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Abbie e sua little cueca :3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 07/08/2026

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O Dilema do Algodão e o Gancho do Destino

Os corredores da Paper School pareciam mais longos e sombrios do que o normal naquela tarde. Para Abbie, cada sombra projetada pelas janelas altas parecia o braço de um professor pronto para lhe entregar uma prova com uma nota vermelha, ou pior, o prelúdio de um destino terrível nas mãos da Srta. Circle. O garoto caminhava encolhido, seus ombros subindo até quase tocarem as orelhas, enquanto suas mãos apertavam as alças da mochila com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

Seu cabelo preto, cortado na altura dos ombros, balançava levemente a cada passo trêmulo. O pequeno coque no topo de sua cabeça, perfeitamente moldado como o caule e a folha de uma maçã, parecia murchar junto com sua confiança. Abbie amava maçãs, mas nem mesmo o pensamento de uma fruta suculenta e vermelha conseguia acalmar as batidas frenéticas de seu coração naquele momento.

— Eu só preciso chegar na sala... — sussurrou ele para si mesmo, as pupilas em forma de fenda dilatando-se de medo a cada ruído metálico dos armários. — Só chegar na sala, sentar no fundo e não ser notado. É um plano simples. Um plano seguro.

Ele vestia seu habitual colete preto sobre a camisa branca, a gravata impecavelmente presa dentro da bermuda branca. Ele se sentia como se estivesse indo para um funeral — possivelmente o seu próprio, se a Srta. Circle decidisse que ele não havia estudado o suficiente para a aula de geometria. O suor frio escorria por sua nuca enquanto ele passava por uma área do corredor que estava em reformas, onde alguns suportes de metal e postes de sinalização internos haviam sido colocados temporariamente.

Abbie estava tão distraído, olhando por cima do ombro para verificar se não estava sendo seguido por algum valentão ou por uma professora armada com um compasso gigante, que não percebeu a proximidade de um poste de metal decorativo. O poste tinha uma extremidade superior pontuda, uma espécie de gancho ornamental que servia para segurar cordões de isolamento.

O desastre aconteceu em um piscar de olhos.

Ao tentar desviar de uma poça de água no chão, Abbie deu um passo lateral desajeitado. O tecido de sua bermuda branca era leve, mas o que realmente se prendeu foi o elástico firme de sua cueca. O gancho pontudo do poste deslizou perfeitamente por baixo do tecido da bermuda e enganchou-se com precisão implacável na parte traseira de sua roupa íntima.

— Hã? — Abbie sentiu um puxão súbito.

Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, seu próprio impulso de caminhada fez com que o gancho puxasse o elástico para cima com força.

— E-ei! O que... — O grito morreu em sua garganta quando ele sentiu o pé perdendo o contato com o chão.

O poste era firme e, devido ao ângulo do gancho, Abbie acabou ficando suspenso, com as pontas dos pés mal tocando o piso frio da escola. O peso de seu corpo fez com que a cueca esticasse ao limite. O som do elástico rangendo sob a tensão foi como um trovão nos ouvidos do garoto.

— SOCORRO! — gritou Abbie, o desespero tomando conta de sua voz fina. — Alguém me ajude! Por favor!

Ele começou a espernear, o que só piorou a situação. Cada movimento fazia com que o metal pontudo entrasse mais fundo na resistência do tecido. Ele podia sentir o algodão quase cedendo, o som de fibras se rompendo — crac, crac — ecoando no corredor vazio.

— Não rasga, por favor, não rasga! — ele implorava, as lágrimas começando a brotar em seus olhos pequenos. — Eu vou ficar preso aqui para sempre!

O rosto de Abbie atingiu um tom de vermelho tão intenso que rivalizava com a maçã mais madura. A humilhação de estar pendurado pelo próprio "cuecão" em pleno corredor da escola era demais para sua mente frágil suportar. Ele imaginou Lana ou, pior ainda, Oliver passando por ali e vendo aquela cena deplorável. Ele nunca mais conseguiria olhar para ninguém.

— Eu sou um fracasso... — soluçou ele, tentando desesperadamente alcançar o poste atrás de si com as mãos, mas seus braços eram curtos demais e o ângulo era impossível. — Por que essas coisas só acontecem comigo?

Ele tentou se impulsionar para cima para livrar o tecido do gancho, mas seus sapatos pretos escorregavam no chão polido. O poste balançava levemente, mas permanecia firme em sua base pesada. Abbie estava literalmente à mercê de um objeto inanimado.

— Alguém... — sua voz falhou, tornando-se um sussurro agudo. — Por favor... eu prometo que vou estudar mais... eu prometo que vou comer todas as minhas maçãs... só me tira daqui!

De repente, ele ouviu passos ecoando ao longe. O pânico de Abbie dobrou de intensidade. Se fosse um professor, ele seria levado para a diretoria naquela posição ridícula. Se fosse um aluno, ele seria o motivo de piada pelo resto da eternidade na Paper School.

— Oh não, oh não, oh não! — Ele começou a se debater novamente, as pupilas em fenda tremendo de pavor. — Sai, sai, sai!

A cueca deu um estalo audível. Abbie congelou. Ele sentiu que, se fizesse mais um movimento, o tecido se rasgaria completamente, deixando-o não apenas preso, mas em uma situação ainda mais comprometedora e embaraçosa. Ele ficou imóvel, parecendo uma estátua de desespero, pendurado pelo elástico enquanto o suor escorria por sua testa.

— Por favor... — ele murmurou para o vazio, fechando os olhos com força. — Que seja um sonho. Que seja apenas um pesadelo de matemática.

Mas o toque frio do metal contra suas costas e a pressão incômoda do elástico esticado diziam que aquilo era muito, muito real. Abbie, o garoto que temia tudo, acabara de encontrar seu maior inimigo: um poste de sinalização com um senso de humor cruel.

— Eu só queria... — ele fungou, tentando recuperar o fôlego entre os soluços — ...ser um garoto normal.

Enquanto esperava pelo seu destino, Abbie permaneceu ali, uma pequena figura trêmula de preto e branco, pendurada no meio do corredor, torcendo para que o tecido de sua cueca fosse tão forte quanto seu medo de reprovar na escola. A folha de maçã em sua cabeça parecia murcha, balançando tristemente enquanto ele aguardava que alguém — ou a própria sorte — o libertasse daquela armadilha de algodão.

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