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um recomeço

Fandom: skip beat

Criado: 02/08/2026

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O Eco do Futuro no Coração do Passado

O cheiro de incenso e madeira velha impregnava o ar, mas não era isso que incomodava Kyoko Mogami. O que a fazia tremer, sentada no chão de madeira do Ryokan da família Fuwa, era a visão de suas próprias mãos. Eram mãos menores, sem as cicatrizes sutis de anos de trabalho árduo em sets de filmagem ou as calosidades de carregar equipamentos pesados. Seus cabelos, agora pretos e curtos, moldavam um rosto que ainda carregava a redondeza da adolescência, mas seus olhos... seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade que nenhuma garota de dezesseis anos deveria possuir.

Ela se lembrava do acidente. O som de metal retorcido, o brilho ofuscante dos faróis e o calor protetor dos braços de Ren Tsuruga envolvendo-a antes que a escuridão a tragasse.

Kyoko tateou o kimono simples que vestia. Ela estava de volta. Um ano antes de Sho Fuwa pedir que ela o seguisse para Tóquio. Um ano antes de seu coração ser estraçalhado. Mas, desta vez, o vazio no peito não existia. Havia apenas uma urgência latente.

— Ren... — sussurrou ela, a voz falhando.

Ela precisava saber. Se ela estava aqui, com todas as memórias de sua carreira ascendente, de seu amor por ele e de cada técnica de atuação que aprendeu na LME, onde estaria ele?

Sem pensar duas vezes, Kyoko correu para o telefone fixo no corredor do Ryokan, discando um número que ela havia decorado não nesta vida, mas na que deixara para trás. O número privado de Ren Tsuruga.

O telefone tocou uma, duas, três vezes. Cada toque parecia uma eternidade.

— Alô? — A voz do outro lado era profunda, aveludada e carregava um tom de urgência que fez o coração de Kyoko parar.

— Ren? — perguntou ela, as lágrimas já inundando seus olhos dourados.

Houve um silêncio absoluto do outro lado da linha. Kyoko podia ouvir a respiração pesada dele, uma respiração que denunciava que ele não era apenas o ator prodígio de vinte anos que o Japão conhecia agora.

— Kyoko... — A voz dele quebrou. — Meu Deus, Kyoko. Você está bem? Onde você está?

— Eu estou em Kyoto — respondeu ela, soluçando de alívio. — Ren, eu me lembro. Eu me lembro de tudo. Do acidente, de "Dark Moon", de "Tragedy of M"... tudo.

— Eu também — disse Ren, e Kyoko podia imaginar a expressão dele; aquele olhar possessivo e protetor que ele reservava apenas para ela, escondido sob a máscara do "Cavalheiro Perfeito". — Eu acordei no meu apartamento em Tóquio. Kyoko, ouça-me bem. Não se mova. Não faça nada por aquele... por aquele rapaz.

— Sho? — Kyoko soltou uma risada curta e amarga. — Eu não sinto nada por ele, Ren. A única coisa que sinto é o desejo de voltar a atuar. E de estar com você.

— Eu vou buscar você — afirmou Ren, o tom de voz não deixando espaço para discussões. — Não me importa o que o calendário diz. Eu não vou passar um segundo a mais longe de você neste tempo.


Três dias depois, Kyoko estava na estação de trem. Ela havia deixado um bilhete simples para a mãe de Sho, agradecendo por tudo, mas dizendo que seguiria seu próprio caminho. Ela não seria a sombra de ninguém desta vez.

Quando a porta do carro de luxo, com vidros escurecidos, se abriu diante dela em uma rua lateral discreta, Kyoko não hesitou. Ela se jogou nos braços do homem alto que a esperava.

Ren a envolveu com uma força que beirava o desespero. Ele enterrou o rosto no pescoço dela, inalando o perfume de flores que ela sempre exalava.

— Você está aqui — murmurou ele, as mãos grandes acariciando as costas dela de forma possessiva. — Você é tão pequena nesta época... eu quase esqueci como você parecia antes de Tóquio.

— Mas eu sou a mesma por dentro, Ren — disse ela, afastando-se apenas o suficiente para olhar naqueles olhos escuros que agora brilhavam com um desejo protetor. — Eu tenho dezesseis anos fisicamente, mas meu coração e minha mente têm toda a experiência que você me ajudou a construir.

Ren sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava ao mundo.

— Então, vamos mudar a história, minha querida. Você não vai entrar na LME como uma assistente da seção Love Me. Você vai entrar como a estrela que eu sei que você é.


Meses se passaram. Com a ajuda discreta de Ren e o talento avassalador que Kyoko já possuía, sua entrada na LME foi meteórica. O presidente Lory Takarada, ao ver o teste de Kyoko, ficou boquiaberto. Não era apenas talento bruto; era uma técnica refinada, uma presença de palco que rivalizava com veteranos.

Naquela noite, no novo apartamento de Kyoko em Tóquio — um lugar que Ren insistira em ajudar a mobiliar para garantir sua segurança —, o aroma de nikujaga e arroz fresco preenchia o ar.

Cozinhar era a linguagem de amor de Kyoko. Ela se movia pela cozinha com uma graça quase coreografada, enquanto Ren a observava sentado à mesa, desabotoando os primeiros botões da camisa após um longo dia de filmagens.

— O cheiro está maravilhoso, Kyoko — disse Ren, levantando-se e caminhando até ela.

Ele a abraçou por trás, circulando a cintura dela com os braços e apoiando o queixo em seu ombro. Kyoko inclinou a cabeça para trás, aproveitando o calor dele.

— É o seu favorito — disse ela com um sorriso doce. — Você trabalhou muito hoje. Ouvi dizer que as cenas de ação foram intensas.

— Foram — admitiu Ren, apertando-a um pouco mais. — Mas tudo o que eu conseguia pensar era em voltar para casa. Para você.

Ele virou-a em seus braços, forçando-a a olhar para ele. A possessividade nos olhos de Ren era clara, mas Kyoko a recebia com prazer. Ela se sentia segura, valorizada e, acima de tudo, amada.

— Eu soube que Sho Fuwa chegou a Tóquio hoje — disse Ren, o tom de voz caindo uma oitava, tornando-se perigosamente frio.

Kyoko sentiu um arrepio, mas não de medo. Ela tocou o rosto de Ren, suavizando a linha dura de sua mandíbula.

— Deixe-o vir — disse ela com confiança. — Ele vai encontrar uma Kyoko que ele nunca conheceu. Uma Kyoko que não vive para servi-lo, mas para brilhar mais do que ele jamais sonhou. E ele vai ver que eu pertenço a você.

Ren inclinou-se, roçando os lábios nos dela.

— Você é minha, Kyoko. Nesta vida, na vida passada e em qualquer outra que venha.

— E você é meu — respondeu ela, selando a promessa com um beijo que carregava o peso de dois tempos diferentes.


Semanas depois, o primeiro grande papel de Kyoko foi anunciado. Ela não seria uma figurante. Ela havia conseguido o papel de antagonista em um drama de alto orçamento, uma personagem complexa que exigia uma dualidade que poucas atrizes de sua idade física conseguiriam entregar.

No dia da coletiva de imprensa, o destino pregou sua peça habitual. Sho Fuwa estava lá, promovendo seu novo single. Quando ele viu Kyoko, seu queixo caiu. Ela não estava vestindo o uniforme escolar surrado ou o avental do Ryokan. Ela usava um vestido vermelho elegante, seus cabelos pretos estavam perfeitamente estilizados e sua postura exalava uma aura de realeza.

— Kyoko? — Sho exclamou, tentando se aproximar dela nos bastidores. — O que você está fazendo aqui? Como você...

Kyoko parou e olhou para ele. Não havia ódio em seus olhos, apenas uma indiferença gelada que doeu mais do que qualquer grito.

— Eu estou trabalhando, Sho-san — disse ela, a voz clara e profissional.

— Trabalhando? Você é uma empregada! Você deveria estar me apoiando! — Sho tentou segurar o pulso dela, mas antes que pudesse tocar um centímetro de sua pele, uma mão grande e firme interceptou o movimento.

Ren Tsuruga surgiu das sombras, sua presença dominando o corredor instantaneamente. Ele não estava sorrindo.

— Eu sugiro que você mantenha as mãos longe da minha colega de elenco — disse Ren, sua voz soando como um trovão contido.

Sho recuou, intimidado pela estatura e pela aura intimidadora do ator número um do Japão.

— Tsuruga-san? Você conhece essa garota? — perguntou Sho, confuso.

— Eu a conheço melhor do que qualquer pessoa no mundo — respondeu Ren, dando um passo à frente, colocando-se protetoramente entre Kyoko e Sho. — E se você se atrever a incomodá-la novamente, eu pessoalmente garantirei que sua carreira em Tóquio seja muito curta.

Sho empalideceu e, sem dizer mais nada, afastou-se apressadamente.

Kyoko suspirou, sentindo a tensão deixar seus ombros. Ela se encostou no peito de Ren, sentindo a batida forte do coração dele.

— Você foi um pouco assustador agora — comentou ela, com um brilho divertido nos olhos.

— Eu não suporto a ideia de ele tocando em você — admitiu Ren, envolvendo-a em um abraço rápido antes que alguém pudesse ver. — Especialmente depois de tudo o que ele fez você passar na outra linha do tempo.

— Aquela Kyoko não existe mais, Ren — disse ela, pegando a mão dele e entrelaçando seus dedos. — Agora, existe apenas a Kyoko que atua ao seu lado. E a Kyoko que vai preparar um jantar incrível para comemorar nossa primeira coletiva juntos.

Ren sorriu, beijando a testa dela.

— Mal posso esperar por ambos.

Eles caminharam em direção ao palco, prontos para enfrentar os flashes e as perguntas. Eles tinham a vantagem do tempo, o poder da experiência e, acima de tudo, um amor que havia sobrevivido até mesmo à morte. O mundo do entretenimento japonês não sabia o que o esperava, mas Ren e Kyoko estavam prontos para reescrever o roteiro de suas vidas, uma cena perfeita de cada vez.

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