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Rintama high 2

Fandom: Alien stage

Criado: 02/08/2026

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O Eco das Garrafas Vazias e o Gelo sob a Pele

A segunda-feira na Escola Secundária Anaktos não chegou com o sol; chegou com uma névoa cinzenta e o peso de segredos que todo mundo já conhecia. O "incidente do banheiro" de sexta-feira havia se tornado uma lenda urbana instantânea, um mito sangrento e erótico que circulava pelos corredores como um vírus. Mas, enquanto os alunos cochichavam, os protagonistas da tragédia pareciam ter sido esculpidos em pedra.

Mizi atravessou o portão principal com uma postura que desafiava qualquer um a comentar. Ela não estava saltitando, não estava bêbada e, certamente, não estava sorrindo. Vestia uma jaqueta de couro preta por cima do uniforme, as mãos afundadas nos bolsos e o olhar fixo no horizonte, como se estivesse procurando alguém para socar. Seus cabelos rosa e azul pareciam mais escuros sob a luz pálida da manhã.

Ao seu lado, Ivan mantinha o passo, mas o silêncio entre eles era denso como chumbo. Ele não estava com o pirulito habitual. Ele parecia estar em alerta máximo, como um guarda-costas esperando o primeiro tiro.

— Você está fazendo aquele barulho de novo — disse Mizi, sem olhar para ele. Sua voz estava rouca, desprovida de qualquer sarcasmo.

— Eu não estou fazendo barulho nenhum, Mizi — Ivan respondeu, a voz plana.

— O barulho de você me julgando. Dá para ouvir daqui.

— Eu não estou te julgando. Estou apenas esperando para ver se você vai vomitar ou desmaiar antes da primeira aula.

Mizi parou abruptamente no meio do corredor, fazendo com que dois alunos do primeiro ano quase colidissem com ela e fugissem aterrorizados ao reconhecerem a líder da Mukuro.

— Eu estou bem, Ivan. Eu fiz o que fiz. Ela queria me ver como um lixo? Eu dei a ela o lixo.

— Parabéns — Ivan disse, finalmente parando e olhando-a nos olhos. — Você deu a ela exatamente o que ela precisava para nunca mais olhar na sua cara. Estratégia brilhante.

Mizi trincou os dentes, os olhos dourados faiscando por um segundo antes de se apagarem novamente. Ela voltou a caminhar, ignorando o comentário.

Lá na frente, perto da entrada da biblioteca, o grupo de Hyuna estava reunido. O clima era de funeral. Till batucava na alça da mochila com tanta força que seus dedos estavam ficando vermelhos. Luka ajustava os óculos a cada dez segundos, e Hyuna olhava para a porta da biblioteca como se esperasse um milagre.

Sua estava lá. Ela estava sentada em um banco de pedra, com um livro aberto no colo, mas suas páginas não viravam. Ela parecia uma estátua de porcelana fria, imune ao mundo ao seu redor.

Quando Mizi e Ivan se aproximaram, o ar pareceu fugir do corredor.

— Bom dia — Hyuna disse, tentando quebrar o gelo com um tom que soou forçado até para ela.

Mizi nem respondeu. Ela parou a alguns metros de Sua, seus olhos fixos na garota de cabelos pretos. Por um momento, a impulsividade de Mizi pareceu lutar contra o orgulho ferido. Ela queria dizer algo — uma piada, um insulto, um pedido de desculpas disfarçado de deboche. Mas a expressão de Sua era um muro de gelo intransponível.

Sua levantou o olhar do livro. Não havia ódio em seus olhos roxos, o que era pior. Havia apenas uma indiferença absoluta, o tipo de olhar que se dedica a um objeto quebrado e sem utilidade.

— Ivan — Sua disse, ignorando a existência de Mizi completamente —, nosso pai quer falar com você hoje depois da escola. Tente não chegar com cheiro de cigarro ou de... outras coisas.

— Eu estarei lá, Sua — Ivan respondeu, sentindo o desconforto vibrar entre as duas garotas.

Mizi soltou uma risada seca, um som desprovido de alegria que fez Till estremecer.

— Nossa, que clima familiar adorável — Mizi comentou, recuperando um pouco de sua acidez. — A poetisa ainda está com as palavras presas na garganta? Ou o "incidente" de sexta foi demais para a sua sensibilidade refinada?

Sua fechou o livro com um estalo suave. Ela se levantou, ajeitando a saia do uniforme com uma calma deliberada.

— Você é barulhenta, Mizi — Sua disse, a voz saindo como um sussurro cortante. — Barulhenta e vazia. Sexta-feira só provou que você não tem nada a oferecer além de espetáculos patéticos para quem quiser assistir.

— Ah, é? — Mizi deu um passo à frente, invadindo o espaço de Sua. O cheiro de couro e de uma raiva contida emanava dela. — E o que você oferece, Sua? Silêncio? Livros de gente morta? Você é tão covarde quanto diz que eu sou. Você se esconde atrás desse gelo porque tem medo de que, se alguém chegar perto, você derreta e não sobre nada.

Sua não recuou. Ela inclinou a cabeça, um sorriso mínimo e cruel surgindo em seus lábios.

— Pelo menos o meu gelo é real. O seu fogo é só encenação. Agora, se me dão licença, eu tenho aulas onde o intelecto é exigido, não a capacidade de fazer escândalos em banheiros.

Sua passou por Mizi como se ela fosse feita de fumaça. Hyuna e Luka trocaram olhares preocupados e seguiram Sua, deixando Mizi, Ivan e Till no corredor.

Mizi ficou parada, os punhos cerrados ao lado do corpo. Ela parecia estar prestes a chutar um armário ou a começar a chorar.

— Ela é... — Mizi começou, mas a voz falhou.

— Ela é sua irmã, Ivan! Como você aguenta essa garota? — Mizi explodiu, virando-se para o amigo.

— Eu não aguento, Mizi. Eu convivo — Ivan deu de ombros, pegando um pirulito e finalmente rasgando o plástico. — Mas ela tem um ponto. Você exagerou. Elena está sendo chamada de tudo quanto é nome pelos corredores, e você... bem, você é a vilã da semana.

— Eu não ligo para o que eles pensam! — Mizi gritou, a voz ecoando pelo corredor.

— Mas você liga para o que a Sua pensa — Till interveio, a voz baixa e surpreendentemente séria. — E é por isso que você está com essa cara de quem quer morrer.

Mizi olhou para Till, surpresa pela percepção dele. Ela abriu a boca para retrucar, mas o sinal tocou, o som estridente cortando qualquer possibilidade de resposta.

— Vamos para a aula — Ivan disse, puxando Mizi pelo braço. — Antes que você decida brigar com as paredes.

O restante da manhã foi uma tortura lenta. Nas aulas compartilhadas, Mizi sentava-se no fundo, desenhando caveiras e flores murchas no caderno, enquanto Sua sentava-se na frente, a imagem da aluna perfeita. Elas não se olharam nem uma vez.

No intervalo, o refeitório estava um campo de minas. Mizi sentou-se com a Mukuro em uma mesa separada, cercada por Kael e seus seguidores, que pareciam confusos com o silêncio da líder. Ivan, por pressão de Hyuna, sentou-se com o grupo de Sua.

— Isso é ridículo — Hyuna sussurrou, cutucando a comida. — A gente era um grupo. Agora parece que estamos em uma guerra fria.

— A Mizi quebrou o equilíbrio — Luka comentou, limpando os óculos. — Ações têm consequências, Hyuna. A Sua não perdoa fácil, e a Mizi não sabe pedir desculpas. É uma colisão de egos catastrófica.

Till olhava para a mesa da Mukuro. Ele via Mizi brincando com uma faca de plástico, a expressão sombria. E depois olhava para Sua, que comia uma maçã enquanto lia, sem demonstrar um pingo de emoção.

— O Ivan está no meio do fogo cruzado — Till disse, olhando para o garoto ao seu lado.

— Eu estou acostumado — Ivan respondeu, embora seus olhos estivessem fixos em Mizi. — Mas desta vez é diferente. A Mizi não está apenas brava. Ela está desesperada. E uma Mizi desesperada é a coisa mais perigosa desta escola.

De repente, o barulho no refeitório diminuiu. Elena, a garota popular do incidente, entrou no local. Ela parecia abatida, os olhos vermelhos e a cabeça baixa. Ela caminhou em direção a uma mesa vazia, mas um grupo de garotas da gangue rival começou a rir alto e a fazer comentários obscenos.

Mizi levantou-se da mesa da Mukuro com um estrondo.

— Kael — Mizi disse, a voz projetando-se por todo o refeitório.

— Sim, chefe?

— Se eu ouvir mais uma risadinha sobre a Elena, eu quero que você e os rapazes levem quem riu para o Pátio Sul depois da aula. Eu mesma vou cuidar da "educação" deles.

O refeitório mergulhou em um silêncio sepulcral. Elena olhou para Mizi, um misto de gratidão e dor nos olhos, mas Mizi não sustentou o olhar. Ela apenas se sentou novamente, voltando a destruir sua faca de plástico.

Sua, na outra mesa, fechou o livro com força.

— Patético — Sua murmurou. — Ela acha que proteção resolve o estrago que ela mesma causou.

— Ela está tentando, Sua — Hyuna defendeu, em voz baixa.

— Ela está dando um show, Hyuna. Como sempre.

As aulas da tarde foram ainda mais tensas. Na aula de literatura, o professor decidiu fazer uma análise sobre "orgulho e isolamento". Era como se o universo estivesse tirando sarro da situação. Mizi passou o tempo todo olhando para a nuca de Sua, enquanto Sua escrevia anotações impecáveis, sem vacilar.

Na saída da escola, a névoa cinzenta tinha se transformado em uma chuva fina e gelada. Mizi estava encostada no portão, esperando por Ivan. Ela parecia exausta, a jaqueta de couro molhada pela chuva.

Sua saiu primeiro, acompanhada por Hyuna e Luka. Ela passou por Mizi sem diminuir o passo.

— Sua! — Mizi chamou. A voz não tinha a agressividade da manhã. Era apenas... cansada.

Sua parou, mas não se virou.

— O que foi agora, Mizi?

— Você realmente me odeia tanto assim? Por causa de uma sexta-feira idiota onde eu estava fora de mim?

Sua virou-se lentamente. A chuva molhava seu rosto pálido, fazendo seus olhos roxos brilharem com uma luz fria.

— Eu não te odeio, Mizi. Eu já te disse. O ódio exige que eu me importe com o que você faz. Eu só sinto pena. Pena de que você precise de tanto barulho e de tanta gente para se sentir viva. Você usou aquela garota, você usou a escola e você tentou me usar.

— Eu não tentei te usar! — Mizi deu um passo à frente, a chuva escorrendo pelo seu rosto. — Eu queria que você me visse!

— Eu te vejo, Mizi — Sua disse, a voz agora suave e terrível. — Eu vejo uma garota que tem medo do silêncio e que quebra tudo o que toca só para ouvir o som dos estilhaços. E eu não quero ser um dos seus estilhaços.

Sua virou-se e caminhou em direção ao carro que a esperava, deixando Mizi parada sob a chuva.

Ivan apareceu logo depois, parando ao lado da amiga. Ele abriu um guarda-chuva preto e o segurou sobre os dois.

— Ela pegou pesado — Ivan comentou.

— Ela está certa — Mizi sussurrou, os ombros caindo. — Eu sou um desastre, não sou, Ivan?

— Você é a Mizi. O desastre faz parte do pacote.

Eles caminharam em silêncio pela rua molhada. A segunda-feira estava terminando, mas a ferida na Anaktos estava longe de fechar. Mizi não tinha recuperado sua rainha, e Sua tinha erguido muros ainda mais altos.

No dia seguinte, a terça-feira trouxe uma nova dinâmica. Mizi não tentou falar com Sua. Ela sentou-se em sua mesa, manteve a Mukuro em silêncio e agiu como se fosse uma estranha. Ela não fez piadas, não provocou Till e não roubou os doces de Ivan.

— Isso é assustador — Till comentou com Ivan durante a aula de física. — A Mizi quieta é como um vulcão que parou de soltar fumaça. Significa que a pressão lá dentro está aumentando.

— Ela está tentando ser o que a Sua quer — Ivan respondeu, observando Mizi pelo canto do olho. — Ela está tentando ser o silêncio. Mas a Mizi não foi feita para o silêncio.

Sua também parecia afetada, embora escondesse melhor. Ela errava pequenas respostas nas aulas, algo inédito. Ela olhava para o lugar vazio ao seu lado no refeitório, onde Mizi costumava se sentar sem ser convidada.

Na quarta-feira, a tensão atingiu o ponto de ebulição. Durante o intervalo, um grupo da gangue "Corvos de Prata" decidiu testar a nova "Mizi silenciosa". Eles cercaram Elena no corredor norte, desta vez de forma mais agressiva.

Mizi estava por perto. Ela viu a cena. Kael olhou para ela, esperando o comando para atacar. Ivan e o grupo de Sua também estavam assistindo de longe.

Mizi caminhou até os Corvos. Ela não gritou. Ela não correu.

— Soltem ela — Mizi disse, a voz baixa e controlada.

— Ou o quê, rainha? — o líder dos Corvos zombou. — Você vai fazer um escândalo? Vai transar com a gente no banheiro também?

O corredor congelou. Ivan deu um passo à frente, mas Mizi levantou a mão, parando-o.

Ela olhou para Sua, que estava a alguns metros de distância. Sua observava com uma expressão indecifrável.

Mizi voltou-se para o líder dos Corvos. Ela deu um sorriso triste.

— Não — Mizi disse. — Eu não vou fazer nada disso.

Ela se aproximou do garoto, que era bem maior que ela. Sem aviso, ela desferiu um soco direto no plexo solar dele, seguido por uma joelhada no rosto quando ele se curvou. Foi um movimento limpo, técnico e silencioso.

Os outros Corvos avançaram, e Mizi lutou com uma frieza que ninguém nunca tinha visto. Ela não ria, não gritava insultos. Ela apenas derrubava um por um, como se estivesse cumprindo uma tarefa burocrática e dolorosa.

Quando terminou, ela ajudou Elena a se levantar e entregou a garota para uma de suas amigas.

— Vá para a enfermaria — Mizi disse, e depois virou-se para sair.

Ela passou por Sua. Mizi parou por um segundo, o rosto manchado de sangue alheio e um corte no lábio.

— O silêncio é uma bosta, Sua — Mizi disse, a voz desprovida de qualquer emoção. — Mas eu tentei.

Mizi continuou caminhando, deixando o corredor em choque.

Sua ficou parada, olhando para as costas de Mizi. Ela sentiu um aperto no peito que não conseguia explicar. A Mizi barulhenta era irritante, mas a Mizi silenciosa era uma ferida aberta que Sua não sabia como curar.

— Você vai continuar assim? — Ivan perguntou, aproximando-se da irmã. — Até ela se destruir completamente?

— Eu não estou fazendo nada, Ivan — Sua respondeu, mas sua voz tremeu levemente.

— Exatamente. Às vezes, o silêncio dói mais do que o barulho.

A semana continuou assim, em um impasse de sombras e gelo. Mizi liderava a Mukuro com uma mão de ferro e um silêncio sepulcral. Sua lia seus livros, mas seus olhos sempre buscavam a mancha rosa e azul no fundo das salas.

Elas não estavam reconciliadas. Estavam em órbita, dois planetas que tinham colidido e agora se afastavam, deixando para trás um rastro de destruição e o eco de palavras que nunca foram ditas. Na Anaktos, a guerra das gangues era fácil; a guerra entre o que se sente e o que se permite sentir era o verdadeiro massacre. E a segunda semana estava apenas começando a mostrar o preço daquele silêncio.

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