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Mister Demi!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 01/08/2026

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O Acorde da Agonia Silenciosa

O silêncio era absoluto, mas não era o tipo de silêncio que Mister Demi apreciava em sua sala de música. Não era a pausa dramática entre um movimento e outro de uma sonata, nem o repouso necessário de uma semibreve. Era um silêncio pesado, sufocante, carregado com o cheiro metálico de papel velho e um odor acre que ele não conseguia identificar.

Quando ele abriu o olho verde-claro, a visão demorou a focar. Seus óculos pretos estavam ligeiramente inclinados, fazendo com que o mundo parecesse torto. A primeira coisa que sentiu foi a rigidez. Suas costas estavam pressionadas contra um encosto duro de madeira, e seus pulsos, aqueles braços brancos com listras pretas que costumavam reger com tanta delicadeza, estavam presos.

Ele tentou mover as mãos, mas o atrito áspero de cordas grossas cortou sua pele de papel. O pânico, como uma nota dissonante e estridente, subiu por sua garganta.

— Mmmph! Mmm-mmph!

O som saiu abafado, morrendo antes mesmo de sair de seus lábios. Foi então que ele sentiu a textura áspera e o gosto seco do pano vermelho que preenchia sua boca, amarrado com força excessiva atrás de sua nuca, entre seus cabelos brancos na altura dos ombros.

O coração de Demi disparou. Na sua mente, imagens caóticas começaram a surgir. Ele pensou em um assalto. Alguém teria invadido a Paper School? Algum intruso teria passado pelos portões e decidido que o professor de música era um alvo fácil por causa de sua natureza tímida e nervosa?

"Por favor, alguém me ajude!", ele gritava internamente, sua própria voz ecoando dentro de seu crânio de forma desesperada. "Eu não tenho nada de valor! Eu só tenho meus instrumentos e minhas partituras!"

Ele começou a se debater com mais violência. A cadeira rangeu contra o chão, um som de madeira raspando que parecia ensurdecedor naquele vazio. O suor começou a brotar em sua testa, escorrendo por baixo da franja que lembrava as teclas de um piano. Suas mangas bufantes estavam amarrotadas, e a nota musical estampada em sua camisa branca parecia zombar de sua situação atual.

— Mmmph! Socorro! — ele tentava articular, mas as palavras eram apenas ruídos guturais de terror.

Lágrimas quentes começaram a arder em seu olho visível. Ele era um homem de harmonia, de ordem, de melodias suaves. O caos daquela situação o estava despedaçando por dentro. Ele se sentia pequeno, vulnerável, como uma folha de papel prestes a ser rasgada ao meio. Cada movimento que fazia apenas apertava mais os nós, e o medo de que o "assaltante" estivesse observando nas sombras o deixava paralisado por breves segundos, antes que o instinto de sobrevivência o forçasse a lutar novamente.

O trauma começou a se instalar. Ele imaginava mãos cruéis vasculhando seus pertences, destruindo seus lápis brancos que ele guardava com tanto zelo no topo da cabeça. Ele imaginava a escola em ruínas. A ansiedade, sua velha e cruel companheira, agora tinha garras reais.

De repente, ele parou. Seus óculos balançaram perigosamente no nariz enquanto ele ofegava pelo nariz, o peito subindo e descendo rapidamente sob os suspensórios pretos. Ele ficou quieto, os ouvidos atentos a qualquer passo, qualquer respiração que não fosse a sua.

O silêncio retornou, mas agora Demi estava em choque. Seus olhos vagaram pela sala escura, tentando reconhecer onde estava. As sombras pareciam ganhar formas monstruosas. Ele se sentia humilhado, exposto. O calor subiu pelo seu pescoço, e ele percebeu que estava corando intensamente, uma mistura de vergonha e terror absoluto. O som abafado que ele soltou em seguida foi um lamento quebrado.

— Mmm... — Um soluço escapou por trás do pano vermelho.

Ele tentou se mover mais uma vez, mas suas botas de salto apenas bateram inutilmente no chão. Ele estava preso no centro de um pesadelo, e a música, a única coisa que sempre o acalmou, havia abandonado seus pensamentos, deixando apenas o ruído branco do medo puro.

— Mmmph... por favor... — ele pensou, fechando o olho com força, enquanto as lágrimas molhavam o tecido vermelho da mordaça.

Ele não era um lutador. Ele era Mister Demi, o professor que gaguejava ao falar com os colegas, que se escondia atrás de suas partituras. E agora, naquela cadeira, ele nunca se sentiu tão frágil, esperando que quem quer que o tivesse colocado ali, terminasse o que começou.

A escuridão da sala parecia pulsar no ritmo de seu coração acelerado. Demi tentou forçar a memória. O que aconteceu antes disso? Ele estava na sala de música, organizando os novos cadernos de solfejo. As luzes tinham oscilado. Ele se lembrou de uma sombra alta, de um movimento rápido... e depois, nada.

"Será que foram os alunos?", uma ideia terrível cruzou sua mente. Não, os alunos da Paper School podiam ser cruéis, mas isso... isso era um nível de malícia que ele não queria acreditar que existisse neles.

Ele tentou inclinar a cabeça para trás, tentando afrouxar a mordaça esfregando-a contra o topo da cadeira, mas o ângulo era impossível. O pano estava tão apertado que suas bochechas doíam, e a saliva acumulada tornava a respiração pelo nariz uma tarefa árdua e barulhenta.

— Mmm-mmph! — Ele forçou um grito mais alto, sentindo as cordas vocais vibrarem contra a obstrução.

Seu corpo inteiro tremia. O suor agora encharcava a gola alta de sua camisa, e ele sentia o peso dos pequenos chifres pretos em sua cabeça como se fossem feitos de chumbo. O pânico estava se transformando em exaustão, mas a adrenalina não o deixava desmaiar. Ele estava condenado a estar plenamente consciente de sua própria impotência.

Ele olhou para seus braços listrados. Eles pareciam tão estranhos agora, esticados e presos. Ele tentou girar os pulsos, esperando encontrar alguma folga, mas a dor aguda o fez desistir instantaneamente. Ele era apenas um professor de música. Ele não deveria estar passando por isso.

— Mmm... — Ele soltou um som trêmulo, uma nota baixa e lamentosa.

Demi fechou o olho novamente, tentando se transportar para longe dali. Ele tentou imaginar o som de um metrônomo. Tic. Tac. Tic. Tac. Tentou compassar sua respiração com o ritmo imaginário. Mas a imagem do assaltante voltava, uma figura sem rosto que poderia aparecer a qualquer momento para levar o pouco que ele tinha, ou pior, para apagar sua existência como um erro de grafite em uma folha branca.

O tempo parecia ter perdido o sentido. Podiam ter passado minutos ou horas. Ele estava exausto, traumatizado, e o silêncio da escola agora soava como uma sentença de morte. Mister Demi, sempre tão cuidadoso para não incomodar ninguém, agora rezava para que alguém, qualquer um, o encontrasse e quebrasse aquela sinfonia de terror.

— Mmph... — ele sussurrou contra o pano, um último apelo silencioso antes que a exaustão começasse a nublar sua visão novamente, deixando-o à mercê das sombras e do medo.

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