Fanfy
.studio
Imagem de fundo

D

Fandom: Nenhum

Criado: 02/08/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaSombrioPsicológicoGravidez Não Planejada/IndesejadaCiúmesHistória DomésticaEstudo de PersonagemRomance
Índice

O Sangue e a Traição do Silêncio

O aroma de antisséptico do hospital parecia sufocar Emanuel. Ele caminhava pelos corredores com passos pesados, cada batida de suas botas de couro contra o piso de granito ecoando como um veredito. Ele era um homem de controle. Dono de um império de estúdios de tatuagem, acostumado a lidar com a dor alheia sob a agulha e a gerenciar crises com a frieza de um cirurgião. Mas, naquele momento, a racionalidade que tanto prezava estava sendo incinerada por uma fúria cega, vulcânica.

Ao seu lado, Sara tentava acompanhar o passo largo do marido. Ela estava impecável, mesmo após um mês do nascimento de Valentina. Usava um vestido justo carmesim que acentuava suas curvas artificiais e o busto farto, os cabelos loiros perfeitamente alinhados. Ela não estava brava. Pelo contrário, havia um brilho de curiosidade e uma satisfação quase perversa em seus olhos bem maquiados.

— Calma, Manu — disse Sara, a voz carregada de um sarcasmo suave, mas não maldoso. — Você vai ter um infarto antes de ver os bebês.

— Ela escondeu de mim, Sara — rosnou Emanuel, a mandíbula tão travada que as palavras saíam ríspidas. — Cinco meses. Ela descobriu no quinto mês e me deixou ver Valentina nascer, me deixou cuidar de você, enquanto carregava meus filhos no ventre sem dizer uma única palavra!

— Eu te disse que ela era uma coisinha fascinante — Sara deu de ombros, indiferente ao drama moral. — Tímida demais para o próprio bem. Mas admita, o plano de termos ela conosco agora tem um incentivo biológico.

Emanuel não respondeu. Ele se lembrava perfeitamente da noite em que, com a bênção de Sara, ele havia possuído Eduarda. A prima de sua esposa era o oposto de tudo o que ele conhecia: frágil, doce, com um cheiro de baunilha e uma pele que parecia papel de seda. Ele a queria. Ele amava Sara com uma intensidade possessiva e carnal, mas Eduarda despertava nele um instinto de proteção e uma fome de pureza que ele nem sabia que possuía. Ele planejava contar a ela. Planejava trazê-la para o ninho que ele e Sara construíram. Mas ela havia mentido.

Eles chegaram à ala da maternidade. O pai de Eduarda, um homem jovem e de aparência moderna, estava sentado na sala de espera, parecendo atordoado. Ao ver Emanuel, ele se levantou.

— Emanuel? O que faz aqui? Como soube?

— Onde ela está? — Emanuel ignorou o cumprimento, a voz vibrando em uma nota perigosa.

— Ela acabou de ser levada para a sala de parto. Foi prematuro, Emanuel... ela estava muito nervosa esses dias...

Emanuel não esperou o resto da explicação. Ele avançou pela porta restrita, ignorando os protestos de uma enfermeira que tentou impedi-lo. Sua estatura e a expressão de puro ódio contido em seu rosto foram suficientes para que a mulher recuasse. Sara o seguia, observando tudo como se fosse uma peça de teatro de vanguarda.

Ele a encontrou em uma sala de pré-parto, antes de ser levada para a cirurgia definitiva. Eduarda parecia ainda menor naquela maca hospitalar. Seu rosto estava pálido, o cabelo castanho suado grudado na testa, e os olhos expressivos estavam arregalados de dor e medo. Quando ela viu Emanuel entrar, o terror em seu olhar superou a dor das contrações.

— E-Emanuel... — a voz dela foi um sussurro quebrado.

Ele parou ao lado da cama. Não houve carinho. Não houve o toque suave que ele costumava dedicar à sua "pequena bailarina". Ele se inclinou sobre ela, as mãos tatuadas agarrando as grades da cama com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Você achou que podia esconder isso de mim? — A voz dele era baixa, letal. — Meus filhos, Eduarda. Você carregou meus filhos e me tratou como um estranho durante meses.

— Eu... eu tive medo... — Ela começou a chorar, o corpo esguio tremendo sob o lençol. — Você tem a Valentina... você tem a Sara... eu não sabia o que fazer...

— Você não tinha que saber nada! — Emanuel explodiu, o grito ecoando na sala pequena. — Você tinha que ter vindo até mim! Eu sou o homem desta família. Eu decido o que acontece. Você me roubou meses da vida deles. Você me fez de idiota!

Sara entrou na sala logo em seguida, encostando-se na parede com um sorriso enviesado.

— Oi, priminha. Que bagunça você fez, hein? — Sara caminhou até o pé da cama, avaliando o estado de Eduarda. — O Manu está uma fera. E com razão. Esconder gravidez é coisa de novela barata, Duda.

— Sara, por favor... está doendo... — Eduarda gemeu, uma nova contração a atingindo.

Emanuel sentiu uma pontada de algo que poderia ser compaixão, mas a raiva era um escudo muito mais espesso. Ele a amava, de um jeito distorcido e protetor, mas a desobediência dela era um pecado que ele não perdoaria tão cedo.

— Se algo acontecer com essas crianças por causa do seu nervosismo ou dessa sua mania de se esconder, eu juro por Deus, Eduarda, que você vai se arrepender de ter me conhecido — ele disse, a rigidez de sua postura denunciando o estresse acumulado.

— Não fale assim com ela, querido — Sara interveio, embora o tom fosse de deboche. — Ela já está em trabalho de parto. Deixe para castigá-la quando ela sair do hospital. Temos muito o que conversar sobre a nossa nova rotina.

Uma enfermeira entrou apressada, avisando que era hora de levar Eduarda para o centro cirúrgico. Emanuel se afastou, mas seus olhos nunca deixaram os de Eduarda.

— Como eles se chamam? — ele perguntou bruscamente.

— Amélie... e Benício... — ela respondeu entre dentes, lutando contra a dor. — Se você... se você concordar...

Emanuel sentiu um nó na garganta, mas o desmanchou com um suspiro pesado e irritado.

— Os nomes são bons. Vá. Tenha meus filhos. E reze para que eles nasçam saudáveis, porque a sua conversa comigo está apenas começando.

O parto foi tenso. Emanuel e Sara esperaram na sala VIP que ele exigiu. Ele andava de um lado para o outro, os braços cruzados, a mente trabalhando a mil por hora. Ele já estava planejando como mudaria Eduarda para sua mansão. Ele não aceitaria um "não". Ela seria dele, assim como Sara era. Ele daria a ela tudo o que o dinheiro pudesse comprar, mas ela viveria sob suas regras. O silêncio dela havia custado a liberdade que ela ainda achava que tinha.

Sara, por outro lado, folheava uma revista de moda, ocasionalmente checando o celular para ver como Valentina estava com a babá.

— Você vai ser um pai de três bebês em menos de dois meses, Manu — ela comentou, soltando uma risadinha. — Vai precisar de mais estúdios para pagar as contas.

— Eu tenho dinheiro suficiente para sustentar dez famílias, Sara. O problema não é o dinheiro. É a lealdade.

— Ela é leal, só é covarde — Sara fechou a revista. — Ela te ama. Dá para ver no jeito que ela treme quando você chega perto. Ela só não sabe como lidar com um homem como você. E, honestamente, nem eu sabia no começo.

Horas depois, o médico apareceu. O semblante era cansado, mas tranquilo.

— Senhor Emanuel? Os bebês nasceram. Estão na incubadora por serem prematuros, mas os pulmões estão fortes. Amélie e Benício são saudáveis.

Emanuel sentiu o primeiro alívio real em meses.

— E ela?

— A mãe está exausta, mas estável. Ela está no quarto de recuperação.

Emanuel não esperou por mais detalhes. Ele caminhou até o quarto de Eduarda. Quando entrou, a luz estava baixa. Ela parecia uma boneca de porcelana quebrada, pálida e pequena sob as cobertas. A fragilidade dela, que antes o encantava, agora o irritava, porque ele sabia que sob aquela doçura havia uma vontade própria que o havia desafiado.

Ele se aproximou da cama e sentou-se na beirada. Eduarda abriu os olhos lentamente.

— Eles estão bem? — perguntou ela, a voz quase inaudível.

— Estão. São lindos — ele disse, mas o tom ainda era frio. — Mas não pense que isso muda o que você fez.

Eduarda começou a soluçar silenciosamente, as lágrimas escorrendo pelas têmporas.

— Eu sinto muito, Emanuel... eu só... eu não queria estragar a sua felicidade com a Sara.

Emanuel segurou o queixo dela com firmeza, obrigando-a a olhar para ele.

— Escute bem, Eduarda. Eu amo a Sara. Ela é minha esposa, a mãe da minha primeira filha e a mulher que governa a minha casa. Mas eu decidi que quero você também. E o que eu quero, eu tomo. Você achou que se escondendo ia resolver o problema? Você só garantiu que agora eu não tenha mais nenhuma delicadeza com você.

— O que você quer dizer? — ela perguntou, trêmula.

— Você vai sair deste hospital e vai direto para a minha casa. Seus pais podem visitar, mas você mora comigo agora. Você, a Amélie e o Benício. Você vai terminar sua faculdade de História da Arte, vai continuar com seu ballet, mas suas noites e seus segredos pertencem a mim e à Sara.

Eduarda arregalou os olhos, olhando para Sara, que apareceu na porta do quarto, sorrindo como uma rainha benevolente.

— Não olhe para ela buscando socorro, Duda — Sara disse, entrando e ficando ao lado de Emanuel. — Eu concordo com tudo. Eu quero você por perto. Valentina vai adorar ter irmãos da mesma idade. E eu... bem, eu gosto da ideia de ter alguém tão doce quanto você para dividir o peso que é lidar com o Emanuel quando ele está estressado.

— Vocês... vocês estão falando sério? — Eduarda olhou de um para o outro, sentindo-se pequena entre a força bruta de Emanuel e a confiança cortante de Sara.

— Eu nunca falo nada que não seja sério — Emanuel se inclinou e beijou a testa de Eduarda, um gesto que deveria ser carinhoso, mas que pareceu uma marca de propriedade. — Você tentou me excluir da vida dos meus filhos. Agora, eu vou me certificar de que você nunca mais tenha um momento sozinha para pensar em fugir de novo.

— Você é minha, pequena — continuou ele, a voz baixando para um tom possessivo que fez o estômago de Eduarda revirar em uma mistura de medo e desejo proibido. — E de agora em diante, o seu único trabalho é ser grata por eu não ter tirado essas crianças de você no momento em que nasceram.

Eduarda fechou os olhos, deixando-se afundar no travesseiro. Ela sabia que tinha perdido. A timidez e a insegurança que sempre a acompanharam agora eram suas prisões. Ela olhou para as mãos de Emanuel, cobertas de tinta e cicatrizes, e depois para o sorriso vitorioso de Sara.

Ela era a professora de ballet, a menina sensível que amava a arte e o silêncio. Mas agora, ela era parte do mundo caótico e controlador de Emanuel.

— Eu... eu entendi — ela sussurrou, a submissão finalmente aceita.

Emanuel sorriu pela primeira vez naquela noite. Um sorriso sombrio, carregado de uma satisfação predatória.

— Bom. Agora descanse. Amanhã, eu mesmo vou buscar meus filhos na UTI e trazer para você amamentar. E depois, vamos para casa. A nossa casa.

Ele se levantou, a presença dele preenchendo o quarto de forma sufocante. Sara deu uma piscadela para Eduarda antes de seguir o marido para fora.

No silêncio do quarto de hospital, Eduarda chorou. Não apenas de dor física, mas pela perda da vida simples que imaginou ter. Ela amava Emanuel, de um jeito doentio e profundo, e o fato de que ele a queria era o seu maior sonho e o seu pior pesadelo. Ela tinha dado a ele dois filhos e, em troca, ele havia tirado dela o direito de escolher o próprio destino.

Mas, enquanto olhava para a pulseira do hospital em seu pulso, ela sabia que, no fundo, sempre soube que terminaria assim. Protegida, amada e completamente dominada pelo homem que não aceitava nada menos que a possessão total.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic