
Descendentes
Fandom: Descendentes
Criado: 07/08/2026
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O Peso de uma Coroa de Flores e Inseguranças
Maxwell Hatter era um desgraçado de sorte, e ele sabia disso. O problema era que o "saber" não impedia seu estômago de dar nós apertados toda vez que o relógio avançava cinco minutos sem sinal de seu namorado.
Max estava sentado à mesa do refeitório de Auradon Prep, cercado pelo burburinho matinal de príncipes, princesas e filhos de vilões que tentavam desesperadamente parecer civilizados antes da primeira aula de Bondade Corretiva ou Esgrima. À sua frente, uma bandeja farta — cortesia de um esforço extra dos cozinheiros para agradar os alunos — intocada. O chá de hibisco estava esfriando, e o muffin de mirtilo parecia subitamente feito de areia.
— Se você continuar encarando esse muffin, ele vai acabar desenvolvendo consciência e pedindo para ser comido só para acabar com o sofrimento — a voz arrastada de Hazel Hook cortou o transe de Max.
A filha do Capitão Gancho sentou-se à frente dele com a elegância de um predador, jogando os cabelos escuros para trás. Ao lado dela, Chloe Charming sorria, aquele sorriso brilhante de quem vive em um musical da Disney, e segurava a mão de Hazel por baixo da mesa.
— Ele está preocupado com o "L" — comentou Félix Facilier, surgindo do nada com Robie Wood ao seu lado. Félix, com seu habitual ar de mistério herdado do pai, sentou-se e começou a roubar as uvas da bandeja de Max. — Ele não chegou ainda, Max? O grande e poderoso Luís Madrigal está atrasado?
— Ele não está atrasado — retrucou Max, a voz carregada de um sarcasmo defensivo que era sua marca registrada. — Ele é o capitão de cinco times, Félix. Provavelmente está ajudando algum calouro a encontrar o caminho do banheiro ou salvando um gatinho de uma árvore. Você sabe como ele é. Perfeito demais para o próprio bem.
— E perfeito demais para você, na sua cabeça, não é? — Robie Wood riu, sentando-se ao lado de Félix e depositando um beijo rápido na bochecha do namorado. — Relaxa, Max. O Luís é louco por você. Todo mundo vê.
Max bufou, cruzando os braços sobre o peito. Ele queria acreditar nisso. Realmente queria. Mas a lógica de sua mente, afiada e caótica como a de seu pai, o Chapeleiro, sempre encontrava uma falha no sistema.
Como Luís Madrigal — o filho mais velho de Luísa Madrigal, o garoto que herdou a força e a bondade da mãe, o rapaz que tinha o sorriso capaz de iluminar toda Auradon e a inteligência para ser o melhor em tudo o que fazia — poderia realmente querer alguém como Max? Max era... bom, ele era o Chapeleiro. Ele era sarcástico, teimoso, tinha crises de ansiedade que o faziam querer se esconder em um bule de chá e era mestre em afastar as pessoas antes que elas pudessem rejeitá-lo.
Tudo tinha começado com aquele maldito jogo de verdade ou desafio, três meses atrás. Max ainda conseguia sentir o calor da vergonha subindo pelo pescoço ao lembrar daquela noite de pijamas no dormitório de Red e Chloe. Hazel, com seu instinto de pirata para encontrar tesouros escondidos ou fraquezas alheias, o havia desafiado a ligar para Luís.
"Ligue para ele, Max. Diga que você o ama desde os treze anos e chame-o para sair. Se ele disser não, eu limpo o convés do navio do meu pai por um mês. Se ele disser sim... bem, você para de choramingar pelos cantos", Hazel dissera, com aquele brilho desafiador nos olhos.
Max, impulsionado pela pressão dos amigos e por uma dose perigosa de orgulho, ligou. Ele esperava uma risada educada, um "sinto muito, Max, mas você é como um irmão para a Red". Em vez disso, houve um silêncio longo, seguido pela voz profunda e gentil de Luís: "Eu achei que você nunca fosse pedir, Max. Eu adoraria sair com você".
Três meses. Noventa dias de encontros, beijos roubados na biblioteca e Luís sendo... Luís.
— Terra chamando Chapeleiro — Red Hearts estalou os dedos na frente do rosto de Max, sentando-se ao lado dele com Pink, a irmã caçula, a reboque. — Você está com aquela cara de quem está calculando a probabilidade de o Luís te trocar por uma líder de torcida de Camelot.
— Eu não estou fazendo isso — mentiu Max.
— Está sim — Pink disse, pegando um pedaço do muffin de Max. — Você está tremendo a perna esquerda. Você faz isso quando está inseguro.
— Vocês são todos insuportáveis — resmungou Max, mas seu coração deu um salto quando as portas do refeitório se abriram.
Luís Madrigal entrou no recinto como se o sol tivesse decidido segui-lo. Ele era alto, os ombros largos sob a jaqueta do time de Tourney, o cabelo escuro levemente bagunçado pelo vento. Ele estava conversando com uma garota do Reino de Bela e a Fera, sorrindo de forma atenciosa enquanto ela gesticulava animadamente.
Max sentiu uma pontada imediata de ciúme, um monstro verde que roía suas entranhas. Quem era ela? Por que ela estava tocando no braço dele? Luís riu de algo que ela disse, e Max sentiu vontade de quebrar sua xícara de chá.
— Lá vem o seu herói — zombou Hazel, notando a expressão de Max. — Tente não morder ninguém, Max. O ciúme não combina com o seu tom de pele.
Luís finalmente se despediu da garota e seus olhos varreram o refeitório até encontrarem Max. O sorriso dele mudou instantaneamente — tornou-se algo mais privado, mais quente, direcionado apenas para uma pessoa. Ele caminhou em direção à mesa deles, ignorando os olhares de admiração que recebia de quase todos os lados.
— Bom dia, pessoal — disse Luís, sua voz calma e melódica agindo como um bálsamo, mesmo que Max tentasse resistir. Ele colocou uma mão no ombro de Max e inclinou-se para beijar o topo de sua cabeça. — Desculpe o atraso, Maxie. Tive que ajudar o Diretor com uns equipamentos novos no ginásio.
— Tanto faz — Max murmurou, embora tenha se inclinado inconscientemente para o toque. — Quem era aquela?
Luís sentou-se ao lado dele, parecendo genuinamente confuso por um segundo antes de entender.
— Ah, aquela era a Sophie. Ela está com dificuldades em História da Magia e eu prometi passar uns resumos para ela.
— Resumos, sei — Max retrucou, cutucando o muffin agora destruído. — Ela parecia bem interessada nos seus "resumos". E em como seus bíceps ficam naquela jaqueta.
Red soltou uma risadinha abafada, e Chloe lançou um olhar de "eu te avisei" para Hazel.
— Max — Luís disse suavemente, pegando a mão de Max por cima da mesa. As mãos de Luís eram grandes, quentes e calejadas pelos esportes, mas ele as segurava com uma delicadeza absoluta. — Eu estava pensando nela tanto quanto estava pensando na lição de casa de amanhã. Ou seja, nada. Eu estava com pressa para chegar aqui e ver você.
Max sentiu seu rosto arder. Ele odiava como Luís conseguia desarmá-lo com tanta facilidade. Era irritante. Era injusto.
— Você é muito bonzinho, Luís — disse Pink, balançando as pernas na cadeira. — O Max é um chato ciumento. Se eu fosse você, trocava ele por uma caixa de bombons. Pelo menos os bombons são doces.
— Pink! — Red repreendeu a irmã, embora estivesse sorrindo.
— Está tudo bem, Pink — Luís riu, e o som era como música para os ouvidos de Max, por mais que ele não quisesse admitir. — Eu gosto do Max exatamente do jeito que ele é. Sarcasmo, ciúme e tudo o mais.
Max olhou para Luís, observando a sinceridade nos olhos castanhos do Madrigal. Luís era observador; ele sabia que Max estava tendo um "dia de insegurança". Ele sempre sabia.
— Eu não sou ciumento — Max tentou uma última vez, sem convicção. — Eu sou... observador. É uma característica de família.
— Claro, meu Chapeleiro observador — Luís apertou a mão dele. — A propósito, eu trouxe isso para você.
Ele tateou o bolso da jaqueta e tirou um pequeno objeto embrulhado em um lenço de seda. Ao abrir, revelou um broche de metal em formato de bule de chá, com uma pequena gema azul no centro.
— Eu vi isso na vila no fim de semana e pensei que combinaria com o seu chapéu novo — explicou Luís, um pouco tímido. — É simples, mas...
— É perfeito — interrompeu Max, sua muralha de sarcasmo desmoronando completamente. Ele pegou o broche, sentindo o peso do metal. — Obrigado, Luís.
— De nada — Luís sorriu, aquele sorriso que fazia Max sentir que ele era a única pessoa no mundo. — Agora, você vai comer alguma coisa ou eu vou ter que te alimentar na frente de todo mundo? Porque a Red está pronta para tirar uma foto e postar no "Auradon Gram".
— Nem pense nisso, Red — Max ameaçou, mas finalmente pegou um pedaço do muffin.
O clima na mesa relaxou. Félix e Robie começaram a discutir sobre o próximo jogo de Tourney, Hazel e Chloe entraram em seu próprio mundo de sussurros e olhares apaixonados, e Red tentava impedir Pink de roubar o bacon de todo mundo.
No entanto, a paz de Max durou pouco. Um grupo de garotas do segundo ano passou pela mesa, e uma delas, uma filha de uma das fadas madrinhas, parou por um segundo, lançando um olhar desdenhoso para Max antes de sorrir para Luís.
— Oi, Luís! Não esquece do treino extra hoje à tarde, hein? A gente precisa de você focado.
Luís acenou educadamente, mas Max sentiu o nó no estômago voltar. O treino extra. Mais horas onde Luís estaria cercado por pessoas que o adoravam, pessoas que eram "normais", pessoas que não tinham que lutar contra a própria mente para se sentirem dignas de um café da manhã.
— Max? — Luís chamou baixo, percebendo a mudança de aura do namorado. — O que foi?
— Nada — Max disse rápido demais. — Só estou pensando que tenho muita lição de Alquimia.
— Você é um péssimo mentiroso para alguém tão inteligente — Luís comentou, aproximando a cadeira da de Max. — Se você quiser, eu cancelo o treino. Posso dizer que preciso estudar.
Max olhou para ele, surpreso.
— Você faria isso? O Capitão Perfeito faltaria ao treino por causa dos meus surtos?
— Eu faria qualquer coisa por você, Max. Você sabe disso — Luís disse com uma seriedade que fez o coração de Max disparar. — Mas eu preferia que você confiasse em mim. E em nós.
Max suspirou, encostando a cabeça no ombro de Luís. O cheiro de Luís — algo como grama cortada e canela — o envolveu.
— Eu confio em você, Luís. Eu só... não confio no resto do mundo. E às vezes, não confio na minha sorte.
— Pois comece a confiar — interveio Red, que estava ouvindo apesar de fingir que não. — Porque o Luís é teimoso. Ele decidiu que você é o prêmio dele, e Madrigais não desistem fácil.
— Exatamente — confirmou Luís, beijando a têmpora de Max. — Agora, termine esse chá. Temos aula de Estratégia em dez minutos e eu não quero que você use sua inteligência superior para me fazer parecer um bobo na frente do professor.
Max deu um pequeno sorriso, o primeiro sorriso real da manhã.
— Ah, não se preocupe, Luís. Você faz um ótimo trabalho parecendo um bobo sozinho toda vez que olha para mim.
Luís soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção de metade do refeitório. Max sentiu aquela pontada de orgulho possessivo. Sim, ele era inseguro. Sim, ele era ciumento. Mas Luís Madrigal era dele. E, por enquanto, isso era o suficiente para manter os monstros da sua mente em silêncio.
Enquanto se levantavam para seguir para as aulas, Max prendeu o broche de bule em sua gola. Ele ainda sentia os olhares de alguns alunos, as perguntas silenciosas de "como ele conseguiu o Madrigal?", mas ao sentir a mão de Luís se entrelaçar na sua de forma firme e pública, Max ergueu o queixo.
Ele podia ser um desgraçado de sorte, mas ele ia lutar para manter essa sorte por quanto tempo pudesse. Afinal, em um mundo de contos de fadas e vilões redimidos, talvez até um Chapeleiro inseguro pudesse ter seu "felizes para sempre" com o garoto mais forte de Auradon.
— Max? — Luís chamou enquanto caminhavam pelo corredor.
— Sim?
— Você fica muito bonito quando está tentando parecer indiferente — Luís piscou para ele.
— Eu te odeio — Max resmungou, mas não soltou a mão de Luís nem por um segundo.
— Eu também te amo, Max.
E ali, entre os armários coloridos e os bustos de heróis antigos, Max Hatter percebeu que, embora o ciúme fosse uma sombra constante, a luz que Luís trazia era sempre muito mais forte.
