
Homem Aranha
Fandom: Marvel
Criado: 04/08/2026
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Gênios, Deuses e uma Garota Teimosa
O complexo dos Vingadores era, em teoria, o lugar mais seguro e tecnologicamente avançado do planeta. Para Kuro Hatake, no entanto, parecia o paraíso. Ele caminhava pelos corredores de vidro e metal polido tentando manter a compostura, mas seus olhos castanhos brilhavam com uma excitação quase infantil. Aos 17 anos, com seu físico atlético esculpido por meses de acrobacias urbanas e um metabolismo acelerado, Kuro era a imagem da vitalidade. O cabelo branco curto e repicado balançava a cada passo apressado que ele dava.
— Dá para você fechar a boca, Hatake? Vai acabar entrando uma mosca robótica do Stark aí dentro — provocou Tatsuyo Nakamura, caminhando logo atrás dele com os braços cruzados.
Tatsuyo era o oposto do caos vibrante que Kuro emanava. Com sua pele parda, traços asiáticos delicados e longos cabelos pretos que caíam como seda pelas costas, ela parecia a calmaria antes da tempestade. Mas por trás daqueles olhos pretos profundos, operava uma mente que rivalizava com os maiores intelectos do mundo. Ela não tinha superpoderes, mas sua capacidade de processar variáveis físicas e hackear sistemas complexos em segundos a tornava a parceira indispensável do Homem-Aranha.
Kuro parou de repente, virando-se para ela com um sorriso malicioso e brincalhão, aquele jeito "engraçadinho" que sempre fazia o coração de Tatsuyo errar uma batida, embora ela jamais admitisse.
— Qual é, Tatsu! Olha onde a gente está! — Ele gesticulou para as janelas que mostravam o quinjet estacionado. — O Tony me chamou. O Tony Stark! E o Banner também. Eu sou basicamente um Vingador agora, admite.
Tatsuyo revirou os olhos, ajustando os óculos que costumava usar quando estava em "modo trabalho".
— Ele te chamou porque precisa de alguém com força proporcional à de uma aranha para segurar uma peça de contenção de energia gama que está instável. Você é o operário de luxo deles hoje, Kuro.
— E você? — Kuro deu um passo para mais perto dela, diminuindo a distância entre seus 1,80m e os 1,63m dela. Ele baixou a voz, assumindo aquele tom levemente atrevido que a deixava desconcertada. — Você nem foi convidada. O Sr. Stark disse que era uma missão solo. Por que não conseguiu ficar longe de mim? Sentiu saudade do meu tanquinho sob o uniforme?
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar, mas não recuou. Ela o encarou com firmeza, apesar de seu coração estar martelando contra as costelas.
— Alguém precisa garantir que você não exploda o estado de Nova York por causa de um erro de cálculo básico. E, para sua informação, eu estou aqui pela ciência. Seus músculos são apenas um efeito colateral aceitável da sua mutação.
Kuro soltou uma risada anasalada, prestes a retrucar com algo ainda mais ousado, quando as portas automáticas do laboratório principal se abriram.
— O casal vai continuar discutindo a relação no corredor ou vão entrar para ajudar os adultos? — A voz metálica e irônica de Tony Stark ecoou pelo ambiente.
Kuro quase saltou de susto, endireitando a postura imediatamente. Ao entrar, ele sentiu suas pernas fraquejarem por um segundo. Não era apenas Tony. No centro da sala, cercados por hologramas e equipamentos de ponta, estavam todos. Steve Rogers conversava em um canto com Natasha Romanoff; Clint Barton checava algumas flechas em uma bancada lateral; e Thor, em toda a sua glória asgardiana, ria de algo que Bruce Banner dizia enquanto o cientista ajustava um monitor.
— Santo Deus... são todos eles — sussurrou Kuro, os olhos arregalados. — Tatsu, o Thor é ainda maior de perto. Você acha que ele me deixa segurar o martelo?
— Se você tentar, vai quebrar o pulso e o chão do complexo — respondeu ela, embora também estivesse impressionada, mantendo sua fachada de indiferença intelectual.
Tony Stark se aproximou, olhando de Kuro para Tatsuyo com uma sobrancelha levantada.
— Garoto, eu me lembro de ter dito para vir sozinho. Segurança nacional, sigilo absoluto, blá blá blá. Quem é a acompanhante?
Antes que Kuro pudesse gaguejar uma desculpa, Tatsuyo deu um passo à frente, sem se deixar intimidar pelo bilionário.
— Tatsuyo Nakamura. E, com todo o respeito, Sr. Stark, o seu algoritmo de criptografia de canal duplo para a comunicação do traje do Kuro tem um delay de 0,4 milissegundos em áreas de alta interferência eletromagnética. Eu o corrigi ontem à noite enquanto comia pizza.
O laboratório ficou em silêncio por um momento. Bruce Banner levantou a cabeça, interessado. Tony piscou, processando a informação, e então olhou para os próprios hologramas.
— O delay de 0,4? — Tony murmurou, deslizando os dedos pelo ar para abrir uma linha de código. — Eu achei que fosse interferência atmosférica...
— É a ressonância harmônica da bateria de íons — continuou Tatsuyo, aproximando-se da mesa de Banner como se pertencesse àquele lugar. — Se você ajustar a frequência de saída, o atraso desaparece.
Banner sorriu, ajustando os óculos.
— Ela tem razão, Tony. Eu mencionei isso na terça-feira.
— É, mas você não é uma adolescente de 17 anos que parece ter saído de um comercial de computadores — retrucou Tony, finalmente sorrindo. — Tudo bem, ela fica. Gostei dela. Ela é como você, Bruce, só que com cabelos melhores.
Kuro observava a cena boquiaberto. Ele amava Tatsuyo, e ver a garota que ele admirava em segredo colocar Tony Stark em seu devido lugar era a coisa mais atraente que ele já tinha visto.
— Viu só? — Kuro se aproximou dela, sussurrando em seu ouvido. — Eu disse que você era um gênio. Agora, tenta não me fazer parecer muito burro na frente do Capitão América, ok?
Tatsuyo deu um leve empurrão no ombro dele, mas um pequeno sorriso brincou em seus lábios.
— Vou tentar, mas você não facilita as coisas, Kuro.
As horas seguintes foram uma mistura de trabalho intenso e o puro êxtase de Kuro. Enquanto ele usava sua força para estabilizar o núcleo de contenção que Stark e Banner estavam manipulando, Tatsuyo sentou-se diante de um console, assumindo o controle dos sistemas de monitoramento. Ela não lutava fisicamente, mas era os olhos e ouvidos de Kuro. Através do link neural que ela mesma havia aprimorado no traje dele, ela podia ver o que ele via e ouvir o que ele ouvia.
— Kuro, a pressão no braço esquerdo está subindo — avisou ela pelo comunicador, embora estivesse a apenas cinco metros de distância. — Compense o torque ou a peça vai ceder.
— Entendido, patroa — respondeu Kuro, os músculos dos braços saltando sob a pele branca enquanto ele exercia força bruta. Ele olhou para ela por cima do ombro e piscou. — Está olhando para os meus bíceps de novo, Nakamura?
— Estou olhando para os sensores de pressão, Hatake. Mantenha o foco — ela rebateu, mas seu coração disparou quando viu uma gota de suor escorrer pela têmpora dele.
Steve Rogers, que observava o trabalho de perto, aproximou-se de Tatsuyo.
— Vocês formam uma boa equipe — comentou o Capitão, com aquele tom de voz calmo que inspirava confiança. — Ele confia a vida dele a você, não confia?
Tatsuyo hesitou, olhando para a tela onde os sinais vitais de Kuro brilhavam em verde.
— Ele é imprudente, Capitão. Alguém tem que garantir que ele volte para casa inteiro.
— Não foi isso que eu perguntei — disse Steve com um sorriso sábio.
Tatsuyo desviou o olhar, voltando para os códigos. Ela amava Kuro. Amava o jeito que ele sempre tentava fazê-la rir, a forma como ele protegia os fracos sem hesitar e, sim, até mesmo o jeito tarado e exibicionista que ele tinha às vezes. Mas admitir isso parecia mais perigoso do que enfrentar um exército de alienígenas.
De repente, um alarme soou no laboratório.
— O núcleo está entrando em colapso! — gritou Banner. — A contenção magnética falhou!
— Kuro, saia daí! — Tony gritou, mas Kuro já estava agindo.
— Se eu soltar agora, a explosão leva o laboratório inteiro! — Kuro exclamou, firmando os pés no chão, o tanquinho ficando rígido sob a tensão extrema. — Tatsu! O que eu faço?
Os dedos de Tatsuyo voaram pelo teclado. Sua mente de gênio processava milhões de possibilidades em segundos.
— Kuro, ouça a minha voz — disse ela, sua voz soando firme e fria, o tom de comando que ela usava em missões. — Tony, preciso que você inverta a polaridade do reator de arco do laboratório. Agora! Bruce, mude o gás de resfriamento para o duto sete. Kuro, você precisa segurar isso por exatamente doze segundos. Se você soltar um milímetro antes, a gente morre. Se segurar um segundo a mais, a radiação vai fritar suas células.
— Doze segundos? — Kuro rangeu os dentes, o esforço fazendo suas veias saltarem no pescoço. — Eu aguento até cem por você, gatinha!
— Não seja idiota! — gritou ela, o medo transparecendo pela primeira vez. — Apenas conte!
Um... dois... três...
O laboratório tremia. Os Vingadores estavam em posição, prontos para agir se a contenção falhasse, mas naquele momento, tudo dependia do garoto com força de aranha e da menina com mente de deusa.
Dez... onze... doze!
— AGORA! — Tatsuyo gritou.
Kuro soltou o núcleo e saltou para trás com uma pirueta acrobática enquanto Tony e Banner selavam a câmara de vácuo. Um clarão de luz azul preencheu a sala, seguido por um silêncio absoluto.
Kuro caiu de joelhos, ofegante, o cabelo branco grudado na testa pelo suor. Antes que ele pudesse dizer qualquer piadinha, sentiu um corpo pequeno e firme colidir contra o seu. Tatsuyo o abraçou com tanta força que ele quase perdeu o ar novamente.
— Nunca mais... — ela murmurou contra o peito dele, a voz embargada. — Nunca mais me assuste assim, seu idiota.
Kuro ficou paralisado por um segundo, surpreso com a demonstração pública de afeto, mas logo relaxou, envolvendo-a em seus braços musculosos. Ele sentiu o cheiro de baunilha do cabelo dela e fechou os olhos, aproveitando o momento.
— Ei... eu disse que não ia a lugar nenhum — ele sussurrou, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos pretos dela. — Você me salvou. De novo.
Eles ficaram ali, perdidos no olhar um do outro, esquecendo por um momento que estavam em uma sala cheia de heróis lendários. Kuro sentiu aquela vontade avassaladora de beijá-la, de finalmente confessar tudo o que sentia.
— Cof, cof — Tony Stark limpou a garganta, interrompendo o momento. — Ótimo trabalho, equipe Júnior. Realmente impressionante. Mas se vocês forem começar a se pegar, eu sugiro o lounge. Tem sofás mais confortáveis e menos radiação gama.
Tatsuyo empurrou Kuro imediatamente, o rosto agora de um tom vermelho vibrante.
— Nós não estávamos... eu só estava verificando se ele tinha sofrido danos cerebrais! — exclamou ela, tentando recuperar a compostura.
— E sofreu? — perguntou Clint, rindo lá do fundo.
— Mais do que o normal? Difícil dizer — respondeu ela, voltando para seu computador, embora suas mãos ainda tremessem levemente.
Kuro se levantou, limpando a poeira das calças, o sorriso atrevido de volta ao rosto. Ele olhou para os Vingadores, sentindo-se, pela primeira vez, como se realmente fizesse parte de algo maior.
— Bom, se o Sr. Stark está oferecendo o lounge... — Kuro piscou para Tatsuyo. — O que me diz, Tatsu? A gente pode ir lá e eu te mostro como meu batimento cardíaco fica acelerado quando você está por perto. Pela ciência, é claro.
Tatsuyo soltou um suspiro longo, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Você é impossível, Kuro Hatake.
— Mas você me ama — ele afirmou, confiante.
Ela não respondeu com palavras, apenas caminhou em direção à saída, fazendo sinal para que ele a seguisse. Kuro olhou para Tony, Steve e os outros, que observavam a cena com diversão.
— Ela não disse "não"! — Kuro comemorou, saindo apressado atrás dela. — Vocês viram? Ela não disse não!
Enquanto os dois adolescentes saíam do laboratório, Tony Stark olhou para Bruce Banner.
— Sabe, Bruce... eles me lembram a gente.
— O gênio arrogante e o cara com problemas de força bruta? — Banner arqueou uma sobrancelha.
— Exatamente — Tony sorriu, voltando para seus hologramas. — O mundo está em boas mãos. Pelo menos até eles terminarem o ensino médio.
