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Fandom: Sutis homens de terno

Criado: 02/08/2026

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O Ponto Cego de Harvey Specter

A atmosfera no escritório da Pearson Hardman estava mais densa do que o habitual, o que, para os padrões de Nova York, significava que alguém estava prestes a ser demitido ou ter a cabeça servida em uma bandeja de prata. Mike Ross, o associado prodígio com memória fotográfica, estava parado diante da porta de vidro de Harvey Specter como se estivesse diante de um pelotão de fuzilamento.

Harvey estava em um de seus "dias". O que significava que ele estava mais impaciente, mais arrogante e consideravelmente mais letal em suas respostas. Ele se recusava a atender Mike, ignorava seus e-mails e, toda vez que o jovem tentava entrar na sala, recebia um olhar que poderia congelar o inferno.

— Ele vai me matar, Donna. — Mike sussurrou, aproximando-se da mesa da secretária ruiva. — Ele não quer me ouvir sobre o caso Miller e, se não assinarmos esses documentos até as cinco, perdemos a liminar.

Donna Paulsen nem sequer tirou os olhos da tela do computador, um sorriso enigmático brincando em seus lábios.

— Ele não vai te matar, Mike. Ele só vai fazer você desejar estar morto. Há uma diferença sutil.

— Ajuda, por favor? — Mike implorou.

Donna finalmente olhou para ele, inclinando a cabeça.

— Você quer o passe livre? A única pessoa neste prédio que pode interromper o Harvey quando ele está tendo um ataque de pelanca sem ser expulso a pontapés?

Mike franziu a testa.

— Você?

— Eu sou a secretária dele, Mike. Eu mantenho a vida dele em ordem, mas hoje... hoje ele precisa de algo que eu não estou disposta a dar: paciência infinita para o ego dele. — Ela apontou com o queixo para o final do corredor, em direção às salas de apoio administrativo e pesquisa. — Vá falar com a Clara.

Mike piscou, confuso.

— A Clara da pesquisa? A que usa aqueles cardigãs coloridos?

— Exatamente ela. — Donna voltou a digitar. — Se ela entrar lá e mandar ele calar a boca, ele provavelmente vai agradecer e perguntar se ela quer café.

Mike não entendeu a lógica, mas estava desesperado. Ele caminhou até a sala de Clara, encontrando-a mergulhada em uma pilha de pastas. Clara não era como as modelos que Harvey costumava levar para eventos sociais ou que apareciam nas colunas sociais. Ela era curvilínea, com curvas generosas que ela não tentava esconder, e uma expressão de quem já tinha visto de tudo naquela empresa.

— Clara? — Mike chamou, hesitante.

Ela levantou os olhos, ajeitando os óculos no rosto redondo e simpático.

— Mike. Deixe-me adivinhar: o deus do sol está soltando raios e você não quer ser eletrocutado?

— Basicamente. Donna disse que você é a única que pode falar com ele agora.

Clara soltou um suspiro pesado, encostando-se na cadeira. Ela e Harvey tinham... algo. Não era um namoro, nem algo que ele admitisse em voz alta nos círculos da alta sociedade. Era um arranjo de noites tarde no escritório, de encontros casuais que se tornaram frequentes, e de uma conexão física que desafiava a lógica de Harvey de "apenas modelos de passarela". Ele ainda saía com mulheres de pernas intermináveis, mas era no apartamento de Clara, ou no sofá de couro do escritório dela, que ele parecia baixar a guarda.

— Ele está sendo um idiota completo, não é? — Clara perguntou, já se levantando.

— Pior que o normal. — Mike confirmou.

Clara pegou a pasta da mão de Mike.

— Fique aqui. E, pelo amor de Deus, não tente ouvir atrás da porta.

Ela caminhou pelo corredor com uma confiança que poucos possuíam. Ao passar por Donna, as duas trocaram um olhar cúmplice. Clara não bateu na porta. Ela simplesmente girou a maçaneta e entrou, fechando-a atrás de si com um clique seco.

Harvey estava de pé, de costas para a porta, observando a vista de Manhattan.

— Mike, se você não saiu do meu escritório em três segundos, eu juro que...

— Você jura o quê, Harvey? — A voz de Clara interrompeu o monólogo furioso.

Harvey tensionou os ombros instantaneamente. Ele se virou, a expressão dura começando a vacilar assim que viu quem era.

— Clara. O que você está fazendo aqui? Estou no meio de um colapso.

— Você está no meio de uma birra. — Ela caminhou até a mesa dele, jogando a pasta de Mike sobre o tampo de mogno. — Assine isso. Agora.

Harvey arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito, o terno Tom Ford impecável como sempre.

— E se eu não quiser?

— Então eu vou sair daqui, vou aceitar aquele convite de jantar do novo advogado da promotoria que me parou no elevador hoje cedo e você pode passar a noite sozinho com seu ego e seu uísque caro. — Ela disse com uma calma irritante.

Os olhos de Harvey escureceram instantaneamente. O maxilar dele travou.

— Que advogado?

— Um loiro. Muito educado, por sinal. Ele disse que gosta de mulheres que sabem o que querem. — Clara deu de ombros, aproximando-se dele.

Harvey deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. O cheiro de baunilha e papel antigo que sempre emanava de Clara o atingiu, desarmando suas defesas.

— Você não vai jantar com ninguém, Clara.

— Ah, não? — Ela inclinou a cabeça, desafiando-o. — Porque, até onde eu saiba, você não é meu dono. E, já que você está ocupado demais sendo um babaca com o Mike e ignorando o trabalho, achei que eu deveria ocupar meu tempo com alguém... mais sociável.

Harvey soltou um rosnado baixo, a mão indo parar na cintura dela, puxando-a para mais perto. A diferença de altura e porte era notável, mas Clara nunca se sentia pequena perto dele.

— Você sabe muito bem que eu odeio quando você flerta com outros caras. — Ele murmurou, a voz rouca.

— Então pare de agir como se o mundo girasse em torno do seu mau humor. — Ela colocou as mãos no peito dele, sentindo o batimento acelerado do coração do advogado. — Assine a pasta, Harvey. Deixe o Mike em paz.

— Você está defendendo o garoto agora?

— Estou defendendo o meu tempo. Se você terminar isso agora, talvez eu não aceite o jantar do promotor.

Harvey olhou para a pasta e depois de volta para Clara. Ele odiava o quanto ela tinha poder sobre ele, o quanto aquela mulher — que não se encaixava em nenhum dos seus padrões habituais — conseguia dobrá-lo apenas com um olhar e uma promessa implícita.

— Calada. — Ele ordenou, mas não havia veneno na voz.

— Só se você assinar. — Ela rebateu.

Harvey pegou a caneta tinteiro sobre a mesa e, sem ler uma única linha, assinou os documentos que Mike tanto precisava. Ele jogou a caneta de lado e voltou toda a sua atenção para ela.

— Satisfeita?

— Mike ficará. — Ela tentou se afastar, mas o aperto dele na sua cintura aumentou.

— Onde você pensa que vai?

— Voltar para o meu trabalho. Tenho pesquisas para terminar e você tem uma empresa para salvar.

— A pesquisa pode esperar. — Harvey disse, aproximando o rosto do dela. — E o promotor?

— O que tem ele? — Ela provocou.

— Diga a ele que você está ocupada. Permanentemente ocupada.

Clara sorriu, uma expressão vitoriosa.

— Talvez eu diga. Se você se comportar pelo resto da tarde.

Harvey soltou um suspiro, encostando a testa na dela por um breve momento, um gesto de vulnerabilidade que ele nunca mostraria a mais ninguém no mundo.

— Você é um problema, Clara.

— E você adora resolver problemas, Harvey.

Ele a soltou relutantemente, pegando a pasta e caminhando até a porta. Ele a abriu bruscamente, encontrando Mike Ross fingindo ler um memorando a dois metros de distância.

— Mike! — Harvey latiu.

O associado quase pulou.

— Sim, Harvey?

Harvey estendeu a pasta.

— Pegue isso. E se você me interromper novamente hoje, eu garanto que o promotor loiro não será o único a ter um problema comigo.

Mike pegou os papéis, boquiaberto. Ele olhou para Clara, que saiu da sala logo atrás de Harvey com um sorriso tranquilo e um piscar de olhos encorajador.

— Obrigado, Clara. — Mike balbuciou.

Harvey olhou de Mike para Clara e depois para Donna, que observava tudo com um ar de "eu avisei".

— Volte ao trabalho, Mike! — Harvey ordenou, antes de se virar para Clara uma última vez. — Sete horas. No meu apartamento. Não se atrase.

— Vou pensar no seu caso, Specter. — Ela respondeu, caminhando calmamente em direção à sua sala, os quadris balançando de uma forma que fez Harvey esquecer completamente o que estava fazendo por vários segundos.

Donna limpou a garganta, chamando a atenção do chefe.

— O que foi, Donna?

— Nada, Harvey. Só admirando como você é... sutil.

Harvey ajeitou o paletó, recuperando sua máscara de indiferença, embora o brilho nos olhos o traísse.

— Eu não sei do que você está falando. Tenho trabalho a fazer.

Ele entrou na sala e fechou a porta, mas Mike e Donna sabiam. Todos no escritório sabiam que, quando se tratava de Clara, o grande Harvey Specter não passava de um homem rendido, preso em um terno caro e em um caso que, por mais que ele tentasse negar, era a coisa mais séria de sua vida.

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