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Planos falhos

Fandom: Pokémon

Criado: 01/08/2026

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O Plano Materno e o Chá das Intrigas

O sol de Pallet brilhava com uma intensidade que Jessie considerava quase ofensiva. Escondida atrás de uma cerca viva perfeitamente aparada, a integrante mais glamourosa da Equipe Rocket ajustava seu uniforme, embora, para aquela missão específica, ela tivesse optado por um disfarce que gritava "sofisticação urbana". Usava um chapéu de abas largas, óculos escuros que cobriam metade de seu rosto impecável e um vestido floral que, segundo ela, a fazia parecer uma aristocrata em férias, e não uma vilã em busca de um rato elétrico.

— Escutem bem, seus molengas — sussurrou Jessie, olhando para trás, onde James e Meowth estavam camuflados dentro de um arbusto de aparência duvidosa. — O pirralho é movido por sentimentos sentimentais e laços familiares. Se eu conquistar a confiança da fonte de toda a sua energia vital, ou seja, a mãe dele, teremos o Pikachu na palma de nossas mãos!

— Eu ainda não entendi como um encontro romântico... ou seja lá o que for isso... vai nos ajudar a roubar o Pokémon — murmurou James, tirando uma folha de dentro da gola.

— É uma questão de estratégia psicológica de alto nível, James! — Jessie retrucou, admirando o próprio reflexo em um pequeno espelho de mão. — Delia Ketchum vai ficar tão encantada com a minha presença magnética que vai me convidar para entrar. Uma vez lá dentro, eu descubro todos os pontos fracos do pirralho. É o plano perfeito!

— E se ela achar você esquisita? — Meowth perguntou, recebendo um olhar mortal em resposta.

— Impossível. Eu sou irresistível. Agora, fiquem de guarda. Mimikyu, venha comigo.

O pequeno Pokémon fantasma, envolto em seu pano surrado que imitava um Pikachu malfeito, deslizou para fora das sombras. Seus olhos negros e vazios pareciam observar o nada, emitindo um som metálico e sombrio que faria qualquer pessoa normal correr para as colinas. Jessie, porém, apenas ajeitou o laço do Pokémon.

— Tente parecer... fofo, Mimikyu. Ou pelo menos não tente amaldiçoar a dona da casa nos primeiros cinco minutos.

Jessie caminhou com passos decididos até a varanda da residência Ketchum. Ela respirou fundo, colocou seu melhor sorriso de "comercial de xampu" e tocou a campainha.

Lá dentro, passos leves foram ouvidos. A porta se abriu, revelando Delia Ketchum. Ela usava um avental rosa sobre sua blusa amarela, e seus cabelos castanhos estavam perfeitamente alinhados, emoldurando um rosto que exalava uma bondade genuína que, para Jessie, era quase irritante.

— Pois não? — Delia sorriu, seus olhos brilhando com curiosidade.

— Olá! — Jessie fez uma pose dramática, inclinando levemente a cabeça. — Eu sou Jessilina, uma renomada... consultora de etiqueta e estética Pokémon que está viajando pela região de Kanto. Eu ouvi dizer que nesta casa reside uma mulher de gosto impecável e hospitalidade lendária. Eu simplesmente não pude resistir a passar para conhecê-la.

Delia piscou, surpresa pela energia avassaladora da mulher à sua frente.

— Oh, céus! Que elogio tão gentil. Eu sou Delia. Por favor, entre! Eu estava logo agora preparando um bule de chá de ervas.

— Chá? Que coincidência divina! — Jessie entrou na casa, seus olhos vasculhando rapidamente o ambiente em busca de qualquer sinal do Pikachu ou de armadilhas. — E quem é este pequeno cavalheiro?

Um Mr. Mime surgiu da cozinha, carregando uma bandeja com biscoitos. Ele parou diante de Jessie, analisando-a com uma expressão cética.

— Mime, mime! — disse o Pokémon, estreitando os olhos.

— Este é o Mimey, ele é o meu maior ajudante — explicou Delia, conduzindo Jessie até a sala de estar aconchegante. — E vejo que você trouxe um amiguinho também. Que... exótico.

Delia olhou para Mimikyu, que estava parado no meio da sala, emitindo um ruído de estática.

— Ele é uma edição limitada — mentiu Jessie rapidamente, sentando-se no sofá com a elegância de uma rainha. — Muito raro. Muito sensível à luz.

— Entendo — Delia sorriu, servindo o chá com uma graciosidade natural que fez Jessie morder o lábio de inveja. — Mas diga-me, Jessilina, o que traz uma consultora tão ocupada à nossa pequena Pallet?

Jessie tomou um gole do chá, tentando manter o foco. O plano era seduzir Delia com sua inteligência e charme para extrair informações, mas o ambiente era tão... relaxante.

— Sabe como é, Delia... posso chamá-la de Delia? — A vilã inclinou-se para frente. — A vida na estrada é exaustiva. Às vezes, buscamos uma conexão real. Eu vi você do jardim e pensei: "Ali está uma mulher que entende de sacrifícios". Ter um filho viajando pelo mundo, enfrentando perigos... deve ser um fardo para uma beleza como a sua.

Delia suspirou, um olhar nostálgico cruzando seu rosto.

— Ah, o meu Ash... Sinto falta dele todos os dias, é verdade. Mas vê-lo seguir seus sonhos é o que me mantém feliz. Ele tem um coração de ouro, sabe? E o Pikachu está sempre com ele para protegê-lo.

— O Pikachu, claro... — Jessie forçou um riso. — Um espécime interessante. Deve ser muito forte. Quais seriam, hipoteticamente falando, as fraquezas dele? Ele tem alergia a redes elétricas? Ou talvez a comida de Pokémon com sonífero?

Delia riu, uma risada clara e honesta que fez Jessie se sentir momentaneamente confusa.

— Oh, Jessilina, você é tão profissional! Sempre pensando nos detalhes técnicos. Mas o Pikachu não tem fraquezas quando está com o Ash. O vínculo deles é a força mais poderosa que conheço.

Enquanto as duas conversavam, Mr. Mime e Mimikyu travavam um duelo silencioso no canto da sala. Mr. Mime fazia gestos de limpeza, tentando "varrer" a aura sombria que Mimikyu emanava, enquanto o fantasma apenas inclinava a cabeça de pano, fazendo o pescoço estalar de forma sinistra.

— Mime-mime! — protestou o Pokémon barreira, apontando para uma mancha de sombra que parecia estar crescendo sob Mimikyu.

— Deixe-os, Mimey — disse Delia, sem olhar para trás. — Eles estão apenas se conhecendo. Jessilina, conte-me mais sobre você. Você parece ser uma mulher que já viu muito do mundo.

Jessie endireitou a postura. Era o momento de brilhar.

— Oh, você não faz ideia! Eu já enfrentei tempestades, organizações secretas e... — Ela parou por um segundo, percebendo que quase se entregou. — E as críticas mais ferozes das passarelas de moda de Kalos! A vida é uma batalha constante, Delia. Mas olhe para você, aqui, mantendo este lar impecável. Você é o tipo de mulher que eu adoraria ter como... aliada.

— Que coisa doce de se dizer — Delia colocou a mão sobre a de Jessie. — Sabe, eu raramente recebo visitas tão... vibrantes. É bom ter outra mulher para conversar. Às vezes, este lugar fica um pouco silencioso demais.

Por um breve momento, Jessie sentiu algo estranho. Não era a fome habitual ou a raiva por uma derrota. Era uma pontada de... simpatia? Ela olhou para Delia e viu não apenas a "mãe do pirralho", mas uma mulher que cuidava de tudo sozinha, com um sorriso constante.

— Bem... — Jessie pigarreou, desviando o olhar para o chá. — Você não deveria ficar sozinha. Uma mulher com a sua... estrutura óssea e talento culinário deveria estar sendo celebrada!

— Você é muito gentil — Delia levantou-se. — Espere um pouco, vou buscar mais biscoitos. Mimey, venha me ajudar.

Assim que Delia saiu da sala, Jessie relaxou os ombros. Ela olhou em volta. O plano estava funcionando. Ela estava infiltrada.

— É agora, Mimikyu — sussurrou ela. — Procure por qualquer agenda, mapa ou diário que diga onde o pirralho vai estar a seguir.

Mimikyu não se mexeu. Ele estava ocupado encarando um porta-retratos de Ash e Pikachu na lareira. O Pokémon fantasma emitiu um som de ódio reprimido.

— Agora não é hora para suas crises de ciúmes! — Jessie sibilou.

Nesse momento, a porta da frente se abriu com um estrondo.

— Mãe! Chegamos!

Jessie quase caiu do sofá. Aquela voz. Ela conhecia aquela voz em qualquer lugar do mundo, mesmo que estivesse em uma caverna subaquática ou em um balão em chamas.

Ash Ketchum entrou na sala, com Pikachu em seu ombro, seguido por seus companheiros de viagem. Ele parou bruscamente ao ver a mulher de vestido floral sentada em seu sofá.

— Uma visita? — Ash perguntou, confuso.

Pikachu, porém, não era tão fácil de enganar. Ele estreitou os olhos, as bochechas vermelhas soltando faíscas.

— Pika... chuuu?

— Ah, Ash! Você chegou cedo! — Delia voltou da cozinha, radiante. — Conheça a Jessilina. Ela é uma consultora de estética Pokémon.

Jessie sentiu o suor frio escorrer por sua nuca. Ela ajustou os óculos escuros, rezando para que o disfarce fosse o suficiente.

— Olá, pequeno... treinador — disse Jessie, afinando a voz ao máximo. — Que Pokémon... interessante você tem aí. Ele parece... bem alimentado.

— Jessilina? — Ash inclinou a cabeça, aproximando-se. — Você me parece familiar. Eu conheço você de algum lugar?

— Talvez de algum desfile de moda internacional? — sugeriu Jessie, levantando-se e caminhando em direção à porta. — Bem, Delia, foi um prazer absoluto, mas eu acabo de me lembrar que tenho um compromisso urgente com o... prefeito de Pallet!

— Mas você nem terminou seu chá! — Delia exclamou, preocupada.

— O dever chama! Vamos, Mimikyu!

Jessie praticamente correu para fora, arrastando o Mimikyu pelo pano. Ela saltou a cerca viva e caiu exatamente em cima de James e Meowth.

— E então? — Meowth perguntou, sendo esmagado. — Conseguiu os segredos? Onde o Pikachu dorme? Qual é o código do cofre?

Jessie levantou-se, espanando o vestido e ajeitando o chapéu com uma dignidade ferida. Ela olhou para a casa dos Ketchum por um momento.

— O plano mudou — declarou ela, com firmeza.

— Mudou? — James perguntou, confuso. — Mas e o encontro? E a infiltração?

— A mãe do pirralho é... gentil demais — Jessie resmungou, começando a caminhar em direção à floresta. — É impossível trabalhar sob tamanha pressão de bondade. Aquela mulher me serviu o melhor chá que já tomei na vida e me chamou de vibrante! Não posso roubar o filho de uma mulher que aprecia meu estilo.

— Então vamos desistir do Pikachu? — Meowth perguntou, esperançoso.

— Claro que não, seu idiota! — Jessie gritou, recuperando sua fúria habitual. — Mas vamos fazer do jeito difícil! Preparem o robô gigante! Vamos atacar amanhã ao amanhecer!

Enquanto o trio se afastava, discutindo sobre orçamentos e peças de metal, Mimikyu olhou para trás uma última vez.

Lá na varanda, Delia Ketchum observava a floresta, segurando uma xícara de chá.

— Que mulher peculiar, não é, Mimey? — perguntou ela.

— Mime, mime — concordou o Pokémon, balançando a cabeça.

— Mas ela parecia precisar de uma amiga — Delia sorriu, voltando para dentro. — Espero que ela volte. Ela esqueceu o guarda-chuva.

E, de fato, no canto da sala, um guarda-chuva com o logo da Equipe Rocket, discretamente escondido, repousava contra a parede, um pequeno lembrete de que, por uma tarde, a vilã mais famosa de Kanto quase esqueceu que tinha um mundo para conquistar, tudo por causa de uma xícara de chá e um pouco de atenção.

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