
Gabriel e Luka, uma paixão ardente
Fandom: J
Criado: 02/08/2026
Tags
O Ritmo do Tatame e a Melodia do Coração
O som abafado dos fones de ouvido de Luka era a única coisa que o isolava do caos do corredor da escola. Ele caminhava com uma confiança natural, seus ombros largos quase roçando as paredes estreitas. A camiseta de malha fina marcava os músculos definidos pelo treinamento rigoroso de jiu-jitsu, e o suor pós-treino ainda parecia emanar uma energia vibrante de seu corpo. Para Luka, o mundo era composto por ritmos: o ritmo da batida do hip-hop em seus ouvidos e o ritmo da luta sobre o tatame.
Do outro lado do corredor, encolhida perto de seu armário, estava Gabriel. Apesar do nome que muitos associavam a algo celestial e forte, ela era a personificação da delicadeza. Pequena, com mãos finas que seguravam os livros como se fossem tesouros frágeis, ela observava Luka se aproximar. Para ela, ele não era apenas o garoto forte que todos admiravam; ele era a música que ela não sabia tocar, a força que ela desejava ter por perto.
Gabriel sentiu o coração acelerar conforme a silhueta imponente de Luka crescia em seu campo de visão. Ela ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando parecer ocupada com seus cadernos, mas seus olhos insistiam em traí-la, buscando a figura dele.
Luka, percebendo o olhar, deslizou os fones para o pescoço. O silêncio repentino da música foi substituído pelo som suave dos passos de Gabriel. Ele sorriu, um sorriso de lado que sempre fazia as pernas dela vacilarem.
— Ei, pequena. — A voz dele era profunda, ressoando no peito de Gabriel como um acorde grave. — Você ainda está aqui? Achei que já tinha ido para a biblioteca.
Gabriel engoliu em seco, sentindo o rosto esquentar instantaneamente.
— Eu... eu estava terminando de organizar umas notas — respondeu ela, a voz saindo quase como um sussurro. — E você? Acabou o treino agora?
Luka se aproximou, apoiando um dos braços no armário ao lado da cabeça de Gabriel. O gesto, embora casual, a cercou completamente. O cheiro dele — uma mistura de sabonete fresco e a adrenalina do esforço físico — a envolveu.
— Sim, o mestre pegou pesado hoje. Muitos rolamentos, muitas finalizações. — Ele flexionou levemente o braço, e Gabriel não pôde deixar de notar como o bíceps dele parecia uma rocha sob a pele bronzeada. — Mas nada que eu não desse conta.
— Você sempre dá conta de tudo, Luka — disse ela, criando coragem para olhá-lo nos olhos.
Luka riu baixo, um som rouco que fez Gabriel estremecer. Ele gostava do jeito que ela o olhava. Havia uma pureza em Gabriel que o desarmava. No tatame, ele era o predador, o estrategista; mas diante da fragilidade gentil dela, ele sentia uma necessidade estranha de ser o protetor, o porto seguro.
— Nem tudo — admitiu ele, baixando um pouco o tom de voz, inclinando-se para mais perto. — Tem coisas que são mais difíceis de finalizar do que um estrangulamento de lapela.
Gabriel sentiu o ar faltar. Ela sabia que ele estava flertando, mas sua mente lógica lutava para acreditar que alguém como Luka teria interesse nela.
— Tipo o quê? — perguntou ela, a curiosidade vencendo a timidez.
Luka usou a mão livre para tocar levemente a ponta do nariz de Gabriel.
— Tipo entender o que se passa nessa sua cabecinha. Você é sempre tão quieta, tão na sua. Às vezes, eu fico me perguntando se você gosta da música que eu ouço ou se só gosta de me ver usar esses fones gigantes.
Gabriel riu, um som cristalino que fez o coração de Luka falhar uma batida.
— Eu gosto da sua música, Luka. Mas acho que gosto mais do jeito que você fecha os olhos quando a batida fica mais forte. Parece que você vai para outro lugar.
Luka ficou em silêncio por um momento, surpreso com a observação dela. Ninguém nunca tinha notado esse detalhe. Ele se sentiu visto, de uma forma que ia além da sua aparência física ou de suas habilidades na luta.
— Você presta muita atenção em mim, Gabriel — afirmou ele, não como uma pergunta, mas como uma constatação deliciosa.
— É difícil não prestar — confessou ela, a voz falhando um pouco no final.
Luka se aproximou ainda mais. O corredor estava agora vazio, as luzes fluorescentes zumbindo suavemente acima deles. O contraste entre os dois era quase poético: ele, a força bruta lapidada pelo esporte; ela, a doçura delicada esculpida pela gentileza.
— Sabe — começou ele, a voz agora um murmúrio rente ao ouvido dela —, eu andei pensando muito em você ultimamente. No treino, entre um golpe e outro, sua imagem aparecia na minha mente. E isso nunca aconteceu antes.
Gabriel sentiu o coração bater contra as costelas como um pássaro engaiolado.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou ela, embora no fundo soubesse a resposta.
Luka soltou um suspiro longo, deixando sua mão descer do armário para o ombro de Gabriel. A mão dele era grande o suficiente para cobri-lo quase inteiramente, mas o toque era de uma leveza surpreendente, como se ele tivesse medo de quebrá-la.
— Quero dizer que cansei de apenas passar por você no corredor e dizer "oi". — Ele usou o polegar para acariciar o contorno da mandíbula dela. — Quero dizer que essa sua fragilidade me atrai de um jeito que eu não sei explicar, mas que eu quero muito entender.
— Luka... eu sempre quis que você notasse — disse ela, as palavras saindo em um suspiro de alívio. — Eu sempre quis ser mais do que apenas a menina gentil que você cumprimenta.
Luka sorriu, mas desta vez não era o sorriso de lado de sempre. Era um sorriso terno, carregado de uma intenção clara. Ele reduziu a distância mínima que ainda existia entre eles. Gabriel podia sentir o calor que emanava do corpo dele, uma fornalha de energia que parecia convidá-la para se aquecer.
— Então acho que a gente não precisa mais querer — disse ele.
Ele levou a outra mão ao rosto dela, segurando-o com uma reverência quase sagrada. Gabriel fechou os olhos, entregando-se ao momento, sentindo a respiração de Luka misturar-se à sua.
— Posso? — perguntou ele, a última barreira da sua confiança de lutador caindo diante da vulnerabilidade dela.
— Por favor — sussurrou Gabriel.
Luka inclinou a cabeça e, finalmente, selou seus lábios nos dela. O beijo começou como um toque suave, uma exploração cautelosa, como se ele estivesse testando a resistência de uma seda preciosa. Mas, conforme Gabriel respondia, envolvendo os braços pequenos em volta do pescoço musculoso dele, o beijo se aprofundou.
Havia uma urgência contida ali, uma mistura da força dele com a entrega dela. Luka a puxou para mais perto, sentindo a leveza do corpo dela contra o seu peito sólido. Para Gabriel, era como se o mundo tivesse parado; não havia mais corredores, armários ou aulas. Havia apenas Luka, o ritmo do coração dele batendo contra o dela e a promessa silenciosa de que, a partir daquele momento, ela não seria mais apenas uma espectadora da vida dele.
Quando se afastaram, apenas o suficiente para recuperarem o fôlego, Luka encostou a testa na dela.
— Você é muito mais forte do que parece, Gabriel — murmurou ele, ainda mantendo-a em seus braços.
— E você é muito mais gentil do que deixa transparecer — respondeu ela, sorrindo, sentindo-se, pela primeira vez, exatamente onde deveria estar.
Luka recolocou os fones de ouvido, mas desta vez, ofereceu um dos lados para ela.
— Vamos? — perguntou ele, estendendo a mão.
Gabriel segurou a mão dele, os dedos pequenos entrelaçados nos dedos calejados e fortes do lutador.
— Vamos.
Eles caminharam juntos pelo corredor, agora compartilhando a mesma batida, o mesmo ritmo e o início de uma melodia que só eles dois sabiam como tocar.
