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Fandom: Alien stage
Criado: 08/08/2026
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Rosa, Azul e um Gosto de Cereja
O sol da manhã atravessava as janelas altas da sala do terceiro ano, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Era um cenário comum para um início de semestre: o som de cadeiras arrastando, o burburinho de fofocas acumuladas do final de semana e o desespero silencioso de quem tentava terminar a lição de casa de física antes do sinal tocar.
No fundo da sala, o "território sagrado" estava ocupado. Till, com seu habitual cabelo cinza que parecia ter sobrevivido a uma explosão controlada, mantinha os fones de ouvido no volume máximo. Ele tamborilava os dedos na mesa de madeira riscada, seguindo um ritmo de rock pesado que apenas ele ouvia, com uma expressão de quem preferia estar em qualquer outro lugar do planeta — de preferência um onde não existissem equações.
Ao lado dele, Ivan desembrulhava o terceiro chocolate da manhã. Ele se movia com uma calma irritante, ajeitando o uniforme impecável enquanto seus olhos escuros e profundos varriam a sala em busca de entretenimento.
— Till, se você continuar batendo na mesa desse jeito, vai acabar furando a madeira — comentou Ivan, com um sorriso de canto que raramente indicava algo bom. — Ou vai atrair um terremoto.
Till nem se deu ao trabalho de tirar os fones. Apenas levantou o dedo médio, sem desviar o olhar da janela.
— Que falta de educação — riu Hyuna, virando-se para trás em sua cadeira. Ela era a energia caótica que mantinha o grupo unido, com seu cabelo marrom longo e um brilho de curiosidade constante nos olhos azuis. — Deixa o garoto sofrer em paz, Ivan. Ele está processando o fato de que a juventude dele está escorrendo pelo ralo da educação estatal.
Luka, sentado à frente deles, ajustou os óculos com uma precisão cirúrgica. Ele era o único que parecia realmente pronto para a aula, com cadernos organizados e canetas alinhadas.
— Tecnicamente, a educação é a única ferramenta capaz de garantir que a juventude dele não seja desperdiçada em subempregos — Luka pontuou, a voz calma e formal. — Mas concordo que o barulho é desnecessário.
Um pouco mais afastada do centro do grupo, Sua permanecia em silêncio. Seus olhos escuros estavam fixos em um livro de poesia, a franja reta escondendo parte de sua expressão melancólica. Ao seu lado, Acorn, seu namorado, mantinha um braço possessivo sobre o encosto da cadeira dela. Ele sorria para os outros, o tipo de sorriso que parecia perfeito demais para ser real, mas seus dedos apertavam levemente o ombro de Sua, um comando silencioso que ninguém mais notava.
De repente, o som da porta se abrindo e o impacto da mão do professor na mesa silenciaram o ambiente.
— Bom dia, turma. Todos nos seus lugares — ordenou o professor, ajeitando os papéis. — Antes de começarmos, temos uma novidade. Uma aluna transferida passará a integrar nossa classe a partir de hoje.
O anúncio gerou uma onda instantânea de sussurros. Hyuna se inclinou para frente, os olhos brilhando.
— Aluna nova? A essa altura do campeonato? — murmurou ela.
— Provavelmente alguém que foi expulso de outro lugar — Ivan sugeriu, terminando seu doce e já preparando o próximo.
A porta se abriu novamente.
Mizi entrou na sala com a confiança de quem já era dona do lugar. A primeira coisa que chamou a atenção de todos foi o cabelo: uma cascata rosa vibrante que terminava em pontas de um azul profundo. Ela usava o uniforme de uma maneira que desafiava as regras da escola — a saia preta era um pouco mais curta do que o padrão, a camisa social estava com os primeiros botões abertos e a gravata pendia frouxa em volta do pescoço.
Mas o detalhe final era o pirulito. Ela o movia de um lado para o outro da boca, o palitinho branco saindo entre os lábios enquanto ela observava a turma com um olhar dourado e analítico.
O professor começou uma introdução formal, mencionando de onde ela vinha e pedindo que todos fossem receptivos. Mizi, no entanto, não disse uma única palavra. Ela não sorriu de forma tímida, não gaguejou um "prazer em conhecê-los" e certamente não parecia intimidada pelos trinta pares de olhos fixos nela.
Ela apenas ficou ali, parada, girando o pirulito com a língua.
Seu olhar começou a escanear a sala. Ela ignorou os garotos da frente que a olhavam de boca aberta e as meninas que já cochichavam sobre a cor do seu cabelo. Seus olhos dourados pararam no grupo do fundo.
Primeiro, ela viu o garoto de cabelo cinza. Till a encarava com uma carranca, os olhos verdes transbordando um mau humor que parecia crônico. Mizi sentiu uma vontade súbita de rir. "Ele parece um gato de rua que acabou de levar um banho", pensou ela.
Depois, seus olhos encontraram Ivan. Ele a observava com um interesse quase predatório, mas não de forma romântica — era o olhar de quem tinha encontrado um novo brinquedo para irritar. Ele levantou o chocolate em um brinde silencioso. Mizi arqueou uma sobrancelha, soltando um suspiro nasalado que indicava sarcasmo puro.
Hyuna, por outro lado, parecia pronta para pular da cadeira e abraçá-la. A empolgação da garota morena era quase palpável. Ao lado dela, o loiro — Luka — apenas acenou com a cabeça de forma polida, embora seus olhos amarelos estivessem estudando o comportamento da novata como se ela fosse um problema matemático complexo.
Por fim, Mizi olhou para a garota de cabelo curto e pele pálida. Sua. Havia algo de errado ali. Mizi notou como a garota parecia murcha, quase fundida à cadeira. E então, seus olhos desceram para baixo da mesa.
Acorn, o namorado de aparência impecável, estava segurando a mão de Sua. À primeira vista, parecia um gesto carinhoso de um casal de ensino médio. Mas Mizi, acostumada a ler as entrelinhas das pessoas, percebeu que Sua não estava retribuindo o aperto. Seus dedos estavam inertes. Ela parecia estar em outro lugar, suportando o toque em vez de apreciá-lo.
"Que clima estranho", Mizi pensou, mudando o pirulito de lado. "Talvez ela só seja do tipo difícil. Ou eles brigaram antes da aula."
— Mizi? — o professor a chamou, tentando retomar a atenção dela. — Pode se sentar naquela carteira vazia, atrás do Luka.
Ela não respondeu verbalmente. Apenas deu um aceno de cabeça indiferente e caminhou pelo corredor central. O som de seus sapatos batendo no chão era o único ruído na sala silenciosa. Ao passar pela mesa de Ivan, ele soltou um comentário baixo o suficiente para que apenas os que estavam perto ouvissem:
— Gostei do cabelo. Combina com o sabor do pirulito ou você só é fã de algodão-doce?
Mizi parou por um segundo. Ela se inclinou levemente na direção dele, o cheiro de cereja do doce flutuando no ar.
— É para combinar com o sangue dos engraçadinhos que falam demais — respondeu ela, com um sorriso sarcástico que não chegava aos olhos. — Quer um pedaço ou vai continuar babando no seu chocolate?
Ivan soltou uma risada genuína, surpreso com a rapidez da resposta. Till, ao lado, soltou um resmungo que soou como "idiotas", voltando a fechar os olhos.
Mizi finalmente chegou à sua carteira. Ela se sentou com uma elegância desleixada, cruzando as pernas e jogando a mochila de qualquer jeito no chão. Luka, à sua frente, virou-se ligeiramente.
— Seja bem-vinda. Se precisar de ajuda com o conteúdo perdido, minhas anotações estão à disposição. Sou o representante de classe — disse ele, o tom de voz perfeitamente modulado.
— Valeu, engomadinho — Mizi respondeu, já tirando um caderno amassado da mochila. — Vou tentar não estragar sua média perfeita.
Luka piscou, surpreso com o apelido, mas apenas voltou-se para a frente, anotando a data no topo de sua página.
A aula começou oficialmente. O professor falava sobre literatura clássica, mas a mente de Mizi estava longe dos livros. Ela observava a nuca de Luka, o jeito rebelde como Till se afundava na cadeira e a maneira como Hyuna tentava, sem sucesso, não olhar para trás a cada cinco minutos.
Mas seu olhar sempre acabava voltando para Sua. A garota não tinha aberto o livro didático. Ela continuava olhando para o nada, enquanto Acorn sussurrava algo em seu ouvido que a fazia tensionar os ombros.
Mizi mordeu o pirulito, quebrando o açúcar com um estalo seco.
Aquela escola parecia ser um tédio total para a maioria das pessoas, mas Mizi tinha um instinto aguçado para o caos. E, olhando para aquele grupo no fundo da sala, ela teve a nítida sensação de que sua estadia ali seria tudo, menos monótona.
— Isso vai ser divertido — murmurou para si mesma, um brilho travesso surgindo em seus olhos dourados.
A aula prosseguiu, mas o equilíbrio daquela sala de aula do terceiro ano havia mudado permanentemente. A novata de cabelo rosa e atitude ácida tinha chegado, e ela não parecia alguém que aceitaria as regras do jogo sem antes bagunçar todas as peças.
