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Fandom: Nenhum

Criado: 04/08/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoGravidez Não Planejada/IndesejadaEstudo de PersonagemRealismo
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Entre Tintas, Laços e Segredos

O sol de outono começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e violeta que pareciam saídos diretamente de um dos livros de História da Arte de Eduarda. A chácara da família de um dos amigos do grupo era imensa, cercada por um verde vibrante e o som constante de risadas que ecoavam da área da piscina. No entanto, Eduarda preferia o silêncio da varanda lateral.

Ela estava sentada em um banco de madeira, os pés descalços e delicados cruzados na altura dos tornozelos, uma posição que denunciava seus anos de prática como bailarina. Vestia um vestido de linho branco, leve e fluido, que contrastava com a pele clara e os cabelos castanhos que caíam em ondas naturais sobre os ombros. Ela observava o movimento à distância, sentindo-se, como sempre, um pouco deslocada daquela energia caótica do grupo.

— Você sempre foge do barulho, não é, Duda? — A voz era profunda, firme, e causou um arrepio imediato na espinha da garota.

Eduarda virou o rosto devagar, encontrando os olhos escuros e observadores de Emanuel. Ele estava encostado no batente da porta, segurando um copo de cristal com gelo. A camiseta preta simples marcava seus ombros largos e deixava à mostra as tatuagens que subiam pelo pescoço, obras de arte que ele mesmo havia projetado em seus estúdios renomados.

— Eu só... gosto de respirar um pouco — respondeu ela, com a voz suave e um sorriso tímido. — O pessoal é muito intenso.

Emanuel se aproximou, sentando-se ao lado dela. A presença dele era magnética e, para Eduarda, sempre trazia uma sensação estranha de segurança misturada com uma ansiedade que ela não sabia explicar. Ele a olhou de cima a baixo, não de forma invasiva, mas com aquele cuidado protetor que sempre demonstrava por ela.

— Você parece um pouco cansada. As aulas de ballet estão exigindo muito? — perguntou ele, a voz suavizando-se apenas para ela.

— Um pouco. Estamos ensaiando para o espetáculo de final de ano — ela confessou, brincando com a barra do vestido. — Mas eu amo. Ensinar as crianças me faz sentir que o mundo é mais simples.

Emanuel sorriu de canto, um gesto raro e contido. Ele sentia uma vontade quase incontrolável de passar a mão pelos cabelos dela, de protegê-la de qualquer aspereza que o mundo pudesse oferecer. Ele a via como uma joia rara, algo puro que ele queria guardar perto de si. Mas, ao mesmo tempo, seu coração batia forte por outra mulher.

— Emanuel! Amor, onde você se meteu? — O grito agudo e confiante veio de dentro da casa, seguido pelo som de saltos altos batendo contra o piso de madeira.

Sara apareceu na varanda como um furacão de cores e magnetismo. Ela usava um conjunto de seda rosa choque, extremamente justo, que realçava suas curvas generosas e o brilho característico de sua pele loira e bem cuidada. O silicone nos seios era evidente pelo decote profundo, e sua maquiagem estava impecável, mesmo para um final de tarde no campo.

— Ah, está aqui com a nossa pequena Duda — disse Sara, aproximando-se e passando o braço pelo pescoço de Emanuel com possessividade, mas sem agressividade. Ela olhou para Eduarda e sorriu abertamente. — Oi, querida! Você está linda nesse vestido, embora precise de um pouco mais de cor.

— Oi, Sara — Eduarda respondeu, sentindo-se instantaneamente menor diante da presença vibrante da outra. — Obrigada.

Sara não via Eduarda como uma ameaça. Para ela, a menina era como uma boneca de porcelana que Emanuel adorava admirar. E Sara, sendo a mulher prática e decidida que era, aceitava isso. Ela amava Emanuel, conhecia cada faceta do homem racional e controlador que ele era, e sabia que o coração dele era grande o suficiente para abrigar a intensidade dela e a delicadeza de Eduarda.

— Vamos lá para dentro agora — disse Sara, puxando Emanuel pela mão. — O pessoal já está reunido na sala. Temos o anúncio, lembra?

Emanuel olhou para Eduarda uma última vez antes de se levantar.

— Venha com a gente, Duda. Não fique aqui sozinha.

O grupo de amigos estava espalhado pelos sofás de couro da sala principal. Era um grupo eclético, mas Emanuel e Sara eram, sem dúvida, o centro das atenções. Ele, o tatuador milionário e sério; ela, a dona de lojas de roupas que não passava despercebida em lugar nenhum.

Emanuel pediu silêncio, sua voz cortando o burburinho com autoridade. Ele passou o braço pela cintura de Sara, puxando-a para perto de forma protetora, um gesto que ele repetia com frequência agora que o segredo queimava em seu peito.

— Pessoal, atenção — começou Emanuel, pigarreando. — A gente queria aproveitar que estamos todos juntos para dar uma notícia.

Sara, incapaz de conter a empolgação, interrompeu com um brilho vitorioso nos olhos.

— Eu estou grávida! Um mês já, gente! — Ela deu um gritinho, batendo palmas, enquanto o grupo explodia em comemorações, assobios e abraços.

Eduarda sentiu um baque no peito. Não era tristeza, era uma confusão de emoções. Ela ficou ali, no canto, sorrindo e aplaudindo, enquanto via Emanuel beijar a testa de Sara com uma ternura profunda. Ele parecia radiante, apesar da expressão séria habitual.

Depois que o caos inicial diminuiu, o grupo começou a se servir de vinho e petiscos. Sara, aproveitando um momento em que Emanuel falava com um dos sócios, aproximou-se de Eduarda, que estava perto da mesa de frios.

— É muita loucura, não é? — Sara perguntou, pegando um morango. — Eu mãe. Emanuel pai. Ele está surtando de preocupação, quer que eu pare de usar salto, acredita?

— Parabéns, Sara. De verdade — disse Eduarda, com sinceridade. — Vocês formam um casal lindo. O bebê vai ser muito amado.

Sara inclinou a cabeça, observando a timidez de Eduarda. Ela sabia o que Emanuel sentia pela menina. Ele havia confessado a ela em uma noite de chuva, meses atrás, enquanto estavam deitados na cama. "Eu amo você, Sara, você é minha vida. Mas a Eduarda... ela desperta algo em mim que eu não consigo explicar. É um cuidado, um encanto". E Sara, em vez de brigar, apenas sorriu e disse: "Eu sei, amor. Eu vejo como você olha para ela. E eu não me importo, desde que você seja feliz".

— Sabe, Duda... — Sara começou, a voz mais baixa e menos irônica do que o habitual. — O Emanuel gosta muito de você. Muito mesmo.

Eduarda corou instantaneamente, desviando o olhar para o copo de suco em sua mão.

— Ele é um bom amigo. Ele sempre me protegeu, desde que entrei para o grupo.

— Não estou falando de amizade, sua boba — provocou Sara, dando uma piscadela. — Ele te admira. E eu também. Você é doce, é talentosa... é o equilíbrio que falta naquela mente barulhenta dele.

Eduarda ficou sem palavras, o coração martelando contra as costelas. Antes que pudesse responder, Emanuel se aproximou delas, o olhar alternando entre a namorada e a amiga.

— O que vocês duas estão cochichando? — perguntou ele, desconfiado, mas com um tom leve.

— Falando sobre como você é um protetor chato — mentiu Sara, rindo e encostando a cabeça no ombro dele. — Vou ali falar com a Bia sobre o enxoval. Juízo vocês dois.

Ela saiu, deixando um rastro de perfume doce e caro no ar. O silêncio que se seguiu entre Emanuel e Eduarda era denso, carregado de coisas não ditas.

— Ela está muito feliz — comentou Eduarda, tentando quebrar o gelo.

— Estamos — corrigiu Emanuel, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Mas eu não queria que as coisas mudassem entre nós, Duda.

— Por que mudariam? — perguntou ela, a voz quase um sussurro.

Emanuel olhou para as mãos dela, pequenas e delicadas. Ele queria segurá-las, queria dizer que o fato de ele estar construindo uma família com Sara não diminuía o espaço que ela ocupava em seus pensamentos.

— Porque agora tudo é mais sério. Mas eu ainda quero estar por perto. Quero ver seus espetáculos, quero saber como foi o seu dia na faculdade... Quero cuidar de você também.

Eduarda olhou para ele, os olhos expressivos cheios de uma confusão doce. Ela sempre se sentiu atraída por Emanuel, pela força dele, pela forma como ele a tratava como se ela fosse algo precioso. Mas ele era de Sara. E Sara estava grávida.

— Emanuel, eu não entendo... — começou ela, mas ele a interrompeu, colocando um dedo suavemente sobre os lábios dela.

— Não precisa entender agora. Só saiba que você é importante para mim. Para nós.

Mais tarde naquela noite, o grupo se reuniu em volta de uma fogueira no jardim. O ar estava frio, e Eduarda se encolheu em seu xale de lã. Emanuel, sentado ao lado de Sara, não tirava os olhos de Eduarda do outro lado das chamas.

Sara percebeu o olhar dele e apertou a mão do namorado.

— Fala com ela, Emanuel — sussurrou Sara no ouvido dele. — Abre o jogo. Ela é sensível, ela vai entender. E eu estou aqui com você.

Emanuel respirou fundo. Ele era um homem de lógica, de negócios, de traços precisos na pele. Mas ali, sob o luar, ele se sentia vulnerável. Ele olhou para Sara, a mulher que ele amava com paixão, a mãe do seu filho, e viu nela um apoio incondicional.

— Tem certeza? — perguntou ele, a voz rouca.

— Eu quero você feliz, meu amor — respondeu Sara, com uma sinceridade que poucos conheciam. — E se a felicidade é ter nós duas, então vamos fazer isso funcionar. Eu não vejo problema nenhum. Ela é um anjo, Emanuel. Quem não gostaria de ter um anjo por perto?

Emanuel se levantou e caminhou até Eduarda. Os outros amigos estavam distraídos, cantando e bebendo. Ele se agachou ao lado dela, ignorando o desconforto da grama.

— Duda, podemos conversar em particular? — perguntou ele.

Ela assentiu, levantando-se com a elegância natural de uma bailarina. Eles caminharam até um ponto mais afastado, onde a luz da fogueira era apenas um brilho distante.

— O que aconteceu, Emanuel? Você está tenso — disse ela, a preocupação estampada no rosto fino.

— Eu preciso ser honesto com você — começou ele, as mãos nos bolsos da calça jeans, tentando manter o controle emocional que era sua marca registrada. — Eu amo a Sara. Ela é a mulher da minha vida, e esse filho é a coisa mais importante que já me aconteceu.

Eduarda baixou os olhos, sentindo um aperto familiar no peito.

— Eu sei, Emanuel. E eu fico feliz por vocês.

— Deixe-me terminar — pediu ele, aproximando-se mais, sentindo o perfume suave de flores que emanava dela. — Eu a amo, mas eu também sinto algo por você que não consigo apagar. É um sentimento diferente, mas tão forte quanto. Eu passo os dias pensando se você está bem, se precisa de algo... Eu quero você na minha vida, Eduarda. Não apenas como a amiga que fica no canto da sala.

Eduarda arregalou os olhos, a respiração falhando.

— Mas... e a Sara? Ela... ela te mataria se soubesse disso.

Emanuel soltou uma risada curta e sem humor.

— Foi ela quem me incentivou a falar com você. Sara sabe de tudo, Duda. Nós não temos segredos. Ela aceita... ela quer que você faça parte da nossa vida. De uma forma mais profunda.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do vento nas árvores. Eduarda estava em choque. Sua mente de estudante de História da Arte tentava processar aquela configuração moderna e complexa. Ela, a menina tímida e conservadora, no centro de um desejo que envolvia um casal tão poderoso.

— Eu... eu não sei o que dizer — sussurrou ela, sentindo as lágrimas começarem a brotar. — Eu sempre gostei de você, Emanuel. Mas eu nunca achei que... que houvesse espaço para mim.

Emanuel estendeu a mão e, desta vez, não hesitou em tocar o rosto dela. Sua palma era grande e quente contra a pele fria de Eduarda.

— Há todo o espaço do mundo, se você quiser — disse ele com firmeza. — Eu vou proteger você. Vou cuidar de você e da Sara. Ninguém vai te machucar.

Eduarda olhou para a fogueira e viu Sara observando-os de longe. A loira levantou a taça em um brinde silencioso, um sorriso cúmplice nos lábios pintados de vermelho.

Naquele momento, Eduarda percebeu que sua vida estava prestes a mudar drasticamente. Ela não era mais apenas a bailarina solitária observando o mundo. Ela estava sendo convidada para o centro de um turbilhão de amor, proteção e complexidade.

— Eu tenho medo — confessou ela, apoiando o rosto na mão dele, buscando o calor.

— Eu sei — respondeu Emanuel, puxando-a para um abraço apertado, onde ela se sentiu pequena e segura. — Mas eu estou aqui. E eu nunca vou soltar você.

A viagem na chácara, que deveria ser apenas uma comemoração de gravidez, tornou-se o marco inicial de uma história que desafiaria as convenções daquele grupo de amigos. Entre a força de Sara e a proteção de Emanuel, Eduarda encontrou um lugar onde sua sensibilidade não era uma fraqueza, mas o elo que unia dois mundos tão diferentes. E enquanto a lua subia no céu, o tatuador sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que o controle que ele tanto buscava não estava em resolver tudo com lógica, mas em aceitar a bela e caótica forma que o amor havia escolhido para se manifestar em sua vida.

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