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Fandom: Nenhum

Criado: 04/08/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoHistória DomésticaMenção de Incesto
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Entre o Silêncio e o Balbucio

O sol da tarde filtrava-se pelas janelas amplas da cobertura de Emanuel, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. O estúdio de tatuagem particular dele, nos fundos do apartamento, estava silencioso por um momento, mas a sala de estar era o cenário de um contraste vibrante. Emanuel, com seus vinte e cinco anos e a postura de quem carrega o peso de um império sob a pele marcada por tinta, observava a cena com um misto de adoração e exaustão.

No tapete felpudo, o dualismo de sua vida estava personificado. De um lado, Sara, com seus cabelos loiros impecavelmente escovados e um conjunto de seda justo que realçava cada curva de seu corpo escultural, tentava ensinar Ágata a posar para uma foto. Ágata, aos doze meses, já possuía o olhar audaz da mãe e o mesmo sorriso que parecia dizer que o mundo lhe pertencia.

Do outro lado, sentada de forma recatada e envolta em um cardigã de tom creme, Eduarda ninava Maya. A bebê, de cabelos castanhos e olhos expressivos, escondia o rosto no pescoço de Eduarda, buscando o refúgio que só a doçura daquela mulher de vinte anos parecia proporcionar.

— Ela precisa aprender a encarar a câmera, Eduarda — comentou Sara, ajeitando o batom enquanto olhava para a filha menor. — Ágata já sabe onde é a luz. Mas a Maya... parece que quer sumir dentro de você.

Eduarda sorriu timidamente, apertando Maya um pouco mais contra o peito. A bebê soltou um suspiro manhoso, agarrando a blusa de Eduarda com as mãozinhas pequenas.

— Ela só é sensível, Sara — defendeu Eduarda com sua voz suave, quase um sussurro. — Ela gosta do silêncio. Não é, meu amor?

— "Sensível" é apelido para "manhosa demais" — Sara revirou os olhos, mas não havia maldade em seu tom, apenas uma incompreensão genuína. — Às vezes eu olho para a Maya e me pergunto se ela realmente saiu de mim. Ela é a sua cara, Duda. O jeito, a calma... até essa mania de ficar quieta quando o clima esquenta.

Emanuel aproximou-se, as mãos nos bolsos da calça escura. Ele parou atrás de Eduarda, deixando uma mão pousar pesadamente, mas com carinho, sobre o ombro dela. O toque era um porto seguro, mas seus olhos encontraram os de Sara, reconhecendo a energia vibrante que ela trazia para a casa.

— Elas são o equilíbrio, Sara — disse Emanuel, sua voz grave ressoando no ambiente. — Ágata tem a sua força. Maya tem a paz da Duda.

— Ma-mã! — Maya balbuciou, esticando os bracinhos para Eduarda, ignorando completamente a presença do pai ou da mãe biológica.

Sara soltou uma risada curta, cruzando as pernas.

— Viu só? Ela já decidiu quem é a autoridade no quesito carinho. Para a Ágata, a Duda é a "tia". Para a Maya, você é a mãe que entende os dramas dela.

Eduarda corou instantaneamente. O termo "mamãe" vindo de Maya era o bálsamo para suas inseguranças, mas também um lembrete constante do segredo que a sufocava. Ela olhou para Emanuel, implorando silenciosamente para que ele não tocasse no assunto proibido. Mas Emanuel estava em um dia difícil. O estresse de gerenciar estúdios em três continentes diferentes e a pressão de manter sua vida pessoal sob um véu de mistério estavam começando a rachar sua paciência.

— Ela chama a Eduarda de mãe porque é assim que deve ser — Emanuel disse, a rigidez voltando à sua postura. — E seria muito mais fácil se pudéssemos parar com esse teatro lá fora.

Eduarda sentiu um frio na espinha. Ela se encolheu levemente, o que fez Maya reclamar com um choro baixo.

— Emanuel, por favor... — Eduarda murmurou. — Agora não.

— Agora não quando, Eduarda? — Ele se afastou, começando a andar de um lado para o outro. — Suas tias ligaram de novo. Querem saber por que você passa tanto tempo "ajudando o seu primo com as filhas". Eu odeio mentir. Eu odeio essa palavra. "Primo".

— Mas é o que somos para o resto do mundo — ela disse, as lágrimas começando a embaçar seus olhos castanhos. — Se eles souberem... se souberem de nós três, e que somos primos... eles nunca vão entender. Eles vão me odiar.

Sara observava a cena com uma sobrancelha erguida. Ela não tinha paciência para o drama familiar de Eduarda, mas respeitava a dor da outra. Para Sara, a vida era simples: você quer, você faz, você lida com as consequências. Mas ela sabia que Eduarda não era feita de aço como ela.

— Querido, deixe a menina — Sara interveio, levantando-se e caminhando até Emanuel. Ela tocou o braço dele, uma tentativa de ancorar sua irritação. — A Duda tem o tempo dela. A família dela é conservadora, você sabe disso. Nem todo mundo tem o privilégio de não dar a mínima para a opinião alheia, como eu.

— Eu não me importo com a opinião deles — Emanuel rebateu, olhando fixamente para Eduarda. — Eu me importo com o fato de que eu sinto que estou escondendo a parte mais importante da minha vida como se fosse um crime. Eu amo você, Eduarda. E amo a Sara. Por que isso tem que ser um segredo sujo?

— Não é sujo! — Eduarda exclamou, levantando-se com Maya no colo. A bebê começou a chorar mais alto, sentindo a agitação da "mãe". — É só... complicado. Eu não tenho a força da Sara. Eu não consigo bater de frente com a minha mãe e dizer que estou vivendo um trisal com o meu primo e a mulher dele.

— "Mulher dele" não — Sara corrigiu com uma piscadela, tentando aliviar a tensão. — Nós somos um time, lembra? E eu sou a capitã da parte estética.

Eduarda deu um sorriso fraco, mas o tremor em suas mãos não passou despercebido por Emanuel. Ele suspirou, a raiva evaporando para dar lugar àquela proteção instintiva que ele sempre sentia por ela. Ele se aproximou e envolveu as duas — Eduarda e Maya — em um abraço apertado.

— Tudo bem — ele sussurrou contra o cabelo de Eduarda. — Mas não pode ser para sempre. Eu quero poder te levar aos eventos do estúdio como minha mulher, não como a babá ou a prima que quebra o galho.

— Eu sei — Eduarda respondeu, encostando a cabeça no peito dele. — Só me dá mais um pouco de tempo.

Enquanto isso, Ágata, sentindo-se ignorada, engatinhou até a perna de Sara e puxou o tecido fino de sua calça.

— Mã! — a pequena loira exigiu, apontando para um brinquedo brilhante do outro lado da sala.

— Essa sim é das minhas — Sara riu, pegando a filha no colo e enchendo-a de beijos ruidosos, o que fez a bebê dar gargalhadas altas. — Nada de choramingo, não é, Ágata? Se a gente quer algo, a gente grita e consegue.

A dinâmica da sala mudou novamente. O conflito foi guardado em uma gaveta, como sempre acontecia, para ser reaberto em outro momento de estresse. Emanuel observava as duas mulheres de sua vida. Sara, a explosão de cor, confiança e pragmatismo. Eduarda, a calmaria, a sensibilidade e o porto seguro emocional.

Mais tarde, após o jantar, o apartamento mergulhou em uma paz relativa. As gêmeas finalmente dormiam em seus berços no quarto decorado com tons de cinza e rosa. Sara estava no banho, provavelmente usando todos os cremes caros que Emanuel comprava para ela, e Eduarda estava na biblioteca, cercada por livros de História da Arte, tentando se concentrar em um ensaio para a faculdade.

Emanuel entrou na sala em silêncio e sentou-se ao lado dela.

— Desculpe por ter pressionado você mais cedo — ele disse, fechando o notebook dela com cuidado.

Eduarda olhou para ele, os olhos cansados.

— Eu entendo o seu lado, Emanuel. De verdade. Eu me sinto covarde às vezes. Vejo a Sara, tão dona de si, e me sinto pequena.

— Você não é pequena, Duda. Você é o que mantém a gente nos eixos. Se fôssemos só eu e a Sara, esta casa seria um campo de batalha constante. Você é a suavidade que a gente precisa. A Maya precisa disso. Eu preciso disso.

— Ela é tão parecida comigo, não é? — Eduarda sorriu, pensando na bebê. — Às vezes eu tenho medo por ela. O mundo pode ser muito cruel com quem sente demais.

— Ela vai ter a Ágata para protegê-la — Emanuel comentou, com um meio sorriso. — E vai ter a Sara para ensinar ela a morder de volta se for preciso. Mas, acima de tudo, ela tem você para ensinar que não há problema nenhum em ser doce.

Eduarda inclinou-se para ele, buscando o conforto de seus braços. Emanuel a segurou com firmeza, sentindo a fragilidade dela e a força que aquela fragilidade exercia sobre ele.

— O que você acha que a sua mãe diria se visse a gente agora? — ela perguntou em um sussurro.

— Minha tia? — Emanuel soltou uma risada seca. — Ela provavelmente tentaria me exorcizar e depois pediria uma porcentagem dos lucros do estúdio.

Eduarda riu, um som cristalino que sempre acalmava o coração dele.

— Você é terrível.

— Eu sou prático. Como a Sara diz, a vida é curta demais para se preocupar com quem não paga nossas contas.

Nesse momento, Sara apareceu na porta, usando um roupão de seda vermelha, os cabelos úmidos e um olhar predador.

— O momento sentimental acabou? — ela perguntou, encostando-se no batente da porta. — Porque eu estou entediada e o vinho que você abriu é excelente, Emanuel.

— Já estamos indo — Emanuel respondeu, estendendo a outra mão para Sara.

Ela caminhou até eles, sentando-se do outro lado de Emanuel. Ali, os três formavam um círculo fechado. O mundo exterior, com seus julgamentos, suas regras de parentesco e seus conceitos de moralidade, parecia a quilômetros de distância.

— Sabe, Duda — Sara disse, pegando uma mecha do cabelo castanho da outra e enrolando no dedo —, eu estava pensando sobre o batizado das meninas. Meus pais vêm, e eles não dão a mínima para nada. Mas se a sua família for, a gente pode dizer que você é a madrinha oficial. Assim ninguém desconfia de nada, e você ainda fica com o título que merece.

— Madrinha? — Eduarda ponderou. — É uma boa ideia.

— É uma solução temporária — Emanuel resmungou, mas não discutiu.

— Tudo na vida é temporário, querido — Sara filosofou, dando um beijo no rosto de Emanuel e depois, surpreendentemente, um beijo na testa de Eduarda. — Menos o fato de que essas duas crianças vão dar um trabalho infernal quando crescerem. Ágata vai querer mandar no mundo e Maya vai chorar porque uma borboleta morreu. E nós vamos estar aqui, os três, para lidar com isso.

Eduarda sentiu uma onda de gratidão. Ela sabia que sua posição naquela casa era única. Ela não era a esposa oficial perante a lei, nem a mulher que desfilava com Emanuel nos tapetes vermelhos, mas ela era o coração. Ela era a "mamãe" de Maya, a confidente de Emanuel e, de uma forma estranha e moderna, a irmã de alma que Sara nunca soube que queria.

— Eu amo vocês — Eduarda disse, sua voz ganhando uma firmeza rara.

— Nós sabemos, pequena — Emanuel respondeu, apertando a mão das duas. — Nós também amamos você.

A noite caiu sobre a cidade, e dentro daquele apartamento, o amor se manifestava em suas formas mais complexas e puras. Entre o silêncio sensível de Eduarda e a vibração intensa de Sara, Emanuel encontrava seu equilíbrio. Eles eram uma família fora dos padrões, um segredo guardado a sete chaves, mas, acima de tudo, eram um refúgio.

Enquanto as gêmeas dormiam, sonhando com mundos diferentes — um de luzes e aplausos, outro de nuvens e abraços —, os três adultos compartilhavam o peso e a beleza da escolha que haviam feito. O futuro traria confrontos, as tias de Eduarda eventualmente descobririam a verdade e o escândalo poderia bater à porta. Mas, por enquanto, o calor daquela união era o suficiente para manter qualquer tempestade do lado de fora.

— Amanhã — começou Sara, quebrando o silêncio — eu vou levar a Ágata para o estúdio. Ela precisa começar a se acostumar com o barulho das máquinas.

— E eu vou levar a Maya ao parque — disse Eduarda. — Ela gosta de ver os patos no lago.

Emanuel sorriu, fechando os olhos por um instante.

— E eu vou trabalhar para sustentar os luxos da Sara e os livros da Duda. Parece um plano perfeito.

E, de fato, para eles, era.

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