
King K.rool e Diddy Kong
Fandom: Donkey kong
Criado: 04/08/2026
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O Trono de Escamas e o Castigo de Penas
A porta de metal pesado se fechou com um estrondo que ecoou pelas paredes de pedra polida, selando o destino de dois inimigos improváveis. Não era uma masmorra úmida ou uma cela de tortura; era, inexplicavelmente, uma sala de estar luxuosa, decorada com tapetes de pele de animal, poltronas de veludo carmesim e uma lareira que estalava hipnoticamente.
King K. Rool, o monarca dos Kremlings, rosnou, as escamas de seu pescoço eriçadas de fúria. Ele golpeou a porta com seu punho maciço, mas o mecanismo de tranca mágica — uma última peça de tecnologia experimental de sua própria frota que deu terrivelmente errado — não cedeu.
— Isso é um ultraje! — rugiu K. Rool, sua capa vermelha balançando enquanto ele se virava. — Eu sou o rei! Eu não fico trancado, eu tranco os outros!
Do outro lado da sala, encolhido em cima de uma mesa de mogno, Diddy Kong ajustava seu boné vermelho com mãos trêmulas. O pequeno primata olhava para o crocodilo gigante com uma mistura de pavor e desafio.
— Ei, a culpa não é minha se o seu navio resolveu trancar a gente aqui por três dias! — gritou Diddy, sua voz fina falhando um pouco. — O computador disse que é um "protocolo de mediação de conflitos". Três dias, K. Rool! Três dias sem bananas!
K. Rool soltou uma risada anasalada e fria, aproximando-se da lareira.
— Três dias sem bananas para você, primata. Para mim, serão três dias tendo que suportar o seu cheiro de macaco molhado.
O primeiro dia foi uma guerra de silêncio. K. Rool ocupou a maior poltrona, agindo como se Diddy nem existisse, enquanto o pequeno Kong saltava pelos móveis, tentando encontrar uma saída. No entanto, conforme as horas passavam, a fome e o cansaço começaram a cobrar seu preço. O sistema de automação da sala providenciava comida, mas apenas se ambos sentassem à mesa juntos.
— Eu não vou comer com você — declarou Diddy, cruzando os braços.
— Ótimo — respondeu K. Rool, embora seu estômago roncasse como um motor de barco. — Morra de fome. Assim terei paz.
Mas, ao cair da noite, o frio da sala aumentou. O sistema de aquecimento parecia exigir que os ocupantes estivessem próximos para ativar os sensores de calor. K. Rool, um réptil de sangue frio, começou a tremer visivelmente. Diddy, vendo o grande rei encolhido e bufando, sentiu uma pontada de algo que ele odiava admitir: pena.
— Ei... — Diddy se aproximou cautelosamente. — Se a gente não ficar perto, vamos congelar.
K. Rool olhou para o pequeno macaco com seu olho esbugalhado.
— Fique longe de mim, criatura insignificante.
— Deixe de ser teimoso! — Diddy pulou no braço da poltrona. — Você é grande, eu sou pequeno. Você tem escamas, eu tenho pelos. Se você me deixar ficar aqui, eu te ajudo a não virar um picolé de jacaré.
K. Rool suspirou, um som pesado que carregava anos de batalhas e derrotas. Ele estendeu o braço maciço e, com uma delicadeza que surpreendeu a ambos, puxou Diddy para perto de seu flanco.
— Se contar isso para o Donkey Kong — rosnou o Rei —, eu transformo você em um cinto.
No segundo dia, a dinâmica mudou. A convivência forçada começou a derreter as barreiras do ódio. K. Rool, desprovido de seu exército e de seus planos de dominação, começou a agir de forma estranhamente... paternal. Ele repreendia Diddy por não comer os vegetais que o sistema servia e insistia que o macaco limpasse a bagunça que fazia com as cascas de amendoim.
— Você é um desleixado — disse K. Rool, enquanto limpava uma mancha de suco do tapete. — Como o Donkey Kong espera que você seja um herói se você não consegue nem manter um quarto arrumado?
— Ah, qual é, "Papai K. Rool" — zombou Diddy, dando uma cambalhota. — Você está agindo como se fosse o dono da verdade.
K. Rool parou o que estava fazendo e olhou para Diddy. A expressão em seu rosto não era de raiva, mas de uma severidade cansada.
— Alguém precisa colocar ordem nessa sua energia caótica, pequeno Kong.
No entanto, a natureza travessa de Diddy não poderia ser contida por muito tempo. Na manhã do terceiro dia, o tédio atingiu seu ápice. Enquanto K. Rool tirava uma soneca real, roncando tão alto que as janelas vibravam, Diddy decidiu que seria uma ótima ideia "decorar" o rei.
Usando algumas tintas que encontrou em um armário de suprimentos artísticos da sala, Diddy pintou flores coloridas nas escamas das costas de K. Rool e amarrou fitas cor-de-rosa na ponta de sua cauda majestosa. Ele estava terminando de desenhar um rosto engraçado na barriga dourada do rei quando K. Rool despertou.
O rugido que se seguiu quase derrubou os quadros das paredes.
— O QUE VOCÊ FEZ?! — K. Rool olhou para seu reflexo em uma bandeja de prata, vendo as flores e as fitas. Sua face passou de verde para um tom de roxo de pura indignação.
— Foi só uma brincadeira! — Diddy riu, saltando para longe. — Você ficou muito mais bonito assim, Majestade!
— Brincadeira? — K. Rool se levantou, sua sombra cobrindo o pequeno macaco. — Você cruzou a linha, Diddy Kong. Você precisa aprender que ações têm consequências.
Diddy tentou correr para debaixo da mesa, mas K. Rool foi mais rápido. Com uma agilidade surpreendente para seu tamanho, o Rei Kremling agarrou Diddy pelo suspensório.
— Ei! Me solta! — Diddy esperneava, mas era como um inseto nas mãos de um gigante.
K. Rool sentou-se pesadamente no sofá de veludo e, com um movimento firme, colocou Diddy deitado de bruços sobre seus joelhos escamosos.
— Você acha que ser um herói significa que pode fazer o que quiser sem respeito? — K. Rool perguntou, sua voz baixa e autoritária.
— Foi só uma piada! — Diddy protestou, tentando se desvencilhar.
— Uma piada que desonra a coroa — disse K. Rool. — E como você se recusa a se comportar como um convidado, você será tratado como uma criança travessa.
K. Rool não usou de violência, mas sua força era absoluta. Ele simplesmente se acomodou, usando seu peso colossal de forma estratégica. Ele não esmagou Diddy, mas sentou-se de tal forma que o corpo do macaco ficou preso sob sua coxa e parte de seu quadril, imobilizando-o completamente contra a almofada do sofá.
— O quê? O que você está fazendo?! — Diddy gritou, abafado pelo estofado.
— Você está de castigo — anunciou K. Rool, pegando um livro que estava na mesa lateral. — E como você não consegue ficar parado, eu vou garantir que você não saia daí até que eu termine de ler este tratado sobre táticas navais.
— Você não pode me deixar aqui! — Diddy tentou empurrar, mas era como tentar mover uma montanha de músculos e escamas. — K. Rool, isso é humilhante!
— Humilhante foi eu acordar parecendo um jardim de infância, pequeno Kong — rebateu o rei, folheando a primeira página com indiferença. — Agora, silêncio. Ou eu sento com mais força.
Diddy resmungou, protestou e até tentou morder a perna do rei, mas as escamas de K. Rool eram duras como aço. Após uma hora de luta inútil, o cansaço venceu o macaco. O calor do corpo de K. Rool, apesar de ser um réptil, era constante e, de certa forma, reconfortante.
K. Rool, por sua vez, sentiu o pequeno corpo sob ele parar de lutar. Ele olhou para baixo e viu que Diddy havia finalmente sossegado, a respiração tornando-se rítmica. Um estranho sentimento de satisfação percorreu o peito do vilão. Não era a satisfação de conquistar uma ilha, mas algo mais simples. O controle. A ordem.
— Você tem potencial, Diddy — sussurrou K. Rool para a sala vazia, enquanto o macaco dormia sob seu peso. — Mas falta-lhe disciplina.
Pelas próximas horas, o Rei dos Kremlings permaneceu exatamente onde estava. Ele poderia ter se levantado, poderia ter trancado Diddy em um armário, mas preferiu mantê-lo ali, sob sua proteção autoritária. Pela primeira vez em anos, K. Rool não estava pensando em canhões laser ou em bananas roubadas. Ele estava apenas sendo o guardião de uma criatura que, por um breve momento, não era seu inimigo, mas sua responsabilidade.
Quando o cronômetro na porta finalmente chegou a zero e o som metálico da trava se abrindo ecoou, K. Rool se levantou lentamente. Diddy acordou assustado, caindo do sofá e recuperando o equilíbrio rapidamente.
— Acabou? — perguntou Diddy, olhando para a porta aberta e depois para o rei.
K. Rool limpou as fitas rosa de sua cauda com um gesto brusco, mas seus olhos não tinham a malícia de antes.
— Vá embora, macaco. Antes que eu mude de ideia e decida que o castigo deve durar mais uma semana.
Diddy correu para a porta, mas parou no limiar. Ele olhou para trás, vendo o grande rei parado no centro da sala, novamente solitário em sua majestade sombria.
— Ei, K. Rool! — gritou Diddy.
O rei ergueu uma sobrancelha.
— Da próxima vez... eu uso tintas laváveis.
Diddy Kong desapareceu pelo corredor com um grito de alegria. K. Rool soltou um suspiro longo, um meio sorriso surgindo em seus lábios reptilianos.
— Atrevido — resmungou o rei, ajeitando sua capa. — Exatamente como um Kong deve ser.
