
Homem Aranha
Fandom: Marvel
Criado: 05/08/2026
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Sintonia de Frequência e Batimentos Cardíacos
O céu de Nova York estava tingido por um tom alaranjado profundo, aquele momento exato em que o sol se despede e as luzes da cidade começam a piscar como estrelas artificiais. Kuro Hatake estava agachado no topo de uma das gárgulas do Edifício Chrysler, sentindo a brisa fria bagunçar seu cabelo branco repicado. Sob o traje de alta tecnologia que os Vingadores haviam ajudado a aprimorar, seus músculos estavam tensos, o abdômen definido pressionado contra o tecido elástico enquanto ele observava o movimento lá embaixo.
— Kuro, você está distraído. Sua frequência cardíaca subiu dez batimentos por minuto nos últimos trinta segundos e não há nenhum inimigo à vista.
A voz suave, mas autoritária, ecoou diretamente no comunicador embutido em sua máscara. Kuro abriu um sorriso largo, aquele sorriso travesso que sempre irritava e encantava Tatsuyo ao mesmo tempo.
— É o efeito que você causa em mim, minha gatinha — respondeu Kuro, a voz carregada de um tom brincalhão e levemente rouco. — Mesmo a quilômetros de distância, você ainda faz meu coração dar piruetas.
Do outro lado da linha, em um quarto mal iluminado cercado por três monitores gigantes e hardware de última geração, Tatsuyo Nakamura revirou os olhos pretos, embora um leve rubor subisse por suas bochechas pardas. Ela ajeitou os óculos e afastou uma mecha do longo cabelo preto que caía sobre o teclado.
— Menos cantadas baratas e mais foco, Aranha — disse ela, os dedos voando pelas teclas enquanto processava dados de satélite e frequências da polícia. — Há um carregamento suspeito chegando ao cais 47. Tecnologia Stark desviada. E, Kuro... tente não rasgar o uniforme dessa vez. Eu que tenho que ajudar o Stark a inventar desculpas para os danos colaterais.
Kuro soltou uma risada curta e se levantou, alongando o corpo de 1,80m. A musculatura potente se destacava sob o traje, e ele sabia muito bem disso.
— Você sabe que eu gosto de deixar as coisas... ventiladas — ele provocou, ajustando as lentes da máscara. — Mas por você, eu tento manter a roupa inteira. Me dá a rota mais rápida, gatinha.
— Já está no seu HUD. Vá pela 42 e use o impulso térmico nos prédios baixos.
Kuro saltou. A sensação de queda livre era sempre a melhor parte, o estômago subindo enquanto ele cortava o ar. Ele disparou uma teia, balançando-se com uma agilidade sobre-humana. Através das lentes da máscara, ele via os vetores e as informações que Tatsuyo projetava para ele em tempo real. Ela era o cérebro, a bússola, a alma por trás da força física dele. Uma humana comum, sem super-poderes, mas que conseguia manter o Homem-Aranha vivo em situações que nem os Vingadores previam.
— Kuro, três drones de vigilância à sua esquerda — alertou Tatsuyo, a voz subindo um oitavo de urgência. — Eles não são da polícia. São modelos experimentais de camuflagem.
— Deixa comigo.
Kuro deu um mortal no ar, disparando duas teias que cegaram os sensores dos drones antes que eles pudessem disparar. Ele pousou silenciosamente em um guindaste acima do cais 47, observando os homens lá embaixo movendo caixas com o logotipo das Indústrias Stark.
— Você está vendo o que eu estou vendo, Tatsy? — perguntou ele, a voz agora mais séria.
— Sim. Estou acessando o feed da sua câmera agora — respondeu ela. — Aquilo não é apenas tecnologia Stark. Aquilo é um reator arc modificado. Se eles baterem aquela caixa com muita força, metade do Brooklyn vai pelos ares.
— Ótimo. Sem explosões hoje. Eu tenho planos para o jantar — Kuro disse, embora o suor já começasse a brotar em sua testa.
— Planos? Com quem? — A voz de Tatsuyo soou casual demais, mas Kuro conhecia aquele tom. Era ciúme, puro e simples, disfarçado de curiosidade intelectual.
— Com uma garota linda, descendente de asiáticos, que é a pessoa mais inteligente que eu já conheci — ele sussurrou, enquanto se prendia por um fio de teia e descia silenciosamente de cabeça para baixo. — Conhece alguém assim?
— Foco, Hatake! — Tatsuyo exclamou, embora não conseguisse esconder o sorriso no canto dos lábios. — Três guardas à direita, armados com rifles sônicos. Se eles dispararem, seu equilíbrio vai para o espaço.
Kuro agiu rápido. Em um borrão de movimento branco e vermelho, ele desceu sobre os guardas. A força de seus socos era contida, mas precisa. Ele usava a vantagem da altura e a orientação constante de Tatsuyo, que lhe dizia exatamente para onde olhar antes mesmo de o perigo aparecer.
— Agacha! — gritou Tatsuyo.
Kuro obedeceu instantaneamente, sentindo o zumbido de um projétil sônico passar a centímetros de sua cabeça. Ele girou no chão, chutando as pernas do agressor e prendendo-o na parede com uma rajada de teia.
— Boa chamada, gatinha. O que eu faria sem você?
— Provavelmente estaria surdo e com o uniforme em farrapos — retrucou ela. — Kuro, o líder está tentando ativar o reator. Ele vai usar como distração para fugir. Você tem trinta segundos para desativar o núcleo antes que ele entre em colapso.
Kuro correu em direção à caixa central. O homem que a operava tentou disparar uma pistola laser, mas Kuro apenas saltou sobre ele, usando o ombro do vilão como apoio para um salto acrobático, nocauteando-o com um chute lateral.
— Certo, estou na frente da coisa. E agora? — Kuro perguntou, olhando para a massa complexa de fios e luzes pulsantes.
— Vou projetar o diagrama no seu olho direito — disse Tatsuyo, seus dedos martelando o teclado com uma velocidade sobre-humana. — Você precisa desconectar o cabo azul e o verde simultaneamente. Se tocar no vermelho, a gente vira poeira estelar.
Kuro hesitou por um segundo. Suas mãos, geralmente tão firmes ao esmagar aço, tremeram levemente.
— Tatsy... se isso der errado...
— Não vai dar errado — interrompeu ela, sua voz subitamente suave e cheia de uma confiança inabalável. — Eu estou aqui com você, Kuro. Eu sou seus olhos e seus ouvidos. Confia em mim?
Kuro respirou fundo, sentindo o calor da voz dela em seu ouvido como se ela estivesse ali, tocando seu ombro.
— Sempre.
— No três. Um... dois... três!
Com um movimento sincronizado, Kuro arrancou os cabos. O brilho intenso do reator diminuiu gradualmente até se tornar um zumbido baixo e inofensivo. O silêncio caiu sobre o cais, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Kuro.
— Conseguimos — ele suspirou, sentando-se no chão frio de concreto.
— Conseguimos — repetiu Tatsuyo, soltando o ar que nem sabia que estava segurando. — A polícia e o Homem de Ferro estão a caminho para recolher o lixo. Você devia sair daí antes que o Stark comece a dar sermão sobre o seu estilo de luta "pouco ortodoxo".
Kuro soltou uma risada, retirando a máscara. O suor colava o cabelo branco em sua testa e seus olhos castanhos brilhavam com a adrenalina. Ele sabia que Tatsuyo o estava vendo através da câmera da máscara caída ao seu lado.
— Ei, Tatsy?
— Sim, Kuro?
— Eu estava falando sério sobre o jantar. Eu passo na sua janela em dez minutos.
Houve uma pausa do outro lado. Tatsuyo olhou para o próprio reflexo na tela escura de um dos monitores. Ela não era uma super-heroína, não tinha tanquinho ou força bruta, mas ali, naquele momento, ela se sentia a pessoa mais poderosa do mundo por causa do jeito que ele falava com ela.
— É melhor você trazer algo decente para comer, Hatake — disse ela, tentando manter o tom profissional, mas falhando miseravelmente. — E não venha de uniforme. Minha tia não precisa saber que o Homem-Aranha está entrando pelo meu quarto de novo.
— Pode deixar. Vou colocar aquela camisa que você diz que fica apertada demais nos meus braços — ele provocou, piscando para a câmera.
— Idiota — ela sussurrou, desligando a transmissão, mas o sorriso em seu rosto durou muito tempo depois que a tela ficou preta.
Kuro se levantou, limpando a poeira do traje. Ele olhou para o céu, agora completamente escuro, sentindo a conexão vibrante que tinha com a garota do outro lado da cidade. Eles eram uma equipe. Ele era o corpo, ela era a mente. E, embora nenhum dos dois tivesse coragem de dizer as palavras "eu te amo" em voz alta ainda, cada instrução dada e cada teia lançada eram declarações silenciosas que ecoavam por toda Nova York.
Ele disparou uma teia e saltou para a noite, com o coração batendo forte — e desta vez, não era por causa do perigo. Era apenas a antecipação de ver sua gatinha novamente.
