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Fandom: Nenhum

Criado: 08/08/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoPsicológicoEstudo de PersonagemGravidez Não Planejada/IndesejadaCiúmes
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Tintas, Sapatilhas e o Peso de um Segredo

A iluminação baixa do loft de Emanuel, localizado em um dos bairros mais caros da cidade, criava uma atmosfera que oscilava entre o luxo industrial e o acolhimento. O cheiro de incenso de sândalo misturava-se ao aroma de café caro e ao leve odor de tinta de tatuagem que parecia impregnado na pele do anfitrião. Emanuel, aos vinte e cinco anos, era a imagem da estabilidade sob pressão. Dono de um império de estúdios que se estendia por vários países, ele costumava ter o controle de tudo, desde o traço de uma agulha até o fechamento de contratos milionários. Mas, naquela noite, seu foco era puramente emocional.

Ele observava as duas mulheres que ocupavam o centro de seu universo, sentadas em sofás opostos na sala ampla onde o grupo de amigos se reunia.

Sara, sua namorada, era uma explosão de presença. Loira, com o corpo moldado por cirurgias que ela exibia com orgulho em um vestido de seda justo e decotado, ela exalava uma confiança que beirava o agressivo. Formada em administração, ela preferia gastar o tempo gerenciando sua loja de roupas de grife e testando os limites de Emanuel. Ela era o fogo; intensa, barulhenta e visceral.

Do outro lado, Eduarda parecia uma pintura em aquarela que ganhou vida. Aos vinte anos, a estudante de História da Arte e professora de ballet sentava-se com as pernas recolhidas, vestindo um cardigã de tricô cru sobre um vestido leve. Ela era a brisa; silenciosa, doce e sensível. Eduarda não sabia, mas cada movimento delicado de suas mãos, cada olhar tímido que ela lançava ao chão, prendia o fôlego de Emanuel.

Ele amava Sara. Amava a crueza dela, a lealdade feroz e a maneira como ela o desafiava. Mas ele também desejava Eduarda. Desejava protegê-la, envolver sua fragilidade em seus braços tatuados e garantir que o mundo nunca a machucasse. Entre as duas, Emanuel sentia-se um homem dividido, mas não culpado. Ele já havia contado tudo a Sara. A transparência era o pilar do relacionamento deles, e Sara, em sua sabedoria mundana e desprovida de inseguranças convencionais, aceitara a ideia. Ela queria que ele fosse feliz, e se a felicidade dele incluísse a "pequena bailarina", que assim fosse.

— Você está encarando de novo, Manu — sussurrou Sara, aproximando-se dele e passando a unha comprida e bem feita pelo braço dele. — Ela é uma gracinha, não é? Parece que vai quebrar se a gente soprar.

Emanuel pigarreou, sentindo a tensão subir pela nuca.

— Eu só estava pensando no grupo. Todo mundo chegou.

— Sei — Sara sorriu, um sorriso provocador que revelava seus dentes perfeitos. — Relaxa. Hoje o foco é outro. Vamos contar?

Emanuel assentiu, sua expressão fechando-se na seriedade habitual, embora seus olhos brilhassem com uma ponta de ansiedade. Ele envolveu a cintura de Sara com o braço, puxando-a para o centro da sala. O grupo de amigos, composto por outros artistas, empresários e conhecidos da faculdade, silenciou-se gradualmente.

— Pessoal, atenção aqui — começou Emanuel, sua voz grave ecoando pelo espaço. — Queríamos aproveitar que estão todos reunidos para dar uma notícia.

Sara não esperou. Ela adorava o impacto.

— Eu estou grávida! — exclamou ela, as mãos espalmadas sobre a barriga ainda perfeitamente plana. — Um mês. O herdeiro das agulhas está a caminho.

Uma onda de exclamações e aplausos tomou conta da sala. Os amigos se levantaram para abraçá-los. Emanuel mantinha a mão possessiva sobre o ombro de Sara, um gesto de proteção instintivo que se intensificara desde que descobriram a gestação. Ele era um homem prático; a ideia de um filho significava novos protocolos, segurança redobrada e um futuro que ele precisava esculpir com precisão.

No canto do sofá, Eduarda sentiu o coração dar um salto estranho. Ela se levantou lentamente, um sorriso doce, embora um pouco trêmulo, iluminando seu rosto fino.

— Meus parabéns, Sara! Emanuel! — Ela se aproximou, sua voz suave mal sobressaindo ao barulho. — Que notícia maravilhosa. Vai ser um bebê lindo.

Sara olhou para Eduarda e, em vez de ciúme, sentiu uma onda de simpatia. Ela via a menina como algo precioso e inofensivo, quase como um animal de estimação de luxo que Emanuel queria colecionar.

— Obrigada, Duda! — Sara a puxou para um abraço rápido, o perfume forte da loira envolvendo a fragilidade da bailarina. — Você vai ter que ensinar ballet para essa criança se for menina, ouviu? Nada de criança desajeitada na minha casa.

Eduarda corou, o tom rosado subindo por suas bochechas.

— Eu adoraria. Seria uma honra.

Emanuel observava a interação com os olhos semicerrados. Ver as duas juntas causava nele uma mistura de euforia e frustração. Ele queria Eduarda ali, naquela dinâmica, não apenas como uma amiga de fora, mas como parte do núcleo. No entanto, o estresse da gravidez e de seus negócios o deixava ríspido.

— Sara, não cansa a Eduarda com isso agora — disse Emanuel, o tom mais seco do que pretendia. — Ela tem as aulas dela e a faculdade.

Eduarda baixou o olhar, sentindo a autoridade na voz dele.

— Tudo bem, Emanuel. Eu não me importo, de verdade.

— Eu sei que não se importa, mas você se sobrecarrega — ele rebateu, dando um passo em direção a ela, ignorando por um momento os outros amigos ao redor. — Como estão seus pés? Vi que postou que o ensaio hoje foi até tarde.

A pergunta, carregada de um cuidado quase íntimo, fez o ambiente parecer menor. Eduarda sentiu-se exposta sob o olhar observador de Emanuel.

— Estão um pouco doloridos, mas faz parte — ela respondeu, brincando com a barra do cardigã. — Meus pais disseram que eu devia descansar mais, mas sabe como eles são... acham que tudo se resolve com um chá e uma conversa sobre energia positiva.

Emanuel soltou um suspiro curto, uma risada sem humor. Os pais de Eduarda eram jovens e modernos, viviam em uma vibração completamente diferente da dele, o que o irritava profundamente. Ele achava a liberdade deles negligente.

— Seus pais são liberais demais — Emanuel declarou, cruzando os braços. — Você precisa de estrutura, Eduarda. Não de "energia positiva". Se precisar de qualquer coisa, massagem terapêutica ou um médico decente, você me avisa. Eu resolvo.

— Emanuel, deixe a menina — Sara interveio, embora desse um tapinha cúmplice no braço dele. — Ele está um ranzinza hoje, Duda. O estresse de abrir o estúdio em Tóquio está deixando ele assim, um urso.

— Eu só estou sendo prático — Emanuel retrucou, a voz subindo de tom, a irritação latente finalmente aflorando. — Alguém tem que ser.

O grupo percebeu o clima pesado e a conversa se dispersou em pequenos núcleos novamente. Eduarda, sentindo-se pequena sob a intensidade de Emanuel, recuou um passo.

— Vou pegar um pouco de água — ela murmurou, fugindo em direção à cozinha.

Emanuel fez menção de segui-la, mas Sara segurou seu pulso.

— Ainda não, meu amor — ela sussurrou no ouvido dele. — Deixa ela processar. Você está agindo como um trator. Se quer que ela entre na nossa vida desse jeito, tem que ser mais suave. Ela é uma bailarina, lembra? Não uma das suas máquinas de tatuar.

— Eu não gosto de ver ela desamparada, Sara. Aqueles pais dela não veem que ela se esforça demais — ele disse, a mandíbula tensa.

— E você quer ser o herói dela. Eu sei. Eu deixo — Sara sorriu, o olhar brilhando com uma malícia que não era cruel, mas puramente estratégica. — Mas agora, foca em mim e no nosso bebê. A Eduarda não vai a lugar nenhum. Ela adora você, só é lerda demais para perceber o que esse seu olhar de "dono do mundo" significa.

Na cozinha, Eduarda encostou-se na bancada de mármore, tentando acalmar o coração. Ela sempre se sentira protegida por Emanuel, mas ultimamente, a atenção dele parecia... diferente. Mais pesada. Mais física. Ela o admirava, sentia uma segurança profunda ao lado dele, mas a presença de Sara sempre servia como um lembrete do lugar de cada um.

Ela ouviu passos e, por um momento, esperou que fosse ele. Mas era apenas um dos amigos do grupo buscando mais gelo. Eduarda suspirou, sentindo-se boba por sua própria insegurança.

Minutos depois, ela voltou para a sala. Emanuel estava sentado em sua poltrona de couro, Sara instalada confortavelmente em seu colo, uma cena de domínio e posse que Emanuel exibia com naturalidade. No entanto, os olhos dele não saíram da porta da cozinha até que Eduarda aparecesse.

— Duda, venha aqui — chamou Emanuel, sua voz agora mais calma, mas ainda carregada de uma autoridade inquestionável.

Ela obedeceu, aproximando-se timidamente.

— Sim?

— Amanhã eu vou passar na sua casa — ele afirmou, não era um pedido. — Vou levar alguns suplementos que o meu médico recomendou para fortalecimento muscular. Para as suas aulas.

— Emanuel, não precisa se incomodar...

— Eu já disse que vou — ele a cortou, mas desta vez seus olhos suavizaram ao encontrar os dela. — Esteja lá às seis.

Sara, assistindo a tudo do colo de Emanuel, deu uma piscadela para Eduarda.

— Aceita, querida. Quando ele coloca uma coisa na cabeça, nem eu tiro. E ele tem razão, você está muito magrinha. Precisamos cuidar de você para que você cuide do nosso pequeno daqui a uns meses.

Eduarda sorriu, sentindo um calor estranho no peito. A dinâmica entre os três era confusa, mas havia uma estranha harmonia ali que ela ainda não conseguia decifrar. Ela se sentia querida, protegida por aquele casal poderoso e excêntrico.

— Tudo bem — ela cedeu, a voz manhosa. — Estarei esperando.

Emanuel relaxou os ombros, uma pequena vitória brilhando em seu olhar. Ele tinha Sara sob seu domínio e agora estava traçando os caminhos para ter Eduarda também. O bebê era o início de uma nova era, e ele garantiria que seu mundo, composto por aquelas duas mulheres tão opostas, fosse impenetrável.

A noite continuou entre risadas e planos para o futuro. Emanuel, embora mantivesse a postura firme e o controle sobre a conversa, não conseguia evitar que seus pensamentos vagassem. Ele imaginava Eduarda em sua casa, não apenas como visita, mas como parte permanente daquele cenário. Imaginava a força de Sara combinada com a doçura de Eduarda criando o ambiente perfeito para seu filho.

Ele era um homem que conseguia o que queria. E ele queria as duas.

Ao final da noite, quando o grupo começou a se despedir, Emanuel fez questão de acompanhar Eduarda até o carro, mesmo com Sara observando da porta com um sorriso cúmplice.

— Dirija com cuidado — ele disse, fechando a porta para ela. — E não se esqueça de comer algo antes de dormir. Você parece cansada.

— Vou fazer isso, Emanuel. Boa noite. E parabéns de novo. Estou muito feliz por vocês.

Ele inclinou-se um pouco, aproximando o rosto da janela.

— Você faz parte disso, Eduarda. Lembre-se disso.

Ela deu partida no carro, o coração acelerado. Enquanto se afastava, Emanuel permaneceu na calçada, a figura alta e imponente recortada contra a luz dos postes. Ele voltou para dentro, onde Sara o esperava com uma taça de suco e um olhar de quem sabia todos os seus segredos.

— Você é um homem terrível, Emanuel — ela brincou, quando ele entrou.

— Eu sou um homem que cuida do que é seu, Sara — ele respondeu, puxando-a para um beijo possessivo. — E eu vou cuidar de tudo.

A gravidez era apenas o começo. O jogo de sedução, proteção e controle estava apenas em seu primeiro capítulo, e Emanuel estava determinado a escrever o final que desejava, custasse o que custasse à sua lógica racional. Naquela noite, sob o céu estrelado da cidade, o destino de uma bailarina tímida e de um casal poderoso começou a se entrelaçar de forma definitiva.

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