
Abbie
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 01/08/2026
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O Labirinto de Grafite e Medo
Os corredores da Escola Fundamental de Papel pareciam mais longos do que o normal naquela tarde. O silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico dos sapatos de Abbie contra o chão de linóleo, um som que ecoava como batidas de um coração acelerado. Abbie apertava as alças de sua mochila com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. A pequena folha no topo de sua cabeça, que geralmente balançava com o vento, agora estava murcha e estática, refletindo o terror que consumia o garoto.
Ele sabia que o resultado da prova de matemática não tinha sido bom. Na verdade, tinha sido um desastre. E naquela escola, uma nota baixa não significava apenas uma bronca ou uma recuperação; significava uma sentença.
— Por favor, por favor, só me deixe chegar em casa... — sussurrou ele para si mesmo, as lágrimas já começando a embaçar sua visão.
Abbie parou por um momento, tremendo violentamente. Ele sentia que estava sendo observado. As paredes de papel da escola pareciam sussurrar seu nome, zombando de sua fraqueza. Ele gostava de maçãs, do cheiro doce e da textura crocante que o acalmava, mas agora, o gosto de ferro do medo era a única coisa que preenchia sua boca.
De repente, a luz do corredor oscilou. Antes que Abbie pudesse correr, uma mão pálida e desproporcionalmente grande surgiu das sombras. Antes que o grito pudesse escapar de sua garganta, a palma fria e áspera cobriu sua boca com força brutal. Ele sentiu o cheiro metálico de sangue seco e grafite.
Abbie lutou, chutando o ar e tentando morder a mão que o prendia, mas um pano úmido foi pressionado contra seu nariz. Seus olhos se arregalaram em puro pavor antes que a escuridão o engolisse por completo. O mundo desapareceu enquanto ele caía em um sono forçado e pesado.
Quando Abbie começou a recobrar a consciência, a primeira coisa que sentiu foi a vibração. O chão sob ele tremia e o som de um motor diesel preenchia seus ouvidos. Ele tentou levar as mãos ao rosto, mas seus pulsos foram interrompidos bruscamente por cordas ásperas que queimavam sua pele.
Ele abriu os olhos, mas a luz era escassa. Ele estava no interior de uma van escura. O pânico subiu por sua garganta como bile. Ele tentou gritar, mas apenas um som abafado e úmido saiu. Uma fita preta e grossa estava colada firmemente sobre seus lábios, prendendo qualquer pedido de socorro.
— Mmmff! Mmmppphhh! — Abbie se debateu, as pernas chutando o metal frio do veículo.
— Fique quietinho, Abbie. Ou o final chegará mais cedo do que o planejado.
A voz era inconfundível. Fria, afiada e carregada de uma autoridade sádica. Miss Circle estava sentada no banco da frente, observando-o pelo retrovisor com seus olhos brilhantes e vazios. Ela segurava seu compasso gigante, a ponta de metal refletindo a pouca luz que entrava pelas frestas.
— Cale a boca — ordenou ela, com um sorriso que mostrava seus dentes pontiagudos. — Você falhou, Abbie. E você sabe o que acontece com quem não atinge a média.
Abbie sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele queria implorar, dizer que estudaria mais, que faria qualquer coisa, mas a fita impedia qualquer palavra. Ele apenas conseguia produzir sons desesperados enquanto as lágrimas escorriam por suas bochechas, molhando a borda da fita preta.
A van parou bruscamente. A porta traseira foi aberta, revelando um galpão abandonado nos limites da propriedade escolar. Miss Circle o arrastou para fora como se ele não passasse de um saco de lixo.
Lá dentro, o ambiente era ainda mais aterrorizante. O lugar era escuro, cheirando a papel velho e mofo. Miss Circle jogou Abbie em uma cadeira de madeira pesada. Com movimentos rápidos e precisos, ela removeu as cordas iniciais e a fita, apenas para que Abbie soltasse um grito estridente que ecoou pelas vigas do teto.
— SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR, MISS CIRCLE, EU PROMETO QUE VOU MELHORAR! — gritou ele, a voz falhando pelo desespero.
— Silêncio! — rugiu a professora, batendo com a ponta de seu compasso no chão, criando uma faísca. — Seus gritos são irritantes e, acima de tudo, desnecessários. A matemática é exata, Abbie. Sua nota é zero. E zero significa aniquilação.
Ela agarrou os pulsos dele novamente. Abbie tentou empurrá-la, mas a força da mulher era sobre-humana. Ela o amarrou novamente à cadeira, desta vez com mais força, garantindo que ele não pudesse mover um centímetro sequer.
— Não chore, pequeno Abbie — provocou ela, aproximando o rosto do dele, a ponta de seu nariz quase tocando a folha no topo da cabeça do garoto. — Você não quer ser um bebê chorão na hora da sua última lição, quer?
Abbie soluçava, o peito subindo e descendo freneticamente.
— Por favor... eu tenho maçãs na minha mochila... pode ficar com elas... só me deixe ir... — implorou ele, soluçando.
Miss Circle soltou uma risada seca e estridente. Ela se afastou por um momento, pegando uma folha de papel amassada do chão — possivelmente um dos testes fracassados de outro aluno. Ela a amassou até formar uma bolinha compacta e dura.
— Você fala demais para alguém que entende tão pouco de números — disse ela.
Antes que Abbie pudesse reagir, ela forçou a bolinha de papel dentro da boca dele, empurrando-a até que ele não pudesse mais mover a língua. Abbie engasgou, os olhos quase saltando das órbitas. Em seguida, ela pegou um rolo de fita adesiva prateada e deu três voltas completas em volta da cabeça dele, selando sua boca definitivamente.
— Mmmph! Mmm-mmmph! — Os sons de Abbie agora eram apenas vibrações abafadas de puro terror.
Ele tentava balançar a cabeça, tentando pedir socorro com os olhos, que brilhavam com o reflexo das lâmpadas fluorescentes piscando acima deles. Ele estava preso, amordaçado e à mercê da professora mais temida da instituição.
Miss Circle começou a circular a cadeira, a lâmina de seu braço-compasso arrastando no chão, produzindo um som estridente de metal contra cimento.
— Veja pelo lado positivo, Abbie — disse ela, parando atrás dele e colocando as mãos em seus ombros. — Você finalmente vai servir para alguma coisa. Você será um exemplo perfeito do que acontece com a mediocridade.
Ela inclinou a cabeça, observando o garoto tremer.
— Por que está tentando se soltar? — perguntou ela, fingindo curiosidade. — Você sabe que não há saída. A lógica dita que este é o seu fim. E eu adoro lógica.
Abbie fechou os olhos com força, sentindo o suor frio escorrer por seu pescoço. Ele pensou na luz do sol, no gosto de uma maçã vermelha e suculenta, em qualquer coisa que não fosse a lâmina fria que ele agora sentia encostar levemente em sua nuca.
— Não faça esse som, Abbie — sussurrou ela em seu ouvido. — É patético. Tente aceitar seu destino com um pouco mais de... precisão.
Ela se afastou e caminhou até uma mesa cheia de ferramentas de geometria afiadas. Abbie observava cada movimento dela, o desespero atingindo um nível que ele não achava ser possível. Ele continuava a tentar gritar por trás da fita, um som contínuo e angustiante que preenchia o galpão, mas Miss Circle apenas cantarolava uma melodia macabra enquanto escolhia seu próximo instrumento.
— Agora — disse ela, virando-se com um esquadro de metal afiado como uma navalha. — Vamos ver se conseguimos dividir você em partes iguais, já que você não sabe dividir frações.
Abbie arregalou os olhos e começou a se debater com uma força renovada pelo puro instinto de sobrevivência, mas as cordas não cediam. Ele estava sozinho no escuro, com sua pior falha personificada diante dele, pronta para apagar sua existência como se ele fosse apenas um erro de grafite em uma folha de papel.
