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sei lá

Fandom: futebol

Criado: 02/08/2026

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Além das Linhas do Gramado

O ar condicionado do centro de treinamento da Granja Comary parecia não dar conta do calor que emanava daquela manhã de treinos. Nathalia, com sua prancheta digital em mãos e o crachá da CBF balançando levemente no pescoço, observava a movimentação em campo. Como diretora de marketing, sua mente estava sempre em frames, engajamento e na imagem que aqueles homens projetavam para o mundo. Mas, ultimamente, seus olhos tinham uma dificuldade irritante em se manterem focados no coletivo. Eles sempre acabavam travando em um número específico.

Matheus Cunha estava em seu habitat natural. O suor brilhava em sua pele morena, destacando o porte atlético enquanto ele disparava em um contra-ataque simulado. O corte degradê, mesmo após uma hora de treino intenso, ainda parecia milimetricamente perfeito. Ele marcou um gol, soltou um grito de comemoração que ecoou pelo campo e, antes mesmo de voltar para sua posição, seus olhos buscaram a beira do gramado.

Ele a viu. E, como sempre, abriu aquele sorriso que Nathalia classificava profissionalmente como "altamente comercializável", mas que, no fundo, a fazia questionar sua própria postura profissional.

— Focada no trabalho ou admirando o artilheiro, Nathy? — A voz dele soou perto demais alguns minutos depois, quando o treino foi encerrado e os jogadores caminhavam para o vestiário.

Nathalia nem desviou o olhar do tablet, embora sentisse o calor irradiando do corpo dele, a poucos centímetros do seu. O cheiro de grama cortada e esforço físico era estranhamente inebriante.

— Analisando métricas, Cunha. O engajamento das suas últimas fotos subiu 15%. O público gosta dessa sua vibe "marrento, mas carismático" — respondeu ela, mantendo o tom de voz neutro, a voz da diretora que não se abalava.

Matheus soltou uma risada curta, aquela risada de quem sabe exatamente o poder que tem. Ele se aproximou mais, forçando Nathalia a finalmente olhá-lo. Ele estava ofegante, o peito subindo e descendo, e uma gota de suor escorreu pela têmpora, parando na linha do maxilar definido.

— Métricas, sei... — Ele inclinou a cabeça, a voz baixando um tom. — E a sua métrica pessoal, como tá? Porque eu sinto que, toda vez que eu olho pra cá, você tá me estudando com um pouco mais de... detalhe.

— É meu trabalho, Matheus. Estudar os ativos da seleção — ela retrucou, embora seu coração tivesse dado um solavanco.

— Ativo, é? — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. — Achei que a gente já tinha passado da fase dos relatórios, Nathalia. A gente tem uma "resenha" boa demais pra você me tratar como um gráfico de pizza.

— Vai tomar banho, Matheus. Você está ensopado — ela disse, tentando empurrá-lo levemente pelo ombro, mas sua mão encontrou o músculo firme e quente, e ela retirou o braço como se tivesse se queimado.

— Eu vou. Mas o jantar de hoje à noite, depois da coletiva... ainda tá de pé? — Ele piscou, um brilho de desafio nos olhos. — Só nós dois. Pra falar de "estratégias de marca".

— Estarei lá. Mas estritamente profissional — ela reforçou, embora soubesse que aquela barreira estava cada vez mais fina.


O restaurante em Teresópolis era discreto, com luzes baixas e uma atmosfera que em nada lembrava o caos dos campos de futebol. Matheus chegou usando um conjunto de streetwear de uma marca de luxo, uma jaqueta bomber oversized e correntes de prata que brilhavam contra a camiseta branca. Ele parecia ter saído de um editorial de moda, mas a forma como ele puxou a cadeira para Nathalia e o jeito leve como começou a contar uma piada sobre o que aconteceu no vestiário mostravam que ele continuava sendo o mesmo cara da Paraíba.

— Então você está me dizendo que o Richarlison realmente tentou convencer o técnico a usar o pombo como mascote oficial no Catar? — Nathalia ria abertamente, deixando a guarda baixar.

— Eu juro por tudo! O cara é uma figura, Nathy. Mas ó... — Ele se inclinou sobre a mesa, cruzando os braços fortes. — Chega de falar dos outros. Quero falar de você. Por que você sempre se esconde atrás desse crachá quando eu tento chegar perto?

Nathalia brincou com a taça de vinho, sentindo o rosto esquentar.

— Eu não me escondo, Matheus. Eu sou a diretora de marketing. Você é o jogador estrela. Existem regras, protocolos... e eu prezo muito pela minha carreira.

— Regras foram feitas pra gente entender o limite e, às vezes, driblar ele — Matheus disse, a voz agora rouca e carregada de uma seriedade que contrastava com seu jeito brincalhão. — E eu não sou muito fã de seguir o protocolo quando eu quero muito uma coisa.

— E o que você quer, Matheus? — A pergunta saiu antes que ela pudesse filtrar.

Ele não respondeu com palavras. O olhar dele desceu para os lábios dela e voltou para os olhos, intenso, faminto. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era elétrico, carregado de uma tensão que vinha se acumulando há meses, entre reuniões de imagem e treinos sob o sol.

— Eu quero que você pare de me olhar como um contrato e comece a me olhar como o homem que perde o sono pensando no cheiro do seu perfume — ele disparou, direto, sem os dribles que costumava usar em campo.

Nathalia sentiu um frio na barriga que nenhuma apresentação de campanha bilionária jamais lhe causara.

— Matheus... a gente não pode aqui.

— Eu sei. Por isso que a conta já tá paga — ele disse, levantando-se e estendendo a mão para ela.

O trajeto até o hotel onde a delegação e a equipe técnica estavam hospedadas foi feito em um silêncio tenso. No elevador, a proximidade era quase insuportável. Quando as portas se abriram no andar dela, Matheus a seguiu. Ele não precisou pedir permissão; o convite estava escrito na forma como ela segurava a chave do quarto, com as mãos levemente trêmulas.

Assim que a porta se fechou atrás deles, a fachada profissional desmoronou completamente.

Matheus a prensou contra a madeira da porta, as mãos grandes encontrando a cintura dela e a puxando para cima, eliminando qualquer distância. O beijo começou urgente, uma colisão de desejo reprimido. Ele tinha gosto de menta e vinho, e a língua dele explorava a boca dela com a mesma autoridade com que dominava a bola no campo.

— Você não tem ideia do quanto eu esperei por isso — ele sussurrou contra o pescoço dela, distribuindo beijos úmidos que a faziam arquear as costas.

— Matheus... a gente vai se arrepender disso amanhã? — Nathalia perguntou, a voz falha, enquanto suas mãos se enroscavam no cabelo curto e bem cortado dele.

— Amanhã você pode me dar um cartão vermelho se quiser — ele disse, a voz vibrando contra a pele dela —, mas hoje, eu sou todo seu.

Ele a pegou no colo com facilidade, a força física que ela tanto admirava de longe agora servindo para carregá-la até a cama. Matheus a deitou com uma delicadeza surpreendente para alguém tão intenso. Ele se livrou da jaqueta e da camiseta em um movimento rápido, revelando o peito definido e as tatuagens que contavam sua história.

Quando ele se posicionou sobre ela, Nathalia sentiu o peso reconfortante do corpo dele. A exploração foi lenta no início, cada toque dele era uma provocação. As mãos de Matheus, calejadas e firmes, percorreram as curvas dela com uma possessividade que a deixava sem fôlego.

— Você é muito mais bonita sem aquele uniforme da CBF — ele provocou, soltando os botões da blusa dela com agilidade.

— E você é muito mais perigoso fora de campo do que dentro dele — ela rebateu, puxando-o para mais perto.

O clima esquentou rapidamente. Os movimentos tornaram-se mais erráticos, movidos pela necessidade pura. Matheus era um amante generoso, mas dominante. Ele conhecia cada ponto de pressão, cada lugar que a fazia soltar um gemido baixo. Quando ele finalmente se uniu a ela, o mundo lá fora — o marketing, a seleção, as câmeras — deixou de existir. Havia apenas o ritmo frenético, o som da respiração acelerada e a conexão física que ambos tentavam ignorar há meses.

Ele a olhava nos olhos o tempo todo, querendo ter certeza de que ela estava ali, com ele. O carisma que ele exalava no dia a dia se transformava em uma paixão bruta entre quatro paredes.

— Nathalia... olha pra mim — ele pediu, a voz grave, enquanto aumentava a intensidade.

Ela obedeceu, encontrando o olhar dele cheio de uma verdade que ele raramente mostrava às câmeras. Naquele momento, ele não era o atacante da seleção brasileira; era apenas um homem completamente rendido à mulher em seus braços.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de alívio e prazer, deixando os dois exaustos e entrelaçados nos lençóis bagunçados.

Minutos depois, o silêncio do quarto era preenchido apenas pelo som das respirações voltando ao normal. Matheus estava deitado de lado, apoiado no cotovelo, observando Nathalia com um sorriso satisfeito. Ele esticou o braço e acariciou o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo suado.

— E aí, diretora? — Ele deu um beijo casto na ponta do nariz dela. — Como estão as métricas agora?

Nathalia soltou uma risada leve, sentindo-se mais leve do que em anos.

— O engajamento está fora da curva, Cunha. Mas acho que vamos precisar de muitas "reuniões privadas" pra manter esse nível.

Matheus riu, puxando-a para um abraço apertado, o calor do corpo dele envolvendo-a como um porto seguro.

— Por mim, a gente entra em regime de concentração exclusiva a partir de agora.

Nathalia fechou os olhos, sorrindo. Ela sabia que, no dia seguinte, eles teriam que voltar à rotina, à discrição e ao profissionalismo. Mas, enquanto sentia o coração de Matheus batendo contra o seu, ela percebeu que a melhor parte do jogo não acontecia sob os holofotes do estádio, mas sim naqueles momentos em que as linhas se cruzavam e o profissional dava lugar a algo muito mais real.

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