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É só chegar nela

Fandom: Alien stage

Criado: 04/08/2026

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RomanceDramaAngústiaFatias de VidaEstudo de PersonagemCiúmesDor/ConfortoFofuraCenário CanônicoLinguagem Explícita
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Ecos de Giz e Mentiras Doces

O sinal da terceira aula tocou, rasgando o silêncio do corredor do Colégio Anakt com a sutileza de uma serra elétrica. Para a maioria, era apenas o aviso de que a tortura da matemática havia acabado, mas para Mizi, era o momento perfeito para afundar o rosto na mesa e fingir que o resto do mundo não existia.

Ela ajeitou as mechas rosa e azul que caíam sobre os olhos dourados e soltou um suspiro pesado. Mizi era, sem sombra de dúvida, a garota mais comentada do terceiro ano. Não era apenas pela beleza que fazia o pescoço de qualquer um estalar ao vê-la passar, ou pela voz que, mesmo em um simples "bom dia", parecia carregar uma carga de sedução involuntária que deixava as pessoas sem ar. Era o conjunto da obra: a postura relaxada, o sarcasmo afiado e o fato de que ela não dava a mínima para 99% das coisas.

— Se você babar no meu caderno de novo, eu juro que conto pra Lexy que você sonha com a "estranha da frente" — uma voz sussurrada e provocativa soou ao seu lado.

Mizi nem precisou abrir os olhos para saber que era Ivan. O garoto estava sentado ao seu lado, como sempre, desde o primeiro ano. Ele era a única pessoa que realmente a conhecia. E, por extensão, ela era a única que sabia que, por trás daquela fachada de "garoto social" de cabelos pretos e pele pálida, Ivan era um completo sem noção viciado em açúcar.

— Cala a boca, Ivan — Mizi resmungou, a voz saindo abafada pela manga do uniforme. — A Lexy é legal. E ela beija bem pra cacete.

— É, e você olha pra ela como se estivesse assistindo um documentário sobre o ciclo de vida dos fungos — Ivan rebateu, abrindo um pacote de balas de goma debaixo da carteira. — Você é uma péssima mentirosa, sabia?

Mizi levantou a cabeça, lançando-lhe um olhar que teria derretido qualquer outra pessoa, mas que em Ivan só provocava um sorriso de canto.

— Eu não sou mentirosa. Eu só... estou aproveitando o que o mercado oferece — ela disse, usando uma gíria que aprendeu no TikTok, antes de seus olhos vagarem involuntariamente para o outro lado da sala.

Lá, no canto esquerdo, o mundo parecia girar em uma frequência diferente. Sua estava sentada na frente de Luka, com a cabeça baixa sobre um livro de poesia que parecia pesado demais para sua estrutura pequena. A franja preta escondia os olhos roxos, e a palidez de sua pele a fazia parecer quase etérea sob as luzes fluorescentes da sala.

Mizi sentiu aquele aperto familiar no peito. Sua era... complicada. Ela era melancólica, fria com quem não conhecia e carregava uma aura de "eu me odeio" que Mizi morria de vontade de desmantelar com um abraço. O problema? Elas nunca tinham trocado mais do que um "com licença".

— Ela nem sabe que você existe, Mizi — Ivan comentou, seguindo o olhar da amiga enquanto mastigava uma bala verde. — E o Till me odeia. Estamos no mesmo barco de merda.

— O Till não te odeia, Ivan. Ele só quer te matar — Mizi ironizou, voltando sua atenção para o amigo. — Também, você é um jumento. Tinha que ter acertado a bola logo na cara dele? Na frente da garota que ele gostava? No primeiro ano?

— Foi um acidente! — Ivan exclamou um pouco alto demais, atraindo alguns olhares. — Eu só fui devolver a bola. A física não colaborou comigo naquele dia.

Do outro lado da sala, o grupo dos quatro parecia alheio ao drama da dupla popular. Hyuna, com seus cabelos marrons e olhos azuis vibrantes, estava debruçada sobre a mesa de Till, contando alguma piada que fazia o garoto de cabelos cinzas revirar os olhos, embora um sorriso contido ameaçasse aparecer.

Till era a personificação da rebeldia adolescente. Cabelo bagunçado, fones de ouvido sempre no pescoço e uma carranca permanente que gritava "não me toque". Ele era o melhor amigo de Hyuna, a única que conseguia lidar com o temperamento explosivo do emo revoltado.

— Cara, você precisa relaxar — Hyuna disse, dando um tapa amigável no ombro de Till. — Se você continuar com essa cara de quem comeu limão mofado, vai ter um derrame antes dos dezoito.

— O mundo é um lixo, Hyuna — Till resmungou, ajustando a postura. — E esse lugar fede a desinfetante barato e desespero. Além disso, aquele idiota do Ivan não para de olhar pra cá. O que ele quer? Perder os dentes de novo?

Luka, que estava sentado ao lado de Sua, levantou os olhos amarelos por trás dos óculos. Ele era o mais alto do grupo, o nerd que falava como se estivesse prestes a defender uma tese de doutorado.

— A probabilidade de um confronto físico resultar em benefício para qualquer uma das partes é estatisticamente irrelevante, Till — Luka disse, a voz calma e formal. — Além disso, a Mizi parece estar em um estado de letargia contemplativa. É fascinante como a popularidade dela não condiz com a falta de energia que ela apresenta em sala.

Sua, que até então estava em silêncio, finalmente se manifestou, sem tirar os olhos do livro.

— Ela é bonita — a voz de Sua era baixa, quase um sussurro melancólico. — Pessoas bonitas podem se dar ao luxo de não fazer nada. O mundo simplesmente perdoa elas.

Hyuna olhou para a amiga com uma pitada de tristeza. Ela sabia o quanto a autoestima de Sua era um terreno acidentado.

— Você também é linda, Sua. Só precisa parar de se esconder atrás dessa franja e desses livros depressivos.

— Eu sou um desastre, Hyuna. Não começa — Sua cortou, fechando o livro com um estalo seco.

Enquanto isso, na "zona leste" da sala, a porta se abriu e Lexy entrou. Ela era o oposto de Sua: vibrante, com seus olhos de pupilas vermelhas e uma energia que preenchia o espaço. Ela caminhou direto para a mesa de Mizi e depositou um beijo rápido na bochecha da garota.

— Oi, linda. Vamos almoçar juntas? — Lexy perguntou, passando a mão pelos cabelos coloridos de Mizi.

Mizi forçou o seu melhor sorriso de "garota descolada", aquele que ela usava para esconder o fato de que seu coração não batia nem um milímetro mais rápido com a presença de Lexy.

— Claro, Lex. Onde você quiser — Mizi respondeu, sua voz sedutora saindo no piloto automático.

Ivan, ao lado, fez uma careta de quem ia vomitar, mas rapidamente disfarçou quando Lexy olhou para ele.

— E aí, Ivan? Ainda comendo açúcar no café da manhã? — Lexy provocou.

— É o que mantém meu cérebro funcionando, diferente de algumas pessoas que vivem de luz e beijos — Ivan retribuiu a provocação, embora houvesse um tom de amargura que só Mizi captava.

Ele olhou de relance para Till. O garoto de cabelos cinzas estava observando a interação com um desprezo mal disfarçado. Ivan sentiu aquela pontada no estômago. Ele queria falar com Till, queria pedir desculpas (de novo) pelo incidente do basquete, mas o orgulho e a falta de noção sempre falavam mais alto.

— Mizi, você viu o que o professor de artes passou? — Ivan perguntou, tentando mudar de assunto e falhando miseravelmente em parecer casual.

— Sei lá, Ivan. Eu tava dormindo, você sabe — Mizi respondeu, levantando-se e pegando sua mochila. — Vamos, Lexy. Se eu ficar aqui mais cinco minutos, eu vou entrar em combustão espontânea de tédio.

Enquanto Mizi e Lexy saíam da sala, Mizi não conseguiu evitar. Ela olhou para trás. Por apenas um segundo, seus olhos dourados encontraram os olhos roxos de Sua. Foi um flash, um momento suspenso no tempo onde o sarcasmo de Mizi e a melancolia de Sua pareceram se reconhecer.

Sua desviou o olhar imediatamente, sentindo o rosto esquentar. Mizi, por sua vez, sentiu um nó na garganta.

— Porra... — Mizi sussurrou para si mesma.

— Disse algo, amor? — Lexy perguntou, entrelaçando seus dedos aos de Mizi no corredor.

— Nada. Só pensando que o terceiro ano vai ser longo pra caralho — Mizi respondeu, soltando uma risada seca que não chegou aos olhos.

No fundo da sala, Till observava a porta por onde o "duo dinâmico" tinha saído.

— Aqueles dois se acham os donos da escola — Till rosnou, pegando sua mochila com força. — A Mizi com esse jeito de quem faz um favor pro mundo por existir, e o Ivan... aquele imbecil.

— Você tem uma obsessão muito estranha com o "imbecil", Till — Hyuna comentou, levantando-se e esticando os braços. — Vamos comer. Luka, Sua, vocês vêm?

— Eu preciso passar na biblioteca para devolver este volume de antologias — Luka informou, ajustando os óculos. — Mas encontrarei vocês no refeitório em exatamente sete minutos.

Sua apenas acenou com a cabeça, seguindo Hyuna e Till. Ela caminhava de cabeça baixa, observando os próprios pés, sentindo-se pequena e invisível. Ela não entendia por que alguém como Mizi, que tinha o mundo aos seus pés e uma namorada linda, olharia para alguém como ela. Devia ter sido impressão. Tinha que ter sido.

O refeitório estava o caos de sempre. Mizi e Ivan estavam em uma mesa central, cercados por algumas pessoas que tentavam desesperadamente fazer parte do círculo social deles, embora Mizi respondesse apenas com monossílabos sarcásticos.

— Você tá fazendo de novo — Ivan murmurou, cutucando a costela de Mizi com o cotovelo.

— O quê? — Mizi perguntou, fingindo desinteresse enquanto mexia na salada.

— Olhando pra porta esperando a "nuvenzinha cinza" entrar. Desiste, Mizi. Ela é de outro planeta. O planeta dos esquisitos que leem no escuro.

— E você é do planeta dos idiotas que não sabem mirar uma bola, mas olha só, a gente ainda é amigo — Mizi rebateu, fazendo Ivan calar a boca com um biquinho ofendido. — Eu não tô olhando pra porta. Tô só... observando a arquitetura medíocre deste lugar.

— Sei. E eu sou o próximo rei da Inglaterra — Ivan debochou, jogando uma bala na boca.

Quando o grupo de Hyuna entrou no refeitório, o ar pareceu mudar para Mizi. Ela viu Sua se sentar em uma mesa afastada, o mais longe possível do barulho. Viu Till discutindo com Hyuna por causa de um sanduíche, e Luka chegando logo depois com a precisão de um relógio suíço.

Mizi suspirou, sentindo o peso da máscara que carregava. Ser a "Mizi perfeita" era exaustivo quando tudo o que ela queria era atravessar aquele salão, sentar ao lado da garota pálida de olhos roxos e perguntar qual era o poema que a fazia ficar tão triste.

Mas ela não faria isso. Não hoje. Talvez nunca.

— Ei, Mizi! — Lexy chamou, chamando sua atenção para uma fofoca qualquer sobre alguém do segundo ano.

— Fala, sou toda ouvidos — Mizi mentiu, colocando o queixo na mão e exibindo aquele olhar sedutor que desarmava qualquer um, enquanto, por dentro, ela só queria fechar os olhos e dormir até o fim do semestre.

O terceiro ano estava apenas começando, e o abismo entre o lado direito e o lado esquerdo da sala de aula parecia cada vez mais profundo, cheio de palavras não ditas, bolas de basquete mal arremessadas e suspiros escondidos atrás de livros de poesia.

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