Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Amor e odio

Fandom: The house of Dragon

Criado: 03/08/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaFantasiaSombrioLinguagem ExplícitaCenário CanônicoCiúmesMenção de Incesto
Índice

O Fogo que Consome o Gelo

A Fortaleza Vermelha sempre pareceu pequena demais para abrigar dois dragões que se detestavam com a mesma intensidade com que se desejavam. Para Esther Targaryen, o ar de Porto Real era pesado, impregnado com o cheiro de incenso, traição e o perfume metálico do sangue que parecia pairar sobre sua família.

Ela caminhava pelos corredores de pedra com a confiança de quem sabia que cada curva de seu corpo era uma arma e cada olhar azul profundo era uma sentença. Seus cabelos pretos, uma herança de seu pai que desafiava a linhagem valiriana de Rhaenyra, caíam em ondas luxuosas sobre seus ombros pálidos. Esther não era apenas uma princesa; ela era uma provocação viva.

Ao dobrar o corredor que levava à biblioteca real, ela o viu.

Aemond Targaryen estava parado junto a uma janela, a silhueta alta e esguia recortada contra a luz do entardecer. O tapa-olho de couro parecia uma cicatriz de guerra permanente em seu rosto de traços finos e cruéis. Ele não se virou quando ela se aproximou, mas Esther sentiu a tensão emanar dele como o calor de uma fornalha.

— Você está no meu caminho, tio — disse ela, a voz carregada de um deboche melífluo.

Aemond virou-se lentamente. O único olho visível, de um lilás tão claro que parecia gelo, percorreu o corpo de Esther com um desprezo que ela sabia ser falso. Ele parou nos lábios dela, vermelhos e convidativos, antes de subir para os olhos azuis que o desafiavam.

— O castelo é grande, Esther — respondeu ele, a voz rouca e baixa. — Mas você parece ter um talento especial para encontrar exatamente o lugar onde eu estou.

Esther soltou uma risada curta, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dele. O cheiro de Aemond — couro, pergaminho e o aroma selvagem de Vhagar — a atingiu em cheio.

— Talvez eu goste de ver você tentar manter essa postura de príncipe perfeito enquanto morre de vontade de me estrangular — ela sussurrou, aproximando-se tanto que seus seios fartos quase roçaram o peito dele.

Aemond agarrou o braço dela com força, os dedos cravando-se na pele de porcelana.

— Estrangular você é apenas a segunda coisa na minha lista de prioridades hoje — sibilou ele.

Eles se odiavam. O ódio nascera anos atrás, alimentado por insultos de infância e a rivalidade sangrenta entre suas mães. Mas tudo havia mudado naquela noite, após o banquete de retorno de Rhaenyra, quando um beijo roubado nos jardins se transformou em uma descoberta violenta. O ódio não desaparecera; ele apenas encontrara uma nova forma de se expressar.

Aemond a puxou rudemente para dentro de uma alcova escondida por uma tapeçaria pesada que retratava a conquista de Aegon. O espaço era pequeno, escuro e abafado. Assim que as sombras os envolveram, a máscara de civilidade caiu.

Ele a prensou contra a parede de pedra fria, as mãos subindo para o pescoço dela, não para apertar, mas para forçar sua cabeça para trás. Esther não recuou. Pelo contrário, ela arqueou o corpo, oferecendo-se ao toque violento dele, seus olhos brilhando com um desafio lascivo.

— Você é uma abominação — murmurou Aemond, antes de esmagar os lábios dele contra os dela.

O beijo não tinha ternura. Era uma batalha. Esther mordeu o lábio inferior dele até sentir o gosto de ferro, enquanto suas mãos se enterravam nos cabelos platinados de Aemond, puxando-os com força. Ele soltou um rosnado baixo, uma mão descendo para apertar a cintura curvilínea dela, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus corpos através das camadas de seda e couro.

— E você é um monstro, Aemond — arfou ela entre os beijos, a voz trêmula de luxúria. — Um monstro que não consegue ficar longe de mim.

— Cale a boca — ordenou ele, a voz falhando enquanto descia os beijos pelo pescoço pálido dela, deixando marcas vermelhas que Esther teria que esconder com joias no dia seguinte.

O sexo entre eles era sempre assim: uma guerra onde ninguém buscava rendição, apenas a destruição mútua. Aemond a tratava com uma possessividade brutal, como se estivesse tentando reivindicar um território que nunca seria seu por direito. Esther, por sua vez, usava seu corpo para desarmá-lo, para provar que, apesar de toda a sua disciplina e treinamento com a espada, ele era escravo dos desejos que ela despertava.

Na penumbra da alcova, as roupas foram afastadas com pressa desesperada. O toque dele era áspero, as mãos grandes mapeando cada curva de Esther com uma urgência que beirava o ódio. Quando ele a possuiu, foi com um impacto que arrancou um gemido alto dela, um som que ele abafou com a palma da mão sobre sua boca.

— Olhe para mim — comandou Aemond, o olho fixo nos dela.

Esther olhou. Ela viu a dor, a raiva e a necessidade absoluta que ele tentava esconder sob a fachada de príncipe de sangue frio. E ela sorriu, um sorriso pequeno e cruel, mesmo enquanto suas unhas cravavam nas costas dele.

— Você me odeia — afirmou ela, a voz abafada contra a mão dele.

— Com cada fibra do meu ser — respondeu ele, aumentando o ritmo, o suor brilhando em sua pele clara.

— Ótimo — sussurrou Esther. — Porque eu sinto o mesmo.

O clímax veio como uma explosão de fogo valiriano, deixando ambos exaustos e trêmulos. Por alguns segundos, o silêncio na alcova foi preenchido apenas pelo som de suas respirações pesadas e descompassadas. Aemond encostou a testa na dela, os olhos fechados, a vulnerabilidade momentânea que ele nunca se permitiria mostrar à luz do dia.

Mas, como sempre acontecia, a conexão se quebrou tão rápido quanto surgira.

Aemond se afastou primeiro. Ele começou a ajustar suas roupas com uma eficiência mecânica, o rosto voltando a ser uma máscara de indiferença glacial. Não houve carícias pós-coito, não houve palavras doces.

Esther recompôs seu vestido de seda escura, ajeitando os cabelos pretos com os dedos trêmulos. Ela limpou o canto da boca onde o batom vermelho estava borrado e olhou para Aemond. Ele já estava pronto para sair, a mão no punho da espada, o olhar voltado para a saída da alcova.

— Se alguém vir essas marcas no seu pescoço... — começou Aemond, sem olhar para ela.

— Direi que foi um gato de rua — interrompeu Esther, recuperando seu tom debochado. — Um animal selvagem que não sabe o seu lugar.

Aemond virou o rosto apenas o suficiente para que ela visse o brilho de ódio em seu olho.

— Cuidado, princesa. Gatos de rua costumam ter garras mais afiadas do que você imagina.

— E dragões costumam se queimar quando brincam com fogo que não podem controlar — retrucou ela.

Sem dizer mais uma palavra, Aemond afastou a tapeçaria e saiu para o corredor, desaparecendo nas sombras como se nunca tivesse estado ali.

Esther esperou alguns minutos, deixando o coração desacelerar. Ela sentia o corpo dolorido, o calor dele ainda presente em sua pele, mas sua mente já estava erguendo as barreiras novamente. Quando saiu da alcova, ela era novamente a filha perfeita de Rhaenyra, a princesa com o sorriso de morango e o coração de gelo.

Ao caminhar em direção aos seus aposentos, ela cruzou com Sor Criston Cole. O cavaleiro a olhou com desconfiança, mas Esther apenas lhe deu um aceno de cabeça elegante e um olhar de superioridade.

Naquela noite, durante o jantar, ela se sentou à mesa em frente a Aemond. Ele estava conversando com o irmão, Aegon, fingindo total desinteresse pela presença dela. Esther, por sua vez, ria das piadas de Jacaerys, agindo como se o encontro na alcova tivesse sido apenas um sonho feio.

Mas, por baixo da mesa, os olhos deles se encontraram por um breve segundo. Não havia amor, não havia promessas. Havia apenas a promessa de que, na próxima vez, a destruição seria ainda mais profunda.

— Você parece distraída, Esther — comentou Rhaenyra, tocando a mão da filha com preocupação. — Está se sentindo bem?

Esther olhou para a mãe e depois desviou o olhar para Aemond, que levava uma taça de vinho aos lábios com uma calma irritante.

— Estou perfeitamente bem, mãe — respondeu Esther, o sorriso brilhando como uma lâmina. — Apenas pensando em como Porto Real pode ser um lugar... estimulante.

Aemond quase engasgou com o vinho, um pequeno sinal de que ela o atingira. Esther sentiu uma onda de satisfação percorrer seu corpo. O jogo continuava, e enquanto o ódio fosse o combustível, o fogo entre eles nunca se apagaria. Eles eram amantes pelo segredo, inimigos pelo sangue e estranhos por escolha. E, para Esther Targaryen, essa era a única maneira de sobreviver à dança dos dragões.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic