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Fandom: Sutis homens de terno

Criado: 02/08/2026

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A Linha Tênue entre o Dever e o Desejo

O 65º andar da Pearson Hardman exalava o cheiro habitual de café caro, papel timbrado e a ansiedade palpável de jovens associados tentando não serem demitidos. Mark, o mais novo integrante da equipe de Harvey Specter, estava parado no corredor, parecendo um homem prestes a enfrentar um pelotão de fuzilamento. Ele segurava uma pasta de couro com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.

— Ele não vai me atender, Donna. Eu já tentei três vezes — lamentou Mark, a voz beirando o desespero.

Donna Paulsen, sentada atrás de sua mesa com a postura impecável de quem governa aquele andar, nem sequer levantou os olhos do monitor por alguns segundos. Quando o fez, seu olhar era de uma piedade gelada.

— Ray está furioso com você, Mark. Você derrubou café no banco de couro do Lincoln dele na semana passada. Ray é o guardião do portão. Se ele não te der o sinal verde, o Harvey não te dá o horário.

— Foi um acidente! O trânsito parou de repente — Mark tentou se justificar, mas sabia que era inútil. — Eu preciso que o Harvey assine esses documentos da Proskauer até as cinco. Se eu entrar lá sem ser anunciado, ele vai me triturar.

Donna inclinou a cabeça, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. Ela sabia exatamente como resolver aquilo, mas gostava de ver os novatos suarem um pouco. No entanto, o prazo era real.

— Existe uma pessoa — disse Donna, baixando a voz o suficiente para criar um ar de conspiração. — Uma pessoa que pode entrar naquela sala, interromper o Harvey no meio de um pensamento sobre o Michael Jordan e sair de lá ilesa. Na verdade, se ela mandar ele calar a boca, ele provavelmente apenas sorriria e obedeceria.

Mark arregalou os olhos.

— Quem? A Jessica?

— Não seja tolo. A Jessica o faria obedecer por hierarquia. Eu estou falando de influência... orgânica — Donna apontou com a caneta para uma sala no final do corredor, onde a equipe de pesquisa e suporte jurídico trabalhava. — Clara. Vá falar com a Clara.

Mark franziu o cenho. Ele conhecia Clara. Ela era uma mulher de riso fácil, curvas generosas que pareciam preencher perfeitamente os vestidos elegantes que usava, e uma inteligência que muitas vezes passava despercebida pelos advogados mais arrogantes. Ela trabalhava diretamente para o departamento de Harvey, mas mantinha um perfil baixo.

— A Clara? — Mark perguntou, cético. — Ela é ótima, mas... o Harvey? O Harvey Specter ouve alguém que não seja ele mesmo ou você?

— Apenas vá, Mark. E seja educado.

Mark caminhou até a mesa de Clara. Ela estava concentrada em uma pilha de contratos, os óculos de leitura levemente caídos na ponta do nariz. O cabelo castanho estava preso em um coque frouxo, e ela cantarolava algo baixo enquanto anotava margens.

— Clara? — Mark chamou, hesitante.

Ela levantou o olhar e sorriu. Era um sorriso quente, o tipo de sorriso que fazia qualquer um se sentir instantaneamente em casa.

— Oi, Mark. Você parece que viu um fantasma. Ou que o Louis te chamou para ir ao spa. Qual dos dois?

— O segundo seria preferível — ele brincou, nervoso. — Escute, eu preciso que o Harvey assine isso. O Ray cortou meu acesso e a Donna disse que você é a única pessoa que pode me ajudar agora.

Clara parou o que estava fazendo. Seus olhos brilharam com uma mistura de diversão e cautela. Ela sabia que Donna estava brincando com fogo ao enviá-lo até ali. O "caso" que ela e Harvey mantinham era o segredo mais mal guardado para Donna, mas um mistério absoluto para o resto da firma. Eles não eram "sérios" — ou era isso que ela dizia a si mesma todas as noites quando ele a deixava em casa após horas de paixão e conversas sussurradas sobre casos impossíveis.

— Donna disse isso, foi? — Clara suspirou, fechando a pasta à sua frente. — O que você fez para o Ray?

— Café. Couro. Desastre — resumiu Mark.

Clara soltou uma risada curta e melodiosa.

— Ah, Mark. Você mexeu com o santuário do Ray. Tudo bem, me dê isso aqui. Eu vou ver o que posso fazer.

Ela pegou a pasta e se levantou. Clara tinha consciência de seu corpo; ela sabia que não se encaixava no padrão das modelos de passarela que Harvey costumava levar para eventos, mas também sabia o efeito que tinha sobre ele. Havia algo na segurança dela, na forma como ela não se intimidava com o ego dele, que o mantinha voltando.

Ela caminhou pelo corredor, sentindo o olhar de Donna em suas costas. Ao chegar à porta de vidro da sala de Harvey, ela não bateu. Simplesmente entrou.

Harvey estava de pé, olhando para a vista de Manhattan, segurando um copo de uísque barato — o que significava que o dia tinha sido longo.

— Eu disse que não queria ser perturbado, Donna — disse ele, sem se virar.

— Bom saber. Então vou levar esses documentos e o meu bom humor embora — respondeu Clara, encostando-se na lateral da mesa dele.

Harvey virou-se instantaneamente. O semblante rígido relaxou, e um brilho suave surgiu em seus olhos escuros.

— Clara.

— O próprio desastre em pessoa — ela disse, estendendo a pasta. — O novo associado está prestes a ter um colapso nervoso lá fora. Ray o colocou na lista negra e ele precisa da sua assinatura.

Harvey suspirou, aproximando-se dela. Ele não pegou a pasta de imediato. Em vez disso, parou a poucos centímetros dela, invadindo seu espaço pessoal daquela maneira que sempre fazia o coração dela acelerar.

— E por que você está fazendo o trabalho sujo dele? — perguntou Harvey, a voz descendo um oitava.

— Porque eu sou uma alma caridosa. E porque se ele não conseguir essa assinatura, ele vai continuar choramingando perto da minha mesa e eu tenho trabalho de verdade para fazer — ela respondeu, sustentando o olhar dele.

Harvey deu um meio sorriso, aquele que ele reservava apenas para as vitórias no tribunal ou para ela.

— Eu não vou assinar. Não agora. Estou ocupado.

Clara revirou os olhos e colocou a pasta sobre o peito dele, forçando-o a segurá-la.

— Harvey, deixe de ser difícil. Assine o papel. Agora.

Ele arqueou uma sobrancelha, fingindo ofensa.

— Você está me dando ordens no meu próprio escritório?

— Estou dizendo para você parar de agir como um rei mimado e ser um advogado por dois minutos — Clara deu um passo à frente, ajustando a gravata dele com um toque possessivo que faria qualquer um no corredor desmaiar de choque se visse. — Assine, ou não haverá jantar na sexta.

Harvey soltou uma risada baixa, rendido.

— Isso é chantagem, sabia?

— Eu aprendi com o melhor — ela piscou.

Harvey pegou a caneta de ouro sobre a mesa e rabiscou sua assinatura nos documentos sem sequer ler a última página. Ele confiava nela. Mais do que admitiria em voz alta.

— Pronto. Satisfeita? — ele perguntou, devolvendo a pasta.

— Muito. Mark vai te agradecer eternamente, embora eu vá dizer a ele que você quase o demitiu só para manter a sua reputação de durão.

Ela se virou para sair, mas Harvey segurou seu pulso suavemente.

— Clara.

— Sim? — ela perguntou, virando o rosto por cima do ombro.

— Tranque a porta na saída. Eu preciso de cinco minutos para discutir... outros termos desse contrato com você.

Clara sentiu o calor subir pelo pescoço. Ela olhou para o corredor através do vidro. Donna estava observando, um sorriso de "eu sabia" no rosto.

— O associado está esperando, Harvey — ela disse, embora não estivesse fazendo menção de sair.

— O associado pode esperar — Harvey rebateu, soltando o pulso dela e caminhando até a porta de vidro, fechando as persianas com um movimento fluido.

Do lado de fora, Mark viu as persianas se fecharem e olhou para Donna, confuso.

— O que aconteceu? Ela está em apuros? Ele parecia bravo?

Donna soltou uma risada curta e voltou sua atenção para o computador.

— Mark, vá tomar um café. A Clara acabou de salvar o seu emprego. E, se eu fosse você, nunca mais derrubaria nada no carro do Ray. Algumas pessoas têm passes livres nesta empresa, e você definitivamente não é uma delas.

— Mas ele vai assinar? — Mark insistiu.

— Ele já assinou — Donna disse, com a certeza de quem conhecia cada batida do coração daquele escritório. — Agora, se você valoriza sua vida, não chegue perto daquela porta pelos próximos vinte minutos.

Dentro da sala, o silêncio era preenchido apenas pelo som da respiração de ambos. Harvey se aproximou de Clara, encurralando-a contra a mesa.

— Você tem muito poder sobre mim, sabia disso? — ele sussurrou, as mãos repousando nos quadris dela, sentindo a curva macia que ele tanto adorava.

— Eu não tenho poder nenhum, Harvey. Eu só sou a única que não tem medo de você — ela respondeu, passando os braços pelo pescoço dele.

— É a mesma coisa — ele disse, antes de selar o espaço entre eles com um beijo que cheirava a uísque, vitória e a promessa de algo que, apesar de eles dizerem que não era sério, parecia cada vez mais com a única coisa real naquelas vidas de aparências.

Clara sorriu entre o beijo. Ela sabia que, no dia seguinte, eles voltariam a ser o grande Harvey Specter e sua eficiente assistente de pesquisa. Mas, ali, entre as paredes de vidro e as persianas fechadas, ela era a única pessoa no mundo que podia mandá-lo calar a boca e ser obedecida. E Harvey não trocaria aquele privilégio por nenhuma promoção no mundo.

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