
Entre o Calor e o Hábito
O som da chuva batendo contra a janela do quarto de Luiz era o único ruído que preenchia o silêncio carregado de eletricidade entre os dois. Lizanes estava sentado na beira da cama, os dedos nervosos brincando com a bainha da camiseta branca. O cabelo loiro médio, geralmente perfeitamente alinhado, estava levemente bagunçado, caindo sobre os olhos castanhos que evitavam, a todo custo, encarar o dono da casa.
Luiz, por outro lado, não tinha pressa. Ele estava encostado no batente da porta, observando Lizanes com uma intensidade que fazia o ar parecer mais denso. Com seus cabelos pretos desalinhados e os olhos castanhos tão escuros que pareciam poços de mistério, Luiz exalava uma confiança que beirava o perigo. Ele sabia exatamente o efeito que causava.
— Você vai ficar aí sentado o resto da noite ou vai admitir que veio aqui para a mesma coisa que eu? — Luiz perguntou, a voz rouca vibrando no peito.
Lizanes finalmente levantou o olhar, sentindo o rosto esquentar.
— Eu só... eu não sabia se você queria. Depois de ontem, achei que talvez estivesse cansado de mim.
Luiz soltou uma risada curta, dando um passo à frente. Ele cruzou o quarto com a graça de um predador, parando bem na frente de Lizanes.
— Cansado? — Luiz inclinou-se, apoiando as mãos nos joelhos de Lizanes, forçando-o a olhar para cima. — Eu passei o dia inteiro pensando no gosto da sua boca, loirinho.
Sem esperar por uma resposta, Luiz avançou. O beijo começou urgente, uma colisão de dentes e línguas que denunciava a fome acumulada de apenas algumas horas de distância. Lizanes soltou um suspiro baixo, as mãos subindo para agarrar os ombros largos de Luiz, sentindo a musculatura firme por baixo da camiseta preta. Luiz era, sem dúvida, o cara mais bonito e atraente que Lizanes já conhecera, e o fato de estar ali, entre as pernas dele, parecia um sonho perigoso.
Eles caíram para trás na cama, o peso de Luiz sendo um alento bem-vindo. As mãos de Luiz eram ágeis, subindo por baixo da camiseta de Lizanes, a pele fria encontrando o calor do abdômen do adolescente. Lizanes arqueou as costas, soltando um gemido contido contra os lábios de Luiz.
— Luiz... — sussurrou Lizanes, a respiração falha.
— Fala meu nome de novo — pediu Luiz, descendo os beijos para a linha da mandíbula de Lizanes, mordiscando o lóbulo da orelha dele. — Diz o quanto você me quer.
— Eu quero tudo — confessou Lizanes, a honestidade arrancada dele pelo prazer. — Quero você agora.
A partir dali, as roupas tornaram-se obstáculos desnecessários, descartadas rapidamente no chão de madeira. A pele branca de Lizanes brilhava sob a luz suave do abajur, contrastando com o tom mais bronzeado de Luiz. Havia uma harmonia estranha entre eles, um ritmo que haviam descoberto na última semana e que pareciam aperfeiçoar a cada encontro.
O sexo era intenso, uma mistura de desejo bruto e uma ternura que nenhum dos dois ousava nomear. Luiz movia-se com uma precisão que levava Lizanes à loucura, cada toque, cada estocada sendo calculada para extrair o máximo de prazer. Lizanes se perdia naqueles olhos escuros, sentindo-se a única pessoa no mundo enquanto Luiz o possuía.
Quando o ápice finalmente os atingiu, vieram os tremores e as respirações ofegantes, os corpos colados pelo suor e pela exaustão deliciosa. Luiz desabou ao lado de Lizanes, puxando-o para perto, o braço pesado descansando sobre a cintura do loiro.
Aquilo vinha acontecendo há sete dias. Uma semana inteira de visitas noturnas, de mensagens trocadas às pressas e de uma tensão constante que só era aliviada entre aqueles lençóis.
— No que você está pensando? — Luiz perguntou depois de um longo tempo, a voz agora suave, quase um murmúrio.
Lizanes virou a cabeça no travesseiro, observando o perfil perfeito de Luiz.
— No fato de que isso já dura uma semana — respondeu ele, passando a mão pelo cabelo preto de Luiz. — Eu não esperava que chegássemos a sete dias seguidos.
— E você quer que pare? — Luiz virou-se, encarando-o seriamente.
Lizanes hesitou por um segundo. A verdade era que ele estava começando a se sentir dependente daquele calor, daquela presença.
— Não — admitiu ele em voz baixa. — Eu não quero que pare. Mas... o que é isso, Luiz?
Luiz deu um sorriso de lado, aquele sorriso que sempre desarmava Lizanes.
— É o que a gente quiser que seja. Mas, por enquanto — ele se aproximou, selando os lábios nos de Lizanes novamente —, é o melhor jeito de passar as minhas noites.
Lizanes fechou os olhos, deixando-se levar. Ele sabia que estava se metendo em terreno perigoso, que o coração poderia sair machucado se aquilo fosse apenas um passatempo para Luiz. Mas, observando a forma como Luiz o segurava, como se ele fosse algo precioso, Lizanes decidiu que, pelo menos por aquela noite, e talvez pela próxima semana inteira, o risco valia a pena.
A chuva continuava a cair lá fora, mas dentro daquele quarto, o fogo entre o loiro e o moreno era a única coisa que importava.
— Fica aqui hoje? — Luiz pediu, algo vulnerável cruzando seus olhos castanhos escuros pela primeira vez.
— Eu não ia a lugar nenhum — respondeu Lizanes, aninhando-se no peito de Luiz, ouvindo as batidas ritmadas do coração dele.
Uma semana havia passado, e para Lizanes, era apenas o começo de algo que ele ainda não conseguia definir, mas que já não conseguia abandonar.
