
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 08/08/2026
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Reflexo de Grafite e Sangue
A luz pálida dos corredores da Escola de Papel refletia-se no chão encerado, mas Oliver não estava nem um pouco preocupado com a estética do lugar. Ele caminhava com a confiança de quem era o dono do pedaço, os longos cabelos brancos balançando atrás de si como uma cauda majestosa, o laço preto segurando o rabo de cavalo baixo com firmeza. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão luxuosa, que ele mordiscava como se fosse o mais refinado chocolate belga.
— Nada como um sabor de lavanda para começar o intervalo — murmurou ele para si mesmo, sentindo o gosto adstringente e a textura macia derreterem em sua boca.
Oliver estava de excelente humor. Ele já tinha algumas ideias em mente para pregar peças em Abbie ou talvez irritar a Professora Sasha. Com Zip e Edward provavelmente já preparando alguma armadilha no laboratório ou no pátio, Oliver sentia que o dia seria produtivo. Ele ajeitou a gola de sua camisa preta, orgulhoso da marca "A+" vermelha que ostentava em seu cabelo, um símbolo irônico de sua superioridade naquele caos de celulose.
Ele virou a esquina de um corredor menos movimentado, onde as sombras pareciam um pouco mais densas do que o normal. Oliver parou por um momento, sentindo um calafrio estranho, mas logo deu de ombros, levando o sabonete à boca novamente. Foi então que aconteceu.
Sem qualquer aviso sonoro, uma mão grande e fria surgiu da escuridão de uma sala de suprimentos entreaberta. Antes que Oliver pudesse reagir com seu braço de lápis ou gritar, ele foi agarrado violentamente pelo colarinho da camisa.
— Ei! Que palhaçada é essa?! — Oliver exclamou, a voz saindo abafada enquanto era içado do chão. — Me solta agora, seu idiota! Zip, se for você, eu juro que vou quebrar o seu...
Ele não terminou a frase. O puxão foi tão forte que ele foi arrastado para dentro da sala escura em um borrão de movimento. A porta se fechou com um estrondo metálico, e o som da tranca girando ecoou como um veredito.
Oliver lutou. Ele chutou o ar com suas botas pretas, tentando usar a ponta afiada de seu braço de lápis para perfurar quem quer que o estivesse segurando, mas seus movimentos foram rapidamente neutralizados. Ele sentiu as costas baterem contra uma parede fria e áspera.
— Eu disse para me soltar! — ele rosnou, a irritação subindo como fogo. — Você sabe quem eu sou? Eu vou acabar com você!
Mas a resistência foi inútil. Em questão de segundos, ele sentiu algo frio e rígido envolver seus pulsos. Não era corda comum. Eram fios de metal, finos e resistentes, que o prendiam a ganchos fixos na parede. Seus pés foram submetidos ao mesmo tratamento, esticando seu corpo contra a superfície fria.
— Que diabos... — Oliver ofegou, tentando puxar os braços. O metal cortava levemente sua pele de papel, mas não cedia. — Quem está aí? Apareça!
O silêncio na sala era absoluto, interrompido apenas pela respiração pesada e errática de Oliver. Então, lentamente, uma silhueta começou a se destacar na penumbra. Não era um monstro qualquer, nem um dos professores. Conforme a figura se aproximava, Oliver sentiu o sangue gelar.
Era como olhar para um espelho quebrado e distorcido. A figura tinha o mesmo cabelo branco, os mesmos chifres, o mesmo braço de lápis. Mas onde Oliver era travesso e vibrante, este ser era sombrio, exalando uma aura de perigo genuíno e malícia pura. Seus olhos brilhavam com uma intensidade predatória que Oliver nunca vira em ninguém.
Era o Danger Oliver.
— Mas o quê... — Oliver gaguejou, o choque substituindo a raiva por um instante.
O sósia sombrio inclinou a cabeça, um sorriso lento e cruel se espalhando por seu rosto. Ele deu um passo à frente, entrando no círculo de luz fraca que vinha de uma fresta no teto.
— Olá, irmãozinho — disse Danger Oliver, a voz sendo um sussurro rouco que fez os pelos da nuca de Oliver se arrepiarem.
— Irmãozinho o cacete! — Oliver gritou, recuperando a compostura através da fúria. — Eu não sei quem você pensa que é, ou que tipo de experimento bizarro a Miss Circle andou fazendo, mas você vai me soltar agora!
Danger Oliver ignorou o protesto. Ele se aproximou ainda mais, o espaço pessoal de Oliver sendo invadido sem cerimônia. Ele estendeu a mão livre, tocando o queixo de Oliver com a ponta dos dedos, forçando-o a olhar diretamente em seus olhos escuros.
— Você é tão barulhento — comentou Danger Oliver, sua voz carregada de uma malícia palpável. — Tão cheio de vida e de travessuras bobas. É quase... adorável.
— Tira a mão de mim! — Oliver tentou morder os dedos que o seguravam, avançando com os dentes em direção à mão que agora descia para o seu pescoço.
Mas Danger Oliver foi mais rápido. Com uma agilidade desumana, ele desviou do ataque e, em um movimento calculado, deslizou o dedo indicador para dentro da boca aberta de Oliver, pressionando a língua do garoto para baixo.
Oliver congelou. Seus olhos se arregalaram e um rubor intenso e súbito subiu por suas bochechas, pintando seu rosto de um vermelho choque. O contato era invasivo, inesperado e completamente desconcertante. Ele tentou falar, tentou protestar, mas o dedo em sua boca transformava qualquer som em um murmúrio ininteligível.
— Shhh — sussurrou Danger Oliver, deleitando-se com a reação. — Não tente falar. Você fica muito melhor assim, em silêncio e submisso.
Para o horror de Oliver, o sósia não parou por aí. Danger Oliver empurrou o dedo mais profundamente, explorando a cavidade bucal do garoto preso com uma lentidão torturante. Oliver sentiu as lágrimas de frustração e vergonha arderem em seus olhos. Ele tentou se debater contra as cordas de metal, mas o som do metal rangendo era a única resposta que obtinha.
O rosto de Oliver estava agora completamente escarlate. O choque inicial deu lugar a uma sensação de vulnerabilidade que ele nunca havia experimentado. Ele, o valentão, o pregador de peças, estava agora à mercê de uma versão muito mais perversa de si mesmo.
Após o que pareceu uma eternidade, Danger Oliver retirou o dedo lentamente. O vácuo criado fez com que a língua de Oliver ficasse momentaneamente para cima, e um fio de saliva escorreu pelo canto de sua boca, brilhando sob a luz fraca antes de pingar em seu queixo.
Oliver respirou fundo, arquejando, o peito subindo e descendo rapidamente sob a camisa preta. Seus olhos estavam arregalados, fixos na figura à sua frente, o medo finalmente começando a suplantar a raiva.
— Socorro! Alguém... — Oliver começou a gritar, sua voz falhando pelo esforço.
Antes que ele pudesse completar o pedido, a mão de Danger Oliver subiu novamente, desta vez cobrindo sua boca com força, abafando qualquer som que ele pudesse produzir.
— Eu não faria isso se fosse você — advertiu Danger Oliver, aproximando o rosto do ouvido de Oliver. O hálito dele era frio, como o vento de um túmulo. — Sabe, irmãozinho, eu estive observando você. Você gosta de machucar os outros, não gosta? De rir da dor deles?
Oliver emitiu sons abafados contra a palma da mão do agressor, seus olhos implorando por uma explicação, por uma saída.
— Pois bem — continuou Danger Oliver, a voz tornando-se subitamente gélida e desprovida de qualquer humor. — Agora é a minha vez de brincar. E eu garanto a você... as minhas brincadeiras deixam cicatrizes que nem o tempo pode apagar. Se você gritar de novo, se você tentar resistir mais uma vez, eu vou começar a usar esse lápis no seu braço para redesenhar o seu rosto. E eu não uso borracha.
O corpo de Oliver tremeu. A ameaça de tortura não soava como um blefe; havia uma promessa de dor genuína nas palavras do sósia. O valentão da escola, aquele que sempre tinha uma resposta na ponta da língua e um plano para humilhar alguém, agora estava reduzido a um silêncio absoluto e aterrorizado.
Danger Oliver manteve a mão sobre a boca de Oliver por mais alguns segundos, sentindo a respiração frenética do garoto contra sua palma. Ele sorriu, uma expressão de satisfação sombria ao ver que Oliver finalmente havia entendido sua posição.
— Ótimo — disse Danger Oliver, retirando a mão devagar, mas mantendo-se perigosamente perto. — Fique quietinho. Assim, talvez, eu decida ser gentil com você.
Oliver não disse nada. Ele ficou parado, o suor frio escorrendo por sua testa, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. Ele olhou para o seu braço de lápis, depois para o de seu captor, percebendo que, naquele jogo de sombras, ele não era o predador.
Ele era apenas o papel, e Danger Oliver era o grafite afiado pronto para rasgá-lo.
