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Oliver!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 03/08/2026

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O Lápis Quebrado e o Silêncio de Papel

A escuridão na Paper School nunca foi algo que assustasse Oliver. Geralmente, ele era o motivo pelo qual os outros alunos tinham medo do escuro, escondendo-se nos corredores com Zip e Edward para pregar peças ou simplesmente para atormentar quem fosse azarado o suficiente para cruzar seu caminho. Mas, naquele momento, a escuridão parecia diferente. Ela não era sua aliada; era uma parede sólida e fria que o cercava.

Oliver sentiu a consciência retornar aos poucos, como se estivesse emergindo de um balde de água gelada. A primeira coisa que percebeu foi a dormência em seus pulsos. A segunda foi o gosto áspero e seco de tecido em sua boca.

Seus olhos se abriram abruptamente. Ele tentou levar as mãos ao rosto para esfregar os olhos, mas seus braços não se moveram. Um pânico súbito, como uma descarga elétrica, percorreu sua espinha. Oliver sacudiu o corpo com força, apenas para sentir a pressão das cordas cortando sua pele através da camisa preta.

— Mmmph! Mmm-mmph! — O som saiu abafado, preso pelo pano vermelho firmemente amarrado em sua boca.

Ele estava preso a uma cadeira de madeira pesada. Suas pernas, cobertas pelas meias brancas até o joelho, estavam atadas às pernas do móvel. O rabo de cavalo longo, que chegava aos seus tornozelos, estava espalhado pelo chão como uma serpente albina sem vida. Oliver tentou forçar os músculos, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo pulsar conforme sua pressão arterial subia. Ele estava irritado, furioso, mas, acima de tudo, aterrorizado.

Ele olhou para o lado esquerdo, esperando usar sua maior vantagem. Seu braço de lápis, a ferramenta que ele usava para desenhar, escrever e, às vezes, machucar, estava inutilizado. Alguém tivera o cuidado cruel de enrolar voltas e mais voltas de corda de nylon ao redor da haste de madeira e do grafite, prendendo-o firmemente ao braço da cadeira.

— Mmmph! — Ele tentou gritar novamente, a voz morrendo na garganta.

Oliver começou a se debater violentamente. A cadeira rangeu contra o chão de concreto, produzindo um som estridente que ecoou pelo vazio do lugar. Ele tentou morder o pano, tentou usar os dentes para puxá-lo para baixo, mas o nó atrás de sua cabeça estava apertado demais. Cada movimento fazia as cordas apertarem mais. O suor começou a brotar em sua testa, fazendo a mecha arrepiada no topo de sua cabeça murchar levemente.

Onde estavam Zip e Edward? Isso era uma brincadeira deles? Não, eles não iriam tão longe. Eles eram cúmplices, não inimigos. O pensamento de que um dos professores — talvez Miss Circle ou Miss Bloomie — o tivesse pego cruzou sua mente, mas elas costumavam ser mais... diretas em suas punições. Isso aqui parecia um jogo psicológico.

Oliver parou de se debater por um segundo, o peito subindo e descendo rapidamente sob a camisa de gola listrada. O silêncio do lugar era absoluto, exceto pelo som de sua própria respiração pesada através do nariz. Seus olhos vagaram pela escuridão, tentando distinguir qualquer forma.

Foi então que ele ouviu.

Um som suave. O deslizar de algo sobre o papel. Risc, risc, risc.

Oliver congelou. O som vinha de algum lugar à sua frente, oculto pelas sombras densas. Ele tentou emitir um som, um pedido de ajuda, mas o que saiu foi um lamento baixo e trêmulo. As lágrimas, que ele tentava segurar por puro orgulho, começaram a arder nos cantos de seus olhos. O grande e travesso Oliver, o garoto que comia sabonete como se fosse doce e ria do infortúnio alheio, estava agora reduzido a uma vítima indefesa.

— Mmm... — Ele soltou um som abafado, quase um sussurro, sentindo que estava sendo observado.

As sombras pareceram se mover. Oliver forçou a visão, e por um breve momento, ele viu o brilho de algo metálico. Um compasso? Uma tesoura?

— Finalmente acordou — uma voz distorcida e baixa ecoou pelo ambiente, impossível de identificar. — Você faz muito barulho para alguém que gosta tanto de silenciar os outros, Oliver.

Oliver arregalou os olhos. Ele tentou falar, tentou dizer que aquilo não tinha graça, mas o pano vermelho apenas absorvia suas palavras inúteis. Ele tentou rasgar as cordas novamente, o braço de lápis rangendo contra a madeira, mas a resistência era total.

— Não adianta — continuou a voz, aproximando-se. — Eu usei nós de marinheiro. Quanto mais você puxa, mais o lápis se prende. Seria uma pena se ele quebrasse, não seria? Um artista sem sua ferramenta... ou um valentão sem sua arma.

O medo de Oliver se transformou em puro desespero. Ele começou a balançar a cabeça freneticamente, o laço preto em seu cabelo balançando de um lado para o outro. Ele queria seu sabonete. Queria a segurança da sala de aula, mesmo com os perigos habituais. Qualquer coisa era melhor do que estar amarrado naquela escuridão.

— Mmmph! Mmmph! — Ele implorou com os olhos, as lágrimas agora rolando livremente e manchando suas bochechas.

A figura deu um passo para a luz fraca que vinha de cima. Oliver não conseguiu ver o rosto, apenas a silhueta de alguém segurando uma folha de papel com uma nota baixa escrita em vermelho. Um "F" grande e sangrento.

— Sabe, Oliver — a figura disse, circulando a cadeira —, a Paper School tem regras. Você gosta de quebrá-las. Mas hoje, você é quem está sendo testado.

A figura parou atrás dele. Oliver sentiu um toque frio em seus chifres pretos. Ele estremeceu, um som abafado e agudo escapando por trás da mordaça. Ele nunca se sentira tão vulnerável. Sua força, sua atitude, tudo parecia ter sumido, restando apenas um garoto de cabelos brancos preso em uma armadilha de sombras.

— O que foi? — A voz zombou, inclinando-se perto de seu ouvido. — Onde está aquele sorriso arrogante? Onde estão as piadas com a Zip?

Oliver fechou os olhos com força, soluçando contra o pano vermelho. O tecido estava ficando úmido. Ele só queria que aquilo acabasse. Ele tentou mais uma vez, com toda a força que lhe restava, chutar as pernas da cadeira, mas a pessoa colocou a mão firmemente em seu ombro, prendendo-o no lugar.

— Fique quieto. A aula ainda não terminou.

O som de um lápis riscando o papel recomeçou, mas desta vez, o som vinha de trás dele. Oliver sentiu algo sendo escrito em suas costas, ou talvez na própria cadeira. O pavor de não saber o que estava acontecendo era pior do que qualquer dor física.

— Mmm-mmph... — ele murmurou, um som baixo, quase como um lamento por socorro que ele sabia que ninguém ouviria.

Naquele momento, Oliver percebeu que a escola não era apenas feita de papel e tinta. Era feita de consequências. E ele estava prestes a aprender a lição mais difícil de sua vida, amordaçado e sozinho na escuridão que ele mesmo ajudara a criar.

— Por favor... — ele tentou articular, mas apenas o silêncio e o som do grafite no papel responderam.

A figura se afastou novamente para as sombras, deixando Oliver sozinho com seus soluços abafados e o peso das cordas. A marca de "A+" em seu cabelo parecia agora uma piada cruel, um lembrete de uma perfeição que ele nunca possuiu de verdade. Ele continuou ali, amarrado, esperando por um sinal, por uma luz, ou apenas pelo fim daquele pesadelo de papel.

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