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irmãos?

Fandom: harry potter

Criado: 02/08/2026

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Entre o Sangue e a Escolha

A luz do entardecer filtrava-se pelas janelas altas da Sala Comum da Sonserina, banhando as paredes de pedra com um tom esverdeado e sombrio. Julia Malfoy estava sentada em uma das poltronas de couro, com um livro de Transfiguração aberto no colo, mas seus olhos não focavam nas palavras. Sua mente estava longe, vagando pelos corredores do castelo onde, mais cedo, ela havia compartilhado um riso discreto com Hermione Granger na biblioteca.

O silêncio da sala foi quebrado pelo som brusco da porta de pedra se abrindo. Draco entrou, jogando sua bolsa de estudos no chão com um estalo seco. Seu rosto estava pálido de raiva, os olhos cinzas faiscando sob a luz das lamparinas de prata.

— Você perdeu o juízo, Julia? — a voz de Draco ecoou, carregada de um veneno que ele costumava reservar apenas para Harry Potter.

Julia fechou o livro lentamente, mantendo a postura impecável que Narcisa lhe ensinara desde o berço.

— Não sei do que você está falando, Draco. E, por favor, abaixe o tom. Não estamos na Mansão.

— Eu vi você — ele sibilou, aproximando-se da irmã. — Vi você conversando com a Sangue-ruim na biblioteca. E depois, no pátio, rindo com o Cicatriz e o traidor de sangue do Weasley. Você tem noção do que o papai faria se soubesse disso?

Julia levantou-se, sustentando o olhar do irmão. Embora fossem gêmeos, havia uma abismo de convicção que os separava.

— O papai não está aqui. E Harry e os outros são meus amigos, Draco. Eles me tratam com mais respeito do que metade das pessoas nesta casa, que só se aproximam de nós por causa do nosso ouro.

Draco soltou uma risada amarga, balançando a cabeça.

— Amigos? Eles nos odeiam! Eles odeiam tudo o que representamos. Você está sendo usada, Julia. Eles querem atingir o papai através de você.

— Talvez eles simplesmente vejam em mim alguém que não é uma cópia carbono das crenças arcaicas da nossa família — rebateu ela, a voz firme apesar do aperto no peito. — Você devia tentar, Draco. A vida é muito mais do que pureza de sangue.

— Você vai se arrepender disso — ele avisou, a voz agora baixa e perigosa. — Quando o Lorde das Trevas retornar, e ele vai retornar, não haverá lugar para traidores. Nem mesmo para os que carregam o nome Malfoy.

Sem esperar resposta, Draco subiu as escadas para os dormitórios masculinos, deixando Julia sozinha com o eco de suas palavras. O medo era uma sombra constante em sua vida, mas ela se recusava a deixar que ele ditasse suas ações.

Precisando de ar, Julia saiu da Sala Comum. O castelo estava mais silencioso àquela hora, a maioria dos alunos já se recolhendo para o jantar. Ela caminhou sem rumo até chegar à Torre do Relógio, onde o vento frio da noite soprava, trazendo o cheiro de grama úmida e liberdade.

— Achei que encontraria você aqui.

A voz era profunda, calma e instantaneamente trouxe um sorriso aos lábios de Julia. Ela se virou para ver Cedrico Diggory parado na entrada da torre. Ele usava o cachecol amarelo e preto da Lufa-Lufa, e seus cabelos castanhos estavam levemente bagunçados pelo vento.

— Você anda me seguindo, Diggory? — perguntou ela, o sarcasmo Malfoy suavizado por uma doçura genuína.

— Apenas garantindo que a sonserina mais teimosa de Hogwarts não se meta em confusão — ele brincou, aproximando-se e encostando-se no parapeito ao lado dela. — Você parece preocupada. Foi o Draco de novo?

Julia suspirou, olhando para o horizonte escuro onde a Floresta Proibida se estendia.

— Ele não entende, Cedrico. Ele acha que estou traindo a família. Para ele, o mundo é dividido entre "nós" e "eles".

Cedrico cobriu a mão de Julia com a dele. O calor do toque dele era um contraste gritante com a frieza que ela sentia dentro da própria casa.

— O mundo é muito maior do que as divisões que os nossos pais criaram — disse ele suavemente. — Você provou isso no momento em que estendeu a mão para o Harry no primeiro ano.

— Eu só não aguentava ver o Draco sendo tão arrogante — admitiu ela com um meio sorriso. — Mas Harry é... ele é especial. Ele carrega um peso que ninguém deveria carregar. E Hermione e Rony são a família que ele escolheu. Eu queria fazer parte de algo assim. Algo real.

Cedrico olhou para ela com uma admiração que fazia o coração de Julia acelerar.

— Você já faz parte, Julia. E você tem a mim.

— Minha família nunca aceitaria você — sussurrou ela, a realidade batendo à porta. — Um lufano? Meu pai teria um acesso de fúria. E se souberem que você é... bom, que você não compartilha da ideologia deles...

— Deixe que eles se preocupem com o que quiserem — interrompeu Cedrico, aproximando-se mais, o rosto a poucos centímetros do dela. — Eu não me importo com o que Lucius Malfoy pensa. Eu me importo com o que você sente.

Julia sentiu as lágrimas ameaçarem cair, mas as segurou. Ela era uma Malfoy, afinal, treinada para esconder fraquezas. Mas com Cedrico, ela não precisava de máscaras.

— Eu gosto de você, Cedrico. De verdade.

— Eu também gosto de você, Julia. Mais do que deveria, provavelmente.

O momento foi interrompido pelo som de passos apressados. Eles se afastaram rapidamente quando Harry, Rony e Hermione apareceram na entrada da torre, parecendo ofegantes.

— Julia! — exclamou Hermione, aproximando-se. — Estávamos procurando por você. Snape está de mau humor hoje, tirou dez pontos da Grifinória só porque o Rony respirou muito alto.

— O que não é novidade — resmungou Rony, parando ao ver Cedrico. — Ah, olá, Diggory.

— Olá, pessoal — cumprimentou Cedrico com um aceno amigável. — Eu já estava de saída. Vejo você amanhã, Julia?

— Com certeza — respondeu ela, observando-o descer as escadas antes de se voltar para os amigos. — O que aconteceu de verdade? Vocês não viriam até aqui só para reclamar do Snape.

Harry deu um passo à frente, sua expressão tornando-se séria. A cicatriz em sua testa parecia mais nítida sob a luz da lua.

— Julia, o Sirius mandou uma mensagem. As coisas estão ficando estranhas lá fora. O Ministério está negando tudo, mas há desaparecimentos. Pessoas de sangue puro que não concordam com... você sabe quem.

Julia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela sabia o que aquilo significava. Seu pai tinha estado tenso, recebendo visitas tarde da noite na Mansão durante as férias.

— Vocês acham que ele está voltando? — perguntou ela em voz baixa.

— Temos certeza — disse Harry firmemente. — E Julia... se ele voltar, sua família vai estar no centro de tudo.

— Eu sei — respondeu ela, sentindo o peso do mundo em seus ombros. — Draco já está falando sobre isso. Ele parece... animado. E isso me assusta mais do que qualquer coisa.

Hermione colocou a mão no ombro da amiga, oferecendo o apoio silencioso que Julia tanto precisava.

— Você não é como eles, Julia. Você provou isso mil vezes.

— Mas eles são meu sangue, Hermione — disse Julia, a voz embargada. — Como eu escolho entre as pessoas que me criaram e o que é certo?

— Às vezes — disse Rony, com uma sabedoria incomum —, o que é certo é justamente o que nos afasta de onde viemos. Minha família é ótima, mas se eles começassem a apoiar Você-Sabe-Quem, eu não pensaria duas vezes em cair fora.

Julia olhou para os três. O menino que sobreviveu, a bruxa mais brilhante de sua idade e o amigo mais leal que alguém poderia ter. E, em algum lugar nas escadas, o rapaz que fazia seu coração vibrar.

— Eu não vou deixar que eles me transformem em algo que não sou — prometeu ela, mais para si mesma do que para eles. — Se uma guerra está chegando, eu já sei de que lado vou estar.

— Do nosso lado — afirmou Harry com um sorriso encorajador.

— Sempre — concordou Julia.

Naquela noite, Julia retornou ao dormitório da Sonserina sentindo-se mais forte, mas também mais consciente do perigo que a cercava. Ao passar pelo salão comunal, viu o Professor Snape parado junto à lareira, observando as chamas verdes com seu olhar impenetrável.

— Senhorita Malfoy — a voz dele era fria e arrastada, como sempre.

— Professor Snape — respondeu ela, parando por respeito.

Snape virou-se lentamente, suas vestes negras parecendo absorver a pouca luz do ambiente. Ele a estudou por um longo momento, seus olhos negros parecendo ler sua alma.

— Seu pai me enviou uma coruja. Ele está preocupado com suas... associações recentes.

Julia sentiu o estômago dar um nó, mas manteve a cabeça erguida.

— Meu pai se preocupa com muitas coisas, professor. Nem todas elas merecem sua atenção.

Um lampejo de algo que poderia ser respeito, ou talvez apenas curiosidade, cruzou o rosto de Snape.

— Cuidado, Julia. O caminho da retidão é frequentemente o mais solitário. E nesta casa, a solidão pode ser fatal.

— Eu não estou sozinha, professor — rebateu ela suavemente.

— Veremos — disse Snape, voltando-se para o fogo. — Veremos quando as luzes se apagarem.

Julia subiu para seu quarto, o coração batendo forte. Ela sabia que Snape, de alguma forma, entendia o conflito que ela vivia. Ele mesmo era um homem de segredos, vivendo entre dois mundos.

Ao se deitar, Julia fechou os olhos e pensou em Cedrico, no sorriso de Harry e na determinação de Hermione. Ela pensou na Mansão Malfoy, com seus jardins impecáveis e sua atmosfera sufocante de superioridade. O sobrenome Malfoy era uma corrente, mas ela estava começando a perceber que tinha a chave para se libertar.

A guerra estava no horizonte, e as linhagens de sangue seriam testadas como nunca antes. Julia Malfoy, a garota que não se encaixava, sabia que sua verdadeira história estava apenas começando. Ela não seria apenas uma peça no tabuleiro de seu pai ou de Voldemort. Ela seria a arquiteta de seu próprio destino, mesmo que isso significasse quebrar o coração de sua mãe e enfrentar o ódio de seu irmão.

Porque, no final, não era o sangue que corria em suas veias que definia sua grandeza, mas sim as escolhas que ela fazia quando o mundo mergulhava na escuridão. E Julia já havia escolhido a luz.

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