado, quase como se estivesse acalmando um animal antes do abate.

— Ela é apenas uma escrava agora. Não precisa de seus jogos — disse Bucker.

No entanto, o clima mudou drasticamente quando a quinta figura saltou para a frente das grades. Altzø, o bobo da corte azul, tinha olhos que giravam em órbitas frenéticas. Ele ria baixinho, um som desconexo que fazia os pelos do braço de Allya se arrepiarem.

— Oh! Oh! Vejam! Vejam o que a gatinha tem! — gritou Altzø, sua voz oscilando em tons agudos. — Tão grande! Tão macio! Eu quero tocar, eu preciso tocar!

Antes que qualquer um dos outros pudesse reagir, Altzø enfiou as mãos por entre as grades com uma velocidade sobre-humana. Ele não teve a "delicadeza" de Harquelin ou o desdém de Felipx. Suas mãos agarraram o peito de Allya com força bruta, apertando sem qualquer senso de limite ou decência.

— Não! Para! — Allya gritou, desta vez não de susto, mas de dor física e choque.

Ela tentou se empurrar para trás, mas o espaço na jaula era pequeno e as mãos de Altzø eram como garras. As lágrimas inundaram seu olho direito, transbordando e molhando o curativo do esquerdo.

— Solta ela, seu idiota! — gritou Pierrô, puxando Altzø pelo colarinho azul. — Você vai quebrar o brinquedo antes da estreia!

Altzø foi jogado para trás, rindo de forma histérica enquanto balançava as mãos no ar.

— Ela é tão... cheia! — Altzø exclamou, os olhos fixos em Allya. — Eu amo! Eu amo!

Allya se encolheu em posição fetal no chão da jaula, soluçando baixinho. A dor latejava em seu peito e a sensação de invasão a deixava nauseada. Ela nunca se sentira tão pequena, tão vulnerável.

— Olhe o que você fez, seu demente — resmungou Bucker, olhando para Allya com uma careta de desgosto, embora tenha permanecido perto da grade. — Ela está tremendo.

— Ela é uma gracinha quando chora — comentou Harquelin, ainda observando-a com aquele olhar predatório. — Dá vontade de ver o que mais a faz gritar.

Pierrô soltou um suspiro pesado, ajustando o chapéu de bobo da corte. Ele olhou para Allya, que tentava esconder o rosto com o cabelo.

— Escuta aqui, gatinha — disse Pierrô, sua voz voltando ao tom estressado de antes. — Bem-vinda ao circo. Aqui, você não é mais uma estudante. Você é nossa, entendeu? Se comportar, talvez o mestre deixe você comer. Se não...

Ele não terminou a frase, mas o sorriso de Altzø e o olhar frio de Felipx completaram o aviso.

Allya olhou para cima, o olho branco brilhando através das lágrimas. Ela viu as cinco figuras coloridas e grotescas diante dela e soube, naquele momento, que o arco-íris que ela tanto amava tinha sido distorcido em algo sombrio.

— Por favor... — ela sussurrou, a voz trêmula — ...eu só quero ir para casa.

— Casa? — Felipx riu, um som seco e sem humor. — Garota, você ainda não entendeu? O circo é sua casa agora. E nós somos sua única família.

Bucker deu um último tapinha no topo da cabeça dela, um gesto que parecia uma despedida de sua humanidade.

— Tente dormir — disse o bobo marrom. — O ensaio começa ao amanhecer. E o mestre não gosta de escravas cansadas.

Um a um, eles se retiraram para a penumbra, deixando Allya sozinha novamente no silêncio opressor da jaula. Altzø foi o último a sair, mandando um beijo no ar e rindo de forma maníaca antes de desaparecer na escuridão.

Allya abraçou suas pernas, sentindo o frio do chão e a dor em seu corpo. Ela fechou o olho, tentando imaginar o ronronar de um gato ou o gosto de um frappuccino de caramelo, mas tudo o que conseguia ouvir era o tilintar dos guizos e o eco das risadas daqueles monstros fantasiados.

Ela estava no "The Fucken Circus", e o show estava apenas começando.

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