
Prisão
Fandom: Arcane
Criado: 06/08/2026
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O Azul que Sangra no Rosa
As luzes de neon de Piltover pareciam distantes, meros reflexos borrados nas águas podres que cercavam a prisão de segurança máxima de Stillwater. Lá dentro, o silêncio era uma criatura pesada, interrompida apenas pelo gotejar rítmico de canos velhos e pelo som metálico de botas contra o concreto.
Vi caminhava pelo corredor da ala isolada. Suas mãos, agora sem as manoplas gigantescas, pareciam estranhamente leves, mas seus ombros carregavam o peso de mil arrependimentos. Ela parou diante da cela 404. O vidro reforçado e as barras de ferro eram a única coisa que separava a ordem do caos absoluto.
Lá dentro, sentada no chão de pedra, Jinx trançava distraidamente uma mecha de seu cabelo azul elétrico. Ela não olhou para cima imediatamente, mas um sorriso torto e maníaco surgiu em seus lábios pálidos.
— Sabe, maninha... — a voz de Jinx era um sussurro arrastado que ecoava pelas paredes frias. — O cheiro de arrependimento que você exala é quase mais forte que o cheiro de esgoto dessa cela.
Vi suspirou, encostando a testa nas barras frias.
— Eu não vim aqui para brigar, Powder.
Jinx saltou, movendo-se com uma agilidade desumana, ficando a centímetros de Vi, separada apenas pela barreira física. Seus olhos cor-de-rosa, brilhando com a influência do Cintila, encontraram os olhos cinzentos e cansados da irmã.
— Powder morreu, lembra? Você mesma ajudou a enterrar — Jinx riu, um som agudo e quebrado. — O que foi? O conselho de Piltover te deu uma folga das suas obrigações de cachorrinha de elite para visitar a aberração?
— Eu tentei impedir que te trouxessem para cá — disse Vi, a voz falhando por um segundo. — As coisas saíram do controle. O que você fez com aquele foguete... o Conselho...
— O Conselho foi pro espaço! — Jinx gritou, girando nos calcanhares e abrindo os braços como se esperasse aplausos. — Foi lindo, não foi? O brilho, o barulho... o silêncio que veio depois. Finalmente, eles nos ouviram, Vi.
— Eles não ouviram nada, Jinx. Eles só querem vingança agora — Vi fechou os punhos. — E eu estou aqui tentando entender como a gente chegou nesse ponto.
Jinx se aproximou novamente, colando o corpo na grade. Ela esticou um dedo pálido e tocou a cicatriz no rosto de Vi através do espaço entre as barras.
— A gente chegou aqui porque você me deixou — sussurrou ela, a loucura dando lugar a uma vulnerabilidade súbita e cortante. — E agora você está aí, toda arrumadinha, cheirando a sabonete caro e autoridade. Você é tão... gostosa nesse uniforme, sabia? Dá vontade de rasgar cada pedaço dele só para ver se a minha irmã ainda está aí embaixo.
Vi sentiu o sangue ferver. O desejo e a culpa eram uma mistura perigosa em suas veias. Ela olhou para os guardas no fim do corredor; eles estavam longe o suficiente, ocupados com o turno de troca. Ela pegou a chave magnética que havia "pegado emprestada" de Caitlyn e, com um bipe suave, a porta pesada deslizou o suficiente para ela entrar.
— O que você está fazendo, maninha? — Jinx inclinou a cabeça, os olhos brilhando. — Vai me dar uma surra ou um beijo de despedida?
Vi não respondeu com palavras. Ela agarrou Jinx pela cintura, prensando-a contra a parede fria da cela. O impacto soltou um gemido abafado da garota de cabelos azuis, que imediatamente envolveu as pernas ao redor da cintura de Vi, rindo entre dentes.
— Você é louca — rosnou Vi, a respiração quente contra o pescoço de Jinx.
— E você é uma hipócrita — rebateu Jinx, mordendo o lábio inferior de Vi com força suficiente para tirar sangue. — Mas você sempre gostou do meu tipo de loucura.
O beijo que se seguiu foi uma colisão de desespero. Não havia ternura, apenas a necessidade bruta de sentir que a outra ainda era real, ainda era carne e osso. Vi explorava a boca de Jinx com uma fome acumulada por anos de separação e ódio mal resolvido. As mãos de Jinx subiram para o cabelo curto de Vi, puxando com força, enquanto suas unhas arranhavam o couro da jaqueta da Defensora.
— Me mostra... — arquejou Jinx, enquanto Vi descia os beijos pelo seu pescoço, evitando as marcas de metal e as tatuagens de nuvens azuis. — Me mostra que você ainda é minha, Vi. Não deles. Minha.
Vi soltou os fechos das roupas de Jinx com pressa desajeitada. A pele da irmã era fria, mas o fogo que emanava de seus olhos era capaz de incendiar toda Piltover. Vi a virou de costas, pressionando o rosto de Jinx contra a pedra áspera da parede.
— Eu nunca deixei de ser, sua pirada — rosnou Vi no ouvido dela.
O ato foi duro, rápido e carregado de uma intensidade que beirava a violência. Cada estocada de Vi era um pedido de desculpas e uma maldição ao mesmo tempo. Jinx gritava o nome de Vi, a voz ecoando pelas paredes da prisão, um som que misturava prazer e agonia. Ela se entregava ao ritmo frenético, as mãos agarrando as barras da cela acima de sua cabeça, os nós dos dedos brancos.
— Mais... — Jinx implorava, a cabeça jogada para trás, os olhos revirados. — Quebra tudo, Vi! Me quebra!
Vi a segurava com força, os dedos cravados nos quadris magros de Jinx, deixando marcas que durariam dias. Naquele momento, não havia Zaun, não havia Piltover, não havia Silco ou Vander. Havia apenas o atrito, o calor e a conexão distorcida que só as duas entendiam. O clímax as atingiu como uma explosão de hextec — devastador, brilhante e exaustivo.
Minutos depois, as duas estavam caídas no chão de cimento, as respirações pesadas sincronizadas no ar úmido da cela. Vi tentava ajeitar o uniforme, mas seus dedos tremiam. Jinx estava encostada nela, a cabeça no ombro da irmã, brincando com um dos botões da jaqueta de Vi.
— Você vai ter que ir embora agora, não vai? — perguntou Jinx, a voz pequena, desprovida da agressividade de antes.
Vi olhou para o teto da cela, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de seus olhos. Ela abraçou Jinx, apertando-a contra o peito como se pudesse fundi-las em uma só pessoa e protegê-la do mundo.
— Eu te amo, Powder — sussurrou Vi, a voz embargada. — Eu te amo tanto que dói respirar sabendo que você está aqui dentro.
Jinx ficou imóvel por um longo tempo. Ela levantou o rosto, limpando uma lágrima da bochecha de Vi com o polegar.
— Eu também te amo, Vi — disse ela, e por um breve segundo, os olhos cor-de-rosa pareceram voltar a ser o azul claro da infância. — Mas eu sou o monstro que você criou. E monstros não podem viver no sol.
Vi beijou a testa dela, um gesto carregado de uma tristeza absoluta.
— Eu vou te tirar daqui. De um jeito ou de outro. Eu prometo.
Jinx sorriu, mas desta vez não era um sorriso de loucura. Era um sorriso de quem já aceitou o fim.
— Apenas não demore muito, maninha. As vozes aqui dentro estão ficando barulhentas demais sem você para gritar mais alto que elas.
Vi se levantou, sentindo cada músculo do corpo protestar. Ela caminhou até a porta, olhando uma última vez para a figura pequena e azul sentada no meio da escuridão. O metal da porta se fechou com um estrondo final, selando o destino de ambas, enquanto o eco do amor e do caos ainda vibrava nas paredes de Stillwater.
