
Proibido
Fandom: Lochen e Maya
Criado: 06/08/2026
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O Peso da Inocência e o Laço Quebrado
O som das sirenes ainda ecoava nos ouvidos de Maya, um zumbido constante que parecia perfurar seu crânio. O asfalto frio da delegacia contrastava com o calor sufocante da discussão que destruíra sua vida horas antes. Ela olhou para as mãos, trêmulas e pálidas, sentindo o peso do olhar acusatório da mãe, que andava de um lado para o outro na sala de espera como uma fera enjaulada, destilando um veneno que Maya nunca imaginou ser capaz de suportar.
Ao seu lado, Leo, o irmão de treze anos, soluçava baixinho. O rosto do menino estava inchado, os olhos vermelhos refletindo o trauma de ter chegado em casa e visto o herói de sua vida, o irmão que o ensinara a andar de bicicleta e a fazer o dever de matemática, ser algemado e jogado no banco de trás de uma viatura.
— Ele não fez nada, Maya... — sussurrou Leo, a voz falhando. — Por que ela está fazendo isso?
Maya não tinha resposta. Ela olhou para a mãe, Helena, cujos olhos brilhavam com um ódio puritano e uma hipocrisia latente. Helena, que passava os dias fora e as noites em bares, deixando os filhos à própria sorte, agora vestia a máscara da mãe protetora e ultrajada.
— Cale a boca, Leo! — disparou Helena, virando-se para eles. — Aquele monstro corrompeu sua irmã. Ele se aproveitou dela! Ele vai apodrecer na cadeia, que é o lugar de gente como ele.
— Você está mentindo! — Maya gritou, levantando-se, o cabelo ruivo caindo desordenado sobre os ombros. — Você sabe que é mentira! Lochen nunca encostaria um dedo em mim se eu não quisesse. Nós nos amamos! E você, que nunca esteve lá por nós, não tem o direito de destruir a única coisa boa que tínhamos!
A bofetada de Helena foi rápida e estalada. O rosto de Maya virou para o lado, a pele branca tornando-se instantaneamente vermelha.
— Você é uma criança e não sabe o que diz — sibilou a mãe. — Ele te manipulou. Mas eu vou garantir que ele pague.
Nesse momento, um policial apareceu na porta.
— Senhora Helena, o delegado quer ouvi-la agora.
Maya tentou avançar, mas foi impedida por outro oficial. Ela viu a mãe entrar na sala com uma expressão de falsa dor, pronta para cimentar a mentira que acabaria com a vida de Lochen.
Enquanto isso, nas entranhas da delegacia, o silêncio era o único companheiro de Lochen. Sentado no banco de cimento da cela fria, ele olhava para o chão. Seus cabelos pretos lisos caíam sobre os olhos verdes, que agora estavam desprovidos de qualquer brilho. Aos dezoito anos, ele sentia que o mundo havia acabado. Ele sempre soube que o que sentia por Maya era perigoso aos olhos da sociedade, mas o sentimento era tão puro, tão enraizado na proteção e no cuidado mútuo, que parecia a única verdade em meio à negligência em que viviam.
Ele era o pai que Leo nunca teve. O protetor que Maya precisava. E agora, ele era apenas um criminoso aos olhos da lei.
— Eu só queria que fôssemos felizes — sussurrou ele para as paredes de pedra.
A porta da cela rangeu. O delegado, um homem de meia-idade com olhos cansados, olhou para ele por entre as grades.
— Sua mãe está lá fora contando uma história bem feia, garoto. Ela diz que você a forçou. Que vem fazendo isso há anos.
Lochen não levantou a cabeça. A timidez que sempre o acompanhou agora se manifestava como uma paralisia completa.
— Eu a amo — disse ele, a voz quase inaudível. — Mas eu nunca a machucaria. Nunca.
— O depoimento dela diz o contrário. E ela é a sua responsável legal perante o Estado, mesmo você tendo dezoito. A vítima é menor de idade. Isso é grave, Lochen. Muito grave.
O delegado saiu, deixando o silêncio retornar. Lochen sentiu o peito apertar. Ele sabia como o sistema funcionava. Sabia que a palavra de uma mãe "desolada" pesaria mais do que a de um jovem introvertido e sem amigos. Ele pensou em Leo, que ficaria sozinho com Helena. Pensou em Maya, que seria obrigada a viver sob o jugo da mulher que acabara de trair o próprio filho.
A desesperança é um veneno que age rápido.
Do lado de fora, Maya foi finalmente chamada para depor. Ela entrou na sala com o coração batendo na garganta. O delegado a observava com uma mistura de pena e ceticismo.
— Maya, preciso que você seja honesta comigo — começou o homem. — Sua mãe nos contou coisas terríveis. Ela disse que Lochen usou a força, que ele te ameaçava.
— É mentira! — Maya exclamou, as lágrimas voltando a rolar. — Tudo o que ela disse é mentira! O Lochen é a melhor pessoa que eu conheço. Ele cuida de mim, ele cuida do Leo. Ele faz o jantar, ele limpa a casa, ele nos protege dela!
— Maya, entenda, a relação de vocês... — o delegado tentou intervir.
— Eu sei o que as pessoas pensam! — ela o interrompeu, desesperada. — Mas não houve abuso. Nunca houve! Eu o amo. Nós nos escolhemos porque não tínhamos mais ninguém. Por favor, delegado, não tire ele de nós. Se ele for preso, quem vai cuidar do Leo? Quem vai me proteger quando ela chegar bêbada em casa?
— Sua mãe alega que você está sob efeito de manipulação psicológica.
— A única manipulação aqui é a dela! — Maya bateu na mesa. — Ela quer se vingar porque o Lochen a enfrentou na semana passada quando ela tentou vender a televisão para comprar bebida. Ela está usando isso para se livrar dele!
O depoimento durou horas. Maya gritou, implorou e chorou até não ter mais forças. Mas, ao sair da sala, percebeu que a dúvida ainda pairava no ar. O delegado informou que, devido à gravidade da acusação e à idade de Maya, Lochen permaneceria detido até que uma perícia e uma investigação mais profunda fossem realizadas.
— Vocês podem ir para casa — disse o policial.
— Eu não vou a lugar nenhum sem o meu irmão! — gritou Leo, agarrando-se à cadeira da recepção.
— Vamos, Leo — disse Helena, agarrando o braço do menino com força. — Esse assunto está encerrado por hoje.
Maya olhou para a porta que levava às celas. Um pressentimento horrível, um frio que subia pela espinha, a dominou. Ela sentiu como se uma parte de sua alma estivesse sendo arrancada.
— Lochen... — sussurrou ela, antes de ser arrastada pela mãe para fora do prédio.
Dentro da cela, a escuridão parecia ter ganhado peso. Lochen olhou para a sua própria camisa de flanela. Ele se sentia um monstro, não pelo que sentia por Maya, mas pelo que a presença dele estava causando à família. Se ele desaparecesse, talvez a mãe parasse de perseguir Maya. Talvez a atenção saísse de cima deles.
Com as mãos trêmulas, ele começou a rasgar a própria roupa em tiras, os olhos verdes fixos em um ponto cego na parede. A mente dele estava em um lugar escuro, onde a lógica da sobrevivência fora substituída pela lógica do sacrifício.
Minutos depois, um dos guardas que fazia a ronda noturna passou pelo corredor. Ele assobiava uma melodia qualquer, até que a lanterna iluminou a cela de número 04.
— Ei! Ei, garoto! — o guarda gritou, soltando a lanterna e correndo para abrir a grade.
Lochen estava suspenso, o rosto começando a ganhar um tom arroxeado, os pés chutando o ar em um reflexo involuntário da vida tentando se manter, apesar da vontade da mente.
— Ajuda aqui! — o guarda berrou para os colegas.
Eles o desceram rapidamente. Lochen caiu no chão como um boneco de pano, o pescoço marcado, a respiração vindo em soluços curtos e agônicos.
— Chama a ambulância! Agora!
O caos se instalou na delegacia. O rádio tocou, e o delegado, que ainda estava em sua mesa revisando os depoimentos, correu para a área das celas.
— O que aconteceu?
— O garoto tentou se enforcar, senhor. Ele ainda está vivo, mas o pulso está fraco.
Maya e Leo ainda estavam no estacionamento, esperando Helena, que discutia com alguém ao telefone, quando viram a ambulância chegar com as luzes piscando. O coração de Maya parou.
— Não... — ela sussurrou.
Ela correu de volta para a entrada da delegacia, ignorando os gritos da mãe. Ela viu quando a maca saiu, carregando um corpo pálido, com o pescoço envolto em um colar cervical.
— LOCHEN! — o grito de Maya rasgou a noite.
Ela tentou se aproximar, mas os policiais a seguraram. Leo, logo atrás, começou a gritar também, um som gutural de pura dor infantil.
— Ele está vivo? Por favor, me digam que ele está vivo! — Maya implorava, lutando contra os braços que a prendiam.
— Ele está sendo levado para o hospital central — disse o delegado, aproximando-se com uma expressão de choque e pesar. — Ele tentou tirar a própria vida.
Maya caiu de joelhos no asfalto. O mundo ao seu redor desapareceu. Não havia mais delegacia, não havia mais mãe, não havia mais leis. Havia apenas a imagem de Lochen, o menino de olhos verdes que lia para ela antes de dormirem, o rapaz que enfrentava o mundo para que ela pudesse sorrir, agora lutando por cada respiração em uma ambulância.
— Você conseguiu, mamãe — disse Maya, a voz agora fria e desprovida de qualquer emoção, olhando para Helena que se aproximava com uma expressão de falso susto. — Você matou ele. Se ele não acordar, eu juro por tudo o que é sagrado, que eu vou contar para todo mundo quem você realmente é.
Helena recuou, intimidada pelo fogo que agora queimava nos olhos claros da filha.
A noite estava longe de acabar. Enquanto a ambulância se afastava, Maya sabia que, independentemente do que acontecesse no hospital, a vida que eles conheciam havia morrido naquela cela. E agora, ela teria que ser a força que Lochen sempre foi para eles. Ela não deixaria que a mentira vencesse. Não enquanto houvesse ar em seus pulmões e o amor por Lochen em seu coração.
