
Abbie
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 01/08/2026
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O Labirinto de Sombras e Silêncio
O frio da fita adesiva contra a pele do rosto de Abbie era a única coisa que ele conseguia sentir com clareza, além do latejar constante em seus pulsos. Ele estava jogado no chão daquele veículo escuro, o corpo tremendo em espasmos involuntários enquanto seus pulmões lutavam para puxar o ar através do nariz. O cheiro de borracha e poeira invadia seus sentidos, intensificando a náusea que subia por sua garganta.
Abbie tentou se mexer, mas o movimento apenas fez com que as cordas em seus tornozelos e pulsos — agora firmemente presos atrás de suas costas — queimassem sua pele. Ele era como um pequeno animal encurralado, cujos olhos arregalados brilhavam na penumbra, transbordando lágrimas que ele não conseguia limpar.
— Shhh... Eu já não mandei você ficar quietinho? — A voz de Miss Circle cortou o silêncio como uma lâmina afiada. Ela estava sentada em um banco lateral, observando-o com aquele sorriso predatório que fazia o sangue de Abbie congelar. — Você é tão barulhento para alguém que tirou uma nota tão baixa, Abbie. A matemática exige precisão, silêncio e foco. Coisas que você claramente não tem.
Abbie soltou um som abafado, um "humph" desesperado que implorava por misericórdia, mas a professora apenas inclinou a cabeça, deliciando-se com o pavor dele. Ela esticou a mão longa e pálida, pegando o celular que pertencia ao garoto, que havia caído do bolso dele durante o sequestro.
Com uma elegância cruel, ela deslizou os dedos pela tela e iniciou uma chamada de vídeo. A luz do visor iluminou o rosto sádico de Miss Circle.
— Olá, queridas — disse ela, a voz carregada de um entusiasmo doentio. — Vejam o que eu encontrei tentando fugir pelos corredores.
Na tela, as imagens de Miss Bloomie e Miss Thavel apareceram. Bloomie, com sua aparência severa, soltou uma risadinha seca, enquanto Thavel exibia um olhar de puro deleite malicioso.
— Ora, se não é o pequeno Abbie — comentou Miss Bloomie, ajustando seus óculos. — Ele parece tão... vulnerável assim, não acha? Um exemplo perfeito do que acontece com quem não estuda.
— Ele é um fracasso adorável — acrescentou Miss Thavel, passando a língua pelos lábios de forma perturbadora. — O que você pretende fazer com ele, Circle? Espero que guarde um pouco da diversão para nós.
— Oh, não se preocupem — respondeu Miss Circle, virando a câmera para que as outras professoras pudessem ver Abbie contorcendo-se no chão da van, amordaçado e impotente. — Ele é o convidado de honra da noite. Estou levando-o para o "anexo". Temos muito o que revisar antes da próxima aula.
Abbie soltou um grito abafado, um som gutural que vibrou contra a fita preta em sua boca. Ele balançou a cabeça freneticamente, as lágrimas agora escorrendo livremente e molhando o tecido de sua camisa branca. A folha no topo de sua cabeça, geralmente um detalhe bobo de sua aparência, estava murcha e caída, refletindo seu estado de espírito.
— Olhe para ele — riu Miss Thavel através do alto-falante. — Ele realmente acha que alguém vai ouvir. Tão patético.
— Nos vemos em breve, Circle — disse Miss Bloomie antes de desligar. — Não o quebre rápido demais.
Miss Circle guardou o celular e levantou-se. A van parou bruscamente, fazendo o corpo de Abbie deslizar pelo piso de metal. O som da porta traseira sendo aberta foi como o anúncio de uma sentença de morte. A luz externa era escassa, revelando apenas que estavam em um local isolado, cercado por uma escuridão densa e opressiva.
Ela agarrou Abbie pelo colarinho, levantando-o como se ele não pesasse nada. O garoto tentou chutar, mas com os pés amarrados, ele apenas conseguiu se debater inutilmente.
— Chegamos, Abbie — sussurrou ela perto do ouvido dele, o hálito frio arrepiando os pelos da nuca do menino. — Tente não chorar tanto. Isso estraga o sabor do medo.
Eles entraram em um prédio que parecia uma extensão esquecida da escola. O ar ali era pesado, com cheiro de mofo e algo metálico que Abbie reconheceu, para seu horror, como sangue seco. O lugar estava mergulhado em uma escuridão quase total, quebrada apenas pela lanterna que Miss Circle carregava.
Ao chegarem a uma sala nos fundos, Circle jogou Abbie no chão com força. O impacto tirou o fôlego do garoto, que gemeu contra a mordaça. Quando ele conseguiu focar a visão, percebeu que não estava sozinho.
No canto da sala, preso a uma cadeira pesada, estava Mister Compass. O professor, que guardava uma semelhança inquietante com Miss Circle, estava em um estado deplorável. Suas roupas estavam rasgadas e ele parecia ter lutado bravamente antes de ser subjugado. Seus olhos, geralmente severos, estavam arregalados de choque e irritação.
— Mmmph! Mmmph! — Compass tentou gritar assim que viu a irmã entrar com o aluno. Ele se contorcia, as correntes que o prendiam tilintando na escuridão.
— Ah, vejo que meu irmãozinho já acordou — disse Miss Circle, caminhando até ele com uma fita adesiva na mão. — Você sempre foi tão barulhento, Compass. Sempre tentando impor ordem onde eu prefiro o caos.
Sem hesitar, ela aplicou a fita sobre a boca dele, silenciando seus protestos. Compass soltou um grunhido de pura raiva, seus olhos disparando faíscas de ódio contra Circle, mas havia um fundo de medo ali que ele não conseguia esconder.
— Agora, agora... sem reclamações — disse ela, dando um tapinha sarcástico na bochecha de Compass. — Você e o pequeno Abbie farão companhia um ao outro enquanto eu preparo os... materiais didáticos.
Abbie observava a cena, o coração batendo tão rápido que ele achava que fosse explodir. Ver um professor naquela situação tirou dele qualquer resquício de esperança. Se nem Mister Compass conseguia se livrar dela, que chance ele teria?
Miss Circle voltou sua atenção para Abbie. Ela se ajoelhou ao lado dele e tirou um pedaço de pano escuro do bolso.
— Para que vocês não fiquem distraídos com o que eu vou fazer a seguir — disse ela, com um tom de voz falsamente carinhoso.
Ela passou a venda pelos olhos de Abbie, apertando-a com força. O mundo do garoto tornou-se um vazio negro. O pânico, que já era imenso, atingiu um novo patamar. Sem a visão, cada som tornava-se uma ameaça: o arrastar dos pés de Miss Circle, o tilintar de metal contra metal, a respiração pesada e abafada de Mister Compass ao seu lado.
— Não chore, Abbie — provocou ela, e ele sentiu a ponta de algo afiado roçar levemente seu pescoço. — As lágrimas só tornam a fita mais escorregadia, e eu quero que você fique bem quietinho.
Abbie soltou um soluço sufocado, o som morrendo na bolinha de papel e na fita que bloqueavam sua fala. Ele tentou se encolher, buscando um conforto que não existia. Ele pensou em suas maçãs, no brilho do sol no pátio da escola, em qualquer coisa que não fosse aquele pesadelo.
— Mmm-hmmmph! — Compass tentou dizer algo, seu tom agora soando mais como um aviso desesperado.
— Silêncio! — rosnou Miss Circle, e o som de um tapa ecoou pela sala, seguido pelo gemido de dor do professor. — Eu voltarei em um instante. Comportem-se, ou a próxima nota será definitiva.
O som dos passos dela se afastando e o bater da porta metálica ecoaram no vazio. Abbie ficou ali, deitado no chão frio, sentindo o peso da venda e o aperto das cordas. Ele estava sozinho no escuro com um professor que não podia ajudá-lo, à mercê de uma mulher que via a morte como a única correção possível para um erro matemático.
Ele tentou esfregar os pulsos contra a corda, sentindo o calor da fricção e a dor da pele se rompendo, mas a amarração era profissional. Cada tentativa de gritar por socorro resultava apenas em sons patéticos que morriam nas paredes daquele lugar esquecido.
O silêncio que se seguiu era pior do que os gritos. Era um silêncio que prometia dor, um silêncio que dizia que, naquele anexo sombrio, as regras da escola não existiam mais. Ali, a única lei era a lâmina de Miss Circle, e Abbie temia que a aula final estivesse prestes a começar.
