
Homem Aranha
Fandom: Marvel
Criado: 05/08/2026
Tags
Teia de Conexões e o Brilho nos Olhos
A noite em Nova York nunca era silenciosa, mas para Kuro Hatake, o barulho da metrópole era apenas o pano de fundo de algo muito mais focado. Ele sentia o vento chicotear seu rosto enquanto saltava de um prédio de quarenta andares, o estômago subindo à garganta por um breve segundo antes de disparar uma nova linha de teia. O traje tecnológico se ajustava perfeitamente ao seu corpo de um metro e oitenta, destacando os músculos definidos que ele tanto se orgulhava de exibir quando estava sem a máscara.
— Kuro, você está se aproximando do galpão no Queens. Três assinaturas de calor lá dentro. E, por favor, tente não rasgar o uniforme dessa vez, eu levei horas para costurar o polímero de reforço.
A voz de Tatsuyo Nakamura ecoou em seu ouvido, clara e autoritária, vinda do sistema de comunicação integrado à máscara. Kuro sorriu por baixo do tecido vermelho e azul. Ele podia quase visualizá-la: sentada em frente aos três monitores gigantes em seu quarto, com os cabelos pretos lisos caindo sobre os ombros e aquela expressão de concentração profunda que a tornava, na opinião dele, a garota mais incrível do planeta.
— Relaxa, minha gatinha. Você sabe que eu sou cuidadoso — respondeu Kuro, pousando silenciosamente no topo de um reservatório de água. — E, se o uniforme rasgar, você pode sempre me ajudar a tirar o resto, não acha?
— Kuro! — O tom de Tatsuyo era de repreensão, mas ele podia jurar que ouviu um leve riso do outro lado. — Foco na missão. Eles estão armados com tecnologia Chitauri roubada. Se um desses tiros te pegar, nem seu tanquinho de dezoito quilates vai te salvar.
— São oito gomos, gatinha. Eu contei hoje de manhã no espelho — ele brincou, ajustando as lentes da máscara que se fecharam para dar zoom nas janelas do galpão. — Mas tudo bem, vou ser um bom menino. O que temos para hoje?
— O sensor de movimento indica que eles estão movendo caixas para um caminhão nos fundos — Tatsuyo explicou, seus dedos voando sobre o teclado enquanto ela hackeava as câmeras de segurança da rua. — Se você entrar pelo duto de ventilação norte, terá o ângulo perfeito para um ataque surpresa. Eu vou desativar o alarme silencioso agora... Pronto. Pode ir.
Kuro respirou fundo. Ele amava aquela dinâmica. Mesmo sendo uma "humana comum", Tatsuyo era o cérebro por trás de cada uma de suas vitórias. Sem ela, ele seria apenas um cara forte e ágil pulando sem rumo. Com ela, ele era uma arma de precisão.
Ele deslizou pelo duto, movendo-se com a agilidade de um felino. Quando emergiu no teto do galpão, viu os três homens. Eles pareciam nervosos, manuseando núcleos de energia brilhantes.
— No três, Kuro — sussurrou Tatsuyo. — Três... dois... um... Agora!
Kuro se soltou, caindo como um raio sobre o primeiro capanga. O impacto foi seco, derrubando o homem instantaneamente. Ele girou o corpo, disparando teias que prenderam o segundo criminoso contra uma pilha de caixas antes que ele pudesse erguer a arma.
— Dois para baixo, falta um! — exclamou Kuro, sentindo a adrenalina correr.
— Cuidado à sua esquerda! — gritou Tatsuyo.
O sentido aranha de Kuro disparou. Ele deu um mortal para trás, sentindo o calor de um raio de energia passar a centímetros de seu peito. O terceiro homem tinha uma luva mecânica que brilhava em azul.
— Ei, isso é perigoso! — Kuro pousou agachado, provocando. — Sua mãe sabe que você está brincando com sucata espacial?
— Kuro, o núcleo da luva dele está instável — alertou Tatsuyo, sua voz agora carregada de preocupação real. — Se ele disparar de novo perto daquelas caixas de munição, o galpão inteiro vai pelos ares. Você precisa desativar a luva, não apenas bater nele.
— Entendido, chefe. Como eu faço isso?
— Há um pequeno painel de acesso na base do pulso. Se você conseguir disparar uma teia condutora exatamente ali, vai causar um curto-circuito. Eu vou sincronizar a mira da sua máscara para destacar o ponto fraco.
Um pequeno alvo vermelho apareceu na visão de Kuro, piscando sobre o pulso do vilão. O homem gritou, preparando outro tiro.
— Agora, Kuro! — Tatsuyo comandou.
Kuro disparou. A teia atingiu o local com precisão milimétrica. Faíscas saltaram da luva, e o homem soltou um urro de dor enquanto o equipamento se desligava, fumaçando. Em um segundo, Kuro estava sobre ele, nocauteando-o com um golpe firme.
— Limpo — disse Kuro, ofegante. — Viu só? Nem um arranhão.
— Bom trabalho, Homem-Aranha — Tatsuyo suspirou, e Kuro pôde ouvir o som dela relaxando na cadeira. — A polícia está a dois minutos de distância. Saia daí.
— Estou indo para aí — Kuro disse, já se lançando para fora do galpão através de uma janela quebrada. — Preciso do meu prêmio por um trabalho bem feito.
— O seu prêmio é não ter sido explodido, Kuro Hatake.
— Ah, qual é, gatinha! Um beijo não mataria ninguém.
— Vá para casa, tome um banho e me encontre na varanda em vinte minutos — Tatsuyo disse, tentando manter a voz firme, embora seu coração estivesse batendo forte.
Vinte minutos depois, Kuro pousou silenciosamente na varanda do apartamento de Tatsuyo. Ele já estava sem a máscara, revelando o rosto de pele branca e os cabelos brancos curtos e espetados, ainda ligeiramente bagunçados pelo suor. Seus olhos castanhos escuros brilharam ao ver Tatsuyo encostada na porta de vidro, esperando por ele.
Ela ainda usava seus óculos de leitura e um moletom largo que a fazia parecer ainda menor do que seus 1,63m, mas para Kuro, não havia ninguém mais bonita. A pele parda dela parecia brilhar sob a luz da lua, e o contraste com os cabelos pretos lisos era algo que ele nunca cansava de admirar.
— Você foi imprudente naquele último movimento — disse ela, cruzando os braços, mas o sorriso no canto dos lábios a traía.
— Eu sabia que você estava me cuidando — Kuro se aproximou, invadindo o espaço pessoal dela com aquela confiança provocadora que ele sempre tinha. — Você nunca me deixaria cair, deixaria?
— Alguém tem que manter sua cabeça no lugar — Tatsuyo respondeu, sentindo o calor que emanava do corpo dele. — Você é todo força e nenhuma cautela.
Kuro apoiou as mãos na grade da varanda, cercando-a. Ele se inclinou para perto, o cheiro de adrenalina e brisa noturna o acompanhando.
— E você é toda cérebro e nenhuma diversão — ele sussurrou, a voz ficando mais rouca. — Por que a gente não equilibra as coisas?
Tatsuyo olhou nos olhos dele. O amor que sentiam um pelo outro era um segredo aberto, algo que pulsava entre eles em cada missão, em cada conversa tarde da noite, mas que nenhum dos dois tinha coragem de rotular. Ela sabia que ele era um tarado incorrigível, sempre fazendo piadinhas e tentando chamar sua atenção, mas também sabia que ele daria a vida por ela sem hesitar.
— Você está suado — ela reclamou baixinho, embora suas mãos tivessem subido para o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos através do tecido fino do traje.
— É o charme do herói — Kuro sorriu, aproximando o rosto do dela. — Admite, gatinha. Você adora.
— Eu adoro o fato de você ter voltado inteiro — ela corrigiu, mas não se afastou. — E adoro que você me escute, mesmo sendo esse idiota convencido.
— Eu sempre vou te escutar, Tatsuyo. Você é a minha bússola. Sem você, eu estaria perdido em algum beco do Brooklyn.
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar. Ela era a garota mais inteligente da escola, capaz de resolver equações complexas em segundos, mas perto de Kuro, seu raciocínio parecia entrar em curto-circuito.
— Kuro... — ela começou, mas ele a interrompeu com um selinho rápido e ousado.
Ela arregalou os olhos, surpresa pela audácia, mas antes que pudesse reclamar, ele a puxou para um abraço apertado.
— Obrigado por hoje — ele disse seriamente, o tom brincalhão desaparecendo por um momento. — Eu sei que é perigoso para você se envolver nisso. Se os Vingadores descobrirem que uma civil está hackeando satélites para me ajudar...
— Deixe que eles tentem me pegar — Tatsuyo disse, recuperando a compostura e retribuindo o abraço. — Eu apago os rastros antes que o Stark consiga dizer "inteligência artificial". Ninguém toca no meu parceiro.
Kuro se afastou apenas o suficiente para olhar para ela, um brilho malicioso voltando aos seus olhos.
— "Seu parceiro", é? Gostei de como isso soou.
— Não se empolgue, Hatake — ela disse, dando um tapinha de leve no ombro dele. — Agora, entra. Eu fiz chá e você precisa me contar os detalhes daquela luva Chitauri. Eu quero analisar a frequência de energia que eu captei.
— Chá e ciência? — Kuro suspirou de forma dramática enquanto entrava no apartamento. — Você sabe mesmo como seduzir um homem.
— E você sabe mesmo como ser um bobo — Tatsuyo riu, fechando a porta da varanda.
Enquanto se sentavam no sofá, rodeados por computadores, peças de eletrônicos e o conforto da presença um do outro, o mundo lá fora parecia pequeno. Nova York tinha o seu herói, mas Kuro Hatake tinha algo muito melhor. Ele tinha a sua gatinha, a única pessoa que via através da máscara, dos músculos e das piadas, e que o amava exatamente por quem ele era.
— Ei, Tatsuyo? — chamou ele, enquanto ela servia o chá.
— Sim?
— Se eu conseguir prender o Gatuno amanhã, eu ganho um beijo de verdade? Sem ser selinho?
Tatsuyo parou por um segundo, olhou para ele, e então deu um sorriso enigmático que fez o coração de Kuro disparar mais do que qualquer queda livre.
— Pegue o Gatuno primeiro, Aranha. Depois a gente discute os termos do contrato.
Kuro sorriu, jogando a cabeça para trás no sofá. Ele tinha o melhor trabalho do mundo, e com certeza, a melhor parceira que o destino poderia ter colocado em sua teia.
