
Teia de Desejo e Adrenalina
O som do vento chicoteando contra o traje de nanotecnologia era a única música que Kuro Hatake precisava para se sentir vivo. Ele saltou do topo de um arranha-céu na Quinta Avenida, disparando uma teia certeira que o impulsionou para o alto, realizando uma pirueta perfeita no ar. Seus músculos abdominais, definidos por meses de patrulhas intensas e combates contra o crime, contraíram-se sob o tecido fino.
— Kuro, vire à esquerda na próxima esquina. Os sensores de infravermelho detectaram três fugitivos entrando no beco atrás da joalheria — a voz de Tatsuyo Nakamura ecoou límpida em seu comunicador auricular.
Kuro sorriu por baixo da máscara. Ele conseguia imaginar exatamente como ela estava agora: sentada naquela cadeira ergonômica, os olhos pretos focados intensamente nas três telas enormes de seu computador, os cabelos pretos lisos caindo sobre os ombros e aquela expressão de concentração absoluta que a tornava, na opinião dele, a mulher mais sexy do planeta.
— Recebido, minha gatinha — respondeu Kuro, a voz carregada de um flerte audacioso. — O que eu faria sem esse seu cérebro gigante me guiando?
— Você provavelmente bateria a cara em um outdoor, Aranha — Tatsuyo rebateu, embora o leve tom de riso em sua voz denunciasse que ela adorava o apelido. — Agora foque. Eles estão armados.
Kuro resolveu a situação em menos de dez minutos. Com a orientação precisa de Tatsuyo, que monitorava as câmeras de segurança da cidade e os sinais de rádio da polícia, ele neutralizou os bandidos antes mesmo que eles pudessem disparar um único tiro. Ao terminar de prendê-los em um casulo de teia, o cansaço e a adrenalina começaram a se misturar, transformando-se em algo mais... urgente.
— Missão cumprida, gatinha — disse Kuro, ofegante. — Estou indo para o seu "QG". Prepare o kit de primeiros socorros, ou apenas prepare a si mesma.
— Kuro! — ela exclamou, mas ele já havia desligado o comunicador.
Vinte minutos depois, Kuro pousou silenciosamente na varanda do apartamento de Tatsuyo. Ele deslizou a porta de vidro e entrou no quarto, que estava mergulhado em uma luz azulada vinda das três telas gigantes onde mapas e códigos ainda corriam.
Tatsuyo estava de costas, digitando algo rapidamente, mas virou-se assim que ouviu o som suave das botas dele no tapete. Ela usava uma camiseta larga e um short curto, revelando a pele parda impecável. A visão fez o sangue de Kuro ferver instantaneamente.
— Você demorou — disse ela, cruzando os braços. — Teve algum problema no caminho?
Kuro removeu a máscara, revelando o rosto de pele branca e os cabelos brancos curtos e repicados, que estavam bagunçados pelo suor. Seus olhos castanhos escuros brilharam com uma intensidade predatória enquanto ele se aproximava dela, ignorando o pequeno corte em seu supercílio.
— Só parei para admirar a lua e pensar em como você fica linda comandando o mundo desse quarto — ele disse, a voz rouca, parando a poucos centímetros dela. Com 1,80m, ele a cercava facilmente com sua presença física.
Tatsuyo sentiu o coração disparar. Ela era a única, além dos Vingadores, que conhecia o segredo dele. Ela era seu porto seguro, sua bússola, mas naquele momento, ela não queria ser apenas o suporte técnico. O clima entre eles, que sempre fora carregado de uma tensão não resolvida, parecia prestes a explodir.
— Você está ferido — ela murmurou, estendendo a mão para tocar o rosto dele. — Deixe-me limpar isso.
Kuro segurou o pulso dela antes que ela pudesse tocar o corte. Ele puxou a mão dela para seus lábios, beijando a palma com uma lentidão torturante, mantendo o contato visual.
— Eu não quero remédios agora, Tatsuyo — ele sussurrou contra a pele dela. — Eu quero você.
Tatsuyo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sempre soube que Kuro era intenso, um pouco "tarado" como os amigos costumavam brincar, mas havia uma seriedade crua em seu olhar agora.
— Kuro... eu... — ela começou, a voz falhando. — Eu nunca fiz isso antes.
Kuro parou por um momento, seus olhos suavizando-se por apenas um segundo ao processar a confissão. Ele sabia que ela era virgem, mas ouvir aquilo em meio à eletricidade do momento mudava tudo. Ele a puxou para mais perto, suas mãos descendo para a cintura dela, sentindo a maciez da pele parda sob seus dedos calejados.
— Eu vou ser cuidadoso se você quiser — ele disse, embora sua respiração estivesse pesada. — Mas eu não sei se consigo me segurar muito hoje. A luta me deixou... elétrico.
Tatsuyo envolveu o pescoço dele com os braços, puxando-o para baixo. Ela não queria cuidado excessivo. Por trás da fachada de garota gênio e organizada, havia um desejo latente por algo que a tirasse do controle, algo que combinasse com a natureza selvagem do homem que arriscava a vida todas as noites.
— Não seja cuidadoso — ela respondeu, desafiando-o com o olhar. — Eu quero sentir tudo o que você sente. Não me trate como se eu fosse quebrar.
Aquelas palavras foram o gatilho. Kuro a tomou em um beijo voraz, um choque de lábios e línguas que cheirava a adrenalina e desejo acumulado por meses. Ele a ergueu do chão com facilidade, as pernas dela enroscando-se na cintura dele. O traje do Homem-Aranha, ainda meio vestido, parecia uma armadura sendo descartada enquanto ele a levava em direção à cama, tropeçando em um dos cabos que ligavam os monitores.
— Minha gatinha inteligente — ele rosnou entre os beijos, deitando-a nos lençóis. — Você não tem ideia do quanto eu esperei por isso.
Kuro removeu o restante do traje com movimentos bruscos, revelando o corpo esculpido e o abdômen definido que Tatsuyo tantas vezes imaginara sob o uniforme. Ele era pura força e juventude. Quando ele se posicionou sobre ela, Tatsuyo sentiu o peso dele, a firmeza de seus músculos contra a sua própria suavidade.
A primeira vez de Tatsuyo não foi um conto de fadas delicado, e era exatamente como ela queria. Kuro era bruto por natureza, seus movimentos eram carregados de uma urgência quase animal, mas ele nunca perdia o foco nela. Cada toque dele era firme, cada investida era profunda e intensa.
— Kuro... — ela arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros largos dele enquanto a dor inicial da perda da virgindade era rapidamente substituída por uma onda avassaladora de prazer.
— Olha para mim, Tatsuyo — ele comandou, a voz baixa e autoritária.
Ela abriu os olhos, encontrando os dele. Kuro estava suado, o cabelo branco grudado na testa, a expressão de alguém que estava encontrando sua redenção. Ele aumentou o ritmo, tornando-se mais selvagem, mais entregue ao instinto. A inteligência dela, que geralmente calculava cada variável, simplesmente desligou. Não havia lógica ali, apenas a fricção, o calor e a conexão profunda entre o herói e sua guia.
— Você é minha — ele afirmou, a voz vibrando contra o pescoço dela enquanto ele a possuía com uma possessividade que a fazia delirar. — Só minha.
— Sempre fui sua — ela conseguiu dizer, a voz embargada pela emoção e pelo esforço físico.
Eles se perderam um no outro enquanto as telas dos computadores ao fundo continuavam a brilhar, ignoradas. O silêncio do quarto era quebrado apenas pelos gemidos dela e pela respiração pesada dele. Kuro era intenso, quase selvagem em sua entrega, e Tatsuyo respondia à altura, pedindo por mais, envolvendo-se naquela tempestade de sensações que só alguém como Kuro Hatake poderia proporcionar.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma explosão de sentidos. Kuro desabou sobre ela, escondendo o rosto em seu pescoço, o coração batendo tão forte que ela podia senti-lo contra o seu próprio peito.
Minutos depois, o silêncio retornou ao quarto, apenas com o som rítmico da respiração de ambos se acalmando. Kuro se afastou levemente, apoiando-se nos cotovelos para olhar para ela. Ele passou o polegar pelo lábio inferior de Tatsuyo, que estava inchado pelos beijos.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz agora carregada de uma ternura que ele raramente mostrava ao mundo. — Eu fui... eu sei que fui um pouco bruto.
Tatsuyo sorriu, um sorriso genuíno e relaxado, puxando-o para um beijo casto.
— Foi perfeito, Kuro. Eu não queria que fosse de outro jeito. Eu gosto desse seu lado... herói indomável.
Kuro soltou uma risada curta, o brilho brincalhão voltando aos seus olhos castanhos.
— Bem, gatinha, se você gostou, saiba que eu tenho muito mais energia do que uma rodada só. Os poderes de aranha têm lá suas vantagens de resistência.
Tatsuyo revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o prazer na voz.
— Você é um tarado incorrigível, Hatake.
— E você é a gênia que se apaixonou por ele — ele rebateu, beijando a ponta do nariz dela antes de puxá-la para mais perto. — Agora desliga esses computadores. A única coisa que eu quero monitorar pelo resto da noite é você.
Tatsuyo riu e, pela primeira vez em anos, esticou o braço e apertou o botão de "Power" na régua de energia. As telas se apagaram, deixando o quarto apenas com a luz da lua que entrava pela varanda, iluminando o início de algo que ia muito além de missões e uniformes. Ali, eram apenas Kuro e Tatsuyo, finalmente assumindo o que o coração já sabia há muito tempo.
